Home Cidadania No início de júri popular sobre a Lava Jato, Kakay propõe ‘delação’
Julgamento

No início de júri popular sobre a Lava Jato, Kakay propõe ‘delação’

'Essa é a regra do processo penal brasileiro', diz advogado de defesa, afirmando que sua 'cliente' não está acostumada com o contraditório
Publicado por Redação RBA
15:47
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Reprodução
Kakay

Segundo Kakay, seus “representados” querem ser inscritos no panteão dos heróis da pátria

São Paulo – No início do tribunal popular organizado para “julgar” a Operação Lava Jato, que ocorre nesta sexta-feira (11) em Curitiba, o advogado de defesa, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, propôs uma “ampla e espontânea” delação, uma questão que, segundo ele, precederia a convocação do júri. “Essa é a regra do processo penal brasileiro hoje”, comentou Kakay, prometendo “entregar o agente público que vazou todas as delações”, as relações entre Ministério Público e Polícia Federal, aqueles que “fustigam” os que estão presos e os contatos com a mídia. Seria, talvez, segundo ele, “a primeira delação premiada espontânea” da operação.

“Essa, sim, vai expor as vísceras do Judiciário brasileiro”, prosseguiu o advogado, antes de pedir os benefícios, em troca da delação, para “as pessoas que estão mudando o Brasil”. Segundo ele, seus “representados” querem ser inscritos como heróis no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília, e também no Panteão da França.

Advogado de acusação no julgamento fictício, o ex-ministro Eugênio Aragão afirmou que é preciso apresentar provas e que estaria havendo uma usurpação da condição de heróis. E “acusou” a defesa de estar tumultuando o processo. Kakay replicou, mantendo a veia irônica: “A minha cliente não está acostumada com o contraditório”.

O tribunal popular é organizado pelo Advogadas e Advogados pela Democracia e pela Frente Brasil de Juristas pela Democracia. A previsão é de que a sentença seja lida depois das 22h. Pouco depois das 15h30, a transmissão ao vivo mostrava 36 mil visualizações e 730 compartilhamentos. 

Na terça-feira (8), um procurador da República de Bento Gonçalves (RS) pediu o impedimento do tribunal. O pedido foi negado.