relatório ONU

Para Frei Betto, educação é um ‘nó’ para o avanço do IDH brasileiro

Escritor e assessor de movimentos sociais avalia que, apesar de melhoria nos índices da área de saúde, desigualdade e ensino seguem como empecilhos para melhoria do quadro nacional

cc/ hojeemdia
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São Paulo – Para o assessor de movimentos sociais Frei Betto, a educação é o “nó” que impede o avanço do Brasil no relatório sobre Índice de Desenvolvimento (IDH) da ONU. “Embora quase todas as crianças cursem o ensino fundamental, faltam creches e há uma grande evasão no ensino médio”, afirma em seu comentário, hoje (4), à Rádio Brasil Atual.

De acordo com o relatório, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) da ONU no último dia 24, o Brasil está em 79º lugar entre os 187 países abrangidos. Em uma escala de 0 a 1, o país aparece com a nota 0,744, ou seja, apresenta “desenvolvimento humano elevado”. “Melhorou comparado com o último relatório, mas ainda nós andamos mal das pernas. Da América Latina o nosso país não é o primeiro, tem quatro países que ocupam melhor posição que o Brasil”, diz Frei Betto.

O Chile ocupa o 41º lugar, seguido de Cuba em 44º, Argentina, em 49º, e, Venezuela, em 67º. “Esse diagnóstico reconhece que o Brasil avançou em quase todos os quesitos, mas tropeçou em um muito importante: educação”, argumenta o escritor. O relatório elogia o programa Bolsa Família, o aumento de consumo das classes de baixa renda, o avanço do emprego e a redução das disparidades raciais, que se deu graças ao sistema de cotas nas universidades brasileiras.

“Apesar disso, o governo federal não gostou muito do que ouviu. Ele alega que a saúde no Brasil está bem melhor do que aponta o relatório e que o nosso país merecia não o lugar 79, e sim o lugar 67.” A ONU se baseou em dados do IBGE de 2010 a 2012. Segundo a gestão Dilma Rousseff, dados mais recentes mostram uma situação melhor.

A expectativa do brasileiro é de 73 anos e 9 meses, segundo a ONU, e de 74 anos e oito meses, de acordo com os dados do governo. Frei Betto aponta que na década de 1980 a expectativa de vida do brasileiro não passava de 64 anos e esse prolongamento se deve à redução da mortalidade infantil. “Diga-se de passagem que esse programa Mais Médicos, depois que passou a funcionar, ele trabalha sobretudo na prevenção”, completa. Outras políticas do governo, como as de direitos sexuais reprodutivos e ampliação do atendimento de emergência em hospital, são indicadas como positivas.

No entanto, Frei Betto avalia que, se o balanço da ONU considerasse a desigualdade social, o Brasil ia passar para a posição 95. “Embora a nossa desigualdade tenha diminuído na ultima década, aqui os 10% mais ricos têm em mãos 42% da renda nacional”, afirma.

Ouça o comentário completo na Rádio Brasil Atual: