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Banda Jet Set mistura regionalismos com rock internacional

por guibryan1 publicado 19/04/2012 15h39

Desaque na cena emergente, a banda Jet Set chega ao terceiro CD (©Viridiana Brandão/divulgação)

Letras politizadas, mas também lúdicas e serenas; solos de guitarras eletrizantes; baladas entusiasmadas; certo regionalismo com pitadas western; e referências ao melhor rock internacional. Essas são as armas apresentadas pela ótima banda campineira Jet Set para conquistar um espaço seguro e de destaque no pop rock nacional.

O nome do terceiro álbum, “Canções de Guerra”, é apropriado para um trabalho bastante coeso, em que as faixas dialogam umas com as outras, criado por quem está há 13 anos na estrada e retorna agora após uma ausência de quatro anos dos estúdios. O álbum anterior havia sido “Ultravioleta”.

O vocalista Eli Muzamba (autor de todas as letras), o guitarrista Chula, o baixista Fábio Breseghello e o baterista Cristiano Quinália abrem o álbum com o potente rock “Petróleo”, com efeitos criados pelo tecladista Michel Cury que remetem ao Rush, e letra marcada por crítica política para os tempos de pré-sal: “Fogo movendo potentes motores, / fogo ebulindo por entre os rumores / Fogo incansável, fogo sem fim. / Levando o meu mundo e o que sobra de mim. / Quanto tempo o mundo tem?”. Ela dialoga com a balada “Superstar”: “Poderes atômicos, soco estelar / aviões supersônicos vão decolar, / bombas, asas, miras, prótons, mapas, / fonte nuclear, / bisturis, catéteres, pistolas, proteção solar / Um superstar!”.

A segunda faixa também é uma empolgada balada, “Incansáveis”, com certo toque de Franz Ferdinand; e a espécie de balada funkeada “Giropeio”, que é uma gíria regional mineira e remete aos contos de João Guimarães Rosa. Nela, os vocais de Eli lembram Thedy Correa, do gaúcho Nenhum de Nós.

Segundo o release do álbum, o desfecho para essa história de pistoleiro está na última canção, “Duelo”, com solos de guitarra e certo clima de faroeste: “Do quanto levou pra ver finda essa rusga, / de como me foi profunda essa chaga / E agora só ouvem meus cascos em fuga / e em cada cidade meu grito se espalha”.

Chula e Fábio Breseghello provam ser músicos bastante energéticos nos vibrantes rocks “Facção”, que conta com a sirene da polícia, e “Impostor”: “Qual será o calibre da canção? / E o timbre exato da demolição? / E peço que perdoe, / caso eu não exploda por aí”. Ela abre espaço para a melhor faixa do álbum, pronta para tocar nas rádios e ser gritada a plenos pulmões, “Trapaça”, em que Eli Muzamba comprova ser um vocalista de fibra. Já “Farrapo” é bastante enriquecida pela presença dos metais dos convidados especiais Marcelo Valezi (saxofone tenor), Alexandre Oliveira (trompete) e Odirlei Machado (trombone).

Portanto, “Canções de Guerra” podem ser consideradas armas vitoriosas para a banda campineira. Elas demonstram a maturidade alcançada por quem já está na estrada há tanto tempo e utilizou muito bem o tempo ausente dos estúdios para voltar com toda a vontade de provar que ainda se faz rock, e com muita qualidade, no Brasil.

Vale destacar mais uma vez aqui que essa cidade do interior de São Paulo há vários anos tem se destacado como uma das que apresentam as melhores novas bandas, ao lado de Curitiba, Belo Horizonte Recife e Fortaleza, além, é claro, de Rio de Janeiro e São Paulo.

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