Destino de um povo?

Modelo econômico condena América Latina ao subdesenvolvimento e à desigualdade

Ao sucumbir ao neoliberalismo, continente se desfaz de projetos nacionais de desenvolvimento, expondo ao sacrifício seus recursos naturais e seu povo

Unesco
Sem políticas de desenvolvimento, países da América Latina promovem o empobrecimento das populações, em favor de suas elites

Antecipando-se à ocupação capitalista que se instalou dominantemente somente ao final do século 19, o processo de colonização da América Latina serviu de gênese da acumulação primitiva europeia. Antes disso, somente o México, por exemplo, respondeu por cerca de quatro quinitos de todo o ouro apropriado pela Europa.

Com isso, o avanço na ocupação do território assentado fundamentalmente na apropriação de terras e na concentração patrimonial. Consequentemente, a estruturação profundamente desigual de sociedades entre os indivíduos em áreas convertidas em entrepostos comerciais.

Após contribuir com a formação e desenvolvimento capitalista no velho continente, a América Latina foi submetida à condição periférica na hierarquia de poder estabelecida pela divisão internacional do trabalho. Na longa e grave depressão capitalista do último quarto do século 19, a formação capitalista ganhou dimensão crescente na América Latina, submetida que foi à situação de produtora primária de recursos naturais e minerais por meio do uso da mão de obra barata em troca da importação de bens industriais com maior agregação de valor provenientes da Europa.

Em síntese, o acesso à primeira Revolução Industrial e Tecnológica transcorreu tardiamente pelo capitalismo na região, dependente, portanto, do exterior.

Foi somente depois da Grande Depressão de 1929 que países latino-americanos passaram a transitar para a nova sociedade urbana e industrial, distanciando-se em maior ou menor medida do antigo e longevo agrarismo. Com projetos de industrialização nacional adotados em alguns poucos países da região, o mercado interno de consumo passou a se tornar essencial, recebendo, inclusive, recursos externos derivados de investimentos do exterior que permitiram internalizar os avanços da segunda Revolução Industrial e Tecnológica.

Não obstante todo o progresso material alcançado entre as décadas de 1930 e 1970, o subdesenvolvimento permaneceu presente. As mudanças substanciais na estrutura social não se mostram suficientes para abandonar a marca internacional de região de maior desigualdade e exclusão social.

Ao final do século 20, com o ingresso na globalização neoliberal, a América Latina terminou por se desfazer da perspectiva do projeto nacional de desenvolvimento, especialmente nos países onde a estrutura industrial encontrava-se mais avançada. O resultado passou a ser o da regressão na base produtiva manufatureira, com crescente retorno à dependência da produção e exportação de bens primários, cada vez mais assentados novamente no barateamento da mão de obra e na exploração dos recursos naturais e minerais.

Ao completar o primeiro quinto do século 21, a América Latina aponta para um distanciamento do curso da terceira Revolução Industrial e Tecnológica. Da mesma forma, evidencia a presença de um conjunto de mudanças importantes relacionadas à transição antecipada para a sociedade de serviços, bem como o deslocamento migratório de parcela de sua população para outros países do norte.

Expressão disso pode ser observada na atualidade da região que se caracteriza por recepcionar recursos monetários dos emigrantes latino-americanos para seus respectivos países em quantidade superior ao total dos investimentos diretos do exterior.

Também as cenas da deportação de emigrantes ilegais e decisões governamentais voltadas à perseguição de latino-americanos no Estados Unidos abundam atualmente sem praticamente haver reação nacional.


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