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A bancários, presidente do Santander nega venda de operação no Brasil

por Redação da RBA publicado , última modificação 13/06/2012 18h13

São Paulo – Em reunião com representantes dos bancários, o presidente do Santander Marcial Portela afirmou hoje (13) que o banco não está à venda e não deixará de operar no Brasil. O encontro ocorreu a pedido dos presidentes da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Carlos Cordeiro, e do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira, preocupados com a situação dos trabalhadores diante dos boatos de venda da subsidiária do Santander no Brasil. Além deles, participou da reunião a diretora de finanças do sindicato dos Bancários de São Paulo Rita Berlofa, também dirigente da Afubesp, associação que representa funcionários e aposentados do grupo Santander Banespa.

“É importante ouvir a palavra do presidente do banco sobre a situação real da empresa, depois de diversos boatos de venda e fusão que colocam em risco o emprego de milhares de trabalhadores”, disse Cordeiro. Segundo seu relato, Portela admitiu aos sindicalistas que a Europa vive momentos difíceis, mas foi categórico ao afirmar que o banco "não está em dificuldades e não tem intenção de deixar sua operação no Brasil”. O executivo também enfatizou a disposição de dialogar com o movimento social.

Para a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, estão em jogo “a situação dos 55 mil trabalhadores da instituição no Brasil e a concentração do sistema bancário brasileiro, prejudicial para a sociedade”. 

Na opinião de Cordeiro, apesar de o encontro ter sido “produtivo”, a apreensão persiste. “A história recente mostra que alguns boatos não se concretizam, outros sim”.  Os bancários aguardam para a próxima semana reuniões com o Banco Central e com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça, para discutir a concentração no sistema financeiro. “Cinco empresas dominam mais de 80% do sistema no país e nos preocupa, porque as fusões só são boas para os bancos. Trabalhadores e consumidores sempre sofrem com esses processos.”

Os sindicalistas também vão pedir à presidenta Dilma Rousseff empenho para evitar maior  concentração e apoio à realização da conferência nacional do sistema financeiro, a exemplo de outras conferências realizadas pelo governo federal com objetivo de ouvir propostas da sociedade.

Compromisso

Os representantes dos bancários também cobraram de Portela a adesão do Santander à Declaração sobre a Venda Responsável de Produtos Financeiros, documento elaborado pela United Networks International (UNI), rede global de sindicatos do setor de serviços com 900 entidades filiadas em 150 países. O dirigente se comprometeu a analisar o documento. 

A declaração defende o fim das metas abusivas e o compromisso de uma “cultura interna de negócios e procedimentos operacionais”, pelo estabelecimento de uma relação ética com a clientela. Entre os pontos, estão a garantia de que os sistemas de incentivo para os empregados sejam realistas, justos e transparentes, baseados em objetivos sustentáveis.

Os trabalhadores querem garantia, também, de que os produtos financeiros sejam adequados para as necessidades dos consumidores. A UNI Finanças, braço da UNI Sindicato Global, representa cerca de 3 milhões de trabalhadores de bancos e empresas de seguros em todo o mundo.