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Sem-teto pedem ajuda do governo federal no diálogo com prefeituras

Manifestantes ocuparam sede do Ministério das Cidades, em Brasília, para cobrar reunião que ajude a destravar negociações por moradia em vários estados
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 18/07/2012 19h05, última modificação 18/07/2012 19h30
Manifestantes ocuparam sede do Ministério das Cidades, em Brasília, para cobrar reunião que ajude a destravar negociações por moradia em vários estados

Os representantes do governo federal prometem realizar uma reunião nesta quinta para debater os problemas dos manifestantes (Foto: José Cruz. Agência Brasil)

São Paulo – Militantes de vários estados ligados ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) ocuparam na tarde de hoje (18) a sede do Ministério das Cidades, em Brasília. O objetivo foi pressionar para acelerar o processo de construção de moradias nos estados em que o movimento está organizado e negociar a redução de exigências do edital de projetos do programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades, voltado para grupos organizados da sociedade civil sem fins lucrativos, como associações ou cooperativas.

De acordo com a militante Maria das Dores, a pauta de reivindicações traz questões específicas de cada estado e um pedido de auxílio na relação com os governos municipais. “Temos muita dificuldade em dialogar com as prefeituras, então viemos cobrar o apoio do ministério para que a construção de moradias populares avance”, diz. O movimento possui diversos acordos com a pasta, como a construção de 160 unidades habitacionais no Rio de Janeiro, mas a maior parte deles é informal.

No caso do Minha casa, Minha Vida – Entidades, a discussão é pela redução de exigências para cadastro de projetos por movimentos populares. Maria explica que, da forma como está concebido, o sistema de cadastro apresenta um nível de complexidade muito além da realidade dos movimentos populares. Com isso, uma parcela importante da população fica impossibilitada de ser contemplada pelo programa.

“Temos também situações iminentes de despejo em Minas Gerais, com 200 famílias, e em Santo André, onde há 900 pessoas na ocupação Novo Pinheirinho, onde queremos a intervenção do ministério”, diz Maria. Além disso, o movimento pleiteia ações em habitação para 450 famílias em Sumaré (SP), 1140 no Ceará, 1500 em Brasília e um projeto de construção de cerca de 6 mil unidades para as famílias desalojadas do Pinheirinho, em São José dos Campos.

De acordo com a assessoria de comunicação do ministério, havia cerca de 70 pessoas na manifestação, o que é negado pela coordenação do movimento, que fala em 500 pessoas. Apesar da tensão durante o processo de ocupação, não houve confronto. Uma comissão dos manifestantes foi recebida pelo gerente de Projetos da Secretária Nacional de Habitação, César Ramos. Ele agendou uma reunião amanhã (19) com a secretária Nacional de Habitação, Inês Magalhães, para tratar das pautas do movimento.