patrimônio

Organizações responsabilizam governo brasileiro e exportadores por proteção da Amazônia

Debate realizado nesta quinta-feira em Madri mostrou também a necessidade de envolver toda a sociedade mundial nos esforços de proteção da floresta

Ascom Ideflor-Bio
Floresta: empresas podem contribuir para preservação se produtos da economia florestal forem legais e certificados

São Paulo – Um debate realizado nesta quinta-feira (12) em Madri, como parte da participação do Brasil nos eventos da conferência do clima COP-25, mostrou a necessidade de envolver toda a sociedade mundial nos esforços de proteção da floresta amazônica, que se tornou alvo de queimadas com o governo Jair Bolsonaro, cujo discurso tem estimulado também a violência às populações indígenas. Na abertura, o deputado Nilto Tatto (PT-SP) enfatizou que a atividade estava sendo promovida no local porque o Brasil, ao contrário de todas as 24 COPs anteriores, não tinha um espaço oficial. Em seguida falou do documento redigido e assinado por mais de 100 ONGs brasileiras em defesa da Amazônia, iniciativa que se deu a partir de um seminário promovido na Câmara dos deputados por iniciativa da Comissão de Meio Ambiente e da sociedade civil.

O documento reconhece a necessidade de envolvimento internacional na questão, que ficou ainda mais patente no debate desta quinta-feira. Além dos desmandos do governo que dizimou a fiscalização ambiental, o documento chama a atenção para o papel das empresas, que podem contribuir para a preservação se os produtos relacionados à economia da floresta forem todos legais e certificados. Isso seria um instrumento estratégico para evitar as grilagens de terras públicas, desmatamento ilegal e com violações dos direitos das populações locais.

Participaram também os deputados Rodrigo Agostinho (presidente da Comissão de Meio Ambiente, PSB-SP), Camilo Capiberibe (PSB-AP), Zé Silva (SD-MG), Paulo Bengston (PTB-PA), Neri Geller (vice-presidente da Comissão de Agricultura, PP-MT) e Edilazio Junior (coordenador da Comissão mista de Mudanças Climáticas, PSD-MA). O debate contou ainda com as participações de Mário Mantovani (SOS Mata Atlântica) e Márcio Astrini (Greenpeace).

Agnes Franco

A posição do governo foi questionada diversas vezes por deputados

A posição do governo foi questionada diversas vezes por deputados como Tatto, Rodrigo Agostinho e Capiberibe. “Eu sou membro da delegação brasileira e não sei qual é a posição oficial do Brasil”, questionou Rodrigo, que, nos bastidores, lamentava o fato de as notícias sobre o posicionamento do país chegarem sempre por outros países”.

Capiberibe foi enfático nas críticas ao governo e classificou como contraditórias suas posições, lembrando que o mesmo governo que sempre atacou as ONGs, inclusive acusando o Greenpeace de ter jogado óleo no litoral brasileiro, foi o mesmo que pediu para usar o espaço da sociedade civil na COP-25. E ainda lembrou que ele e Tatto denunciaram Salles por ter recebido um infrator do meio ambiente, que teria ameaçado de morte um fiscal do ICMBio.

O debate que tratou das políticas ambientais (ou ausência delas), segundo Tatto, foi um momento importante para que os parlamentares dialoguem cada vez mais para encontrar soluções para o campo e para a floresta. Ao final, os deputados acordaram a organização de um seminário para buscar soluções comuns.

Com informações de Agnes Franco, de Madri

Confira íntegra do documento das entidades e parlamentares