Home Ambiente São Paulo terá plano de contingência para enfrentar falta d’água
em crise

São Paulo terá plano de contingência para enfrentar falta d’água

Governador admite possibilidade de rodízio de abastecimento, mas deixa decisão para 'fim de fevereiro, meio de março' e garante que está tudo mapeado
Publicado por Rodrigo Gomes, da RBA
14:35
Compartilhar:   
Gabriel Soares/Brazil Photo Press/Folhapress

haddad_alckmin_agua.jpg

Reunião do comitê de crise teve Haddad e Alckmin, que admitiu possibilidade de racionamento

São Paulo – O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou hoje (13) que o estado, sobretudo a região metropolitana da capital, terá um plano de contingência para enfrentar a crise hídrica. O anúncio foi feito após a primeira reunião do Comitê de Crise Hídrica, que reúne prefeituras, secretarias de governo, entidades não governamentais (ONGs), universidades e institutos de Defesa do Consumidor.

De acordo com o governador, o documento será preparado para o pior cenário de regime de chuva a que se pode chegar neste ano. “Para o caso de precisar de um rodízio no abastecimento de água, termos tudo mapeado, mas todos os esforços estão sendo feitos para superar a crise e o período seco”, disse.

Alckmin, porém, não descartou a possibilidade de rodízio. “Isso é uma questão que avaliamos permanentemente, mas no fim de fevereiro, meio de março, vamos verificando. Todas as medidas já estavam sendo tomadas, e agora, com o comitê técnico, serão integradas e ampliadas. Todo trabalho será feito para evitar o rodízio.”

Para o prefeito da capital, Fernando Haddad (PT), presente ao encontro, um prazo adequado para apresentação do plano seria em 30 dias. Ele considerou que os dados apresentados na reunião afastam a possibilidade de rodízio de abastecimento na capital.

“O que nos foi apresentado hoje mostra que o pior cenário afasta a possibilidade de rodízio. Prepararemos tecnicamente um plano de contingência esperando não usá-lo”, afirmou.

O plano era uma reivindicação dos prefeitos das cidades que são abastecidas pelos sistemas Cantareira e Alto Tietê, que têm a pior condição de reserva de água. Será previsto, por exemplo, como deve ser feito o abastecimento de instituições que não podem prescindir do fornecimento de água, como escolas, hospitais e penitenciárias.

Os prefeitos, além de pedirem a formação do comitê e a elaboração de um esquema de contingência, querem a adoção de medidas de comunicação para manter a população informada.

O secretário estadual de Recursos Hídricos, Benedito Braga, disse que não há um percentual-limite no Cantareira que indique a necessidade de racionamento. “Não existe ainda esse gatilho. Vamos estudar com esse plano de contingência e, se for preciso adotar alguma medida mais restritiva do que da redução de pressão, vamos ver que tipo de medida vai ser adotada.”

O cálculo do governo paulista aponta como situação mais crítica uma afluência – entrada de água nos reservatórios – abaixo de 8 metros cúbicos por segundo (m³/s). Hoje, a demanda é de aproximadamente 14 m³/s. O que faltaria de água – 6 m³/s – será providenciado, segundo o governador, por obras emergenciais que aumentariam a captação em outras reservas, como o Rio Guaió e as represas Guarapiranga e Rio Grande.

Com reportagem da Agência Brasil