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Guerra Comercial

União Europeia, China e Coreia do Sul restringem compras de carne brasileira

Atingido pelas denúncias da Operação Carne Fraca, setor já sente as primeiras consequências no mercado internacional
por Redação RBA publicado 20/03/2017 11h50, última modificação 20/03/2017 12h03
Atingido pelas denúncias da Operação Carne Fraca, setor já sente as primeiras consequências no mercado internacional
Arquivo/EBC
Carne Fraca

Estardalhaço da PF coloca inserção da carne brasileira no mercado internacional em risco

São Paulo – As vendas de carne para o mercado internacional já começam a sofrer restrições em decorrência das revelações trazidas pela Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, desencadeada na última sexta-feira (17). Importantes mercados como os da União Europeia (UE) e da Ásia anunciaram hoje (20) restrições a importações de carne brasileira e cobraram esclarecimentos. 

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a Comissão Europeia para assuntos de Saúde, órgão da UE, exige que os produtos das empresas envolvidas no escândalo da carne sejam impedidos de entrar no continente europeu. Caso as empresas envolvidas não sejam retiradas, toda a importação de carne brasileira pode ser suspensa. A Comissão da UE pede ainda que o Brasil responda com urgência questionamentos relativos à Operação Carne Fraca, e que os países do bloco adotem "vigilância extra" para os produtos brasileiros do setor de carne. Os europeus também devem levar a questão para a Organização Mundial de Comércio. 

A China também informou ao ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que suspendeu por uma semana os embarques de carne brasileira para o país. Já no caso da Coreia do Sul, as autoridades da agricultura do país suspenderam as vendas de produtos de carne de frango BRF (que controla as marcas Sadia, Perdigão, dentre outras), e também deve "intensificar" a fiscalização de produtos vindos do Brasil. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, mais de 80% do frango consumido na Coreia do Sul vem do Brasil, sendo quase a metade fornecida pela BRF.  

A operação da PF revelou esquema em que os maiores frigoríficos do país, em parceria com fiscais do ministério da Agricultura, fraudavam emissão de certificação sanitária para vender carne em condições impróprias para o consumo. E vem sendo criticada por "estardalhaço injustificável" que expõe o setor de carnes brasileiro na guerra do comercial internacional, ainda mais em um momento que outros dois setores vitais – da construção e do petróleo e gás – sofrem paralisia, também em decorrência de operações policiais de combate à corrupção.

Para tentar reduzir os impactos negativos à imagem do setor, o governo federal anunciou a criação de uma força-tarefa para investigar os frigoríficos envolvidos na operação. Em outra frente, o presidente Michel Temer (PMDB-SP) levou embaixadores de países importadores de carne do Brasil para jantar em uma churrascaria que, no entanto, servia carne importada.