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Mantega diz que Brasil cresceu até 10% no 3º trimestre

Para economista, dados são preliminares e, se foram comparados ao mesmo período de 2008, seriam surpreendentes
por anselmomassad publicado 10/11/2009 18h11, última modificação 10/11/2009 18h15
Para economista, dados são preliminares e, se foram comparados ao mesmo período de 2008, seriam surpreendentes

Segundo Mantega, as medidas de estímulo à economia com aumento de crédito e impulso ao consumo representaram um investimento de 1,2% do PIB (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

O ministro da Fazenda Guido Mantega declarou que a economia brasileira experimentou, no terceiro trimestre deste ano, crescimento de 8% a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em termos anualizados. Os dados não são oficiais, já que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ainda não divulgou as cifras.

A declaração foi feita no Fórum Econômico Brasil-Itália, realizado em São Paulo nesta terça-feira (10). "No terceiro trimestre, deveremos ter um PIB positivo anualizado entre 8% e 10%", disse. "Portanto a economia brasileira já saiu da crise e já está em franca recuperação", afirmou o ministro.

Ele disse que o país experimentou dois trimestres de retração econômica em função da crise financeira internacional. Ainda segundo Mantega, o segundo trimestre deste ano teve expansão 7,8% em números anualizados. Para 2010, a projeção do ministério é de expansão de 5%.

Para Evilásio Salvador, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), seria prematuro avaliar as projeções extraoficiais anunciadas pelo ministro, já que são dados incompletos e que não fica claro a referência de comparação. Seria preciso saber se houve implemento de valor adicionado à economia.

"Se a comparação for entre o terceiro trimestre com o anterior, é um efeito estatístico", explica. "Mas se for comparado a 2008, seria um resultado surpreendente", avisa. Nesse caso, seria necessário analisar os impactos setorializados das medidas adotadas pelo governo.

Segundo Mantega, as medidas de estímulo à economia com aumento de crédito e impulso ao consumo representaram um investimento de 1,2% do PIB, considerado baixo por ele. Ainda assim, teria sido suficiente para reativar a economia.

Outros motivos para o bom desempenho da economia, segundo o ministro, foram as contas públicas equilibradas, diminuição da relação dívida-PIB, inflação sob controle e vulnerabilidade externa baixa, além de um mercado interno "sólido", com potencial de crescimento.

IOF e câmbio

Antes, o ministro havia declarado que o real está sobrevalorizado, justificando a adoção em outubro do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre o fluxo de capital estrangeiro para ações e renda fixa.

O ministro acrescentou, a cerca de 400 empresários e autoridades italianas, que "estamos tendo uma sobrevalorização da moeda brasileira, o que dá situação vantajosa para outros países comercializarem com o Brasil".

Como exemplo, afirmou que o real tem uma sobrevalorização de 23% sobre o euro, o que, segundo ele, deve levar neste ano ao primeiro déficit comercial com a Itália desde 2005.

"Recentemente, tivemos que implantar uma pequena tarifa para a entrada de capital estrangeiro no país. Uma taxa sobre o movimento financeiro para a bolsa e para aplicações de renda fixa, tamanho era o interesse que havia pelo Brasil do capital estrangeiro."

Com informações da Reuters