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Política da Petrobras segue trajetória de Pedro Parente, diz Enio Verri

Para parlamentar, tanto medidas para contornar greve dos caminhoneiros como nomeação de novo presidente da estatal mostram que o essencial, o papel da empresa no país, não sofrerá mudanças
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 04/06/2018 19h30, última modificação 05/06/2018 07h53
Para parlamentar, tanto medidas para contornar greve dos caminhoneiros como nomeação de novo presidente da estatal mostram que o essencial, o papel da empresa no país, não sofrerá mudanças
Agência Brasil
Caminhão tanque

No primeiro dia da gestão do novo presidente da Petrobras, caminhões deixam refinaria com gasolina mais cara

São Paulo – As saídas adotadas pelo governo Michel Temer para contornar a crise que derrubou Pedro Parente da presidência da Petrobras, após a greve dos caminhoneiros, não introduzem nenhuma novidade no papel da estatal no cenário. Tanto ao nomear o novo presidente da estatal, o executivo do mercado Ivan Monteiro, como ao cortar verbas em saúde, educação e transporte para viabilizar a queda de R$ 0,46 no litro do diesel por 60 dias, o governo mostra que tudo continua como antes.

“Vemos a prova de que não vai mudar nada na política da Petrobras. As manifestações e a greve de advertência dos petroleiros eram no sentido de se mudar o papel da Petrobras no cenário brasileiro. Com a escolha desse executivo, vemos que vai continuar o mesmo trabalho que o Pedro Parente vinha fazendo”, diz o deputado federal Enio Verri (PT-PR).

O parlamentar também não vê nenhuma mudança significativa na condução da estatal na informação divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo, segundo a qual “a Petrobras sinalizou ao governo que aceita debater a revisão da política de reajuste diário do preço da gasolina, desde que a cotação internacional do combustível continue a servir de referência para o preço no mercado interno”. 

A essência da política continua, afirma Verri. “Mesmo que faça a correção mensal, a proposta é de que, tendo essa correção, a Petrobras continua sendo uma empresa pública, mas de característica privada, onde a prioridade ainda é o lucro dos seus acionistas, na sua maioria internacionais, e quem vai pagar essa diferença é o Orçamento. No mínimo é uma contradição, porque o governo vai estourar a Emenda Constitucional 95. Não tem espaço no Orçamento para tudo isso.”

A Emenda 95 é a que impõe sérias restrições aos orçamentos de educação e saúde por 20 anos. “Vão cortar saúde, educação e segurança, mas vão cortar quanto? Se todo mês vão cortar um pouco, vai chegar uma hora em que não terá mais de onde cortar. O próprio governo vai estourar essa bomba que ele mesmo armou”, diz Verri.

Em nota divulgada no domingo (3), intitulada “Ivan Monteiro: mais do mesmo”, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) lembra que, antes de se tornar presidente da Petrobras, o executivo ocupava a diretoria financeira e era o responsável pelo programa de privatização da companhia, que tem como meta vender R$ 21 bilhões em ativos até o fim deste ano.

“Empresário, banqueiro, executivo, bem relacionado com o mercado financeiro e internacional”, define a entidade. A FUP lembra ainda que Monteiro aumentou em 2,25% o preço da gasolina nas refinarias no seu primeiro dia de gestão, no último sábado (2).

Se a política de preços da Petrobras continuar, um botijão de gás poderá chegar aos R$ 100,00. Valor fora da realidade da população. Os aumentos consecutivos levaram 1,2 milhão de brasileiros a voltar a cozinhar com lenha e carvão em 2017, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)", acrescenta a FUP.