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Número 26, Julho 2008

Em Transe

A máquina somos nós

Muita gente caiu na rede e descobriu como é legal interagir para obter e produzir informações
por Rodrigo Savazoni publicado , última modificação 13/11/2017 17h51
Muita gente caiu na rede e descobriu como é legal interagir para obter e produzir informações
divulgação
metro

Estima-se que há no país cerca de 50 milhões de internautas com mais de 16 anos. Contando com a legião de menores de 16, já somos uns 70 milhões. O Brasil é o país onde as pessoas mais passam tempo navegando, conforme dados de abril divulgados pelo Ibope/Net Ratings. Ainda assim, há quem tema a internet e as mudanças que ela promove. Muita gente simplesmente não a entende. Quem entra, porém, não vive mais sem. Um vídeo que ajuda a compreender essa explosão de interesse, fascínio e apreensão, é A Máquina Somos Nós, produzido pelo professor-assistente de Antropologia Cultural da Universidade do Kansas, Michael Wesch. Está no YouTube (www.youtube.com/watch?v=NJsacDCsiPg). Fala de uma coisa chamada Web 2.0. Para explicar a expressão, recorro justamente a um dos sites da Web 2.0: Wikipedia, a maior enciclopédia do mundo, feita da colaboração entre internautas. Nela, a gente produz os verbetes, outras pessoas acrescentam informações, melhoram e fazem consultas.

E o que a Wikipedia diz sobre Web 2.0? “É um termo cunhado em 2004 pela empresa estadunidense O’Reilly Media para designar uma segunda geração de comunidades e serviços baseados na plataforma Web, como wikis, aplicações baseadas em folksonomia e redes sociais”. Complicou? Para simplificar, então: Web 2.0, por exemplo, é o Orkut, site de relacionamento produzido pelos usuários, onde se pode criar comunidades , conhecer pessoas, organizar fotos, vídeos, visitar amigos, mandar mensagens, enfim... Outro exemplo é o Delicious (http://del.icio.us), que permite catalogar e compartilhar com outras pessoas dicas de páginas favoritas. Esse processo, de cidadãos organizando conteúdos, ganhou o nome de “folksonomia”.

O próprio YouTube pertence a esse cenário 2.0. Nele, quase nada do conteúdo disponível é produção da empresa que criou o serviço. São os usuários que mandam, produzem, trocam e interagem. Para se ter uma idéia do fenômeno, o YouTube, no Brasil, está entre os dez sites mais acessados de todos. É o quarto no ranking Alexa (www.alexa.com).

A Web 2.0 é a grande responsável por tanta gente gostar da rede. Poderíamos também chamá-la de Web Social, nome que me agrada mais, porque Web 2.0, como citado acima, é criação de uma empresa. Não passa de um rótulo para algo que segundo Tim Berners Lee, o pai da internet, é a própria essência desse novo meio de comunicação.

Também gosto da expressão Web Social porque os sites que fazem sucesso são justamente aqueles que se moldam às nossas vidas. Exemplo: na época do analógico, tirávamos as fotos, colocávamos no álbum e esperávamos uma visita para compartilhar. Hoje, basta criar um fotolog e enviar o link, que mesmo aquele amigo que mora muito longe pode acompanhar a sua história. Os sites estão cheios de serviços assim. O site Fotolog (www.fotolog.com), por exemplo, é o número 18 no ranking Alexa. É um site social, 2.0, se você preferir. Um sucesso.

O filme de Wesch, de menos de dez minutos, explica como é que isso tudo surgiu, de forma bem didática. Nele, há uma frase que sintetiza o que escrevi até agora: “A web não é mais apenas para ligar informações, a web é para ligar pessoas, a Web 2.0 é para ligar pessoas, compartilhando, trocando e colaborando”. Por isso a nossa vida mudou.

Metrô virtual

Quem trafega pela internet passa por essas estações. A representação da Web 2.0 é uma grande sacada da Information Architects Japan, inspirada num clássico do design moderno, o mapa não geográfico do metrô de Londres, concebido por Harry C. Beck em 1931. A base: um circuito elétrico.

Ambulantes no trem

Um grupo de estudantes da faculdade paulista Anhembi-Morumbi – Ana Paula Silva, Fausto Sposito, Fernanda Morais Moura, Flávio Nunes e Marcel de Lima – fez um trabalho magnífico sobre a situação dos ambulantes que atuam nos trens da região metropolitana de São Paulo. Usaram textos, áudios, vídeos, fotografias, mapas interativos para contar histórias de homens e mulheres que diariamente batalham pela sobrevivência nos vagões da CPTM. Também oferecem ao internauta um conjunto de análises, com economistas e especialistas, que contextualiza o fenômeno da informalidade, tão característico deste Brasil desigual. Confiram como já é o jornalismo do futuro. (www.ambulantesnotrem.com).

Abuso sexual infantil

A equipe de reportagem do JC Online, de Pernambuco, um dos maiores e mais importantes jornais regionais do Brasil, ganhou todos os mais importantes prêmios nos últimos anos, inclusive o latino-americano de jornalismo, concedido pela Fundación para El Nuevo Periodismo Latino-Americano (FNPI), criada pelo escritor colombiano Gabriel García Márquez. A equipe, coordenada por Juliana de Melo, acaba de lançar um novo trabalho, extenso, detalhado, muito bem apurado, sobre o abuso sexual infantil. Tema difícil, delicado, que mexe no íntimo de famílias. O resultado é surpreendentemente bom. (www2.uol.com.br/JC/sites/abuso/index.html).

Use a seu favor

Ótima leitura para se aprofundar nos temas desta coluna é o livro Conectado - O Que A Internet Fez com Você e O Que Você Pode Fazer com Ela, (Jorge Zahar, 2007). Ajuda a entender a rede desde sua formação até os dias atuais. Juliano Spyer, jornalista experiente, há anos trabalha com internet e mídias sociais. É também autor de um excelente blog, chamado Não Zero (www.naozero.com.br).

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