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Dorina confirma por que é rainha do samba

por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual publicado 16/02/2011 14h23

Dorina iniciou a carreira com sucesso, recebendo o prêmio Sharp de 1996 na categoria revelação samba (Foto: Ronaldo Garcia/Divulgação)

Completando 15 anos de carreira, a cantora carioca Dorina lança o sétimo álbum, “Brasileirice”, onde comprova porque é um dos maiores nomes do samba atual, passeando pela obra de compositores como Nei Lopes, Arlindo Cruz e Zé Renato, entre outros, e prestando justa homenagem a Dona Ivone Lara. Para divulgá-lo, a artista estará na quinta-feira (24/2), às 21h, no Bar Traço de União, em Pinheiros, em São Paulo, acompanhada de Roberto Chamma (violão), Jeferson Zebrinha (pandeiro) e Rafael Perninha (cavaquinho).

Criada junto a blocos carnavalescos como os Bohêmios de Irajá, da periferia carioca, Dorina iniciou a carreira com sucesso, recebendo o prêmio Sharp de 1996 na categoria revelação samba, pelo álbum “Eu Canto Samba”, em que interpreta canções de compositores como Paulinho da Viola, Chico Buarque, Paulo César Feital e Altay Veloso. Em seguida, ela participou de um tributo a Noel Rosa e realizou show contando, em sambas, a história da escola de samba Portela e dos compositores Paulo da Portela e Paulinho da Viola. Também realizou um álbum em homenagem ao músico Almir Guineto e dividiu o palco com, entre outros, Zeca Pagodinho e Dona Ivone Lara.

Dona Ivone Lara é homenageada no “Pagode da Dona Ivone”, que conta com citação de duas composições dela, “Alguém Me Avisou” e “Sonho Meu”, essa em parceria com Delcio Carvalho. A presença dessa artista permanece forte em praticamente todo o disco “Brasileirice”, que Dorina descreve no encarte: “Brasileirice nasce assim, só de mãe. Numa guerra entre o sensato e o passível de descalabros, mas cheio de consciência antropofágica, ele vem. Auriverde de todas as cores”. A proposta parece ser completada na faixa-título, de Luiz Carlos da Vila e Luiz Carlos Máximo, que mistura samba com futebol: “É o samba, é o frevo, a dança dos nervos / Paixão que balança / Corações e mentes, no jogo mais quente / Pra desempatar / Aquela saída, aquele jeitinho / Bem brasileirinho de se conversar”.

Essa antropofagia e mistura de cores fica clara desde a faixa que abre o álbum, o doce e romântico samba “Cândidas Neves”, de Zé Renato e Nei Lopes, que parece fazer referência à tradição do violonista e compositor Cândido das Neves: “Lua cheia / Que ilumina o meu caminho / Diz a ela que eu quero ficar mais sozinho / Bem quietinho, / contemplando o firmamento / Abraçado com ela no meu pensamento”. É difícil não se empolgar com a charmosa “Cantar do Rio”, em que presta uma homenagem à cidade-natal, descrita por Ricardo Vilas como a terra “onde o samba nasce / E não se põe que nem o sol / Se renova com cada dia / E comprova na boemia”. Também bastante contagiantes são o dueto com a voz poderosa de Mart’nália em “Soberana” e o samba-choro “Mercado da Ilusão”, de Monarco e Mauro Diniz.

Entre as regravações, estão “Dor de Amor”, de Délcio Carvalho e Dedé da Portela, gravada originalmente por Roberto Ribeiro; “Toda Minha Verdade”, revelada pelo grupo Fundo de Quintal; e “Noves Fora”, sensacional parceria bissexta de Fagner e Belchior, dada de presente a Wilson Simonal em 1972. Aliás, a canção tem toda a malemolência desse artista e soa ainda mais charmosa na voz de Dorina, que também se arrisca na composição da aconchegante “Festa da Vida”, parceria com Roberto Chama e Perninha. O final é apoteótico com a espécie de samba prece “Porta-voz da Alegria”, de Roberto Chama: “Vou na fé do meu Senhor / Não tenho medo de nada / Cumpro com amor o que Deus me ensinou”.

Lançamento de “Brasileirice”

Data: 24 de fevereiro (quinta-feira), às 21h.
Rua Cláudio Soares, 73. Pinheiros. Telefone: (11) 30318065

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