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Nakba

Ato em São Paulo denuncia '70 anos de genocídio do povo palestino'

Em frente à Fiesp, movimentos lembraram o histórico de violência, ocupação e segregação promovidas por Israel contra o povo palestino
por Redação RBA publicado 16/05/2018 10h30, última modificação 16/05/2018 12h32
Em frente à Fiesp, movimentos lembraram o histórico de violência, ocupação e segregação promovidas por Israel contra o povo palestino
reprodução/Youtube
Ato Palestina

Manifestantes também apoiaram campanhas de boicote, desinvestimento e sanções contra empresas israelenses

São Paulo – Movimentos de solidariedade ao povo palestino se reuniram nesta terça-feira (15) em São Paulo para lembrar os 70 anos do chamado Dia da Catástrofe – Nakba em árabe – que marca a criação do estado de Israel (1948), que por usa vez inaugura também uma longa história de confrontos, com massacres, expulsões, segregação e ocupação dos territórios da Palestina.

A manifestação ocorreu em frente ao prédio da Fiesp, na Avenida Paulista, que no mês passado projetava em sua fachada a bandeira israelense. Nesta terça, foi a vez da bandeira palestina. 

"Projetar a bandeira de Israel é uma afronta. Repudiamos, porque é um estado que tem nos matado há 70 anos. Não adianta só colocar a bandeira palestina, tem que se negar a fazer e romper acordos com o estado de Israel", declarou a integrante da Frente em Defesa do Povo Palestino Soraya Mislêh à repórter Ana Rosa Carrara, da Rádio Brasil Atual.

Na segunda-feira (14), ao menos 52 palestinos foram mortos e 2,4 mil ficaram feridos na Faixa de Gaza, após repressão de Israel aos protestos contra a transferência da embaixada dos Estados Unidos para Jerusalém. Em 30 de  março, quando a comunidade palestina celebra o Dia da Terra – que relembra o levante palestino de 1976 contra as ocupações – outras 15 pessoas foram mortas. 

"A maioria do povo palestino está fora de suas terras, impedida do seu direito legítimo de retornar. Em 1948, foram expulsos 800 mil palestinos. Foram destruídas 500 aldeias. Hoje são cinco milhões de refugiados em campos nos países árabes, outros milhares na diáspora. Mas os palestinos resistem. As balas não podem silenciar, cada sangue palestino derramado é fermento para a nossa luta", ressalta Soraya. 

O ativista palestino Zariguinem diz que a resistência dos palestinos contra ocupações estrangeiras antecede até mesmo a criação do estado de Israel. "Nosso país sempre foi colonizado. Primeiro pelos turcos, por 200 anos. Quando terminou a Primeira Guerra Mundial, os turcos perderam, e entraram os ingleses e franceses na nossa região." 

Hasan Zarif, filho de refugiados, lembrou de declaração do ex-primeiro-ministro de Israel Ben Gurion, afirmando que "o velho morrerá e o novo esquecerá", sobre as violência das ocupações contra os palestinos. "A gente está aqui, 70 anos depois, cada vez mais reivindicando pela Palestina. Temos certeza desse retorno. Não sabemos se vai ser agora, ou daqui dez anos. Mas a gente tem essa certeza, e vai ensinar isso para os nossos filhos também."

As campanhas de boicote, desinvestimento e sanções – conhecidas como BDS – são uma das principais ferramentas dos palestinos pelo mundo contra a violência cometida por Israel. O coordenador do comitê nacional palestino de BDS, Pedro Charbel, diz que essa é uma forma de solidariedade efetiva ao povo palestino: "Isso é romper os vínculos de cumplicidade com o apartheid israelense. É não comprar nem contratar empresas que estão conectadas com as violações dos direitos humanos por Israel". Ele lembra também que o Brasil é o quinto maior comprador de armas de empresas israelenses.

Ouça a reportagem da Rádio Brasil Atual: