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Militares reafirmam críticas a Dilma, afrontam Amorim e condenam Comissão da Verdade

por Da redação do Sul21 publicado 29/02/2012 13h09, última modificação 29/02/2012 14h31

Militares afirmaram que não reconhecem autoridade no ministro da Defesa, Celso Amorim, para proibi-los de emitir opiniões(FOTO Fabio Rodrigues Pozzebom/Ag. Brasil)

Porto Alegre – Militares da reserva reforçaram ontem (28) os recentes ataques feitos por clubes militares à presidenta Dilma Rousseff e afirmaram que não reconhecem autoridade no ministro da Defesa, Celso Amorim, para proibi-los de emitir opiniões. As informações constam em nota assinada por 98 militares e intitulada “Eles que Venham. Por Aqui Não Passarão”.

“Em uníssono, reafirmamos a validade do conteúdo do manifesto do dia 16″, afirma a nota divulgada ontem, que lembra que o texto anterior foi tirado da internet “por ordem do ministro da Defesa, a quem não reconhecemos qualquer tipo de autoridade ou legitimidade para fazê-lo”. Agora, os militares dizem que o “Clube Militar [da qual a maioria faz parte] não se intimida e continuará atento e vigilante”.

O documento critica fortemente a Comissão da Verdade, que apontará, sem poder de punir, responsáveis por mortes, torturas e desaparecimentos na ditadura. Aprovada no ano passado, a comissão apenas aguarda a indicação dos membros para começar a funcionar. “[A comissão é um] ato inconsequente de revanchismo explícito e de afronta à Lei da Anistia com o beneplácito, inaceitável, do atual governo”, diz o texto, endossado por 13 generais.

Apesar de fora da ativa, todos ainda devem, por lei, seguir a hierarquia das Forças, das quais Dilma e Amorim são os chefes máximos. O novo texto foi divulgado no site “A Verdade Sufocada”, mantido pela esposa de Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel reformado do Exército e um dos que assinam o documento. Ustra, ex-chefe do DOI-Codi (aparelho da repressão do Exército) em São Paulo, é acusado de torturar presos políticos na ditadura, motivo pelo qual é processado na Justiça.

A atual nota reafirma o teor de outra, do último dia 16, na qual os clubes Militar, Naval e de Aeronáutica fizeram críticas a Dilma, dizendo que ela se afastava de seu papel de estadista ao não “expressar desacordo” sobre declarações recentes de auxiliares e do PT contra a ditadura. Após mal-estar e intervenção do Planalto, de Amorim e dos comandantes das Forças, os clubes tiveram de retirar o texto da internet.

A primeira das três declarações que geraram a nota foi da ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos), para quem a Comissão da Verdade pode levar a punições, mesmo com a vigência da Lei da Anistia. Depois, Eleonora Menicucci (Mulheres) fez em discurso “críticas exacerbadas aos governos militares”, segundo o texto. Já o PT, em uma resolução, disse que deveria priorizar o resgate de seu papel para o fim da ditadura.