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Morre Ustra, um dos principais nomes da repressão durante a ditadura

Chefe do DOI-Codi, coronel comandou, por quatro anos, órgão que torturou e matou presos políticos
Publicado por Redação RBA
11:40
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Ustra

Entre 1970 e 1974, quando Ustra comandava o DOI-Codi, mais de 500 pessoas teriam sido torturadas

São Paulo – O coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra morreu na madrugada de hoje (15), ao 83 anos, em um hospital de Brasília. Um dos principais nomes da repressão durante a ditadura civil-militar, Ustra fazia tratamento contra um câncer.

Ustra foi chefe do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), do II Exército, em São Paulo, entre 1970 e 1974. Em 2008, a Justiça o declarou culpado por casos de tortura e, em 2012, foi condenado a pagar indenização à família do jornalista Luiz Eduardo Merlino, morto nas dependências do DOI-Codi.

Segundo o projeto Brasil: Nunca Mais, 502 pessoas foram torturadas no DOI-Codi no período em que o órgão era comandado por Ustra. Em 2014, o nome do coronel aparece no relatório final da Comissão Nacional da Verdade, apoiado em documentos que registram a morte e desaparecimento de pelo menos 45 pessoas. Em depoimento à comissão, o coronel negou os casos de tortura, disse ter a “consciência tranquila”, e alegou que defendia o país contra a implantação da suposta “ditadura do proletariado”.

No mesmo ano, ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) pela morte do militante político Hélcio Pereira Fortes, em 1972. Em julho deste ano, o MPF entrou com denúncia contra o coronel, responsável pela prisão, tortura e morte do operário Carlos Nicolau Danielli, em 1972, ambos os casos ocorridos nos porões do órgão de repressão que comandava.

Em abril, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber suspendeu uma das ações penais contra Ustra, que tramitava na Justiça Federal em São Paulo. Atendendo a pedido feito pela defesa do militar, a ministra disse, na decisão, que suspendeu a ação, pois era necessário aguardar o julgamento da Lei da Anistia, pela própria Corte.

Com informações da Agência Brasil

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