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A nova divisão regional: Sudeste perde para restante do país

Entre 2010 e 2014, a riqueza na região foi a que menos cresceu no Brasil, com apenas 2,4% enquanto média anual. No Nordeste, o crescimento de 4,1% ao ano em média

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Projetos de geração de energia eólica: investimentos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste

A divisão regional da riqueza no Brasil vem sendo alterada de forma significativa nos últimos anos. Após uma longa trajetória desde o segundo pós-guerra do século passado em que a locomotiva paulista puxava os vagões da federação, assiste-se no período recente o desempenho das demais regiões em ritmo bem superior ao do Sudeste.

Exemplo disso pode ser observado pelas distintas velocidades decorrentes da expansão da riqueza segundo a divisão do país em grandes regiões geográficas. Entre 2010 e 2014, a riqueza gerada na região Sudeste foi a que menos cresceu no Brasil, com apenas 2,4% enquanto média anual.

No outro extremo, constata-se a região Nordeste que aumentou a riqueza ao ritmo de 4,1% ao ano, em média. Para o mesmo período de tempo entre 2010 e 2014, o Nordeste registrou crescimento superior da riqueza em 71% do verificado na região Sudeste.

Na sequência, observa-se a expansão da riqueza na região Norte, cuja variação média anual foi de 3,8% entre 2010 e 2014. Ou seja, 58% acima do desempenho registrado pelo Sudeste.

Por fim, o desempenho das regiões Sul e Centro Oeste, com crescimento de 3,6% e 2,9%, respectivamente. Em comparação com o Sudeste, a região Sul colheu resultado 50% superior, enquanto a região Centro Oeste foi 21% maior também entre os anos de 2010 e 2014.

Diante do desempenho diferenciado da economia nacional, segundo as grandes regiões brasileiras, pode-se reconhecer o movimento de redução das desigualdades regionais no país. Isso porque as grandes regiões geográficas com menor desenvolvimento foram aquelas com mais rápido crescimento econômico.

Certamente, as políticas de descentralização do desenvolvimento adotadas no período foram as principais responsáveis pela redução nas desigualdades regionais. Seja pelas políticas de elevação do salário mínimo e expansão no nível de emprego e ampliação dos programas de garantia de renda, seja pelas medidas de ampliação do crédito e descentralização do investimento produtivo e em infraestrutura pelo governo federal e empresas estatais, o certo é que tudo isso impactou positivamente o nível de riqueza nas regiões até então tratadas como problemas pelos governos anteriores. Passaram a ser a solução.

Dessa forma, o quadro consolidado de enorme e inegável concentração da riqueza em contido espaço territorial do país ao longo de muito tempo passa, atualmente, por seu esvaziamento. Essa boa noticia, contudo, precisa ser considerada à luz do enfraquecimento do setor industrial no Brasil, que atinge fundamentalmente a região Sudeste.

Ainda que tenha havido avanço do setor de manufatura para fora da região Sudeste, parece inegável reconhecer, por exemplo, o processo de desindustrialização paulista. Nesse sentido, o desenvolvimento de um programa de reindustrialização no Brasil seria fundamental para permitir apoiar e consolidar o novo momento regional brasileiro.

Márcio Pochmann é professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp