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Publicado em 07/02/2012

Titãs tocam 'Cabeça Dinossauro' em projeto do Sesc Belenzinho



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Marco na discografia nacional, Cabeça Dinossauro vai ser lembrado e festejado em show dos Titãs

A melhor surpresa para os fãs dos Titãs e do rock brasileiro está agendada para março, no projeto "Álbum", do Sesc Belenzinho, em São Paulo. Comemorando 30 anos de carreira, Branco Mello, Tony Bellotto, Sergio Britto e Paulo Miklos apresentarão o repertório completo do disco "Cabeça Dinossauro", o terceiro e um dos mais elogiados da carreira da banda.

Lançado em 1986, "Cabeça Dinossauro" figura sempre nas listas dos melhores álbuns da história do rock nacional. Canções como "Homem Primata", "Polícia", "Igreja", "Bichos Escrotos", "Família" e "AAUU" tornaram-se hinos indispensáveis em qualquer show dos Titãs. Mas o disco também chamou atenção por finalmente ter conseguido registrar a energia que a banda transmitia nos shows e um verdadeiro caldeirão de influências e referências, que ia do hardcore "A Face do Destruidor", ao minimalismo de "Cabeça Dinossauro" e à poesia concreta de "O Quê".

O show contará também com outros sucessos gravados pelos Titãs antes e depois de "Cabeça Dinossauro". E promete ser um dos momentos áureos do projeto "Álbum", do Sesc Belenzinho, que, iniciado em março de 2011, já contou com a participação de, entre outros, Nação Zumbi, Paralamas do Sucesso, Alceu Valença, Língua de Trapo, Arrigo Barnabé, As Mercenárias, Violeta de Outono e Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos.

Serviço
Show Titãs Projeto Álbum "Cabeça Dinossauro" - Dias 8, 9, 10,  e 14, 15, 16 e 17/3, às 21h30
Ingressos de R$10 a R$40 
Sesc Belenzinho - Rua Padre Adelino, 1000. Belenzinho - São Paulo/SP
T: (11) 2076-9700
guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 02/02/2012

Mostra no Mube de SP reúne filmes 'esquecidos' dos anos 1980



Por Redação da Rede Brasil Atual

Clássico do 'terrir' brasileiro, "Sete Vampiras" está na programação de ciclo de debates no Mube (©Reprodução)

Durante todos os sábados, até 3 de março, sempre a partir das 15h, o CineClube do Museu Brasileiro de Escultura (MuBE), em São Paulo, apresenta uma seleção de filmes que marcaram a produção nacional da década de 1980 e que merecem ser lembrados - ou conhecidos - pelo público. Numa seleção organizada pelo crítico de cinema Christian Petermann, cada exibição será acompanhada por um debate com críticos, pesquisadores, historiadores e realizadores cinematográficos. A entrada é grátis.

No próximo sábado (4), o filme será "Nunca Fomos Tão Felizes", que marcou a estreia do diretor Murilo Salles e que trata do conflito de gerações. O debate contará com as presenças do crítico de cinema Sérgio Rizzo e o colaborador da Rede Brasil Atual e principal autor deste blogue, Guilherme Bryan. No dia 11 de fevereiro, será a vez de "Brasa Adormecida", de Djalma Limongi Batista, que é uma homenagem ao cineasta Humberto Mauro e trata de um triângulo amoroso entre jovens em ambiente rural. A discussão será marcada pela presença do próprio cineasta e do crítico Heitor Augusto.

Em pleno sábado de Carnaval, 18 de fevereiro, será a vez do mestre do "terrir", mistura de terror com comédia, de Ivan Cardoso e seu clássico "As Sete Vampiras". Nessa data, excepcionalmente, não haverá debate. Outro diretor a marcar presença no bate-papo será Carlos Reichenbach, que no fim de semana seguinte debaterá, ao lado do crítico Marcelo Lyra, o seu "Filme Demência" - uma leitura urbana do mito de Fausto.

Para encerrar, em 3 de março, será exibido "Onda Nova", de Ícaro Martins e José Antonio Garcia, que é um dos primeiros filmes a tratar de futebol feminino e diversidade sexual. Dessa vez, a conversa será com o próprio Ícaro Martins e Suzy Capó, diretora do festival PopPorn e da distribuidora Festival Filmes.

O principal objetivo da mostra "Os Esquecidos dos Anos 1980 - A Década Ignorada" é mostrar, com a exibição de longas-metragens realizados no eixo Rio-São Paulo, diferentes tipos de produção audiovisual que marcaram uma das décadas mais efervescentes culturalmente no Brasil. Basta lembrar  que foi o período em que ocorreu o fim do regime militar e o estouro do rock nacional, além de apresentar uma série de outras manifestações artísticas voltadas principalmente aos jovens, inclusive no cinema.

 

Serviço
Mostra Os Esquecidos dos Anos 80 - A Década Ignorada 
Todos os sábados, às 15hs, até 3 de março. Grátis
Cineclube do MuBE - Museu Brasileiro de Escultura
Av. Europa, 218 - Jardim Europa. São Paulo/SP
Fone: 11-2594-2601

Publicado em 02/02/2012

Barbara Paz é consumista e viciada em excessos no ótimo espetáculo 'Hell'



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Barbara Paz em cena de "Hell": devaneios consumistas e superficialidade das relações humanas (Foto: ©João Caldas/Divulgação)

Um pequeno espaço localizado num dos cantos do palco é ocupado com vários sapatos e bolsas de grife, uma cadeira e uma mesinha com um abajur. Uma atriz fuma e fala o tempo todo os mais absurdos devaneios, representando uma geração de jovens milionários que gastam, transam e usam drogas o tempo todo, vagando praticamente a esmo por entre locais da moda e diante de vitrines chiquérrimas e representadas por outro espaço em cena. A personagem é símbolo de jovens marcados pelo imenso vazio provocado pelo excesso em todas as instâncias.

Assim pode ser definido um dos melhores espetáculos teatrais atualmente em cartaz em São Paulo. Mas "Hell" é muito mais do que isso. A terceira experiência na direção teatral do cineasta Hector Babenco, que a divide com Murilo Hauser, e primeira adaptação do romance best-seller autobiográfico da milionária francesa Lolita Pille, que tinha 21 anos quando o escreveu, pode ser visto até 15 de abril.

Durante 75 minutos, Barbara Paz dá um show de interpretação e faz o público começar rindo dos pensamentos desencontrados e em voz alta de uma personagem que mistura dramas existenciais com artigos de luxo que compra às dezenas, sem saber muito bem o que fazer com eles. Até que conhece outro milionário, Andrea, também muito bem interpretado por Paulo Azevedo, que só pensa em se divertir com mulheres riquinhas e torná-las seres submissos.

Em meio às dificuldades de saberem lidar com o afeto e os próprios sentimentos, Hell e Andrea vivem uma relação amorosa intensa e destrutiva, protagonizando uma história de amor com a intensidade de "Romeu e Julieta", mas com fortes marcas do século XXI, representadas por viagens desvairadas e sem sentido por redutos europeus. Apesar de ser ambientado na Paris dos Champs-Élysées o espetáculo poderia muito bem se passar em Nova York, Tóquio, São Paulo ou qualquer outra grande metrópole.

Se, no início, a plateia dá algumas risadas divertidas diante dos pensamentos egocêntricos, niilistas e até mesmo maldosos de Hell, aos poucos, uma sensação amarga vai tomando conta de todos. Esse envolvimento com o espetáculo é acentuado pela concepção de imagem desenvolvida por Giovanni Bianco, responsável pelos figurinos, visagismo e design; e pela iluminação requintada e dramática desenvolvida por Beto Bruel. Porém, um dos pontos mais altos do espetáculo é a trilha musical e os ruídos desenvolvidos por Murilo Hauser, principalmente quando Andrea entra em cena e o público, estupefato, acompanha a versão dele a respeito dos fatos. Eis aqui outro ponto bastante positivo da adaptação realizada por Babenco e Marco Antonio Braz.

"Hell" traça um painel dramático de uma geração de filhos de milionários, que, em meio ao consumismo desvairado, a falta de objetivos e ao excesso, principalmente de drogas, verbaliza apenas pensamentos contraditórios marcados por um penoso e dramático vazio existencial. É necessário, portanto, estar preparado para encarar esse espetáculo, uma vez que ninguém deixará o teatro impunemente.

Serviço
Peça "Hell"
Até 15 de abril. Sextas-feiras e sábados, às 21h, e domingos, às 19h
Ingressos: R$70
Teatro Eva Herz - Avenida Paulista, 2073. Livraria Cultura / Conjunto Nacional
T: (11) 3170-4059

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 02/02/2012

'Vovó Rock And Roll' valoriza a aceitação do diferente para crianças



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

"Vovó Rock And Roll" (foto) é o primeiro livro direcionado às crianças que recebe, merecidamente, espaço no "Curta Essa Dica". Não que isso não possa ocorrer outras vezes. Mas é que esse livro escrito pela jornalista, dramaturga e historiadora Paula Autran, trata de um tema muito importante - os estereótipos e o ser diferente -, por um viés insuspeito - o da avó.

O enredo gira em torno de Cecília - curiosamente, o nome da sobrinha da autora -, que é convocada pela professora a escrever sobre alguém querido, que não seja nem o pai, nem a mãe. Ela, assim como todos os colegas, escolhem a avó. Porém, após o entusiasmo inicial, a garota fica surpresa e chateada ao descobrir que não tem uma avó como as outras. 

O estereótipo que aparece até na placa do metrô leva a garota a se questionar se a avó dela é de verdade, uma vez que não usa chinelo, mas All Star; não usa vestido, mas calça jeans; não faz crochê, mas toca violão, guitarra e harpa; não canta cantiga de ninar, mas rock and roll; e não faz bolos, só pipocas. O final ainda reserva uma surpresa metalinguística, que prova como Cecília foi obrigada a rever todos os seus conceitos.

O projeto gráfico também é interessante, misturando desenhos que parecem feitos pela personagem principal com outros efeitos gráficos, como retângulos e quadrados com bordas vermelhas; e ilustrações que lembram, por exemplo, folha de papel de caderno amassada. A autora é a artista plástica e arte-educadora Natalia Lemos, que escapa dos desenhos bonitinhos e bem alinhados da maioria dos livros infantis, optando por algo mais "sujo" e de acordo com o tema do livro.

Numa união muito bacana de imagens e texto, "Vovó Rock And Roll" mostra para as crianças como é preciso escapar dos convencionalismos e estereótipos, e valorizar as pessoas não pelas aparências, mas pelo que elas são de fato. Mais atual, impossível. Um recado certeiro para uma geração que já nasce em contato com as redes sociais e tentando se adaptar a uma tribo para se sentir parecido - e não diferente dos demais.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 02/02/2012

Rapper cearense Felipe Rima une versos fortes a boa música em CD de estreia



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

O artista de Fortaleza Felipe Rima surpreende com versatilidade do primeiro CD (Foto: gmmashoka.ning.com)

"Sob o sol de Fortaleza / Eu corro atrás do que é meu / Terei a mão da princesa / Mesmo sendo um plebeu". Esse é o fulgor e a energia transmitida pelo garoto Felipe Rima, de Fortaleza (CE). Rapper, escritor e poeta, ele acaba de lançar o ótimo CD de estreia, "Entre o batuque do coração e a poesia da vitória", em que os versos fortes, de um guerreiro, caem como uma luva numa sonoridade dançante, que remete à black music da década de 1970. Portanto, ele consegue reunir o que há de mais importante no trabalho musical - versos afiados e uma musicalidade arrepiante.

A primeira faixa começa com sons que lembram o bater do coração e são acompanhados por uma letra que trata justamente da força da poesia. Ela abre espaço para a romântica "Batuque do Coração", que contrasta com a sensual "Êxtase Magistral", em que uma transa é descrita de maneira melosa, mas cria um contraste delicioso entre o suingue do vocalista Salmos Rafael e a aspereza dos versos do rap de Felipe Rima. Não é à toa que o CD vem acompanhado de uma camisinha.

O som do avião acompanha "Fui Vim", em que, de modo suingado, Felipe Rima descreve sua vinda de Fortaleza para Guarulhos, na Grande São Paulo, e depois a volta para casa, com o orgulho de ser brasileiro, com direito a muitos efeitos ufanistas dignos das transmissões de futebol realizadas pela TV Globo. Mas aqui a lição é a de que vale a pena lutar pelos sonhos. "Recordando o que passei, o que lutei sentindo a vitória / palpável: Choro sozinho, feliz. / Por entre as nuvens meus sonhos voam como gaivotas / a dançarem no majestoso céu", explica no encarte.

Claro que não faltam as críticas sociais contundentes, mas sem Felipe Rima soar piegas ou panfletário. É o que se percebe na quase épica "Meu Nome é Fome", marcada pelos teclados comoventes de Enos de Lima. Depois da falta do que comer, vem a miséria, a milícia e os viciados da madrugada, em "Manifesto". Mas o dia renasce com o céu azul, o sol e o mar, no reggae "Diante da Orla", em que se pede por transformações. A alegria esperançosa segue em "Ser Guerreiro".

O tom épico retorna na recitada "Teus Olhos", emendada por "Doce de Leite", com uma poesia extremamente romântica, com imagens de castelos e princesas. Mas tanto mel leva ao típico calor das praias nordestinas, no forró "Amar à Beira Mar". A revolta retorna em seguida e se dirige a quem poderá criticá-lo em "Fazendo História", mais uma mensagem de otimismo vindo de um menino que se diz um pivete que passou fome e hoje defende o amor e declara ter motivos para sonhar. Também é interessante a alfinetada que ele dá nas "picuinhas do rap".

Mas quando você acredita que isso é tudo, Felipe Rima vem com algo ainda mais arrepiante - "Silêncio do Poeta", que começa com um sampler de um trecho de "Mal Nenhum", de Cazuza e Lobão; e, em seguida, Felipe Rima e Salmos Rafael dialogam com o Zeca Baleiro do megahit "Flor da Pele". Estabelece-se, assim, um diálogo sublime entre o melhor da MPB, do rock e do rap nacional. "Entre o batuque do coração e a poesia da vitória / Às vezes eu me sinto o poeta mais feliz / Sinto meu peito transbordando de felicidade / Outrora eu sou apenas um", diz Felipe Rima, emendado pelo canto de Zeca Baleiro: "Bicho solto, cão sem dono".

Se esse é o ápice, ele abre espaço para o doce dedilhar de violão de Salmos Rafael e os versos românticos, em "Flores". A temática da flor permanece no charme "Me Leve Pra Onde For". Mesmo assim, talvez pela primeira vez, o corte musical soe brusco demais num álbum tão bem construído. Uma pena, mas nada que apague a beleza desse trabalho, que continua com a baladona "Me Leve Pra Onde For", comprovando a versatilidade desse garoto. Aparecem ainda a entusiasmada "Um Brinde" e, para um final apoteótico, "Poesia da Vitória", em que Felipe Rima defende a luta pelos sonhos, acompanhado pelo toque delicado dos teclados de Enos de Lima.

Há, portanto, dois aspectos que transformam "Entre o Batuque do Coração e a Poesia da Vitória" num álbum consistente, que revela um artista, Felipe Rima, que sabe identificar qual é o espaço que pretende ocupar e com quem deseja falar. O primeiro aspecto é o conjunto entre música e letra, sempre com um enriquecendo o outro, de maneira inesperada e contagiante. O segundo aspecto é mostrar que, no rap, também é possivel ser romântico e acreditar no futuro, sem se esquecer de abordar a dura realidade social de um país que permanece muito injusto.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

 

 

Publicado em 02/02/2012

Paraphernalia anima ouvinte com mistura instrumental de eletrônica com tradição



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Um som instrumental de primeiríssima qualidade, incapaz de deixar alguém sentado na cadeira. Assim pode ser definido o trabalho da Banda Paraphernalia, que acaba de lançar o CD "Ritmo Explosivo" (foto). Ela foi formada em 2001, no Rio de Janeiro (RJ), quando o guitarrista Bernardo Bosisio e o baixista Alberto Continentino se encontraram, e a eles logo se juntaram o tecladista Donatinho, o trombonista Marlon Sette, o flautista Felipe Pinaud, o trompetista Leandro Joaquim e o baterista Renato "Massa" Calmon.

Com participações no Festival Back2Black e no Palco Rock Street do Rock in Rio, a banda começa o álbum com "22 de setembro", que remete à trilha musical dos seriados policiais exibidos pela televisão na década de 1970. Esse clima é levado para a segunda faixa, "Abetruta", que é mais suingada, mas menos misteriosa do que "A Fúria do Dragão II", a faixa seguinte. Um aspecto interessante a se notar aqui é como nossos ouvidos estão acostumados a associar sons instrumentais com ruídos produzidos na cidade. Por isso, não se assuste se, na audição desse álbum, você de repente achar que está ouvindo a sirene da polícia ou carros deslizando a toda velocidade.

Os títulos das canções também são deliciosos, caso da suingada "Paraquedas (Reserva)", marcada pelo solo de trompete de Leandro Joaquim; "Com Curry Por Favor", enriquecida pelo sitar de Bernardo Bosisio; e "Rei Salomão" que, com batuques africanos, remete ao funk dos anos 70 e é marcada por um coro dizendo apenas o nome da música. Em "Nu Flava", é possível ouvir risadas e sons eletrônicos que mais lembram o quaquejar de patos e que termina com aplausos. E "Champanhe" é um verdadeiro carnaval, com sonoridades que lembram videogames.

O álbum termina com a animada "24 de Março" e a mais misteriosa e sensual "Salvem as Baleias", que, em seis minutos e meio, vai percorrendo diferentes e inusitados caminhos. Em comum, todas essas faixas possuem o requinte de misturar, de modo bastante particular, efeitos eletrônicos com o som dos instrumentos, tocados com maestria pelos integrantes da banda; e assumir sentidos diversos durante o percurso. Eis, portanto, uma aula de como se fazer boa e atual música instrumental, para dançar e contagiar um público sedento por trabalhos criativos e inovadores, sem perder a raiz no passado. Como boa parte das realizações desse tipo no Brasil, a produção leva o selo de qualidade de Kassin, que a divide com Ricardo Garcia.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 02/02/2012

Sérgio Ricardo ganha exposição no Rio para comemorar 80 anos de vida



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

O artista de muitos talentos Sergio Ricardo tem carreira contada em exposição, ao completar 80 anos (Foto: sergioricardo.com/ Divulgação)

Muitas vezes Sérgio Ricardo é lembrado apenas como o cantor e compositor que, durante as eliminatórias do Festival da Música Popular Brasileira, da TV Record, em 1967, não aguentou as vaias quando interpretava "Beto Bom de Bola" e destruiu o violão no palco, arremessando-o contra a plateia.

Algo extremamente injusto para o autor de clássicos como "Zelão", "Pernas" e "Folha de Papel", e que foi parceiro de, entre outros, Chico Buarque, Ruy Guerra, Glauber Rocha e Ziraldo. Com 16 álbuns lançados, ele também foi o responsável pela célebre trilha musical do filme "Deus e o Diabo na Terra do Sol", de Glauber Rocha, e se destacou como artista plástico e cineasta, responsável pelo cult "Esse Mundo É Meu".

Nascido em Marília, no interior de São Paulo, em 18 de junho de 1932, o artista acaba de ser homenageado com a exposição "Sérgio Ricardo 80 anos - Um Buscador", que está em cartaz até 16 de março, no Instituto Cultural Cravo Albin, no Rio de Janeiro. "Há um tipo de artista que é movido pela relação com o semelhante. Esse artista procura dar voz à identidade e à cultura de sua terra. E tem, para sua vida, essa busca como medida", destaca o release.

Com direção geral de Bete Calligaris e Ivan Fortes, a mostra reúne diversas fotografias, letras de música e vídeos. Muitos dos objetos expostos pertencem ao Projeto "Memória Artística Sérgio Ricardo", da Escola de Museologia da Uni-Rio.

De 6 a 8 de março, Sérgio Ricardo também apresentará, junto com a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, em Brasília (DF), o concerto "Estória de João Joana", com a música que criou para o único cordel escrito pelo poeta Carlos Drummond de Andrade. Em junho, esse espetáculo será apresentado a céu aberto na comunidade do Vidigal, na zona sul do Rio de Janeiro.

Serviço
Exposição Sérgio Ricardo 80 anos - Um Buscador
Até 16/3, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h.
Entrada franca
Instituto Cultural Cravo Albin - Avenida São Sebastião, 2. Urca. Rio de Janeiro/RJ
T: (21) 2295-2532

 

guibryan1@redebrasiatual.com.br

Publicado em 01/02/2012

Apanhador Só e Garotas Suecas agitam noite de 5ª no Studio SP



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Em show anterior no Studio SP, os roqueiros do gaúcho Apanhador Só levantam a galera (Foto: ©Raphael Bejar/Divulgação)

A casa noturna paulistana Studio SP reúne nessa quinta-feira (2) duas das mais badaladas sensações "emergentes" do rock brasileiro: a banda gaúcha Apanhador Só e o sexteto paulistano Garotas Suecas. A noite também promete muito agito com as discotecagens de Kátia Mello e Manoela Miklos.

Apanhador Só foi formado em Porto Alegre (RS), por Alexandre Kupinski (vocal e guitarra), Felipe Zancanaro (guitarra), Fernão Agra (baixo) e Martin Estevez (bateria). Estreou em 2006 com o EP "Embrulho Pra Levar" e foi rapidamente apontado como a grande sensação do rock brasileiro. No repertório do show, estarão as canções do elogiado álbum homônimo de estreia e também outras que deverão formar o próximo lançamento.

Já o Garotas Suecas foi formado em 2005, na capital paulista, por Guilherme Saldanha (vocal), Tomaz Paoliello (guitarra e vocal), Irina Bertolucci (teclado), Fernando Freire (baixo e vocal), Antonio Paoliello (bateria e vocal) e Sergio Sayeg (guitarra). Em 2011, o grupo chamou atenção com o primeiro CD, lançado também em LP - "Escaldante Banda". A canção "Banho de Bucha" ganhou um videoclipe estrelado pelo ex-dançarino do É O Tchan, Jacaré.

Serviço
Apanhador Só e Garotas Suecas
Quinta-feira, 2/2 - a partir das 21h.
Ingressos de R$15 a R$20
Studio SP - Rua Augusta, 591. Centro. São Paulo/SP - T: (11) 3129-7040

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 30/01/2012

Eliane Elias reúne Gilberto Gil e Oscar Castro-Neves em "Light My Fire"



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

A pianista brasileira de jazz Eliane Elias: refinamento e versatilidade no tratamento a clássicos da música (Foto: ©Divulgação)

Não há dúvidas de que a paulistana Eliane Elias, de 51 anos, é uma das mais refinadas pianistas e cantoras brasileiras. Aluna de Amilton Godoy, pianista do Zimbo Trio, ela talvez não seja tão conhecida no país como mereceria, mas, internacionalmente, realizou parcerias marcantes com nomes como o trumpetista norte-americano Randy Brecker, o baixista Marc Johnson - seu atual marido -, e Herbie Hancock, entre outros.

Ela estreou em 1990, com o álbum "Eliane Elias Plays Jobim" e, misturando canções próprias e de outros autores a clássicos de Tom Jobim a Bill Evans, ela já foi apontada como um dos grandes nomes do jazz. Ela acaba de lançar o vigésimo quarto álbum da carreira, "Light My Fire", em que se destaca um dueto irresistível e suingadíssimo com Gilberto Gil, em  "Aquele Abraço". O encontro se repete em "Toda Menina Baiana", também de Gil e "Turn To Me (Samba Maracatu)", música de Gonzaquinha, que ganhou letra da própria Eliane Elias.

Outros clássicos da música brasileira interpretados com muito refinamento por ela nesse trabalho são "Rosa Morena", de Dorival Caymmi; "Isto Aqui O Que É", de Ary Barroso; e "Bananeira", de João Donato e Gilberto Gil. Também há standards norte-americanos, como "Take Five", de Paul Desmond; e canções da própria Eliane Elias, caso de "Stay Cool", parceria com Kenny Dorham; "Made In Moonlight"; e "What About The Heart (Bate Bate)", que encerra o álbum.

Com uma versão extremamente cool de "Light My Fire", grande sucesso da banda Doors, Eliane Elias também faz uma interpretação sensualíssima de "Mon Amour", de Henry Cosby, Sylvia Moy e Stevie Wonder, cantando em francês. Prova maior de versatilidade, impossível. Só que a cantora traz as canções para si e imprime nelas uma identidade própria.

Assinando a produção com o marido Marc Johnson, Eliane Elias parece pensar o álbum como algo extremamente autoral, em que as canções se conectam umas com as outras de modo indissociável. Há sempre uma razão de ser e um diálogo que se estabelece seja pela letra, seja pela musicalidade, tanto de aproximação, quanto de afastamento. Um exemplo é o fato de "Light My Fire" vir depois de "Aquele Abraço" e antes de "Isto Aqui O Que É", duas canções marcadas pela malemolência bem brasileira.

Eliane Elias também parece encontrar no álbum o espaço ideal para reunir amigos. Não é à toa que participam dele feras como o guitarrista Oscar Castro-Neves, o baterista Paulo Braga, o guitarrista Ross Traut, o trumpetista Randy Brecker e o percussionista Marivaldo dos Santos, entre outros. Portanto, "Light My Fire" é um trabalho extremamente autoral que convence e encanta da primeira a última nota..

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 27/01/2012

Maria Dapaz representa Brasil em encontro internacional



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Maria da Paz durante apresentação no CCBB de Brasília e na defesa da língua portuguesa (Foto: ©San Rogê/Fotogênese)

A cantora Maria Dapaz, nascida em Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, em 25 de março de 1959, pode não ser muito conhecida no Brasil. Mas ela já possui 14 álbuns lançados e acaba de ser convidada para representar o país na festa de 15 anos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). O evento será realizado na próxima sexta-feira (3), na Aula Magna da Universidade de Lisboa.

Serão oito artistas de diferentes países. Maria Dapaz prestará uma homenagem a Luiz Gonzaga, cantando “Asa Branca”. Na plateia estarão apenas representantes oficiais e políticos de Brasil, Portugal, Angola, Guiné Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Timor Leste e São Tomé e Príncipe.

Na terça-feira, 7 de fevereiro, a artista apresentará um show acústico completo no Casino Estoril, com a participação especial de Eneida Marta, cantora de Guiné Bissau, com a qual interpretará “Coração de Beija-flor”, parceria da brasileira com Fátima Roméro. Outro convidado será o pianista e arranjador Juca Delgado, também de Guiné Bissau.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 27/01/2012

Vanessa da Mata é atração em festival de Brasília



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

A cantora Renata Jambeiro é considerada uma das grandes revelações da cena local (Foto: Divulgação)

As cantoras Vanessa da Mata e Renata Jambeiro dividirão o mesmo palco do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, nesta sexta-feira (27), a partir das 20h. O show é uma das atrações do I Festival de Artes de Brasília, que acontece até 12 de fevereiro, em uma mistura de música, cinema, artes visuais, teatro e dança. As exposições ainda ficam mais tempo em cartaz.

A cantora brasiliense Renata Jambeiro é considerada uma das grandes revelações da cena local e atualmente divulga o DVD “Sambaluayê”, que é o segundo trabalho dela. O primeiro havia sido o CD “Jambeiro”, lançado em 2007. Ela abre para a mato-grossense Vanessa da Mata, que apresenta os grandes sucessos da carreira, além do repertório do quarto álbum, “Bicicletas, bolos e outras alegrias”.

O I Festival Internacional de Artes de Brasília (FestiArte) começou em 4 de janeiro e conta com 58 shows musicais, oito espetáculos de dança, 26 de teatro, circo, exposições, mostras de cinema e sarau literário.

Os espetáculos acontecem, além do Centro de Convenções, no Teatro Nacional, Biblioteca Nacional e Cine Brasília, entre outros espaços do Distrito Federal.

Um dos destaques é a exposição fotográfica “Brasília: Memória da Construção – 1956/1960”, que pode ser conferida até 4 de março, de terça-feira a domingo, das 9h às 20h, no Mezanino da Sala Villa-Lobos.

Já Wagner Tiso e Som Imaginário relembram a carreira consolidada na década de 1970, no mesmo local, no sábado, 4 de fevereiro. Outras atrações musicais que ainda se apresentarão são os cantores Oswaldo Montenegro, Luiza Possi e Felipe Catto. Há também sessões do espetáculo teatral “Lamartine”, de Antunes Filho.

A programação completa do festival pode ser conferida na página do evento.

 

Serviço

Vanessa da Mata e Renata Jambeiro – I Festival Internacional de Artes de Brasília
Centro de Convenções Ulysses Guimarães – sexta-feira, 27/1, às 20hs. Grátis
T: (61) 3325-6236

 

guibryan1@redebrasilatual.com.br

 

Publicado em 26/01/2012

Clint Eastwood decepciona em novo filme



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Leonardo di Caprio vive o papel de J. Edgar Hoover, num filme distante do conjunto da obra de Clint Eastwood (Foto: ©Divulgação)

Nem todos os trabalhos na filmografia dos mestres do cinema são obras-primas que merecem ser reverenciadas. Com o cineasta e ator norte-americano Clint Eastwood, de 81 anos, não é diferente. Diretor dos hoje clássicos “Os Imperdoáveis”, “Menina de Ouro”, “As Pontes de Madison”, “Sobre Meninos e Lobos” e “Cartas de Iwo Jima”, entre outros, ele também é capaz de realizar filmes insossos como “J. Edgar”, que estreia nessa sexta-feira, 27 de janeiro, nos cinemas brasileiros.

Com elenco estelar formado por Leonardo Di Caprio, Naomi Watts, Armie Hammer e Judi Dench, “J. Edgar” narra a história de J. Edgar Hoover, que foi chefe do F.B.I. (Federal Bureau of Investigation), por quase 50 anos, mantendo relações muito próximas com oito presidentes norte-americanos, atuando durante três guerras e fazendo uma luta cirrada contra os comunistas. Com alguns métodos extremamente truculentos e antiéticos, ele não demonstrava escrúpulos para defender seus segredos; atingir seus objetivos, mesmo manipulando documentos para ser mais do que de fato é; e manter a reputação, inclusive evitando uma possível homossexualidade, algo totalmente repudiado pela mãe.

Durante toda a vida, J. Edgar manteve ao seu lado apenas três pessoas. A mãe, a secretária Helen Gandy e o colega Clyde Tolson. O filme começa com J. Edgar, já idoso, ditando suas memórias para um rapaz. A partir daí, toda a história é narrada com idas e voltas no tempo, sendo o fato mais antigo o momento em que ele tinha cerca de 20 anos e começou a trabalhar com o que era apenas um Departamento de Investigação, criando algo que chegou a ser comparado a Gestapo.

Deixando de lado a vida pessoal em nome do serviço público, ele se transforma num "workaholic" e assume o papel de figura máxima no combate ao crime nos Estados Unidos e na caça aos comunistas. Um exemplo dessa entrega ao trabalho é o envolvimento com aquele que ficou conhecido como o “crime do século” – o sequestro e morte de Charles Lindbergh Jr, filho de um pioneiro da aviação. Um suspeito, Bruno Richard Hauptmann, foi preso e acusado pelo crime, tendo sido executado em 1936. É nesse momento que Hoover consegue estabelecer uma estrutura para a coleta e teste de provas forenses a partir da cena de um crime, e persuadir o Congresso a respeito da importância de ter as informações centralizadas para desvendar o caso.

Porém, no filme, nem mesmo essa sequência se mostra muito convincente. Investigar os meandros da vida desse homem poderoso, tanto na intimidade, como profissionalmente, poderia render um ótimo filme. Mas não é o que acontece. Apesar de estar muito bem no papel, a atuação de Leonardo Di Caprio muitas vezes não convence, já que o roteiro parece não lhe permitir transmitir melhor as incongruências do personagem. Paira uma frieza excessiva, que torna praticamente impossível se envolver com ele e ficar surpreso com os desdobramentos inesperados da narrativa.

As atuações do restante do elenco são boas, assim como a direção de arte assinada por James J. Murakami. A direção de fotografia de Tom Stern é caprichada, assim como os figurinos de Deborah Hopper e a trilha musical. assinada pelo próprio Clint Eastwood. Porém, o roteiro de Dustin Lance Black (vencedor do Oscar por "Milk") poderia ser muito mais instigante e profundo, o que piora ainda mais pelo fato de que a maquiagem para envelhecer alguns atores, principalmente Armie Hammer, soa extremamente caricatural.

Desse modo, "J. Edgar" é uma obra que retrata um capítulo muito importante, e pouco conhecido, da história política dos Estados Unidos, buscando mostrar o lado humano, e não apenas proifssional, do personagem. Mas Clint Eastwood peca na execução e cria um filme que envolvente pouco e é bastante insosso.

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Publicado em 26/01/2012

Aniversário de São Paulo termina com Ney Matogrosso "burocrático" e vaias a Kassab



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

O cantor Ney Matogrosso, durante show, pouco inspirado, pelo aniversário de São Paulo (Foto: ©Sylvia Masini/Divulgação)

Pontual, o cantor Ney Matogrosso, de 70 anos, entrou às 20h no palco armado exclusivamente para ele na Praça da República, na festa de aniversário de 458 anos de São Paulo, na quarta (25). Usando um figurino elegante e comportado, um terno cinza assinado pelo estilista Ocimar Versolato, o artista interpretou principalmente as canções de seu mais recente trabalho, “Beijo Bandido”, lançado em 2009 e que rendeu CD e DVD ao vivo, no ano passado. 

O repertório foi exatamente igual ao dos outros shows. A primeira canção foi “Tango pra Tereza”, de Evaldo Gouveia e Jair Amorim. Ela foi seguida por “Da Cor do Pecado”, de Bororó; e “Fascinação”, consagrada na voz de Elis Regina. Também chamou atenção a gravação da balada pop “Nada por Mim”, de Herbert Vianna e Paula Toller, que fez sucesso com a cantora Marina Lima. No bis, o artista relembrou um dos maiores sucessos do grupo Secos & Molhados, com o qual iniciou a carreira na primeira metade da década de 1970, “Fala”. 

Uma reclamação generalizada foi a da ausência de telões – havia apenas um de pequenas dimensões, instalado do lado oposto do palco, numa das laterais da praça. Foi preciso bastante malabarismo para tentar enxergar pelo menos um pouco do bonito jogo de cores produzido pela iluminação ou as imagens projetadas no fundo do palco. Algo também sempre aguardado no show de Ney Matogrosso, que é um dos melhores diretores e iluminadores de espetáculos no Brasil.

Em nenhum momento do show houve alguma homenagem especial a cidade de São Paulo, algo que era, no mínimo, esperado naquele que foi considerado o evento principal da festa. Além disso, Ney Matogrosso, natural de Bela Vista (MS), pouco conversou com o público. Logo após a primeira canção, ele agradeceu o convite da “cidade que considero meu berço”. Preferiu, no então, não quebrar o protocolo e nada foi preparado especialmente para a ocasião. Uma pena. Ao mesmo tempo, porém, esse talvez seja um bom modelo para se entender como a política cultural vem sendo tratada pela administração pública na capital paulista.

Aliás, registre-se: Assim que Ney saiu do palco, boa parte do público começou espontaneamente a xingar e a vaiar o atual prefeito, Gilberto Kassab (PSD). 

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Publicado em 27/01/2012

Centenário de Nelson Rodrigues é lembrado em SP com exposição e nova montagem



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Renato Borghi, em interpretação primorosa de grande clássico de Nelson Rodrigues, em São Paulo (Foto: ©Divulgação)

Mal se entra na sala de espera do Teatro de Arena Eugênio Kusnet, em São Paulo, encontram-se espalhados pelas paredes e iluminados por lampiões, dezenas de fotografias, detalhes históricos e frases célebres por trazerem a marca provocadora de seu autor. Talvez não haja uma maneira melhor para homenagear o pernambucano, que passou grande parte da vida no Rio de Janeiro, Nelson Rodrigues, no ano de seu centenário, que se completará em 23 de agosto.

Mas esse é apenas um aperitivo para quem vai assistir a uma das mais marcantes montagens de um dos maiores clássicos dele, “O Beijo no Asfalto – Uma tragédia carioca em 3 atos e 13 quadros”, que fica em cartaz até 26 de fevereiro.

“O Beijo no Asfalto” fez grande sucesso no teatro, e também no cinema, ao narrar a história policial, que vai parar na capa dos jornais, de um homem que atende ao pedido de outro homem que acaba de ser atropelado e, antes de morrer, lhe faz um último pedido – ganhar um beijo na boca. O fato vira um escândalo e praticamente arruína a vida de Arandir, que passa a ser vítimade muitas desconfianças e intrigas, e tenta, sem sucesso, provar não ser homossexual. Ainda mais quando cai nas mãos de dois truculentos policiais, que pertencem a um universo que Nelson Rodrigues dominava como poucos, em função da prática jornalística. De repente, a vítima perde a confiança até da própria esposa, que pela primeira vez tem a sordidez da família à qual pertence friamente exposta. 

Com direção artística de Marco Antônio Braz, essa nova montagem chama atenção pela cruezade um cenário, criado por Telumi Hellen, formado basicamente por folhas de jornal espalhadas pelo palco e alguns efeitos bastante dramáticos de iluminação, assinada por Roberto Cohen, muito bem complementados pela sonoplastia de Tunica Teixeira. A atuação do veterano Renato Borghi, um dos maiores nomes da história do teatro brasileiro, é espetacular e imperdível. Os outros atores em cena também mostram-se afinadíssimos, com destaque para Hudson Senna, Élcio Nogueira e Gabriela Fontana. 

“O Beijo no Asfalto” é apenas uma das cinco das 17 peças de Nelson Rodrigues que serão encenadas pelo grupo para festejar a data. As outras serão “Valsa Nº6”, “Os Sete Gatinhos”, “17 X Nelson (Parte II) – A Nudez da Família Brasileira” e “As Noivas de Nelson”, adaptação de Marco Antônio Braz, baseada em contos da série de livros “A Vida Como Ela É”. Portanto, o escritor será lembrado justamente pela arte em que acreditava se sair melhor e pela qual demonstrava grande paixão criativa - a dramaturgia.

Serviço
“O Beijo no Asfalto” – Até 26 de fevereiro  - sextas, às 21h30; sábados, às 21h; e domingos, às 19h
Ingressos a R$20
Teatro de Arena Eugênio Kusnet – Rua Teodoro Baima, 94
T: (11) 3256-9463 / 3259-6409 - Consolação - São Paulo/SP


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Publicado em 27/01/2012

História do hip-hop brasileiro vira bom romance pelas mãos de Toni C



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

O pesquisador, cineasta, DJ e agitador cultural Toni C teve uma ideia brilhante quando resolveu escrever o livro “O Hip-Hop Está Morto! – A história do Hip-Hop no Brasil”. O subtítulo já entrega o ouro. Ele assumiu o desafio de dar cara e coração ao Hip-Hop brasileiro ao transformá-lo num personagem que narra sua história de modo bastante romanceado para uma estudante que realiza uma pesquisa sobre o gênero musical para a faculdade.

Com prefácio de Dexter e contracapa assinada por Renan Inquérito, a obra já chega extremamente bem recomendada e conta com fotografias em preto e branco de 50 nomes importantes desse movimento cultural no país, incluindo figuras emblemáticas como Sérgio Vaz (Cooperifa), Nelson Triunfo, Rapin Hood, Thaíde, DJ KLJay e MV Bill, que é, inclusive, transformado em personagem. Também há uma homenagem aos falecidos Dina Di e Sabotage.

A primeira grande lição da obra é que hip-hop é uma manifestação cultural ampla, que engloba música (rap), artes visuais (grafite) e dança (b-boys), entre outros modos de expressão. Apesar de surgida fora do Brasil, ela chegou por aqui e rapidamente foi absorvida e transformada num importante meio de conscientização social, humanitária e política e manifestação artística. Também se tornou fundamental, por exemplo, para retratar a realidade dos presídios brasileiros, a qual até então era pouco conhecida e, ao mesmo tempo, tirar um pouco o estigma que pesa sobre os presidiários.

Diferentemente do que se pode imaginar, o hip-hop não está restrito aos grandes centros urbanos. Em Manaus (AM), há MC Fino, Art. 96, DJ Tubarão e MHM. Já em Rondônia há o movimento Hip-Hop da Floresta. Também não é exclusividade masculina. Muito pelo contrário. Há muitas mulheres participando ativamente da cena no país.

Outro aspecto importante da obra é que, no momento em que se descreve os saraus da Cooperifa e o modo como eles já renderam inúmeros frutos, Toni C aproveita para passar uma bibliografia básica do que há de mais importante já publicado em torno dessa literatura ainda considerada marginal, mas é que muito mais lida nas periferias do que muitos best-sellers que aparecem na lista dos mais vendidos dos grandes jornais.

“Aqui o Hip-Hop não é algo abstrato que não podemos tocar nem ver. Um rosto, um nome, uma identidade. Samara, a jovem estudante encantada pela vida, quer conhecê-lo de todas as formas. Um romance relâmpago te dará a oportunidade de se tornar íntimo da maior contracultura da humanidade”, relata Toni C, na apresentação do livro. E, justamente ao tentar escapar do abstrato, foi que o autor caiu numa armadilha. Hip-Hop torna-se uma figura tão caricatural e pouco crível, quanto Samara e suas colegas fúteis da faculdade. 

Hip-Hop parece muito menos encantador e importante do que de fato é. Assim também a futilidade detectada na classe média alta paulistana se torna generalizada, quando o que parece ser mais importante é justamente a mistura e a diversidade cultural. Foi isso que permitiu, inclusive, o surgimento do hip-hop como importante expressão nos subúrbios e morros brasileiros, levantando a importante bandeira da busca por mais justiça e melhores condições sociais num país tão desigual. O que tira um pouco o peso desse aspecto e o relativiza ocorre quando se elogia o trabalho desenvolvido pelo educador Frei Betto, junto ao hip-hop, quando atuava na prefeitura de São Paulo.

Outro problema é o uso da linguagem. Uma das principais referências do autor é o hoje clássico “O Mundo de Sofia”, do escritor norueguês Jostein Gaarder, em que ele narra a maneira como uma garota vai descobrindo o universo e a história da filosofia por meio de cartas e cartões postais que recebe misteriosamente. Porém, Toni C parece infantilizar demais o modo de narrar sua história, obviamente, muito envolvente e cativante, mas que, em muitos momentos, distancia o leitor, ao invés de aproximá-lo ainda mais.

Não importa. “O Hip-Hop Está Morto!” é uma obra de suma importância para quem deseja conhecer um dos mais importantes movimentos culturais do Brasil, com muitos detalhes enriquecedores até mesmo para quem já havia tido contato anterior com alguns desses artistas.

E, escapando do didatismo de muitos livros-reportagem, é bem capaz de atrair um número muito maior de leitores, em função de uma história de amor, com certa pitada de “Romeu e Julieta”, em que as diferenças sociais e também filosóficas aproximam, mas depois distanciam, os dois personagens.

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Publicado em 25/01/2012

Aniversário de São Paulo tem várias atrações durante a tarde e a noite



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

A cidade de São Paulo completa nesta quarta-feira (25), 458 anos, com várias opções culturais para todos os gostos e bolsos. Para quem é fã de música, há atrações que vão de André Abujamra e Marcelo Jeneci às cantoras Negra Li e Paula Lima, passando por Ney Matogrosso, Kid Vinil e Inezita Barroso. Todas as apresentações são gratuitas ou tem preços populares.

A partir das 13hs, no Parque Villa-Lobos, acontece o evento “Hip-Hop Samba Rock”, com apresentação gratuita da banda Os Opalas, que contará com a participação especial das cantoras Negra Li e Paula Lima, e dos rappers Max B.O. e Dexter. Às 16hs, no Parque Ecológico do Tietê, o cantor Kid Vinil passeia pela história do rock brasileiro, indo de Celly Campello a Renato Russo, ao lado da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo.

Um pouco mais tarde, as 18hs, no Sesc Santana, será a vez da tradicional cantora e folclorista Inezita Barroso revisitar clássicos da história musical da cidade, no espetáculo “Roteiro Musical da Cidade de São Paulo”, que contará com, entre outras canções, “Ronda”, “Perfil de São Paulo” e “O Bonde Camarão”. Esse também é o tema de uma exposição em cartaz na mesma unidade do Sesc. Também às 18hs, outro projeto a ser apresentado, agora no Sesc Ipiranga, é “Cruzando a Cidade”, que contará com a presença de Kiko Dinucci, recebendo convidados especiais, como Mauricio Pereira, Luísa Maita, Dona Inah e MC Max B.

A grande atração da festa promete ser o cantor Ney Matogrosso, que mostra o espetáculo “Beijo Roubado”, a partir das 20hs, na Praça da República. No repertório de 19 canções, estarão, entre outras, “Medo de Amar”, de Vinicius de Moraes; “Bicho de Sete Cabeças”, de Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e Renato Rocha; e “À Distância”, sucesso de Roberto e Erasmo Carlos.

Outra boa opção, para quem prefere poesia, é ir ao Sesc Santo Amaro, onde até às 16hs, membros do grupo Correspondência Poética, realizarão intervenções em diversos espaços da unidade. Até às 21hs, é possível visitar a exposição “Parabéns São Paulo”, no Espaço Cultural Planalto, que reúne pinturas, desenhos e fotografias a respeito da cidade, realizadas por artistas como Gal Oppido.

O artista plástico Guto Lacaz também preparou a estreia de uma nova intervenção artística no lago interno do Parque do Ibirapuera, com o título “Objetos Flutuantes Não Identificados Ibirapuera (OFNIs Ibirapuera). O projeto foi construído com 79 caixas de isopor de 170 litros, e poderá ser visto entre 17hs e 18hs.

Serviço
Parque Villa-Lobos – Avenida Professor Fonseca Rodrigues, 2001. Alto de Pinheiros. Grátis
Parque Ecológico do Tietê – Rua Guirá-Acangatara, 70. Cangaíba. Grátis
Sesc Santana – Avenida Luiz Dumont Villares, 579. Santana. Grátis
Sesc Ipiranga – Rua Bom Pastor, 822. Ipiranga. Ingressos de R$4,00 a R$16,00
Praça da República – Praça da República, s/n. Grátis
Sesc Santo Amaro – Rua Amador Bueno, 505. Santo Amaro. Grátis
Espaço Cultural Planalto – Rua Maria Paula, 279. Bela Vista. Grátis
Parque do Ibirapuera – Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n. Ibirapuera. Grátis

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Publicado em 24/01/2012

Rapture toca no dia dos 458 anos da cidade de São Paulo



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Os norte-americanos do Rapture mostram seu som em evento do circuito alternativo paulistano (Foto: ©Divulgação)

A banda pós-punk nova iorquina Rapture entra, meio por acaso, na agenda de eventos que marcam o dia do aniversário de 458 anos de São Paulo. Os rapazes, que acabam de lançar o quarto álbum, “In The Grace of Your Love”, estão na décima edição do projeto Popload Gig, do jornalista Lucio Ribeiro. Eles tocam na quarta-feira (25), no Cine Jóia, na capital paulista. 

Entre os maiores sucessos da banda, está “House Of Jealous Lovers”. Mas no show também haverá canções dos álbuns “Mirror”, de 1999; “Echoes”, de 2003; e “Pieces of the People We Love”, de 2006. Essa é a terceira vez que o Rapture vem ao Brasil. Antes, tocou no Tim Festival, em 2003; e no Planeta Terra, em 2007.

Outra atração da noite será o DJ e produtor francês de electrofunk Breakbot. Ele ficou famoso pelo hit “Baby I’m Yours” e por ter feito remixes para grupos como Justice, Chromeo, Metronomy e Digitalism.

Serviço
Rapture e Breakbot no projeto Popload Gig. Quarta-feira (25), às 22hs
Ingressos a R$ 160
Cine Jóia – Praça Carlos Gomes, 82, Liberdade. São Paulo/SP
T: (11) 3231-3705


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Publicado em 24/01/2012

Cris Cabianca traz misticismo e sofisticação em álbum de estreia



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Capa do primeiro álbum solo da cantora Cris Cabianca (©Reprodução)

Ousadia e sofisticação são os dois adjetivos mais apropriados para definir o álbum de estreia da cantora paulistana Cris Cabianca, conhecida pela participação nos musicais “West Side Story”, “Cinderela”, “O Jardim Secreto”, “Pluft, o Fantasminha”, “My Fair Lady” e “Hair”. Mas eles não são suficientes para descrever um trabalho que mistura uma sonoridade delicada e, ao mesmo tempo, sombria com a voz doce da artista, os arranjos cristalinos de Corciolli e as letras marcadas por boa dose de misticismo.

Ex-aluna do Broadway Dance Center, em Nova York, Cris Cabianca, especialista em musicoterapia e atualmente residente em Los Angeles, abre o álbum homônimo com um tributo a Iemanjá, “Canto das Sereias”. Além dessa, ela é autora de seis das dez canções. Outras duas são de Corciolli, também responsável pela produção. São elas, “Entardecer”, que é um misto de canto gregoriano com música eletrônica; e a romântica “Se Esquece em Mim”.

Ele também fez o arranjo para a tradicional canção inglesa “Scarborough Fair”, aqui numa espécie de versão bossa nova e que chamou muita atenção ao ser gravada por Simon & Garfunkel e entrar na trilha musical do filme “Primeira Noite de Um Homem”.  Uma das faixas que melhor apresentam o trabalho é a bonita balada: “Eu tenho saudades de casa / Eu tenho saudades do mundo / De um tempo passado / Dos dias futuros / De todas as coisas que eu nunca vi”. 

Na new bossa nova “Só Com Você”, Cris Cabianca mistura inglês com português e recupera um pouco o estilo cristalino de cantoras dos anos 1990, como Marisa Monte e Vanessa Rangel. Em “Flores da Terra”, a letrista relaciona a chegada do amor e a cura da dor às pedras – diamante, esmeralda, crisocola, selenita, citrina, cobre, prata e jade. A mistura é a tônica de “Tango do Fogo”, que apresenta um tango mais eletrônico e percussivo. E a música sertaneja marca “Estradas de Nossas Vidas”. 

A penúltima canção, antes de "Scarborough Fair", é a animada e eletrônica “Plêiades”, marcada também pela letra de tom místico: “Oito sóis, irmãos no brilho / Alcione em pleno giro / Vai girar a chave da criação / Eu vejo as Plêiades descendo na Terra / Trazendo do cosmos amor e perdão / De longe estrelas enviam mensagem / Em mil carruagens de radiação”. Comprova-se, portanto, que no caldeirão dessa artista pode entrar quaisquer ritmos musicais, sempre preservando a busca por uma marca autoral, o que exige certo grau de qualidade.

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Publicado em 26/01/2012

Karina Buhr faz show de novo disco em Recife



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Um dos nomes mais fortes da nova geração de cantoras e compositoras brasileiras, Karina Buhr nasceu em Salvador mas, aos 8 anos, se mudou para Recife, onde cresceu e iniciou a carreira musical, aumenta a expectativa em torno do show de lançamento do segundo disco solo dela, “Longe de Onde”, na capital pernambucana, o que acontecerá na próxima sexta-feira (27), no Teatro da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Karina Buhr é acompanhada no palco por um time de feras – o baterista Bruno Buarque, os guitarristas Edgard Scandurra e Fernando Catatau, o trompetista Guizado e o tecladista André Lima. No repertório, estarão basicamente as canções do novo trabalho, mas também as do álbum de estreia “Eu Menti Pra Você”, lançado em 2010. Tanto o projeto de gravação do segundo CD da cantora, como os shows de lançamento, foram selecionados no Edital Nacional 2010, do Natura Musical.

Serviço
Show Karina Buhr – 27 de janeiro, sexta-feira, a partir das 21hs. Ingressos – R$20
Teatro UFPE – Avenida dos Reitores. Cidade Universitária. Recife/PE
T: (81) 3271-1068


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Publicado em 21/01/2012

Festival mistura rock, cordel e hip hop no Ceará



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Começou na quinta-feira (19) e vai até o próximo sábado (28) a sexta edição do Festival Rock Cordel, que reúne 121 atrações artísticas, em quatro espaços culturais: o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza (CE) e nos Centros Culturais Banco do Nordeste, também na capital cearense, em Cariri (CE) e em Sousa (PB). Em todos eles, a entrada é gratuita. A edição de 2012 traz como novidade o Espaço Hip Hop, com espaço para break, rap e graffiti.

O evento é promovido pelo Centro Cultual Banco do Nordeste e tem como principal objetivo incentivar a circulação de artistas e a difusão da cultura, com enfoque, claro, na produção nordestina. Por isso, além das apresentações musicais, há também oficina de guitarra, ensinando, em quatro dias, as técnicas, escalas e principais sonoridades usadas no rock, hard rock e heavy metal. Haverá também um debate, na quarta-feira, 25 de janeiro, com o título “O Reisado Cearense e o Ensino das Africanidades”, com as pesquisadoras Cicera Nunes e Paula Izabela.

A denominada “Ação Hip-Hop”, idealizada pelo músico, poeta e produtor Felipe Rima, contará com a participação dos DJs Marianho Penha e Flipe Jay; do grupo Oxente Break e de outros grupos, como Basquete de Rua, Freestyle Rimas, Vilão & R.Dog; Bulan Grafitti, Enxame, Rimativa, RDF, Davi Favela e Farol Hip-Hop. Mas o evento também será marcado por bandas locais de outros estilos musicais, caso de Mafalda Morfina, Renegados, Caco De Vidro e Macula, entre tantas outras.

A programação completa pode ser acessada no site do Banco do Nordeste 

Serviço
VI Festival Rock Cordel – até 28 de janeiro. Entrada franca
Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura – Rua Dragão do Mar, 81. Praia de Iracema. Fortaleza/CE. T: (85) 3488-8600
CCBNB Fortaleza – Rua Floriano Peixoto, 941. Centro. Fortaleza/CE. T: (85) 3464-3108
CCBNB Cariri – Rua São Pedro, 337. Juazeiro do Norte (CE). T: (88) 3512-2855
CCBNB Sousa – Rua Coronel José Gomes de Sá, 07. Centro. Sousa (PB). T: (83) 3522-2980

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Publicado em 21/01/2012

Filme nacional "Dois Coelhos" mostra trama policial em ritmo alucinante



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Fernando Alves Pinto e Alessandra Negrini em cena de "2 Coelhos", nova produção nacional que estreia em circuito nas principais cidades (Divulgação)

A violência é uma das temáticas mais fortes no cinema brasileiro e ela está muito presente no filme "2 Coelhos", estreia do diretor Afonso Poyart e que chegou aos cinemas nesta sexta-feira, 20 de janeiro. Porém, nele, ela ganha um aspecto mais de cartoon numa trama ágil e surpreendente, em que os personagens são, ao mesmo tempo, maus e bons, culpados e vítimas, como todos os seres humanos.

O filme conta com mais de 2 mil tiros, diversas sequências de perseguição e cada acontecimento filmado por três câmeras diferentes e, portanto, mostrado por ângulos inusitados.

"2 Coelhos" conta com uma edição frenética, bem ao estilo dos videoclipes e mistura diversas linguagens e tecnologias, incluindo desenhos, gráficos, imagens congeladas, aceleradas, flashbacks e flashforwards.

Tudo conduzido por uma narrativa extremamente fragmentada, ágil, esperta e cheia de reviravoltas. A trilha musical também é bastante marcante, apesar de alguns momentos soar exageradamente alta, com músicas de, entre outros, Radiohead, 30 Seconds To Mars, Titãs e Lenine.

Edgar, muito bem interpretado por Fernando Alves Pinto, matou uma mulher e a filhinha, quando pilotava um carro a toda velocidade, com a namorada. Ele foi julgado e, graças ao apoio de um deputado corrupto, conseguiu fugir do país e agora está de volta com o objetivo de acabar com ele e com um dos mais fortes bandidos de São Paulo. Para isso, organiza um plano em que pretende "matar dois coelhos com uma cajadada só", como diz o tal provérbio popular.

Pode-se questionar aqui o quanto não há de politicamente incorreto em todos os personagens da história, a ponto de parecer não haver mais saída. No entanto, o final do filme, um tanto inesperado, faz com que o espectador saia do cinema questionando seus próprios valores, a partir desse verdadeiro quebra-cabeça de 100 minutos que acabou de acompanhar por meio de um elenco muito afiado.

Entre os atores aliás, destacam-se, entre outros, Thaíde, que interpreta um ladrão que se disfarça de motoboy; Caco Ciocler, que faz um professor universitário, que perde a mulher e a filha atropeladas por Edgar; Alessandra Negrini, a namorada de Edgar e promotora de Justiça; Marat Descartes, o chefe da quadrilha de bandidos; Neco Villa Lobos, advogado de corruptos; e Roberto Marchese, o deputado.

A temática de "2 Coelhos" é extremamente contemporânea. Afinal, além da trama policial, um dos alicerces da trama é formado justamente pela corrupção e roubo de documentos em órgãos públicos e envolvendo políticos. Não espere, porém, grandes reflexões e lições de moral.

Esse filme, claramente voltado aos adolescentes e jovens, tem como principal objetivo entretê-los com uma linguagem de fácil compreensão e atração para esse público e, por meio de tantos tiros e efeitos, levar a que cada um desenvolva a própria reflexão e deixe para trás a divisão maniqueísta entre bons e maus.

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Publicado em 19/01/2012

Elis Regina, morta há 30 anos, é homenageada com show dos filhos



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Em 19 de janeiro de 1982, morria a cantora Elis Regina, com apenas 36 anos. Como toda estrela que se preze, sua morte foi cercada de mistério e causou surpresa na época, por ter sido provocada por uma mistura fatal de álcool e cocaína. Trinta anos depois, os filhos Maria Rita, fruto do casamento com o pianista César Camargo Mariano, e João Marcelo Bôscoli, filho também do compositor e produtor Ronaldo Bôscoli, a homenageiam com shows e exposição.

Elis Regina Carvalho Costa nasceu em Porto Alegre, em 17 de março de 1945. Aos 15 anos, foi contratada pela Rádio Gaúcha. Em 1961, ela se mudava para o Rio de Janeiro, onde gravou o primeiro disco, “Viva a Brotolândia”. A partir daí, começou a fazer grande sucesso no eixo Rio-São Paulo. Entre 1964 e 1967, ela comandou, ao lado de Jair Rodrigues, o programa “O Fino da Bossa”, na TV Record, e gravou, com ele, três álbuns “Dois na Bossa”. Enquanto isso, em 1965, venceu o festival da TV Excelsior, com “Arrastão”, de Vinicius de Moraes e Edu Lobo.

Mesmo criticando o regime militar, Elis Regina não escapou da mira do cartunista Henfil, quando foi obrigada a realizar um show de graça para o Exército. Os dois fizeram as pazes ainda antes de a cantora gravar de forma marcante, com a forte interpretação, “O Bêbado e a Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc – que se tornou uma espécie de hino da anistia e citava justamente "o irmão do Henfil", Herbert de Souza, o Betinho.

Elis Regina também foi fundamental na consagração de alguns compositores, como João Bosco, Guilherme Arantes, Ivan Lins, Renato Teixeira e Belchior. Até hoje ela é reconhecida como uma das melhores cantoras brasileiras de todos os tempos, em função da qualidade e alcance vocal, mas também pela dramaticidade que imprimia às canções. São inigualáveis, por exemplo, as gravações de “Como Nossos Pais”, “Madalena”, "Romaria" e “Atrás da Porta”, só para citar algumas .

Apelidada de “Pimentinha” pelo poeta Vinicius de Moraes, Elis Regina será lembrada agora por meio do projeto “Viva Elis”, que misturará exposição de fotos, vídeos, entrevistas e um documentário, com os shows de Maria Rita, interpretando pela primeira vez o repertório da mãe. A primeira apresentação acontecerá em 17 de março, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Em seguida, ele deve ser levado ao Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre. Todas elas acontecerão ao longo do ano e serão gratuitas.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 19/01/2012

O auto-retrato do "intolerante" Boni



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

O livro do ex-diretor da Globo contribui para entender a história da maior empresa de comunicação do país (©Reprodução)

No final do ano passado, chegou às livrarias a autobiografia “O Livro do Boni”, escrita por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, que durante 31 anos ficou à frente da operação da Rede Globo de Televisão e foi um dos responsáveis por ajudar a transformá-la num dos grandes impérios das comunicações no mundo.

Ao lado dele, também foi importante a atuação de profissionais como Walter Clark e Daniel Filho, que já haviam contado suas visões da mesma história, respectivamente, nos livros “O Campeão de Audiência” e “O Circo Eletrônico – Fazendo TV no Brasil”.

Juntas, essas três obras criam um painel bastante completo da história da TV Globo. Não espere, porém, de nenhuma delas revelações bombásticas. Afinal, trata-se de uma visão oficial de três importantes dirigentes dessa megaempresa. De todo modo, são obras indispensáveis para quem estuda comunicação e também para quem se interessa pelo mundo dos negócios e pela cultura brasileira.

“O Livro do Boni” parece a peça que faltava nesse quebra-cabeça. A começar pelo fato de que o autor vai muito além da TV Globo e narra a importante passagem que ele teve por outras emissoras de rádio e televisão, e por agências de publicidade. Depois, porque ele parece ser bastante sincero em tudo o que relata.

Com o lema de que um erro só pode ser tolerado uma única vez, ele assume a intolerância como qualidade e retrata, sem pudores, o roubo de elenco que costumava ocorrer no início da televisão brasileira e o fato de que levou Regina Duarte para a TV Globo, fazendo-a largar no meio uma novela em que atuava na Excelsior, pelo fato de estar a vários meses sem receber. 

Boni também retrata momentos complicados e delicados, como a da edição do debate entre Lula e Collor em 1989; das informações truncadas do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), do Rio de Janeiro, durante as eleições para governador do estado em 1982, vencidas por Leonel Brizola; da relação com a empresa norte-americana Time-Life, sócia da TV Globo durante alguns anos; da convivência tumultuada e delicada com o governo militar e a censura praticada por ele; e das brigas com Walter Clark e Gloria Magadan, a autora cubana que veio fazer novela no Brasil. Sente-se falta de descrições da relação da TV Globo com os denominados governos democráticos.

De leitura saborosa, “O Livro do Boni” possui 460 páginas, em que desfilam o convívio do autor com nomes importantes da cultura brasileira como Chacrinha, Dercy Gonçalves, Janete Clair, Silvio Santos, Fausto Silva, Xuxa, Ayrton Senna, Pelé, Tarcísio Meira, Dias Gomes, Glória Menezes, Regina Duarte, Chico Anysio, Jô Soares e Marília Gabriela, entre tantos outros. Não faltam também muitas fotos e detalhes da criação de  programas marcantes, como “Globo Repórter”, “Fantástico” e “Jornal Nacional”. Com relação às minisséries e telenovelas, Boni lista e comenta as que mais o marcaram como profissional da televisão, mas também como telespectador.

Com relação ao sempre discutido “padrão Globo de qualidade”, Boni o atribui ao alto grau de exigência de todos os profissionais da emissora – comentando boa parte dos que assumiram o comando em diferentes momentos – e também ao público. “A mentalidade da tolerância zero se implantou na empresa de forma automática e não imposta. E tolerância zero não significa que tudo seja perfeito, mas que se busca a perfeição. Para mim, não há busca de perfeição quando se tem qualquer tipo de tolerância. É preciso querer 100% para conseguir 80 ou 90%. Sempre fui um intolerante: no rádio, na publicidade, nas emissoras em que trabalhei antes da Globo e, principalmente, na Globo”, garante.

E talvez tenha sido essa característica que o fez o profissional admirado e temido que é, e também que mais o aproximou de Walter Clark, Daniel Filho e, acima de todos, de Roberto Marinho.

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Publicado em 19/01/2012

Jorge Mautner e Nelson Jacobina tocam juntos em Sesc de São Paulo



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Os parceiros Nelson Jacobina e Jorge Mautner voltam a se apresentar em São Paulo (Foto:jorgemautner.com.br/divulgação)

Nesta sexta-feira (20), o cantor, violinista e compositor carioca Jorge Mautner, que acaba de completar 71 anos, se apresenta ao lado do mais fiel parceiro, o violonista, compositor e arranjador Nelson Jacobina, no Sesc Pompeia, em São Paulo. Juntos, eles gravaram o álbum “Árvore da Vida”, em 1988.

No repertório, estarão sucessos como “Vampiro”, “Olhar Bestial”, “Sapo Cururu” e “Maracatu Atômico”. Haverá também canções mais recentes, caso de “Eu não peço desculpa”, do CD gravado por Jorge Mautner em parceria com Caetano Veloso; “Homem Bomba” e “Manjar de Reis”. Mas a base será mesmo o álbum “Revirão”, que será relançado este ano, com as músicas “Os Pais” e “Assim Já é Demais”.

Serviço
Show Jorge Mautner e Nelson Jacobina – sexta-feira, 20/1, às 21h.
Ingressos de R$ 4 a R$ 16
Sesc Pompéia – Rua Clélia, 93. São Paulo/SP. T: (11) 3871-7700


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Publicado em 17/01/2012

Banda MrPunch mostra força do rock paulista



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Os roqueiros paulistas do Mr Punch, no circuito alternativo da capital (Divulgação)

Nessa terça-feira (17), a partir das 23h, a banda paulistana MrPunch lança o primeiro EP, homônimo, no Tapas Club, em São Paulo. O disco pode ser escutado de graça e na íntegra no site www.mrpunch.com.br. O nome da banda vem de um livro do quadrinista britânico Neil Gaiman

As cinco faixas - gravadas no estúdio Costella, pertencente ao produtor e VJ da MTV, Chuck Hipolitho -, já demonstram a força e o potencial de Betto Rodri (voz, guitarra e compositor de todas as faixas), Bruno Nogueira (guitarra), Vee Daguano (baixo) e Bruno Braga (bateria).

A primeira faixa, “Garota Invisível”, é um rock visceral, que remete ao que já foi realizado de melhor no país, a começar pelo toque para lá de explícito do Made In Brazil, com boa pitada de Lobão. O solo de guitarra de Bruno Nogueira é contagiante e combina com a letra nonsense: “Você não sai da minha cabeça / Ainda que seja alucinação”.  A mesma pegada roqueira se repete em "Um Jogo de Você".

Em seguida, vem o rock mais clássico “Chega”, com a letra raivosa, bem na linguagem da geração anos 2000: “Você não sabe como agir / E eu não posso mais mentir / Então a gente fica assim”. Porém, a letra mais contundente é a da politizada “Despertar”: “Os tempos mudaram / Só você que não vê”.

O melhor é guardado para o final. Trata-se da balada “Solitude”, que começa com uma sonoridade delicada e, em seu final, demonstra a grande qualidade musical dos garotos num arranjo grandioso para retratar o desfecho doloroso de um romance: “Ainda me vem com um band-aid para curar a alma / Não entende que eu preciso é de paz e calma / O tempo é quem dirá como as coisas vão ficar / Não apresse minha decisão / Você não sabe o que se passa no meu coração”.

Serviço
Show Mr. Punch – terça-feira, 17/1, às 23h
Ingressos de R$10 a R$30
Tapas Club – Rua Augusta, 1246. Consolação - São Paulo
T: (11) 8362-0999

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Publicado em 19/01/2012

A música de Tom Jobim pelo olhar de Nelson Pereira dos Santos



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Peça promocional do filme que mostra a obra do brasileiro Tom Jobim (©divulgação)

Estreia nessa sexta-feira, 20 de janeiro, nos cinemas brasileiros, o deslumbrante documentário “A Música segundo Tom Jobim”, dirigido por Nelson Pereira dos Santos e por Dora Jobim, neta do compositor. Audaciosa, a produção não conta com um único diálogo.  Mostra apenas as canções de Tom Jobim na interpretação dos mais diversos cantores do mundo inteiro. Mas precisava de mais alguma coisa?

Pode ser que alguém reclame da ausência de legendas, o que dificulta a identificação de quem está na tela para os mais jovens. Porém, a justificativa de Nelson Pereira dos Santos, um dos mais consagrados e respeitados diretores do cinema nacional, durante a coletiva de imprensa em São Paulo, é mais do que satisfatória. Para ele, além de as legendas poderem dispersar a atenção do espectador, elas são um vício propagado pela televisão, tanto que, geralmente nos filmes, não aparece o nome dos atores quando eles entram em cena. Outro vício totalmente evitado é o da exigência de ter alguém explicando um determinado personagem ou acontecimento.

A história e a trajetória de um dos maiores nomes da música mundial são contadas apenas, e tão somente, por seus maiores sucessos, gravados por nomes como os brasileiros Gal Costa, Elizeth Cardoso, Vinicius de Moraes, Carlinhos Brown, Caetano Veloso, Chico Buarque, Milton Nascimento, Nara Leão e Maysa; os norte-americanos Ella Fitzgerald, Sammy Davis Jr e Frank Sinatra; e os franceses ou de descendência francesa Henri Salvador, Pierre Barouh e Jean Sablon.

Pelo menos três momentos são inesquecíveis. O primeiro deles é o famoso dueto de Tom Jobim com Frank Sinatra, em “Garota de Ipanema”, canção que, aliás, desfila pelo filme em diferentes versões. O segundo deles diz respeito à mesma música, agora na voz da atriz Judy Garland.

Essa gravação foi descoberta por acaso numa das inúmeras pesquisas realizadas por Dora Jobim no YouTube e a raridade compensa a falta de qualidade das imagens. O terceiro momento é o que reuniu Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Paulinho da Viola numa das festas de réveillon na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. A faceta do maestro soberano, criador de peças eruditas, não é esquecido e se faz muito bem representado por trecho da “Sinfonia da Alvorada”, composta com Vinicius de Moraes para a inauguração da capital federal, Brasília. 

Trata-se, portanto, de um árduo trabalho de pesquisa em arquivos, com um roteiro muito bem afinado e que conta com a assinatura também da cantora Miúcha, que, rapidamente, conquista e envolve o espectador com uma obra bastante completa. Será difícil resistir a não cantar junto músicas como “Lígia” e “Chega de Saudade”.

Ah, antes que alguém reclame que não é tão capaz assim de distinguir Diana Krall, Oscar Peterson, Birgit Brüel e Stacey Kent; nos créditos finais, aparecem todas as legendas bastante explicativas com as imagens correspondentes. Sente-se falta, porém, de mais imagens de um dos mais respeitados intérpretes de Tom Jobim, o cantor e violonista João Gilberto.

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Publicado em 17/01/2012

Zé Renato apresenta no Rio novo CD "Breves Minutos"



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

O violonista, cantor e compositor Zé Renato: show e exposição de fotos (Foto: ©Dalton Valerio/Divulgação)

Na próxima terça-feira,(24), o cantor, violonista e compositor Zé Renato fará o show de lançamento do álbum “Breves Minutos” (já comentado neste blogue), a partir das 21h30, no Studio RJ, na capital fluminense. Para acompanhar a apresentação, também será inaugurada a exposição de fotos “Zé Renato – 35 anos em Breves Minutos”.

O show será formado basicamente pelas canções do novo álbum, que inclui, entre outras, o fado “Gaivota”, de Alexandre O’Neil; e “Um abraço no Japão”, composta em parceria com a cantora Joyce e que conta com citação ao clássico “Quem vem pra beira do mar”, de Dorival Caymmi. Também será interpretado o clássico norte-americano “Love is a many splendored thing”, de Sammy Fain e Paul Webster, imortalizada como tema do filme “Suplício de uma Saudade”, de 1955.

Zé Renato nasceu em 1956 e estreou ainda criança no teatro do hotel Copacabana Palace, fazendo uma pequena participação na peça “A perda irreparável”, estrelada por Henriete Morineau e dirigida por Ziembinski. Aos 17 anos, ele musicou o poema “Canção”, de Mário de Andrade, para um trabalho da escola e que será declamado no novo show pelo ator Paulo José. 

Capixaba de nascimento e carioca de coração, Zé Renato é acompanhado por Rômulo Gomes (baixo), Tutty Moreno (bateria), Arthur Dutra (vibrafone) e Zé Nogueira (sopros). E homenageia o Rio de Janeiro com “Na São Sebastião”, parceria com Lenine, incluída nos discos “Cabô”, de 2000; e “Minha Praia”, de 2003. Há também uma homenagem a Nelson Cavaquinho, que completaria 100 anos em 2011, com “Sempre Mangueira”.

Outros homenageados são Milton Nascimento, por meio da parceria dele com Zé Renato em “Anima”; e Edu Lobo, com “Uma vez um caso”, dele e do poeta Cacaso. Não faltam também sucessos do Boca Livre – o grupo com o qual se projetou nacionalmente –, como “Quem tem a viola”, de Zé Renato com Chico Chaves, Cláudio Nucci e Juca Filho; e de trilhas de telenovelas, como “A Hora e a Vez”, dele com Cláudio Nucci e Ronaldo Bastos, incluída em “Roque Santeiro”.

Serviço
Show Breves Minutos, de Zé Renato
Terça-feira, 24/1, às 21h30
Ingressos de R$ 30 a R$ 40
Studio RJ – Avenida Vieira Souto, 110. 1º andar. Arpoador. Rio de Janeiro/RJ
T: (21) 2523-1204


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2009



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Publicado em 11/01/2012

Siba segue com mistura de regionalismos e modernidades no CD "Avante"



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

O novo disco de Siba, 'Avante', que também pode ser baixado pela internet (©Reprodução)

Sérgio Veloso, que adotou o nome artístico Siba, é um dos criadores da banda pernambucana Mestre Ambrósio, importante representante do manguebeat, que conquistou o mundo ao misturar música regional com a música pop internacional e as possibilidades da música eletrônica. Foi essa união que o cantor, multiinstrumentista e compositor levou adiante ao realizar um trabalho marcante junto ao grupo Fuloresta, em Nazaré da Mata, na zona da mata de Pernambuco, com o qual rodou o Brasil e realizou constantes turnês pela Europa. Agora ele lança um álbum de modo mais livre, uma vez que não está vinculado a uma banda. Trata-se de "Avante", que está disponível em CD e também para download na internet.

O objetivo principal do álbum fica explícito logo na primeira faixa, "Preparando o Salto": "Vou passar / Como um santo mudo / Mirando o alto, rindo / Preparando o salto / Deixando pra trás... tudo". Outra marca é a forte presença da guitarra em faixas como o forte repente "Um Verso Preso", recitado por Lirinha, ex-Cordel do Fogo Encantado. O instrumento é tocado por Siba, que a divide também com a viola, o que se confirma com a presença Fernando Catatau, guitarrista da banda cearense Cidadão Instigado, como produtor e convidado especial da doce "Qasida", que, apesar da estranheza do título, é uma das faixas mais facilmente digeríveis e que melhor definem esse trabalho.

Siba aparece cercado por ótimos músicos – Léo Gervázio, na tuba; Samuca Fraga, na bateria; e Antônio Loureiro, no vibrafone e teclados. Essa força fica explícita na ótima "Brisa". É provável que se sinta certa estranheza no começo, mas depois será difícil não resistir a ela, que parece estabelecer vínculos diretos com bandas internacionais como Beirut. A força dos músicos também é facilmente perceptível na sonoridade de "Bravura e Brilho" remete às tradicionais feiras e parques de diversões do interior.

Há forte presença do que ficou conhecido como o brega dos anos 1970. Esse é o caso da espécie de samba-canção eletrônico "Ariana": "Não me negue um carinho, pequenina / Só o teu toque alivia o meu desgosto / Ponha rendas de neve no meu rosto / Deixe a névoa cobrir minha retina / Quanto mais acossado, mais respira". Mas também há espaço para as distorções típicas do rock, como no início de "Canoa Furada", que se transforma numa canção regional, remetendo ao trabalho do Quinteto Violado.

A ciranda aparece em canções marcadas pelo cantar falado, como na ótima "Cantando Ciranda Na Beira do Mal": "Pegando carona nas grossas correntes / Se vão tartarugas de cascos brilhantes / Que embarcam nos rumos de praias distantes / Que servem de berço para seus descendentes / Que rasgam os ovos e emergem valentes / E correm sozinhas para se salvar". Também há muito bom-humor, o que se percebe em "A Bagaceira": "Pode acabar-se o mundo / Vou brincar meu carnaval / Não quero fantasia / Vou me vestir como der / Num dia eu melo a cara / No outro eu vou de mulher / Pra enganar a fome / Não quero espeto de praça".

Com a boa dose de estranheza que o novo é capaz de provocar, misturado à tradição musical pernambucana, "Avante" já pode ser considerado um dos grandes álbuns desse ano que mal começou. Sendo assim, Siba segue como um dos mais inventivos, originais e talentosos artistas da atual música brasileira. Evoé, jovem poeta!

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Publicado em 13/01/2012

Pitty aparece suave e acústica no projeto Agridoce



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Capa do CD do projeto paralelo da baiana Pitty, Agridoce, ao lado do guitarrista Martin (©Reprodução)

No dicionário, “agridoce” quer dizer algo de sabor acre e doce ao mesmo tempo ou o azedume que se reveste da aparência de doçura. Por isso, esqueça a imagem da roqueira baiana, de letras contundentes e som um pouco agressivo. A suavidade e a musicalidade acústica é o que marca o projeto paralelo Agridoce, desenvolvido em 2011, pela cantora e compositora Pitty, e pelo guitarrista Martin, e que rendeu um álbum homônimo, lançado no final do ano passado, e no qual impera uma boa dose de humor negro e de clima de filme de terror. Basta observar como a morte e o suicidio estão presentes em muitas letras.

A proposta fica clara na letra e na musicalidade agridoce da faixa de trabalho, “Dançando”, que é uma daquelas que muitos ouvirão em looping: “Eu sei que lá no fundo há tanta beleza no mundo / Eu só queria enxergar / As tardes de domingo, o dia me sorrindo / Eu só queria enxergar / Qualquer coisa pra domar o peito em fogo / Algo pra justificar uma vida morna / O mundo acaba hoje e eu estarei dançando / Com você”.

A canção que abre o álbum é “Embrace The Devil”, que pode ser traduzido como “Abrace o Diabo” e mistura inglês e português. O idioma inglês marca também a psicodélica “Hainy” e o gostoso rock, “Say”, que já faz bastante sucesso. Esse último abre espaço à balada “Romeu”, espécie de versão mais moderna do clássico de William Shakespeare, “Romeu e Julieta”, que termina no suicídio do casal. Tanto romantismo talvez essa seja a canção que mais reflete o atual momento de Pitty, que é casada com o baterista Daniel Weksler, da banda NX Zero.

A sonoridade remete a astros internacionais atuais, como a cantora e compositora norte-americana Cat Power; Eddie Vedder, vocalista e guitarrista da banda grunge Pearl Jam e autor da trilha musical do filme “Na Natureza Selvagem”; e a banda norte-americana Beirut. É o que se percebe em “20 Passos”, cantada por Martin. Outra referência é bandas britpop, caso de Verve e Oasis, em faixas como “Upside Down”.

Há faixas mais sombrias, como a praticamente recitada em francês “Ne Parle Pas”, a forte “O Porto” e “Epílogos”, na qual paira um humor negro bem saboroso: “Primeiro os aniversários / As festas, balões coloridos / Bailes de debutante / As noites em claro / Depois os casamentos / Amores e nascimentos / Por fim, os funerais / As camas de hospitais”. 

O projeto Agridoce foi realizado durante as férias da carreira solo da roqueira. Enquanto as canções foram compostas no centro de São Paulo, onde ela mora, as gravações aconteceram de modo isolado numa casa alugada na Serra da Cantareira. O mais interessante é observar como Pitty conseguiu se desgrudar da imagem que desenvolveu (e lhe impuseram) para demonstrar outra vertente, igualmente autoral, e, pelo visto, muito mais criativa e interessante. 

Essa preocupação de ficar presa a algum pré-julgamento fica clara numa das mais bonitas canções do álbum, a doce “130 Anos”: “Caro é transformar-se num arremedo de si próprio / A ponto de nem se reconhecer mais / ... / Tantos laços, tantas amarras, os controles, pretensões / Nada adianta se o vento não soprar / Esse vento sob minhas asas, eu não mando mais em nada / Sei que é alto / Mas eu vou pular”. Nada melhor, portanto, do que o encerramento com a “soturna cantiga de ninar” “Please, Please, Please, Let Me Go What I Want” (“Por favor, por favor, por favor, deixe-me ir para o que eu quero”).

Confira o videoclipe de 'Dançando', com Pitty e Martin

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Publicado em 11/01/2012

Som Imaginário faz reencontro raro em São Paulo



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Quem é amante da música popular brasileira ou tem mais de 40 anos certamente se lembra do grupo Som Imaginário e não vai querer perder as apresentações que acontecem nesse final de semana no Sesc Belenzinho, em São Paulo.

O grupo foi criado inicialmente para acompanhar o cantor e compositor Milton Nascimento e revelou nomes como o pianista e arranjador Wagner Tiso, o guitarrista e violonista Tavito (autor do clássico “Rua Ramalhete”), Nivaldo Ornelas (responsável pelos instrumentos de sopro), o baterista e percussionista Robertinho Silva. Sua formação original também teve Zé Rodrix, tocando órgão e flauta.

Por lá passaram também feras como Naná Vasconcelos, Toninho Horta, Novelli e Jamil Joanes, entre outros.

Após 37 anos sem tocarem juntos, os músicos se reúnem para interpretar arranjos instrumentais das canções do artista mineiro e também faixas dos álbuns que lançaram. Esse é o caso dos discos homônimos de 1970 e 1971; e “Matança do Porco”, de 1973. Acompanhando Milton Nascimento, eles gravaram “Milagre dos Peixes”, de 1974. E também participaram das gravações de outros artistas, como Gal Costa, Odair José, Simone, Sueli Costa, Carlinhos Vergueiro, MPB-4, Taiguara e Marcos Valle.

Serviço
Show Wagner Tiso e Som Imaginário 
sexta-feira (13) e sábado (14), às 21h, e domingo (15), às 18h
Ingressos de R$ 8 a R$ 32
Sesc Belenzinho – Rua Padre Adelino, 1.000, Belém - São Paulo/SP
T: (11) 2076-9700

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Publicado em 12/01/2012

Marcelo Jeneci e Tulipa Ruiz voltam a tocar juntos, em shows no Rio e em São Paulo



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Tulipa e Jeneci, durante apresentação em 2011 (Foto: ©-marcelojeneci.com.br/Caroline B.) Bittencourt)

Duas novas sensações da música brasileira, Tulipa Ruiz e Marcelo Jeneci, dividirão os palcos do Cine Jóia, em São Paulo, e do Circo Voador, no Rio de Janeiro, nos próximos finais de semana. Primeiro, eles estarão no palco carioca. Os dois artistas têm apenas um álbum lançado em cada uma de suas carreiras, em 2010, e acabam de voltar de turnês pela Europa e pelos Estados Unidos. Eles também acabaram de compor uma canção juntos, “Dia a Dia, Lado a Lado”.

Marcelo Jeneci se apresentará ao lado de Laura Lavieri (voz e piano), Régis Damaceno (baixo), Estevan Sinkovitz (guitarra), João Erbetta (guitarra) e Richard Ribeiro (bateria). No repertório, estará o sucesso “Feliicidade”, composto com Chico César, e parcerias com Arnaldo Antunes (“Jardim do Éden”), Luiz Tatit (“Por Que Nós?”) e José Miguel Wisnik (“Dar-te-ei”), todas presentes no álbum “Feito Pra Acabar”.

A apresentação de Tulipa Ruiz será formada principalmente pelo repertório do álbum “Efêmera”, que foi considerado o melhor de 2010 pela revista “Rolling Stone”. Graças a ele, Tulipa também foi eleita a melhor cantora de 2011 pelo júri do Prêmio Multishow. Ela é acompanhada no palco pelo irmão Gustavo Ruiz, que toca vários instrumentos, e por Dudu Tsuda, Duani, Márcio Arantes e Stéphane San Juan.

Serviço
Sábado (14), às 22h
Ingressos de R$ 30 a R$ 60
Circo Voador – Rua dos Arcos, s/n, Lapa. Rio de Janeiro/RJ. T: (21) 2533-0354
Sexta-feira (20), às 20h
Ingressos de R$ 20 a R$ 40
Cine Jóia – Praça Carlos Gomes, 82, Liberdade. São Paulo/SP. T: (11) 3231-3705

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Publicado em 10/01/2012

"Ciranda" encerra temporada nos palcos de São Paulo



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

As atrizes Tania Bondezan e Daniela Galli, em cena de "Ciranda": últimos dias de um espetáculo comovente (Foto: ©João Caldas/Divulgação)

Um dos melhores espetáculos de 2011 está prestes a se despedir do circuito teatral paulistano. Trata-se da peça “Ciranda”, estrelada por Tania Bondezan e Daniela Galli, que se desdobram em personagens que vivem diferentes fases da vida. A temporada segue até o próximo dia 22.

Os primeiros aspectos que chamam atenção no espetáculo são os cenários e figurinos criados por Fábio Namatame. O destaque fica por conta dos móveis arrojados e coloridos; as roupas igualmente coloridas; e o sensacional painel de referências aos anos 60, com direito a pôsteres de Janis Joplin, Beatles, Che Guevara e do filme "Casablanca” (que na verdade foi produzido em 1942), misturados com imagens de santos. A trilha musical, formada por clássicos como “Gracias a la Vida” e “Guantanamera”, marcados pela interpretação de Mercedes Sosa, também é emocionante.

Dirigida pelo craque José Possi Neto, a montagem do texto de Célia Regina Forte flui de modo bastante envolvente, mesclando passagens de muito bom-humor com outros do mais puro lirismo. Em alguns momentos, será, inclusive, difícil conter as lágrimas. Afinal, como pano de fundo para os tradicionais conflitos de geração, desenha-se a história do Brasil nas últimas décadas.

Estamos diante da mãe, que foi hippie e se envolveu na luta contra o regime militar nos anos 60 e 70, usou drogas, defendeu o amor livre, possui um restaurante vegetariano e se tornará avó; da filha yuppie, típica dos anos 80, que só pensa em dinheiro, poder e prestígio; e a neta rebelde, que anda com roupa bem colorida e largada, com a cara do mundo globalizado dos anos 2000, e trabalha como aderecista de teatro, num delicioso exercício de metalinguagem.

Os diferentes tipos de pensamentos e crenças dessas três personagens, aliados aos dramas e as manobras da vida que as surpreendem o tempo todo é que fazem dessa história algo extremamente pertinente e emocionante. Ali são tratados temas profundos, como a maneira como essas mulheres encaram, se relacionam e se tornam até dependentes do poder, por exemplo.

Enquanto a mãe hippie defende o prazer da vida, a filha yuppie busca apenas o sucesso profissional e a riqueza, deixando a vida pessoal praticamente de lado. O equilíbrio entre as duas, porém, parece estar na neta nascida nos anos 90, que se inspira nas maluquices da avó, mas também se preocupa com o trabalho, que envolve o universo da fantasia. Essas diferenças e convergências é o que também fará desse espetáculo algo tão rico, o que só é reforçado pelo requinte e bom gosto da montagem, aliado a duas atuações impecáveis.

“Ciranda” é, assim, um espetáculo imperdível, que suscitará muitos questionamentos internos e poderá levar muitos pais e filhos a dialogarem de modo mais livre e direto nos jantares que costumam se seguir a ida ao teatro. Ficamos na torcida, portanto, para que a peça seja levada para várias outras cidades brasileiras e tenha vida longa.

 

Serviço
Até 22 de janeiro. Sextas e sábados, às 21h30, e domingos, às 19h
Ingressos a R$ 50  (sextas e domingos) e R$ 60 (sábados)
Teatro Renaissance - Alameda Santos, 2.233, Cerqueira César. São Paulo/SP
T: (11) 3069-2286

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Publicado em 10/01/2012

Sherlock Holmes volta mais cínico e irreverente aos cinemas



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Cena da nova versão cinematográfica de aventuras do detetive inglês Sherlock Holmes, vivido pelo ator Robert Downey Jr. (centro) (Foto: ©Divulgação)

Medo de andar a cavalo, ciúme do casamento do fiel companheiro, imaginação capaz de descobrir antes o que irá acontecer depois e uso de disfarces inusitados. Essas são algumas das características do investigador britânico mais famoso da literatura, no filme “Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras”, que estreia sexta-feira, 13 de janeiro, nos cinemas brasileiros.

Com direção do inglês Guy Ritchie e interpretação do norte-americano Robert Downey Jr., o personagem retorna muito mais cínico, perspicaz e irreverente do que no primeiro filme realizado pela dupla, “Sherlock Holmes”, em 2009. Essa também é a décima primeira adaptação cinematográfica da obra clássica do escritor e médico irlandês Arthur Conan Doyle.

A direção de arte de Sarah Greenwood é digna de ganhar mais uma indicação ao Oscar e em que prevalecem os tons mais soturnos, acentuando a característica gótica do filme. Ela reforça o enredo, que gira em torno do professor James Moriarty, interpretado por Jared Harris, que planeja um plano diabólico para dominar o mundo, com base em muitas mortes, exercícios de clonagem e utilização da indústria armamentista. Mais atual impossível!

Mas apenas Sherlock Holmes é capaz de unir fatos aparentemente tão desconexos como um escândalo que derruba um grande empresário do algodão; um traficante chinês de ópio que morre por possível overdose; e a morte de um magnata norte-americano do aço.

O cinismo de Sherlock Holmes prevalece em cenas como aquela em que, durante uma festa, dança com o fiel companheiro, o professor John Watson, mais uma vez interpretado por Jude Law. Nada melhor do que um ótimo ator inglês para misturar frieza com elegância, romantismo e simpatia. O mesmo cinismo retorna na cena em que o herói, ou seria anti-herói? – aparece em plena lua-de-mel do amigo vestido de mulher a fim de salvá-lo de um ataque inimigo.

O mesmo pode ser dito com relação aos disfarces que adota e às manias, que o fazem parecer ainda mais neurótico e perturbado psicologicamente. A irreverência está presente principalmente nos diálogos marcados por tiradas espertas e inteligentes. E a perspicácia aparece, o que já acontecia no primeiro filme, nas cenas em que consegue calcular o que poderá ocorrer nas cenas de ação. Estas possuem um efeito visual fantástico, misturando diferentes velocidades, graças ao ótimo trabalho de edição de James Herbert.

Todas as nuances do personagem são muito bem marcadas pela interpretação de Robert Downey Jr., que contracena com ótimos atores, caso de Stephen Fry, que vive o irmão dele, Mycroft Holmes, que exerce importante função no desenrolar da trama. O mesmo pode ser dito da atriz Kelly Reilly, que interpreta Mary Morstan-Watson, que, mesmo sendo separada de modo abrupto do marido, o professor Watson, em plena lua-de-mel, também exercerá importante papel no término das investigações.

A trilha musical composta por Hans Zimmer parece demasiadamente estridente. Em algumas cenas, ela mais prejudica do que enriquece o filme. Mesmo assim, é muito provável que renda ao compositor alemão mais uma indicação ao Oscar. Em 1995, ele ganhou a estatueta pela trilha original da animação da Disney, “O Rei Leão”, mas também foi indicado pelo trabalho em “Rain Man”, “Um Anjo em Minha Vida”, “Melhor Impossível”, “O Príncipe do Egito”, “Além da Linha Vermelha”, “Gladiador”, o próprio “Sherlock Holmes” e “Inception”.

“Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras”, portanto, é entretenimento puro e, como tal, convence e prende a atenção do espectador do início ao final. É claro que Guy Ritchie dispensa boa parte da atenção nas eletrizantes cenas de ação, o que deve conquistar mais uma vez o público-alvo, formado principalmente por crianças e jovens, mas também muitos marmanjos.

Em termos de bilheteria, essa continuação já dá sinais de superar o primeiro filme, tanto que, em poucas semanas, conquistou mais de US$265 milhões em todo o mundo, com estimados US$ 140 milhões apenas nos Estados Unidos e Canadá. Internacionalmente, os números de bilheteria estão andando a frente do primeiro "Sherlock Holmes" nos mesmos territórios e no mesmo período de tempo, com o novo filme ainda inédito em 25 mercados, incluindo Austrália, China, Brasil, França, Espanha e Japão.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 28/12/2011

Documentário "Ecohabitat" valoriza ações sustentáveis



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

A partir de janeiro de 2012, mais de 2 mil escolas receberão o documentário "Ecohabitat". Dividido em dois episódios de 56 minutos cada e dirigido por Paulo Perez, a realização da Associação Cultural Simbora e da Brazucah Produções mostra iniciativas bem-sucedidas de sustentabilidade. Segundo os realizadores, está baseada no tripé formado por economia, meio ambiente e sociedade.

"Este novo conceito nos traz um vislumbre otimista para um novo relacionamento humano, mas um conceito por si só não muda nada, ao não ser que sejam criadas técnicas e ferramentas que coloquem teoria em práticas. Formos os mais comprometidos. Pensar num mundo mais integrado, onde qualidade de vida e respeito mútuo são levados em conta. E o meio ambiente é o personagem principal dessa história. 'Ecohabitat' é isso. É sair da teoria e ir pra prática. É sustentabilidade em ação", declara a apresentadora Gabriela Veiga, como uma espécie de editorial.

O primeiro episódio mostra o criativo aquecedor solar desenvolvido pela Sociedade do Sol, na incubadora tecnológica da Universidade de São Paulo (USP). O dispositivo permite economia financeira de 75% na conta de eletricidade. Outra solução destacada é a adoção do bambu em substituição ao plástico e ao aço na construção civil por parte do Centro de Cultura e Sustentabilidade Max Feffer, no interior paulista. Há ainda menção ao ensino de diferentes ações sustentáveis no Sítio Duas Rosas, em Amparo (SP), e à horta urbana e à reutilização de água da chuva por parte da Morada da Floresta, instalada na Grande São Paulo.

O segundo episódio é voltado a inciativas como a Estância Demétria (de agricultura biodinâmica), ao Sabor Natural, que comercializa produtos orgânicos e à Casa dos Hólons, perto do aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). Há ainda entrevista com Nena Alava e a equipe de cenógrafos e arquitetos que fazem grandes eventos reaproveitando lixo e materiais orgânicos. O episódio ainda mostra o trabalho voltado à sustentabilidade desenvolvido pela multinacional 3M, justamente uma das apoiadoras do projeto, o que pode despertar alguma reserva no espectador.

Com a participação dos repórteres Guilherme Folco – que chama a atenção por fazer passagens tocando saxofone e abrir as matérias com versos rimados – e Tiago Tognozzi, o "Ecohabitat" é um documentário dinâmico que reúne reportagens muito bem realizadas e quadros variados, como o "Faça Você Mesmo", que ensina a produzir de tijolos a pão integral.

A produção ainda encara discussões como a relacionada a preços dos alimentos orgânicos, por vezes mais caros do que os de lavouras que empregam insumos químicos. A discussão é levada para aspectos relevantes que nem sempre são levados em conta pelo consumidor.  A música de encerramento também chama a atenção e faz parte do grupo Teatro Mágico, do qual Gabriela Veiga foi integrante.

Todas as iniciativas mostradas são do estado de São Paulo. Como o projeto tem recursos do Programa de Ação Cultural do governo estadual paulista, esse senão pode até ser compreensível. Mas desperta a curiosidade sobre outras iniciativas de diferentes unidades da federação, adaptadas a diferentes realidades, climas e contextos.

Nesta quinta-feira (29), o Curta Essa Dica publica uma entrevista com Paulo Perez, diretor do documentário.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 26/12/2011

Rapper Renan Inquérito não poupa ninguém no livro "#Poucas Palavras"



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

 

"Poesia é insatisfação, um anseio de autossuperação. Um poeta satisfeito não satisfaz". Já escrevera o poeta gaúcho Mario Quintana e que agora é reproduzido no livro "#PoucasPalavras", do rapper paulista Renan Inquérito, que transforma esses versos em lema de vida. Professor de Geografia, ele já foi sorveteiro, empacotador e mecãnico antes de se tornar um dos artistas de hip hop mais aclamados do país, com a banda Inquérito, que já lançou três álbuns. Ele também criou o jornal "Ideia Quente" e participou do livro coletivo "Suburbano Convicto - Pelas Periferias do Brasil".

 

Em "#PoucasPalavras", Renan Inquérito reúne pensamentos e brincadeiras com as palavras e o espaço branco da folha, como no ótimo "Poeta Musical", levando adiante a criação dos poetas concretos. Os objetivos ficam claros logo no início: "Escrevo como quem faz artesanato, com frases em retalhos, como montar um quebra-cabeças, cada palavra uma peça, até que as partes façam algum sentido". Sérgio Vaz, da Cooperifa, parece acrescentar: "É poesia que dói como a vida, como as ruas que sangram nossos dias na calçada. O livro passa como um filme que não tem pra alugar, num poema que ele crava na página como se cuspisse na cara do opressor, só que você pode rebobinar para que o coração tenha tempo de captar toda sua essência".

"#PoucasPalavras", de Renan (Foto: Reprodução)

A crítica à forte desigualdade social e ao consumismo desvairado ao qual estamos expostos desde que nascemos salta em cada uma das 156 páginas dessa obra, valendo-se dos slogans e logotipos de diferentes marcas bem populares. O autor também não foge à responsabilidade de assumir a palavra. "Vou ser breve: Se a história é nossa deixa que #nóisescreve". Ele também adota o estilo das hastags, do Twitter, afinando-se com a atualidade, marcada pelas redes sociais e as mensagens instantâneas. Também não teme em chamar os "manos" para a luta: "O futuro é uma bala perdida, meu filho / Mas é você quem aperta o gatilho" E muito menos os mais favorecidos: "Empresário, / Não adianta só assinar campanha do agasalho / Queremos autógrafo na carteira de trabalho!".

Com homenagens a Sabotage e Nelson Triunfo, Renan Inquérito declara em "Destino": "Queria cantar como Tim, tocar como Tom, / Jogar que nem o Pelé, escrever igual Drummond / Mas, eu sem o rap ia ser um Bezerra sem a malandragem / Timão sem Fiel, Zumbi sem coragem / Um crente sem bíblia, o Sabotage sem o Canão / Um bar sem bebida, Brasília sem ladrão".

"#PoucasPalavras", portanto, é uma obra que esbanja urgência e precisa ser lida rapidamente, como um rastro de pólvora que se consome e explode nas ruas, e comprova a força da literatura que é feita nas perferias do país, de maneira quase anônima, mas de modo muito mias organizado e verdadeiro do que muitas das obras que ocupam as vitrines das principais livrarias. Nem a imprensa escapa da "roleta russa": "A impressora da imprensa  é a jato de sangue / Recarrega os cartuchos a cada bang-bang"; Graças a Deus que nem toda imprensa é assim, né, Renan Inquérito? Ainda há muitos repórteres e jornalistas que escapam dessa carnificina e tentam registrar a sociedade em sites, revistas, jornais e emissoras de rádio e televisão. A conclusão parece vir em "Arma Branca": "Só vai ganhar a GUERRA / Quem se armar de PAZ".

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Publicado em 22/12/2011

Livro traça retrato singelo e profundo de Paulo Moura



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Há duas leituras possíveis, e igualmente prazerosas, do livro de edição bilíngue “Paulo Moura – Um Solo Brasileiro”, que vem acompanhado de um CD com dez composições inéditas do compositor, arranjador, saxofonista e clarinetista de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, que morreu em 2010. A autora do livro é a psicanalista carioca Halyna Grynberg, que foi casada com ele por 26 anos.

A primeira leitura é a revelação da intimidade de Paulo Moura, um dos maiores músicos brasileiros. A proximidade com a música surgiu em função de o pai e os irmãos serem músicos, tanto que, aos nove anos, ele já tocava num grupo de baile na cidade-natal e, aos 19 anos, embarcou para a primeira turnê internacional, com a orquestra Ary Barroso.

Logo a família toda mudou para o Rio de Janeiro e a atividade musical se tornou ainda mais intensa, com passagens pelas orquestras das rádios Globo, Nacional e Tupi, e também da TV Tupi, entre outras, até ter seu próprio conjunto. O maestro Radamés Gantalli também foi marcante na trajetória dele, a ponto de ganhar um álbum dedicado pelo aprendiz.

Claro que o fato de ser negro dificultou muito o desenvolvimento de Paulo Moura num país de preconceito velado como é o Brasil. “Meu apego à escrita da música erudita era como um hobby secreto. Isso vinha como desejo desde quando eu estudava na Escola Nacional de Música, com o professor Jayoleno dos Santos – ele me transmitiu essa aspiração. Tinha de considerar como hobby porque, na verdade, haviam me alertado de que seria muito difícil, no Brasil, um regente negro se realizar; ou melhor, certamente era difícil na época em que eu o pretendia, nos anos 1960. E, mesmo depois, pelos anos 1970, li numa entrevista que uma cantora e pianista americana pretendera se tornar uma concertista de piano e que, por ser negra, também percebeu que isso não seria muito fácil. Mesmo assim, nunca deixei de estudar música erudita e contemporânea.” Ao mesmo tempo, quando começou a ser reconhecido, ele viu ficar mais difícil a possibilidade de gravar e se tornar um solista, como tanto sonhava.

É incrível a descrição que faz de um método próprio que desenvolveu para tocar os instrumentos de sopro, denominado “moto perpétuo”, nome de uma composição de Paganini, e que o tornou reconhecido. Para isso, ele explica a diferença entre tocar com os dentes e com os lábios. “O ‘Moto perpétuo’ não para; são aquelas notas todas, não sei quantas, são quase cinco minutos de música ininterrupta – outro dia nos disseram que são mais de 2.700 notas em sequência, lembra? Aí fiquei assustado de novo, que coisa! Não para. Para tocar todas essas notas sem tirar o instrumento da boca, do início ao fim, e, assim, não interromper o sopro, fui experimentando aumentar a quantidade de notas que eu tocava enquanto soltava o ar das bochechas. Essa foi a inovação: tocar várias notas, não uma só, ao mesmo tempo em que solto o ar das bochechas e, dessa forma, manter o sopro contínuo. Para isso interrompo a passagem do ar que vem do pulmão, acumulando-o nas bochechas. É nessa hora que faço a respiração.”

A segunda leitura é observar o excelente método de entrevista desenvolvido por Halyna Grynberg, que insere diversas impressões e sensações entre as centenas de perguntas e respostas. “Nada é como parece ter sido. Divagações estéticas adornam suas lembranças pessoais e a memória desenha paisagens de harmonias rigorosas quando reflete sobre sua arte: a música”, anuncia logo no primeiro parágrafo. A partir daí, ela descreve, por exemplo, a fantástica coleção de chapéus dele, e vai, aos poucos, penetrando no mais profundo da intimidade de Paulo Moura, numa linda declaração de amor ao homem e artista com o qual conviveu tão de perto.

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Publicado em 22/12/2011

MPB ganha mostra de documentários no CCBB de São Paulo



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Um dos gêneros cinematográficos brasileiros que mais se desenvolveu nos últimos anos foi o documentário, principalmente aquele voltado para a música. É o que poderá ser conferido de 4 a 15 de janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em São Paulo.

Trata-se da mostra “Cine MPB – Retrospectiva de documentários musicais brasileiros”, que contará com 17 obras que retratam artistas como Novos Baianos, Elza Soares, Tom Zé e Itamar Assumpção. Essa produção, assinada por nomes como Lírio Ferreira, Vladirmir Carvalho e Miguel Faria Jr., também será discutida pelos críticos Pedro Alexandre Sanches e José Flávio Júnior.

Entre os filmes, estão “Filhos de João – O Admirável Mundo Novo Baiano”, de Henrique Dias, a respeito do grupo Novos Baianos, que reuniu, entre outros, Moraes Moreira, Pepeu Gomes e Baby Consuelo; e “Lóki – Arnaldo Baptista”, de Paulo Henrique Fontenelle, a respeito da trajetória de um dos mentores dos Mutantes. Ambos foram vitoriosos junto ao público do Festival do Rio e da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
Também aparecem “Simonal – Ninguém Sabe o Duro Que Dei”, de Micael Langer, Claudio Manoel e Calvito Leal, que procura mostrar como Wilson Simonal se tornou um dos nomes mais populares da música brasileira até ser acusado, de modo injusto (para muitos), de delatar colegas ao regime militar; “Cartola”, de Hilton Lacerda e Lírio Ferreira, a respeito do sambista que viveu vários altos e baixos na vida; e “Vinicius”, de Miguel Faria Jr, que, ao retratar o “poetinha”, obteve a maior bilheteria dentre todos esses filmes.
Alguns movimentos musicais também foram retratados nos documentários brasileiros. Esse é o caso de “Botinada! A Origem do Punk no Brasil”, de Gastão Moreira; “Rock Brasília”, de Vladimir Carvalho; e “Fala Tu”, de Guilherme Coelho, que mostra três personagens que sonham em viver de hip hop.

Serviço
Mostra Cine MPB, de 4/1 a 15/1. Ingressos de R$ 2 a R$ 4s.
Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) – Rua Álvares Penteado, 112, Centro - São Paulo/SP.
T: (11) 3113-3651

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Publicado em 22/12/2011

DJ Mauricio Valladares comemora 300 edições de Ronca Ronca no Rival



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Quem acompanha a cena alternativa do Rio de Janeiro, certamente já esteve em alguma edição da festa Ronca Ronca ou acompanhou o programa exibido desde março de 2006 pela rádio Oi FM. Se não, terá mais uma chance nessa quinta-feira, 22 de dezembro, no Teatro Rival Petrobras, em comemoração a 300 programas radiofônicos.

O evento é comandado por Mauricio Valladares, um dos mais importantes fotógrafos, DJs e radialistas do Brasil. Ele atua desde o início dos anos 80, com passagem pela lendária rádio Fluminense FM e como fotógrafo de bandas como Legião Urbana.

A noite contará também com a participação da banda Os Roncatripas, formada por Toni Platão (voz), Dado Villa-Lobos (guitarra), Laufer (baixo), Caio Fonseca (teclados) e Lourenço Monteiro (bateria). No repertório, canções de Smiths, Van Morrison, Clash, David Bowie e Bob Dylan.

Serviço
Festa Ronca Ronca – quinta-feira, 22/12, a partir das 21h. Ingressos de R$ 25 a R$ 30.
Teatro Rival – Rua Álvaro Alvim, 33/37. Cinelândia. T: (21) 2240-4469.

Publicado em 17/12/2011

Cinemateca lança filmes nacionais para sessões grátis



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

A Cinemateca Brasileira, em parceria com a Secretaria do Audiovisual, do Ministério da Cultura, acaba de lançar mais 407 horas, reunidas em 41 DVDs, de filmes brasileiros licenciados para sessões sem fins lucrativos em pontos de exibição audiovisual. Com isso, a coleção Programadora Brasil chega a 255 DVDs, disponíveis desde 2007. Ao todo, são 250 documentários, 226 animações, 100 filmes experimentais e 400 obras de ficção. O catálogo  completo pode ser conferido em www.programadorabrasil.org.br .

Dessa vez, os curtas-metragens foram organizados em torno do tema Discurso e Intervenção, uma vez que apresentam roteiros como conflitos fundiários, condições degradantes de trabalho, desastres ecológicos, colonialismo e a pequenez humana, do ponto de vista de um artista. Outra temática é a questão racial.

Há cinco filmes com a participação do documentarista, produtor e fotógrafo Thomaz Farkas; e o longa-metragem de animação "Garoto Cósmico", de Alê Abreu. Também fazem parte dos  novos lançamentos o clássico do chamado cinema marginal "O Bandido da Luz Vermelha", de Rogério Sganzerla; "O ano em que meus pais saíram de férias", de Cao Hamburguer; e "O Pagador de Promessas", de Anselmo Duarte, único filme brasileiro a ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cannes, na França, em 1962. 

Uma raridade é "Simão, O Caolho", de Alberto Cavalcanti, comédia realizada em 1952 e primeiro filme do diretor no Brasil. A década de 1960 é representada por "Todas as mulheres do mundo", dirigido por Domingos de Oliveira e estrelado por Leila Diniz. Já dos anos 80 vem "O Olho Mágico do Amor", de Ícaro Martins e José Antonio Garcia. Para completar, há adaptações literárias para o cinema, caso de "São Bernardo", de Leon Hirszman, a partir do romance de mesmo nome de Graciliano Ramos. 

Em 2011, cerca de 170 novos tornaram-se associados do programa, que já reuniu cerca de meio milhão de pessoas, em mais de 13 mil exibições. Só neste ano aproximadamente 200 mil espectadores viram os filmes, a maioria do Nordeste.


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Publicado em 13/12/2011

Memorial encerra 2011 com Fafá de Belém



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

No próximo domingo (18), a cantora Fafá de Belém encerra a temporada 2011 de shows do Memorial da América Latina, em São Paulo, com uma apresentação beneficente. O ingresso será trocado por 1 quilo de farinha de trigo, que será destinado ao Projeto Padaria Artesanal, do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo (FUSSESP).

No repertório, estarão os grandes sucessos que marcaram a trajetória de 35 anos da cantora. Entre eles, "Vermelho", de Chico da Silva; "Nuvem de Lágrimas", de Paulo Debétio e Resende; "Coração do Agreste", de Moacyr Luz e Aldir Blanc; "Abandonada", de Michael Sullivan e Paulo Sérgio Valle; e "Foi Assim", de Paulo André e Ruy Barata.

Serviço
Show Fafá de Belém, domingo, 18/12, às 19h
Ingresso - 1 kg de farinha de trigo
Memorial da América Latina - Auditório Simon Bolívar 
Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664. Barra Funda. T: (11) 3823-4600

Publicado em 13/12/2011

Carlinhos Vergueiro homenageia Nelson Cavaquinho



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Em 29 de outubro, um dos mais importantes nomes da história do samba, o carioca Nelson Antônio da Silva, mais conhecido como Nelson Cavaquinho, completaria 100 anos. Morto há 25 anos, ele ficou associado ao cavaquinho, mas se dedicou mesmo ao violão e, em entrevista a Sérgio Cabral, declarou antes de falecer que compunha sem utilizar qualquer instrumento. Várias dessas músicas foram dedicadas à escola de samba do coração, Estação Primeira de Mangueira. É o que se pode conferir no recém-lançado álbum “Carlinhos Vergueiro interpreta Nelson Cavaquinho”.

A união de Nelson Cavaquinho e Carlinhos Vergueiro só poderia render algo muito bom. Afinal, o cantor, compositor e produtor nascido em São Paulo, em 1952, teve mais de 150 canções compostas em parceria com nomes como Vinicius de Moraes, Toquinho, Chico Buarque, João Nogueira, Paulo César Pinheiro e Paulinho da Viola, entre outros. Um dos maiores sucessos foi “Torresmo à Milanesa”, criada com Adoniran Barbosa, em 1980.

A Mangueira aparece em canções como “A Mangueira Me Chamou”, “Pranto de Poeta” e o clássico “Folhas Secas”, parceria com Guilherme de Brito e que conta com a participação de Wilson das Neves: “Quando eu piso em folhas secas / Caídas de uma mangueira / Penso na minha escola / E nos poetas da minha Estação Primeira”. A figura do palhaço também é muito presente nas composições de Nelson Cavaquinho, caso de “Palhaço” e “Luz Negra”, composta com Amâncio Cardoso: “A luz negra de um destino cruel / Ilumina o teatro sem cor / Onde estou desempenhando o papel / De palhaço do amor”.

No entanto, as canções são dominadas mesmo pela temática da boemia, marcada por bares, cigarros, mulheres e desilusões amorosas. Esse é o caso de “Notícia”, composta com Norival Bahia e Alcides Caminha: “Já sei a notícia que vens me trazer / Os teus olhos só faltam dizer / Que o melhor é eu me convencer / Guardei até onde eu pude guardar / O cigarro deixado em meu quarto”. O mesmo acontece em “Beija-Flor”, criada com Noel Silva e Augusto Tomás Jr., e que conta com a participação da cantora Cristina Buarque. A única canção presente e que não foi composta por Nelson Cavaquinho é “O Meu Pecado”, criada por outro mangueirense histórico, Zé Kéti.

Outras participações especiais do álbum são Chico Buarque, que interpreta “Nome Sagrado; e Marcelinho Moreira, cantando e tocando tamborim, ganzá e pandeiro, em “Pranto de Poeta”, outra parceria de Nelson Cavaquinho com Guilherme de Brito. Tão importantes quanto são as presenças de Tiago Machado, cuidando dos arranjos da maioria das faixas e tocando violão; do saxofonista Dirceu Leite, do trombonista Marlon Sette; do baixista Matheus Alcântara; e do baterista Renato Massa, entre outros.    

O resultado é um belo álbum que tece um retrato bastante amplo e variado do papel importante exercido por Nelson Cavaquinho na história da música brasileira. Mas também proporciona momentos prazerosos com músicas cativantes e muito bem interpretadas. “Lembremos, com saudade, a figura humana do homenageado. Principalmente o seu desprendimento e o gosto pela reflexão sobre a vida e a morte, um tema recorrente no conjunto da obra que, pedindo licença a Chico Buarque, vou definir aqui como sambas de grande amor”, diz Aluízio Falcão, no encarte.

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Publicado em 13/12/2011

Filme brasileiro "Desaparecidos" utiliza transmídia



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Foi numa mesa de debates do Festival de Cannes que o diretor brasileiro David Schurmann, integrante da primeira família brasileira a circunavegar o mundo em um veleiro (a história foi contada em livros e filme) ouviu falar pela primeira vez no conceito de "transmídia". Ao retornar ao país, na época da Copa do Mundo de 2010, achou curioso o episódio do movimento “Cala boca, Galvão (Bueno, locutor esportivo da TV Globo)”, que convenceu muitas pessoas mundo afora de que a frase fazia parte de uma campanha pela proteção de um pássaro em extinção.

Schurmann teve então a ideia do filme “Desaparecidos”, que chegou aos cinemas no final de semana passado. “Vamos fazer uma intervenção artística argumentativa, produzindo um filme que instigue os espectadores a se perguntarem se o que eles estão vivenciando realmente é verdade. Um filme que se inicie fora das telas do cinema, nas ruas digitais da internet. Um filme que questione a credibilidade das informações em uma geração carente de investigação e fontes seguras”, explica, no site do projeto.

A "transmídia" sobre a obra começou um ano antes de o filme ser lançado, com perfis dos personagens criados no Facebook, junto com outros perfis fictícios que visavam divulgar informações pertinentes aos acontecimentos que rodeavam a situação abordada pelo filme, como forma de estimular a curiosidade do público. O recurso não é novidade e tem se tornado cada vez mais comum na divulgação de filmes nos Estados Unidos e também em campanhas publicitárias, para descobrir as vontades e desejos dos consumidores.

Dentro do mesmo conceito, foi criado o personagem Lenhador Cara de Pau, que também ganhou perfil no Facebook e um canal no Youtube, em vídeos onde questionava a sociedade e divulgava cenas dos desaparecidos do filme. É aí que começa o enredo propriamente dito, pois os tais seis desaparecidos eram um dos mais de 6 mil presentes numa festa VIP, realizada em Ilhabela, no litoral de São Paulo, e divulgada pela mesma rede social. Houve também uma corrente de e-mails comunicando o tal sumiço.

Com a expectativa criada, o filme de suspense e terror “Desaparecidos” chegou aos cinemas, adotando o formato “mockumentary”, que mistura documentário e ficção, no qual o espectador acredita que as imagens são reais. De acordo com os realizadores, esse é o primeiro longa-metragem brasileiro do gênero. Resta descobrir se, além de tanto suspense e instrumentos paralelos de divulgação, a realização cinematográfica convence e prima pela qualidade.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 13/12/2011

Toquinho lança primeiro álbum inédito depois de oito anos



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Com 65 anos recém-completados, o cantor, violonista e compositor Toquinho não lançava um álbum com canções inéditas há oito anos e retorna com um álbum bastante diversificado, “Quem viver, verá”. Antes mesmo de chegar às lojas, ele já havia chamado atenção em função de um aparentemente inesperado dueto com Ivete Sangalo – alvo de críticas por parte do público e da imprensa musical.

Porém, quero ver quem será capaz de criticar o irresistível frevo “Quero Você”, que já nasce pronta para estourar no carnaval país afora: “Sem papo cabeça, nem culpas no ar / Eu como sou, você como é / Que tudo aconteça e acontecerá / Mesmo se Deus não quiser”.

Também inesperada e de rara beleza é o encontro de Toquinho com Zeca Pagodinho no para lá de clássico “Regra Três”, composta com Vinicius de Moraes e que o sambista carioca fez questão de cantar. Chegou a ser oferecido para ele um dueto no clássico “Antonico”, de Ismael Silva, que o cantor paulista interpreta sozinho, mas de modo igualmente encantador a saborosa carta: “Ô Antonico / Vou lhe pedir um favor / Que só depende da sua boa vontade / É necessário uma viração pro Nestor / Que está vivendo em grande dificuldade / Ele está mesmo dançando na corda bamba / Ele é aquele que na escola de samba / Toca cuíca, toca surdo e tamborim / Faça por ele como se fosse por mim”.

O “poetinha” aparece também em “Romeu e Julieta”, uma parceria que permanecera inédita até hoje, pois havia desaparecido até ser entregue por uma senhora no Clube Paulistano. “...”, descrevia o poeta. Ele também é homenageado em “Meu Canto”, parceria com Carlinhos Vergueiro e espécie de auto-retrato do violonista paulista: “Canto Ataulfo, Ismael, Noel, Cartola / Com as bênçãos de Vinicius de Moraes / Canto o grande amor e a dor da despedida / Todas as maneiras de amar”. 

“Romeu e Julieta” conta com a participação especial da cantora Anna Setton, presente também em “Porta do Infinito”, composta com Jade Pecci: “Realize um sonho / Um doce desejo / Pedindo a uma estrela cadente”. Diante da conhecida exigência de Toquinho, não dá para esperar menos do que uma grande intérprete. Outra presença importante é a do escritor chileno Antonio Skámeta, autor do premiado romance “O Carteiro e o Poeta”, adaptado com sucesso para o cinema. Ele é parceiro do brasileiro em “Obra de Arte”, que faz referência à “Monalisa”, de Leonardo da Vinci.

Há ainda parcerias com Francis Hime (“Joana”), Dora Vergueiro (“Vento Leste”) e Eduardo Gudin (“Por Que Razão”). Toquinho também capricha em “Renascerá a Aurora”, versão para “Arriverà l’Aurora”, do italiano Pino Danielle, conhecido no Brasil em função dos sucessos “Bem Que Se Quis”, de Marisa Monte, e “Fullgás”, de Marina Lima, ambas realizadas por Nelson Motta.

A animação começa logo na primeira faixa e que dá título ao álbum, como um doce samba-enredo: “Não tente a vida entender / Somente quem viver verá / Nem tem no mundo inteiro alguém / Que possa seus mistérios desvendar / A vida nos tira tudo o que nos dá / Momentos felizes e o brilho das paixões / Chega mudando tudo de lugar / Ignorando nossas emoções”. E termina com o empolgante carnaval “Hino dos Namorados da Noite”. Mas a alegria mesmo de estar de volta fica manifesta na encantadora “Cilada do Destino”: “Pode ser cilada do destino / Pura ingenuidade ou ilusão / O fato é que eu me sinto hoje um menino / Em parte mais feliz meu coração”.

As melodias delicadas que marcaram a carreira de Toquinho também não ficam de fora. Basta ouvir “Bem Me Quer” e a linda “Renascerá a Aurora”, que precisa urgentemente entrar numa dessas novelas das seis horas da TV Globo, nas quais o artista sempre caiu como luva. “E renascerá a aurora, sem nos pedir licença”, canta emocionado.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 09/12/2011

Novo livro de Ignácio de Loyola Brandão relata viagem equivocada



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

“Seja o que for, a pior coisa da vida é não viajar! E há gente que jamais saiu da quadra em que mora”. Essa frase presente na página 263 é o mote do recém-lançado livro “Acordei em Woodstock – Viagem, memórias, perplexidades”, de Ignácio de Loyola Brandão. Nessa obra, ele relata as andanças com a esposa e um casal de amigos pelo interior dos Estados Unidos. Porém, ao final da leitura, a sensação que se fica é se realmente todas as nossas experiências merecem de fato serem relatadas e compartilhadas. 

É verdade que se trata de um dos melhores e mais prestigiados escritores e jornalistas brasileiros, autor dos hoje clássicos “Zero” (1975) e “Não Verás País Nenhum” (1981). Muitas histórias relatadas também são muito divertidas e curiosas. Porém, nada parece justificar a leitura do relato dessa viagem, ainda mais quando se descobre que ela foi frustrada. Talvez o problema esteja única e exclusivamente no título, “Acordei em Woodstock”, uma vez que atrairá os adoradores do famoso festival ocorrido nas cercanias de Nova York, como é o meu caso. Porém, alterando-o, não haverá mais o impacto da surpresa causada por uma verdadeira confusão turística.

Desse modo, a melhor parte do livro fica por conta dos devaneios do próprio autor, que sonha encontrar pelas ruas de uma cidade os antigos ídolos do rock and roll, que estiveram presentes no lendário festival. E mais do que isso: tem o privilégio de escutá-los cantando e tocando seus instrumentos apenas para ele. Mesmo destaque merece a descrição da relação mantida por ele com o clássico filme de Federico Fellini, “8 ½”, que aponta como sendo o seu preferido.

A descrição que o autor faz da megalópole norte-americana: “Quando chego a Nova York, sou invadido pelo cheiro metálico, mistura de gasolina, respiradouros do metrô, do ar que atravessa os becos, da mistura de aromas que emana das lojas de departamentos, das frituras das lanchonetes que vendem donuts, das cafeterias que fazem ovos mexidos, do adocicado das delicatessen, do perfume das mulheres que passam, das castanhas assadas vendidas nas esquinas, do cheiro seco do pretzel envernizado e pontilhado por sal grosso”.

No mais, há um monte de citações e opiniões bastante pessoais, que mais parecem demonstrar o invejável eruditismo de Ignácio de Loyola Brandão e como ele teve uma vida privilegiada, que o levou aos mais diferentes lugares do mundo. É verdade que há algumas tiradas incríveis, como “Curioso pensar que enquanto éramos fascinados, vivíamos encantados por aqueles filmes, eles eram escritos por escritores ‘funcionários’, muitos deles desesperados. Gente que fazia isso para ganhar a vida, necessitava de dinheiro, pagava contas, tinha família, saía de casa e ia para o estúdio dizendo para a mulher: ‘Temos grandes problemas hoje com umas cenas de Casablanca...”. Mesmo nesses momentos o tom saudosista contamina, para o bem e para o mal, toda a obra.

Comentários como o feito a respeito do musical “Cabaret”, apresentado em Nova York, por exemplo, ficariam melhor localizados se estivessem numa revista ou no suplemento cultural de um jornal. Num livro eles soam bastante datados e dispensáveis: “Os problemas com o musical foram a extensão, um ritmo pouco cadenciado e a falta de crescendo. Como no enredo, caminha-se através de uma sucessão de boas coreografias, sem ligação”. E acrescenta: “Insuportáveis são os musicais que chegam atrasados ao Brasil. A nova safra, Os miseráveis, O fantasma da ópera, Evita, e outros cambalachos. Nada a ver com nada, são caça-níqueis do público, dos patrocinadores e das leis. Milhões do governo e os preços dos ingressos altíssimos”. Desse modo, após a leitura, fica-se com a sensação de ter compartilhado algo sem importância, mas relatado de maneira cativante pelo fato de ser relatado por quem domina, como poucos, a arte de lidar com as palavras.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

 

 

Publicado em 09/12/2011

Zeca Baleiro faz baile com amigos em São Paulo



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

O cantor, compositor e músico maranhense Zeca Baleiro encontra os amigos Fagner, Robertinho de Recife e Andréia Diassão no próximo dia 18, no Carioca Club, em São Paulo. Trata-se do "Baile do Baleiro", que existe desde 2004, e, dessa vez, o projeto será filmado para a produção de um programa de televisão, mas que ainda não possui data de estreia, nem canal de exibição. Eis a chance de ter mais um grande evento na programação, hein, Canal Brasil?

Apesar de terem até gravado um álbum juntos, Fagner e Zeca Baleiro não dividem o palco desde 2005 e prometem surpresas para o reencontro. Já o consagrado guitarrista Robertinho do Recife esquentará a festa com "Baby Doll de Nylon", parceria com Caetano Veloso, e que já fazia parte do repertório do "baile". A cantora e compositora Andréia Dias deve repetir o dueto com Baleiro na  brincalhona "Pomba Gira", gravada no CD "Volume 2".

Também estarão no setlist canções dos Novos Baianos, Roberto e Erasmo, Tim Maia, Hyldon, Originais do Samba, Anastácia, Pinduca e Wilson Simonal. Mas as mais esperadas mesmo costumam ser os clássicos "Anunciação", de Alceu Valença; "Fio Maravilha", de Jorge Ben Jor; e "Nem Ouro Nem Prata", de Ruy Maurity. Em comum com o "baile do ruivão" de Nando Reis, "Fogo e Paixão", de Wando. Não faltarão, claro, canções do próprio Baleiro, como "Vai de Madureira", "Babylon" e "Heavy Metal do Senhor".

Serviço
Baile do Baleiro, domingo, 18/12, às 20h. Ingressos de R$ 25 a R$ 50.
Carioca Club - Rua Cardeal Arcoverde, 2.899, Pinheiros. São Paulo/SP.
T: (11) 3813-8598

Publicado em 09/12/2011

Estreia de Filipe Catto traz novo brilho à MPB



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Os primeiros acordes do tango "Gardênia Branca" são arrasadores. Quando uma voz andrógina interpreta os primeiros versos é impossível não parar para escutar e manter a sensação de estar diante de algo muito especial. Exagero? Pois fique atento o quanto a voz de Filipe Catto soa limpa, sem exageros e gritos desnecessários, e a altura a que é capaz de chegar. Essa impressão é confirmada quando se descobre que a criação, que parece tão lapidada e fruto de alguma ótima pesquisa musical, é inédita e foi composta pelo próprio intérprete, em seu álbum de estreia, "Fôlego".

Fôlego é realmente o que não falta nesse disco. A variedade é imensa. Há do jazz suingado "Johnny, Jack & Jameson", cantada em inglês e em homenagem à cantora britânica Amy Winehouse, falecida no início do ano. Há influência da melhor Marisa Monte na delicada "Redoma", marcada pelo mais rasgado romantismo: "Hoje eu cansei de saudade / E vou mandar te trazer / Nem que precisem mais de mil cavalos / Brancos pra te convencer". O clima é marcado também pelos excelentes músicos Thiago Rabello (bateria), Adriano Grineberg (piano, harmônio e teclado), Fabá Gimenez (guitarras), Deco Telles (baixo), Gui Held (guitarra) e Paul Ralphes (percussão). Não foi à toa que o consagrado Dadi se juntou a essa turma.

O samba "Juro Por Deus" certamente seria gravado por Elis Regina, caso ela não tivesse falecido há praticamente três décadas, e é marcado por uma ironia fantástica, que contrasta com a força da interpretação: "E eu vou abrir a fenda até o meu umbigo / E eu vou dormir com / Aquele teu melhor amigo / E me mantar de ciúme de ti? / Ah! Por favor! / Se é pra morrer / Que morra você, meu amor".

Se você resistiu até aqui, quero ver se não se empolga com a gravação de "2 Perdidos",de Arnaldo Antunes e Dadi, e não sai gritando pela casa, a plenos pulmões: "Quando eu quis você, você não me quis / Quando eu fui feliz, você foi ruim / Quando foi a fim não soube se dar / Eu estava lá mas você não viu". Esse tom permanece no samba-canção "Crime Passional". O título já diz tudo, mas a arma aqui é um silêncio demolidor, que anuncia a tragédia: "Três tiros irromperam na noite surda / Prum corpo de calor que se estinguiu / Me deu três beijos úmidos de lágrima / Selou meus olhos como um arrepio". A saída claro é ir para o bar afogar as mágoas e cair no samba gostoso "Roupa do Corpo"..

É impressionante como o álbum se constrói como uma grande teia em que as letras e músicas parecem dialogar entre si. O desfacelamento amoroso é completado com chave de ouro com o arrasador tango "Alcoba Azul", de Hérnan Bravo Varela. Há aqui certa influência no modo de cantar de Zizi Possi e Ney Matogrosso. A ligação com a canção seguinte, "Saga", ocorre principalmente em função da presença do bandoneon de Carllito Magalhanes, que é acompanhado também por Filipe Catto na percussão. A letra é a descrição de uma incrível noite de amor, dessas que são vividas poucas vezes: "E nessa saga venho com pedras e brasa / Venho sorrindo / Mas sem nunca me esquecer / Que era fácil se perder por entre sonhos / E deixar o coração / Sangrando até enlouquecer".

Filipe Catto prova também ser capaz de adaptar as mais diferentes canções ao seu estilo bastante pessoal. Além da canção de Dadi e Arnaldo Antunes e o tango de Hérnan Bravo Varela, estão ali "Garçon", de Reginaldo Rossi, numa interpretação para lá de cool; o bolero "Rima Rica / Frase Feita", de Nei Lisboa, um dos mais geniais compositores gaúchos; o fox-trot "Dia Perfeito", de Marcelo Gross; e o clássico setentista "Ave de Prata", de Zé Ramalho. Há certo tom de mistério tanto no arranjo, quanto na interpretação. Nada mais adequado para encerrar um álbum como se fosse um belo filme, daqueles que te fazem chorar e pensar sem parar no final da sessão. "É muito mais do que antes / Mas do que vinte anos multiplicar".

"Fôlego" chega na hora certa para provar o quanto a música brasileira é rica. Há tempos não aparecia um artista que já surge pronto. Curiosamente, isso ocorre justamente dez anos após a morte de uma das cantoras mais diversificadas que se viu por aqui, Cássia Eller.

Resta saber se a comparação entre os dois é possível de ser feita também em apresentação ao vivo, o que poderá ser avaliado por quem estiver em São Paulo na sexta-feira (16), quando Filipe Catto ocupará o palco do Auditório Ibirapuera. Confira.

Serviço
Sexta-feira, 16/12, a partir das 21h. Ingressos de R$ 10 a R$ 20.
Auditório Ibirapuera - Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n. Portão 2. T: (11) 3629-1075

Publicado em 08/12/2011

Duke Ellington, por Guga Stroeter e Orquestra HeartBreakers em São Paulo



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Na próxima segunda-feira, 12 de dezembro, os músicos paulistanos que formam a Guga Stroeter & Orquestra HeartBreakers voltam a homenagear o pianista e compositor de jazz norte-americano Duke Ellington em São Paulo. No repertório, estarão as canções do álbum "Emoções Baratas", trilha do musical de José Possi Neto, baseado na obra do mestre Ellington, que estreou em 1989 e voltou a ser apresentada em 2010, em nova versão.

Entre as músicas do show, estão "Caravan", parceria de Duke Ellington com Irving Mills e Eddie de Lange, autores também de "It don't mean a thing". Também fazem parte do repertório canções compostas exclusivamente por Ellington, caso de "Tang", "Brasiliance" e "Wild Man". Outro clássico é "I Got It Bad and That Ain't Good", assinada por Ellington e Paul Francis Webster, um dos maiores craques das trilhas musicais de filmes hollywoodianos.

Trata-se de uma volta às origens da orquestra criada por Stroeter e George Freire, com o intuito de pesquisar e interpretar os arranjos originais do pianista, compositor e band leader Duke Ellington, que faleceu em 1974. E o espetáculo faz parte do Movimento Elefante, que ocupa o Teatro da Vila, na Vila Madalena (zona oeste da capital paulista) todas as segundas-feiras, às 21h, sempre com uma orquestra do coletivo ou um convidado.

Uma curiosidade do evento é que o público paga o quanto acha justo, ao final da apresentação.Também é possível conferir o show, ao vivo, pelo site shownaweb.com

Serviço
Guga Stroeter & Orquestra HeartBreakers - segunda-feira, 12 de dezembro, às 21h.
Valor do ingresso - Pague quanto vale
Teatro da Vila - Rua Jericó, 256. Vila Madalena. São Paulo/SP

Publicado em 13/12/2011

Maior Feira Negra da América Latina faz 10 anos



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

No próximo final de semana, (17 e 18), acontece no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, a Feira Preta, que é o maior evento de cultura negra da América Latina. Completando dez anos, ela já recebeu reuniu mais de 500 expositores e 400 artistas, movimentando cerca de 2,5 milhões de reais.

A programação desse ano não deixa nada a dever aos anteriores, tanto que contará com a presença dos cantores brasileiros Criolo, Izzy Gordon, Wilson Simoninha, do Clube do Balanço e do cantor e saxofonista de New Orleans, Gary Brown. Para os fãs do rap nacional, Mano Brown participará do show de Lino Krizz.

“A décima edição não só reafirmará a importância da cultura negra no país, como também mostrará a força do mercado étnico. Nos tornamos pioneiros num evento exclusivamente criado para o segmento negro, e o que percebemos é que a Feira acompanhou o crescimento da participação do negro na economia brasileira”, declara Adriana Barbosa, idealizadora da Feira Preta, no release distribuído para a imprensa. Atualmente, 53,5% da classe média no Brasil é formada por negros.

Serviço
Feira Preta – sábado e domingo, 17 e 18/12, das 13h às 22h. Ingressos de 15 a 30 reais.
Centro de Exposições dos Imigrantes – Rodovia dos Imigrantes Km 1,5.
T: (11) 5067-6767


Confira a programação completa a seguir

Sábado

Palco Principal
Dj MF convida D´Jovens
Izzy Gordon convida Rael da Rima, MC Marechal, Gabriel Moura e Bocatto
Criolo
DJ Fábio Rogério (Rádio 105 FM)

Palco Alternativo
A Banca
DJ´s do Zezão Eventos
Clube do Samba Rock convida DJ Tony Hits

Domingo

Palco Principal
Dj MF
DJ Easy Nylon (Rádio 105 FM)
Gary Brown convida Thulla Mello, Fernando Ébano, Ellen Oleria e Walmir Borges
Clube do Balanço convida Wilson Simoninha
Lino Crizz convida Mano Brown
Intervenção de Literatura – Elizandra Souza e Akins Kintê
DJ Puff
 
Palco Alternativo
DJ´s Zezão Eventos
Clube do Samba Rock convida DJ Tony Hits + Aula de Samba Rock

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 22/12/2011

DJ Mauricio Valladares comemora 300 edições de Ronca Ronca no Rival



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Quem acompanha a cena alternativa do Rio de Janeiro, certamente já esteve em alguma edição da festa Ronca Ronca ou acompanhou o programa exibido desde março de 2006 pela rádio Oi FM. Se não, terá mais uma chance nessa quinta-feira, 22 de dezembro, no Teatro Rival Petrobras, em comemoração a 300 programas radiofônicos.

O evento é comandado por Mauricio Valladares, um dos mais importantes fotógrafos, DJs e radialistas do Brasil. Ele atua desde o início dos anos 80, com passagem pela lendária rádio Fluminense FM e como fotógrafo de bandas como Legião Urbana.

A noite contará também com a participação da banda Os Roncatripas, formada por Toni Platão (voz), Dado Villa-Lobos (guitarra), Laufer (baixo), Caio Fonseca (teclados) e Lourenço Monteiro (bateria). No repertório, canções de Smiths, Van Morrison, Clash, David Bowie e Bob Dylan.

Serviço
Festa Ronca Ronca – quinta-feira, 22/12, a partir das 21h. Ingressos de R$ 25 a R$ 30.
Teatro Rival – Rua Álvaro Alvim, 33/37. Cinelândia. T: (21) 2240-4469.


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Publicado em 09/12/2011

"Sinceramente", produção independente de Sérgio Sampaio, é relançado



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Talvez você nunca tenha ouvido falar no cantor e compositor Sérgio Sampaio. Ou então só ouviu falar do maior sucesso dele, “Eu quero botar meu bloco na rua”, que é também o nome do primeiro disco, lançado em 1973. Em 1976, ele gravou “Tem Que Acontecer” e, em 1982, seguiu o modelo da produção independente, e colocou no mercado “Sinceramente”. Porém, desde então, ele descobriu como a música brasileira pode ser cruel. Caiu em profundo ostracismo e morreu em 1994, sem lançar o tão sonhado quarto álbum, “Cruel”, que só veio à tona em 2006 por insistência de Zeca Baleiro, que o produziu e lançou pelo selo Saravá Discos, o mesmo que relança agora o terceiro trabalho.

A premonição do que aconteceria já se manifestava na ótima faixa de abertura, “Homem de Trinta”: “Quase que eu fui pro buraco, / Por pouco não fui morar no porão, / Dancei, mas não sei não, / Tive cuidado de ter os pés / Quase sempre no chão / E a cabeça voando / Como se voa na imaginação”. Porém, a obra-prima é mesmo “Nem Assim”, que faz uma fantástica caricatura da mulher abandonada: “Pode inventar mentiras e até publicar, Que eu não sirvo mesmo pro amor, / Que eu sou um narcisista e mau compositor / ... / Pode fazer comício nas praças do Rio / Em nome da dignidade da mulher, / Mostrar pra todo mundo as marcas / Que eu não fiz, / ... / Você pode dizer o que quiser de mim... / Nem assim”. Espécie de complemento é “Faixa Seis”: “Você hoje pra mim / É a faixa seis / Do lado ‘B’ / Do meu último elepê / Aquela que o programador de rádio nunca toca / Aquela que o divulgador do disco evita / Aquela que fica espremida entre a quinta... /A quinta faixa e o final da fita”.

Ao escutar o álbum, é possível reconhecer a injustiça cometida pela indústria fonográfica voraz que não reconhece a força de boleros como “Tolo Fui Eu”, por exemplo, é arrasador: “Tolo fui eu / Quando em vão quis lhe dar meu amor / Que você nem sentiu, nem ligou / Mas aí pude ver meu valor, / Compreender que a razão de viver / É maior do que ter ou querer / Se você não quis ser minha razão, / Tola você”. O tormento segue na desbragada “Só Para o Seu Coração”, que parece um misto de Caetano Veloso com Eduardo Dussek.

A produção independente fica clara ao se saber que ele contou com a ajuda da família da esposa, Angela Breitschaft. O pai dela bancou o disco e o irmão Paulo fez as fotos da capa em Teresópolis. Certamente, eles não se arrependeram ao escutarem uma canção de extrema força dramática, como “Essa Tal de Mentira”: “De novo recomeçar, / Outra vez acreditar, / Compor, escrever, cantar, / Por música no ar...”. Tem um quê de Gonzaguinha e poderia – se é que não o fez – muito bem ter influenciado Chico César no modo de cantar. Mas nem tudo é tão desesperado. A prova é a animadinha “Meu Filho, Minha Filha”.

O único parceiro de Sérgio Sampaio nesse álbum é Sérgio Natureza, na balada “Cabra Cega”, que é sublime, graças ao saxofone tocado por Oberdam Magalhães e à letra que remete ao delírio coletivo e aos discos voadores. Nada mais setentista. A influência de Caetano Veloso também é nítida. Já Luiz Melodia participa do samba em homenagem a ele, “Doce Melodia”. Mas a proposta do álbum fica explícita mesmo é na faixa-título: “Não há nada mais bonito / Do que independente / E poder se conquistar, / Sair, chegar, / Assim tão simplesmente / ... / Não há nada mais sozinho / Do que ser inteligente / E poder cantarolar, / Errar, desafinar / Assim sinceramente”.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 22/12/2011

Livro traça retrato singelo e profundo de Paulo Moura



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Há duas leituras possíveis, e igualmente prazerosas, do livro de edição bilíngue “Paulo Moura – Um Solo Brasileiro”, que vem acompanhado de um CD com dez composições inéditas do compositor, arranjador, saxofonista e clarinetista de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, que morreu em 2010. A autora do livro é a psicanalista carioca Halyna Grynberg, que foi casada com ele por 26 anos.

A primeira leitura é a revelação da intimidade de Paulo Moura, um dos maiores músicos brasileiros. A proximidade com a música surgiu em função de o pai e os irmãos serem músicos, tanto que, aos nove anos, ele já tocava num grupo de baile na cidade-natal e, aos 19 anos, embarcou para a primeira turnê internacional, com a orquestra Ary Barroso.

Logo a família toda mudou para o Rio de Janeiro e a atividade musical se tornou ainda mais intensa, com passagens pelas orquestras das rádios Globo, Nacional e Tupi, e também da TV Tupi, entre outras, até ter seu próprio conjunto. O maestro Radamés Gantalli também foi marcante na trajetória dele, a ponto de ganhar um álbum dedicado pelo aprendiz.

Claro que o fato de ser negro dificultou muito o desenvolvimento de Paulo Moura num país de preconceito velado como é o Brasil. “Meu apego à escrita da música erudita era como um hobby secreto. Isso vinha como desejo desde quando eu estudava na Escola Nacional de Música, com o professor Jayoleno dos Santos – ele me transmitiu essa aspiração. Tinha de considerar como hobby porque, na verdade, haviam me alertado de que seria muito difícil, no Brasil, um regente negro se realizar; ou melhor, certamente era difícil na época em que eu o pretendia, nos anos 1960. E, mesmo depois, pelos anos 1970, li numa entrevista que uma cantora e pianista americana pretendera se tornar uma concertista de piano e que, por ser negra, também percebeu que isso não seria muito fácil. Mesmo assim, nunca deixei de estudar música erudita e contemporânea.” Ao mesmo tempo, quando começou a ser reconhecido, ele viu ficar mais difícil a possibilidade de gravar e se tornar um solista, como tanto sonhava.

É incrível a descrição que faz de um método próprio que desenvolveu para tocar os instrumentos de sopro, denominado “moto perpétuo”, nome de uma composição de Paganini, e que o tornou reconhecido. Para isso, ele explica a diferença entre tocar com os dentes e com os lábios. “O ‘Moto perpétuo’ não para; são aquelas notas todas, não sei quantas, são quase cinco minutos de música ininterrupta – outro dia nos disseram que são mais de 2.700 notas em sequência, lembra? Aí fiquei assustado de novo, que coisa! Não para. Para tocar todas essas notas sem tirar o instrumento da boca, do início ao fim, e, assim, não interromper o sopro, fui experimentando aumentar a quantidade de notas que eu tocava enquanto soltava o ar das bochechas. Essa foi a inovação: tocar várias notas, não uma só, ao mesmo tempo em que solto o ar das bochechas e, dessa forma, manter o sopro contínuo. Para isso interrompo a passagem do ar que vem do pulmão, acumulando-o nas bochechas. É nessa hora que faço a respiração.”

A segunda leitura é observar o excelente método de entrevista desenvolvido por Halyna Grynberg, que insere diversas impressões e sensações entre as centenas de perguntas e respostas. “Nada é como parece ter sido. Divagações estéticas adornam suas lembranças pessoais e a memória desenha paisagens de harmonias rigorosas quando reflete sobre sua arte: a música”, anuncia logo no primeiro parágrafo. A partir daí, ela descreve, por exemplo, a fantástica coleção de chapéus dele, e vai, aos poucos, penetrando no mais profundo da intimidade de Paulo Moura, numa linda declaração de amor ao homem e artista com o qual conviveu tão de perto.

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Publicado em 23/12/2011

Gal Costa canta inéditas de Caetano Veloso



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Um dos lançamentos mais comentados neste final de ano é o novo CD de Gal Costa, "Recanto", em que ela interpreta músicas inéditas compostas por Caetano Veloso especialmente para ela. As principais marcas são a forte presença da música eletrônica e o fato de ser um trabalho em família. O próprio Caetano dirige a produção do disco, ao lado do filho Moreno Veloso, afilhado de Gal.

Segundo o compositor baiano, cujas composições para a amiga vêm de longa data, esse álbum era imaginado há cerca de três anos, mas se tornou realidade quando assistiu a um show dela em Portugal. Se pensarmos numa linha evolutiva da música brasileira, ele me parece um passo adiante com relação ao "Quanta", de Gilberto Gil.

"Recanto" não é um trabalho de fácil e rápida assimilação. É preciso estar preparado para ele, sabendo que haverá alguns momentos da mais pura criatividade e experimentação, e outros mais ásperos, mas nem por isso menos belos. Porém, será difícil passar incólume a ele. É como se os artistas tivessem retomado a ousadia da década de 1970, com a mais alta tecnologia trazida pelos sintetizadores e a adição de guitarras distorcidas.

O símbolo maior desse trabalho é a primeira faixa "Recanto Escuro", que começa com efeitos que lembram os ruídos dos antigos LPs e é marcada pelo violão de 7 cordas de Luiz Felipe de Lima e a letra forte, que remete aos tempos de ditadura militar nos anos 1970: "O chão da prisão militar/ Meu coração um fogareiro/ Foi só fazer pose e cantar/ Presa ao dinheiro/ Mas é sempre o recanto escuro/ Só Deus sabe o duro que eu dei/ Mulher, aos prazeres, futuro/ Eu me guardei".

O rock psicodélico "Cara do Mundo" mistura música mais tradicional, trazida pela guitarra de Pedro Sá e a bateria de Davi Moraes, com a eletrônica dos sintetizadores de Kassin, forte presença no álbum como um todo. O artista entrou com perfeição nesse trabalho como um dos nomes mais criativos da música brasileira, que sabe como poucos estabelecer ligas mestras entre o ultramoderno e o retrô. "Cara do mundo, vim te reconhecer/ Cara de muito, dor de tanto prazer/ Abro meus olhos, abro meus braços, longe/ Fecho meu punho, fecho meu coração/ Cara de tempo, cara de escuridão/ Asa do vento, olho de sol, clarão", canta Gal.

A crítica social aparece em "Neguinho", que conta com o outro filho de Caetano, Zeca Veloso, na programação e nos sintetizadores: "Neguinho vai pra Europa, States, Disney e volta cheio de si / Neguinho cata lixo no Jardim Gramacho / Neguinho quer justiça e harmonia para se possível todo mundo / Mas a neurose de neguinho vem e estraga tudo / Nego abre banco, igreja, sauna, sacola / Nego abre os braços e a voz / Talvez seja sua vez: / Neguinho que eu falo é nós".

Outra letra de crítica ácida é "Sexo e Dinheiro", que, na voz de Gal, se transforma quase num mantra: "Sexo e dinheiro são / Metro do nosso egoísmo / Embora os dois tenham / Bem pouco mais em comum / Veja os que dizem ser / Guias espirituais / Usam nosso temor / Para ter um ou outro ou os dois / Dinheiro e sexo são / Mera ilusão para tais / Cães".

Mas a canção que mais me encanta é mesmo "Autotune Autoerótico", que remete à tradição das cantigas nordestinas, exclusivamente por meio de equipamentos eletrônicos - a bateria, o sintetizador e a programação de Kassin, e o Rhodes e o sintetizador de Donatinho. Contando com o violão de Caetano Veloso, "Tudo Dói" tem uma sonoridade que remete a facas afiadas, totalmente de acordo com a letra visual ácida.

Também vale prestar atenção em "Miami Maculelê", que traz a força da percussão baiana, referência ao funk carioca e a "Charles Anjo 45", de Jorge Benjor; e sonoridade que remete às trilhas de videogames old school, como "Super Mario Bros". Há ainda a presença da Banda Rabotnik, em "O Menino"; da dupla eletrônica Duplexx; do violoncelista Jacques Morelenbaum, presença certa em todos os trabalhos de Caetano, em "Mansidão", que também conta com Daniel Jobim, ao piano. O álbum termina com o repente bem regional "Segunda", que conta com a violão, o cello, o prato e a faca de Moreno Veloso. "Vou arrastar meu tamanco/ Que amanhã volto à peleja/ Quem não me mata me beija/ Mas ninguém morre de inveja". Sensacional!

"Gal é uma das mais emblemáticas figuras da música popular brasileira moderna. Foi A cantora tropicalista por excelência: lançou 'Baby' e defendeu 'Divino, Maravilhoso' no festival (da TV Record) de 1968. Depois que Gil e eu fomos presos e exilados, ela segurou a estética ousada do grupo baiano (que tinha se associado aos paulistas Mutantes, Duprat, Medaglia etc.) em espetáculos como Fa-Tal, Gal a Todo Vapor. Seu nome batizou o trecho de praia mais badalado da Ipanema dos anos 1970. Ela foi considerada por Danuza Leão a mulher elegante daquele tempo." Assim Caetano Veloso descreve, no encarte, a importância de Gal Costa para a música brasileira.

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Publicado em 06/01/2012

Lenine faz manifesto ecológico no álbum "Chão"



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Podem parecer cascos de árvores, passos de pessoas numa estrada de terra e até sons do garimpo, os ruídos que são ouvidos no início da ótima canção "Chão", que faz parte do décimo álbum do cantor e compositor pernambucano Lenine, que a compôs com Lula Queiroga. "Chão segue debaixo do mar / O assoalho do planeta e do terceiro andar / Chão onde a vista alcançar / Todo e qualquer caminho pra percorrer e chegar", canta nessa que apenas principia uma espécie de manifesto ecológico, formado pelas outras nove canções.

A tentativa de se aproximar de todas as maneiras dos sons da natureza marca a maior parte das faixas desse álbum quase experimental. Esse é o caso do canto dos pássaros na linda balada "Amor é pra quem ama", parceria com Ivan Santos, co-autor também de "Seres estranhos", que é mais urbana e trata de dois personagens – o diabo da capa, que solta os cachorros, e Madame Satã, que é avoado e brilhante.

O que dizer então do som da árvore sendo derrubada por uma serra elétrica separando "Envergo mas não quebro", composta por Lenine com Carlos Rennó; do fortíssimo lamento "Malvadeza"? "Malvadeza / Judiar assim / Tenha dó do meu coração / Que desatinou, roeu que deu pena / Amargou essa solidão / Desabou a chorar por ti, ô, Serena / Pronto pro teu perdão". Verdadeira obra-prima. Rennó é parceiro também em "Isso é só o começo", também marcada por sons da natureza: "Estranhos dias vivemos / Dias de eventos extremos / E de excessos em excesso / Mas se com tudo que vemos / Os olhos viram do avesso / Outros eventos veremos / Outros, extremos, virão / Prepare seu coração / Isso é só o começo". Melhor manifesto ecológico impossível.

Duas quase cantigas encantam pela docilidade. São elas "Uma canção e só", marcada pelo violão dedilhado por Lenine; e "Se não for amor, eu cegue", outra parceria com Lua Queiroga: "Pode ser um lapso do tempo / E a partir desse momento / Acabou-se solidão / Pinga gota a gota o sentimento / Que escorrega pela veia / E vai bater no coração".

"No início, havia apenas a palavra e meu principal significado de chão: tudo aquilo que me sustenta. Chão, quase onomatopeia do andar – que soa nasal, reverbera no corpo todo", descreve Lenine, no release, buscando a essência do álbum que produziu com Bruno Giorgi e JR Tolstoi, entre março e agosto de 2011. A conclusão mesmo parece vir do término da letra da cativante "De onde vem a canção", marcada pela inventividade de se utilizar os sons de um metrônomo e uma máquina de escrever tocados por Bruno Giorgi: "Para onde vai a canção / Quando finda a melodia? / Onde a onda se propaga? / Em que espectro irradia? / Pra onde ela vai quando tudo silencia? / Depois do som consumado / Onde ela existiria?".

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Publicado em 06/01/2012

Celso Fonseca retoma clima dançante e ensolarado dos anos 80



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Novo disco do cantor e compositor carioca Celso Fonseca (Reprodução)

O guitarrista, cantor e compositor carioca Celso Fonseca acaba de lançar seu décimo segundo álbum, "No Meu Filme", em que retoma o clima ensolarado e dançante típico da música pop brasileira dos anos 80, época em que ele se firmou no cenário musical. Foi nesse período que ele gravou como guitarrista de artistas como Gilberto Gil, Djavan, Gal Costa, Jorge Benjor, Chico Buarque e Caetano Veloso, entre outros. Também atuou como produtor do próprio Gilberto Gil e de Vinicius Cantuária; e compositor de sucessos, como "Sorte", gravado por Gal Costa e Caetano Veloso. Essa canção foi realizada com Ronaldo Bastos, que é seu principal parceiro desde então e com quem assina três das doze canções do novo álbum.

"Alegria de viver / Como diz aquela velha música / Viver tudo com você / Grudar como um ímã / Nasce a estrela da manhã / Joga a rede o pescador lá na praia / Carros param no sinal / Solitário o corredor na Lagoa", anuncia a primeira-faixa, "Alegria de Viver", cujo clima ensolrado é o ideal para o início do verão.  A paisagem carioca retorna na sensual "No Meu Filme", marcada pelos instrumentos de sopro, caso de trompete, trombone, sax e flauta, tocados pelas feras Serginho Trombone, Zé Carlos Bigorna, Zé Canuto, Henrique Band, Altair Martins e Marcio André Moreira. Outras presenças marcantes em boa parte do álbum são as de Eduardo Souto Neto (arranjo de cordas e regência), Jorjão Barreto (teclados), Fabio Lessa (baixo), Flávio Santos (bateria) e Cássio Duarte (percussão).

A sonoridade pode parecer bastante datada e muitas canções se parecem demais umas com as outras, caso de "Alegria de Viver" e "Enquanto Espero Você Chegar", por exemplo. Mas nada disso apaga o fato de que elas são muito agradáveis e várias delas provoca a vontade de afastar os móveis e dançar na sala, caso de "Maio e Junho" e "Agora Dancei", ambas parcerias com Ronaldo Bastos: "E agora eu dancei, tou aqui sem saber como foi / Onde foi que eu errei, nem porque a cidade parou / Dá licença eu falei, mas me diz o que foi que rolou / Foi depois que eu provei, não consigo largar desse amor".

Não faltam também as baladas rasgadas, típicas para serem dançadas agarradinhas nos bailinhos: "Linda / Por que tem do sol / O calor da explosão / Pode transformar / O inverno em verão". Após esses versos tão rasgados e agridoces, não é preciso comentar mais nada, né? O romantismo reaparece na mais dançante "Depois de Você": "Você traz a alegria e faz um céu azul / Luz de beleza, tudo de bom / Sorte na vida que me conduz".

Portanto, "No Meu Filme" é um trabalho autoral bastante consistente e maduro - Celso Fonseca é o produtor e autor de todas as 12 canções -, e agradável de se escutar e termina em grande estilo com a doce "Ninho Vazio", que lembra cantores como Tunai e Dalto: "Parece pouco, é muito tempo / E corta meu coração / Dói como parto, mas faço de conta / Que não tá doendo muito, não". Mas o cantor  e guitarrista parece concluir mesmo esse álbum em "Só Guarde O Que É Bom": "Só guarde o que é bom / Pra que atropelar os sentimentos? / A vida é agora / E não existe mesmo nada além de outro tempo".

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 06/01/2012

A reflexão e a criação de Carlos Scliar em últimos dias de exposição



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Sesta IV, uma das telas da mostra sobre a obra do gaúcho Scliar, em São Paulo (Foto: ©Renan Cepeda/Reprodução)

O gaúcho Carlos Scliar atacou em todas as áreas das artes visuais – desenhos, gravuras, pinturas, ilustrações, cenografia, roteiros e design gráfico – e realizou todas elas com a mesma competência e sobretudo, talento. É o que se pode conferir na ótima exposição “Carlos Scliar – Da Reflexão à Criação”, em cartaz na Caixa Cultural São Paulo até o próximo domingo, 8 de janeiro. Ela pode ser visitada sexta-feira e sábado, das 9h às 21h, e domingo, das 10h às 21h.

Nascido em Santa Maria da Boca do Monte, no Rio Grande do Sul, em 21 de junho de 1920, Carlos Scliar já publicava os primeiros artigos ilustrados com apenas 11 anos. Três anos depois, teve aulas de arte com o pintor austríaco Gustav Epstein. E, desde então, não parou mais. Fez sucesso no mundo todo e se destacou principalmente como diretor de arte da revista “Senhor”, entre as décadas de 1950 e 1960, e criou cartazes marcantes, como o da peça teatral “Orfeu da Conceição”, de Vinicius de Moraes, que pode ser visto na exposição.

A exposição é dividida em várias séries, dedicadas principalmente à serigrafia e entre as quais se destaca o álbum “Redescoberta do Brasil – 1500/2000”, em que Carlos Scliar faz uma leitura bastante pessoal de 500 anos de história do país, destacando eventos como a chegada das caravelas e o poema épico “Os Lusíadas”, de Luis de Camões; a Revolução Farroupilha; a seca da Bahia; as fábricas; o carnaval do Rio de Janeiro; o massacre de 21 pessoas em Vigário Geral, também no Rio; e a Guerra de Canudos, com Antonio Conselheiro.

Enquanto a mistura de cores chama a atenção na série “Composição”, realizada entre as décadas de 1970 e 1990, com telas que dialogam entre si; a série “Cadernos de Guerra”, de 1944, quando esteve com a Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália, é de uma delicadeza comovente, ao registrar em traços simples e fulminantes os companheiros de alojamentos e batalhas. O mesmo pode ser dito com relação a “Série Gaúcha” e “Estância”, em que parece voltar da Europa em busca das origens e lembranças mais remotas. A comprovação está em lindas gravuras como “Chinoca” e “Guri”, ambas de 1962. Também merece atenção especial o libreto que ilustrou para a ópera “Il Guarany”, de Carlos Gomes.

Outra séria bastante interessante é a de 10 serigrafias, realizadas em 1973, e que retratam a cidade mineira de Ouro Preto apenas pelos telhados das casas, nas cores marrom e bege, com trechos verdes da natureza ao redor. Algo pouco comum para a cidade marcada pelas esculturas barrocas. “Quem não tiver ideia de Ouro Preto, e for conhecer a cidade através desse álbum de serigrafias de Carlos Scliar – Telhados de Ouro Preto –, estará roubado. Onde está o barroco, onde estão as volutas, as curvas, o alado sensualismo dos anjinhos e das virgens, e as explosões do sonho e do pecado? Uma longa vivência de Ouro Preto – uma longa vivência e um longo amor – dão a Carlos Scliar o direito de apresentar essa Ouro Preto lírica, mas toda serena, tão limpa na simplicidade de seus traços que às vezes parece abstração”, avaliava o cronista mineiro Rubem Braga, em texto reproduzido na exposição.

O curador da exposição Marcus de Lontra Costa encontra as palavras certas para descrever a obra do artista que faleceu em 28 de abril de 2001, no Rio de Janeiro: “Em qualquer técnica, em qualquer período de sua vida, Carlos Scliar é o artista do método e da métrica. A linha é o elemento que organiza a sua aventura artística; a partir dela, de seus vetores, ele constrói formas, acrescenta cores, desenvolve a sua poética particular. Para ele, o Brasil é assunto permanente: em busca das névoas do passado encontrou-as (e se encontrou) entre as montanhas”. Após o artista ser cremado em Cabo Frio (RJ), teve as cinzas lançadas no Canal do Itajuru, trecho que recebeu o nome pela prefeitura municipal de Orla Scliar.


Serviço
 
Exposição Carlos Scliar, Da Reflexão à Criação
Sexta-feira e sábado, das 9h às 21h; e domingo, das 10h às 21h. Até 08/01. Grátis
Caixa Cultural São Paulo - Avenida Paulista, 2083. São Paulo/SP. T: (11) 3321-4400

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Publicado em 05/01/2012

A diversidade de Lula Queiroga em "Todo dia é o fim do mundo"



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Capa do novo trabalho do multiinstrumentista e compositor Lula Queiroga (©Reprodução)

Lula Queiroga, recifense de 51 anos, é um dos grandes nomes da música contemporânea pernambucana não é de hoje. Cantor, compositor, poeta, letrista, cineasta, escritor e publicitário brasileiro, ele ganhou destaque como parceiro de Lenine e acaba de lançar o consistente quarto álbum solo e independente "Todo Dia é o Fim do Mundo", em que aposta nos experimentalismos e no choque produzido entre uma sonoridade animada e festiva e uma letra sincera e realista e, por isso mesmo, corrosiva e trágica para muitos.

Esse é o caso da animada "Os Culpados", que conta com vários efeitos, que simulam sons de tiros e da sirene da polícia, para ilustrar a ácida letra: "Passam por debaixo de um país sem fronteira / passam pelo ar diante do seu nariz / narcotrafigrana / tem granada, pó e crack / para encher as bocas desse grande país / e a população procura em vão os culpados".

O álbum começa com a saborosa e sensual "Se não for amor eu cegue (love)", parceria com Lenine, que, de certo modo, abre espaço para o repente moderno "Voo Cego", a qual remete um pouco ao trabalho de Alceu Valença. A faixa-título é um caldeirão de influências, em que é possível encontrar, por exemplo, Arnaldo Antunes e Raul Seixas. Com um vocal coletivo, aqui a alegria contrasta com a letra: "Todo dia é o fim do mundo / Todo dia tem que respirar mais fundo / Todo dia é o fim do mundo / Dia vai e vem um outro em seu lugar / Não se apavore, muita calma nessa hora / Cada passo em falso é pura dinamite".

O samba "Unha & Carne", parceria com Vinicius Sarmento, narra o encontro de uma revendedora de Avon e de um gerente que se conhecem via internet até que partem para a vida real e termina na separação e a briga pela guarda do filho. "O tempo vai passar indiferente / Daqui a pouco os dois vão se esquecer". Está recuperada uma das vertentes mais tradicionais da música brasileira - a crônica social. Abre-se espaço para o rock, com pitadas de funk, "Dias Assim", composta com Lucky Luciano e dedicada a Lula Côrtes, outro importante nome da música pernambucana, parceiro de Zé Ramalho e Alceu Valença, e que faleceu em 26 de março de 2011. 

Uma das canções mais marcantes do álbum é "Dos Anjos", parceria com Lula Oliveira, que conta com um "quintal" sonoro poderoso, produzido pela banda afiada, e mistura a doçura de uma canção romântica com a agressividade roqueira, numa letra extremamente lírica: "E eu que nem acredito em anjos / Bati na porta do céu / Mas se ela quiser me seguir / Eu vou mostrar meu mundo secreto / Vou ensinar a ver estrelas / Do ponto de vista do chão". O rock retorna, numa linhagem bem contemporânea, em "Padrões de Contato". 

Há também dois duetos marcantes, um com Luiza Possi em "Um do Outro", e outro com Isaar, em "Atlantis". Outra participação especial é de Marcelo Jeneci, que toca sanfona e marimba na ótima balada "Poeira de Estrelas", que encerra o álbum e conta também com o piano de Vitor Araújo e o violão 7 cordas de Vinicius Sarmento. "Foi quando você dormiu / profundo / e eu fiquei a vigiar / seu mundo / fiz uma canção / que é só pra mim ; naquela hora / um jeito assim de não deixar / o tempo / ir embora".

Multiinstrumentista e considerado pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) o melhor compositor do ano, Lula Queiroga reúne a família no álbum e conta com o apoio de ótimos músicos, como Marcelo Lobato no theremin e Lucky Luciano no baixo, entre outros. Também chama atenção o criativo projeto gráfico do designer pernambucano Mateus Alves e a foto da capa de Marcelo Lyra. "Todo Dia é O Fim do Mundo", portanto, só comprova a força desse artista, que, em 2011, teve canções gravadas por, entre outros, Roberta Sá, Mart'nália, Zé Renato, Elba Ramalho, Maria Rita, Teresa Cristina e Pedro Luís.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 05/01/2012

Ator Antonio Banderas promove concurso internacional de curtas



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

O ator Antonio Banderas convida a participar de seu concurso de curtas-metragens (Foto: makeitshort.net/reprodução)

Com mais de 70 filmes no currículo, sendo dois como diretor – “Loucos do Alabama” (1999) e “El Camino de Los Ingleses” (2005) –, o ator, produtor e cantor espanhol Antonio Banderas resolveu ajudar os iniciantes e promover um concurso internacional de roteiros de curtas-metragens, o “Make It Short”. Nessa primeira edição, os pequenos filmes devem tratar do universo das mulheres e aos segredos que as envolvem.

Só serão aceitas produções de quem resida na Espanha ou na América Latina, e tiver mais de 18 anos e menos de 30 anos. Outro requisito é nunca ter realizado um longa-metragem. Antonio Banderas irá produzir os cinco melhores roteiros entre todos os inscritos e cada um deles receberá 15 mil euros, o que equivale a cerca de 35 mil reais.

A seleção será feita por um júri presidido pelo próprio artista espanhol e o realizador fará um curso numa escola de cinema de grande prestígio internacional, ainda não revelada. Para participar, basta acessar o site www.makeitshort.net, até 31 de janeiro.

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Publicado em 05/01/2012

Exposição revela olhar poético do fotógrafo Steve McCurry



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Imagem de garota afegã marca trabalho de Steve McCurry, em exposição em São Paulo (Foto: Divulgação)

O fotógrafo norte-americano Steve McCurry sempre trabalhou com sua câmera Kodak, com a qual registrou mais de 800 mil imagens em Kodachrome, tipo de filme criado em 1935 e que nunca chegou ao Brasil. Dessa maneira, ele registrou uma parte do mundo até então desconhecida - os países asiáticos -, sempre valorizando os constrastes de cores.

O resultado é um brilho encantador e inexplicável... a expressão facial dos fotografados e a pequenez do homem diante da natureza. É o que pode ser conferido na exposição "Alma Revelada", que está em cartaz gratuitamente no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, até 29 de janeiro de 2012, podendo ser visitada de terça a domingo, das 11h às 20h.

Há duas sessões da exposição que são as mais baladas. A primeira delas é a série de quatro telas gigantescas que registram a tragédia de 11 de setembro de 2001, em Nova York, quando as torres gêmeas do World Trade Center foram derrubadas por aviões. "Apesar de mais de 25 anos fotografando terríveis momentos de sofrimento e guerra, Steve não se sentiu totalmente preparado para a tragédia ocorrida em 11 de setembro em Nova York", destaca um dos textos expostos na mostra. 

A segunda sessão é a de retratos, que vão do ator Robert De Niro, em sua sala de projeção em Tribeca, em Nova York, em 2010, à garotinha afegã Sharbat Gula, que foi fotografada quando tinha apenas 12 anos, em 1984, e, ao aparecer na capa da "National Geographic", de junho de 1985, tornou-se uma das imagens mais emblemáticas e conhecidas do mundo. Ela voltou a posar para McCurry em 2002, aos 30 anos.

Outras imagens marcantes expostas no Instituto são a de várias crianças e um senhor segurança de guarda-chuvas nas vias férreas de Bangladesh, de 1983; a de meninos numa escola em Peshawar, no Paquistão, do mesmo ano; a da viúva que é forçada a mendigar em Cabul, no Afeganistão, de 1992; e a de mãe e filha na janela de um carro, na Índia, de 1993. Há outras imagens mais chocantes, caso de uma em que uma criança aparece com uma arma apontada para a cabeça na África do Sul. 

Cedidas na maioria pela Galeria de Babel, muitas imagens igualmente fortes foram registradas em ouros países asiáticos, como Iêmen, Indonésia, Turquia, Tibete, Birmânia e Sri Lanka. Já a paixão de Steve McCurry pela sua câmera é tamanha que em seu auto-retrato ele aparece encostado num táxi amarelo, nas ruas de Nova York, cuja placa é justamente a sigla do equipamento, PRK36.

Portanto, "Alma Revelada", além de ser um importante registro da história recente do mundo, encanta ao revelar o talento de um dos maiores fotógrafos de todos os tempos, mostrando que, para obter aquele resultado de tão rara beleza, é necessário muito mais do que bons equipamentos e sorte. É preciso estar atento e ter um olhar extremamente sensível, o que só raros artistas possuem.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 04/01/2012

Coletânea de crônicas mostra força e graça de Humberto Werneck



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Humberto Werneck, escritor mineiro, durante participação na Flip 2009 (Foto: ©paraty.com.br/divulgação)

Nascido em Belo Horizonte, em 1945, Humberto Werneck, que escreve aos domingos em O Estado de S. Paulo, dá continuidade a uma linhagem preciosa de cronistas mineiros, que inclui os muito citados por ele Otto Lara Resende, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Hélio Pellegrino. É o que pode ser conferido na ótima e recém-lançada coletânea "Esse Inferno Vai Acabar", que faz parte da coleção "Arte da Crônica", da Arquipélago Editorial. As crônicas foram publicadas nos jornais O Estado de S. Paulo e Brasil Econômico entre 10 de agosto de 2008 e 3 de julho de 2011

Com uma linguagem extremamente envolvente, que só os grandes contadores de casos são capazes, Humberto Werneck conquista e diverte com histórias saborosíssimas, como a de um casal que apostou tanto no fim do mundo que acabou se separando quando ele não veio. E o que dizer então dos vários textos dedicados à tia Alzira, e o escudo de "eucatex" para se proteger de tarados; e à prima Solange, que adorava recuperar palavras esquecidas nos dicionários. Ou então do homem que adorava frequentar enterros até que o da própria esposa se transformou num grande evento.

Boa parte dos melhores textos se refere à infância do cronista, caso dos dois dedicados àquela que considera a legítima "coxa de catupiry", da relação com o futuro presidente Juscelino Kubitschek; e da festa de aniversário de oito anos, que nunca ocorreu e que o faz se remeter ao clássico poema de Casimiro de Abreu.

Igualmente saborosa é a série a respeito dos vizinhos inesquecíveis e "Do caderno de um repórter", em que relata trechos de reportagens com, entre outros, Nelson Rodrigues, Eduardo Bueno, Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto.

Porém, nada se compara ao arrependimento de Humberto Werneck por não ter tentado ao menos dançar com a atual presidenta Dilma Roussef, no tempo de mocidade dos dois. "Dependendo das eleições presidenciais de 2010, corro o risco de passar à história como aquele panaca que, tendo tido a chance, não tirou a Dilminha para dançar. Poderia, no mínimo, ter sido o pai do PAC, o tão alardeado Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal. Agora é tarde: um outro, Luiz Inácio Lula da Silva, já tirou a moça – e, em certo sentido, talvez eu é que tenha dançado", lamentou em "A escolhida", crônica publicada em O Estado de S. Paulo em 10 de agosto de 2008.

A única coisa que cansa um pouco é essa falsa, ou não, modéstia desse fantástico cronista em se reconhecer um grande escritor.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 03/01/2012

Instituto Tomie Ohtake faz exposição para celebrar 10 anos



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Eclipse, de Felipe Cohen, obra inserida na retrospectiva dos 10 anos do Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo (Divulgação)

Uma sala equipada com várias redes disponíveis ao visitante, que pode se deitar numa delas na companhia de um bom livro. Uma banqueta tendo à frente um microfone e um telão, como se fosse um videokê, com a imagem da fachada do Palácio do Planalto, em Brasília, e um discurso para ser lido ao som do clássico "O Guarani", de Carlos Gomes, utilizado no programa de rádio oficial "A Voz do Brasil". Essas são duas instalações, criadas respectivamente por Marilá Dardot e Vitor Cesar, presentes na exposição "Os Primeiros 10 Anos", realizada para comemorar uma década de atividades do Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. Ela pode ser visitada até 26 de fevereiro, de terça-feira a domingo, das 11h às 20h, com entrada franca.

O Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto, dirigido por Agnaldo Farias, e o crítico convidado Tiago Mesquita selecionaram cerca de 50 artistas, que trabalham com os mais diferentes suportes, temáticas e origens. Entre os trabalhos expostos, destacam-se as janelas projetadas na parede através de um arranjo de retroprojetores, realizado por Nicolás Robbio, em 2008. Rovel Lima criou uma instalação com peças de aviões e barcos de montar pregadas na parede. Já João Angelini teve a proeza de mostrar a evolução de diferentes palitos de fósforo queimando, no sensacional "A queima agora é fogo", de 2005.

Há vídeos, como o que mostra três pessoas jogando e que leva o título "Selvagens Nocivos", dado pelos autores Marilá Dardot, Rodrigo Matheus e Sara Ramo, em 2004. Armando Queiroz registrou o surpreendente "Pilatos", que tem três minutos e meio de duração e mostra mãos sangrando. Essa obra lembra uma das mais badaladas instalações do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Não faltam também belas e marcantes obras de óleo sobre tela, caso de "Poça", de Ana Elisa Egreja, que tem impressionante efeito ótico; e "Magenta Exotic", de Rodolpho Parigi, que tem dimensões gigantescas e encanta com a mistura de tons de rosa, roxo, vermelho e preto.

"Os Primeiros 10 Anos", portanto, é mais do que um registro do que foi exibido de mais importante no instituto desde 2001, mas traça um mapa riquíssimo das artes visuais brasileiras nesse período, com seus principais representantes e também artistas que aparecem como grandes promessas para as próximas décadas. Pode ser comparada à marcante exposição "Como Vai Você, Geração 80", realizada no Parque Lage, no Rio de Janeiro (RJ), em 1984, e que se tornou um marco daquela geração.

 

Serviço
Exposição Os Primeiros 10 Anos
De terça a domingo, das 11 às 20h, até 26 de fevereiro. Grátis
Instituto Tomie Ohtake – Av. Faria Lima, 201. Pinheiros. São Paulo/SP. T: (11) 2245-1900

Publicado em 28/12/2011

Documentário "Ecohabitat" valoriza ações sustentáveis



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

A partir de janeiro de 2012, mais de 2 mil escolas receberão o documentário "Ecohabitat". Dividido em dois episódios de 56 minutos cada e dirigido por Paulo Perez, a realização da Associação Cultural Simbora e da Brazucah Produções mostra iniciativas bem-sucedidas de sustentabilidade. Segundo os realizadores, está baseada no tripé formado por economia, meio ambiente e sociedade.

"Este novo conceito nos traz um vislumbre otimista para um novo relacionamento humano, mas um conceito por si só não muda nada, ao não ser que sejam criadas técnicas e ferramentas que coloquem teoria em práticas. Formos os mais comprometidos. Pensar num mundo mais integrado, onde qualidade de vida e respeito mútuo são levados em conta. E o meio ambiente é o personagem principal dessa história. 'Ecohabitat' é isso. É sair da teoria e ir pra prática. É sustentabilidade em ação", declara a apresentadora Gabriela Veiga, como uma espécie de editorial.

O primeiro episódio mostra o criativo aquecedor solar desenvolvido pela Sociedade do Sol, na incubadora tecnológica da Universidade de São Paulo (USP). O dispositivo permite economia financeira de 75% na conta de eletricidade. Outra solução destacada é a adoção do bambu em substituição ao plástico e ao aço na construção civil por parte do Centro de Cultura e Sustentabilidade Max Feffer, no interior paulista. Há ainda menção ao ensino de diferentes ações sustentáveis no Sítio Duas Rosas, em Amparo (SP), e à horta urbana e à reutilização de água da chuva por parte da Morada da Floresta, instalada na Grande São Paulo.

O segundo episódio é voltado a inciativas como a Estância Demétria (de agricultura biodinâmica), ao Sabor Natural, que comercializa produtos orgânicos e à Casa dos Hólons, perto do aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). Há ainda entrevista com Nena Alava e a equipe de cenógrafos e arquitetos que fazem grandes eventos reaproveitando lixo e materiais orgânicos. O episódio ainda mostra o trabalho voltado à sustentabilidade desenvolvido pela multinacional 3M, justamente uma das apoiadoras do projeto, o que pode despertar alguma reserva no espectador.

Com a participação dos repórteres Guilherme Folco – que chama a atenção por fazer passagens tocando saxofone e abrir as matérias com versos rimados – e Thiago Tognozzi, o "Ecohabitat" é um documentário dinâmico que reúne reportagens muito bem realizadas e quadros variados, como o "Faça Você Mesmo", que ensina a produzir de tijolos a pão integral.

A produção ainda encara discussões como a relacionada a preços dos alimentos orgânicos, por vezes mais caros do que os de lavouras que empregam insumos químicos. A discussão é levada para aspectos relevantes que nem sempre são levados em conta pelo consumidor.  A música de encerramento também chama a atenção e faz parte do grupo Teatro Mágico, do qual Gabriela Veiga foi integrante.

Todas as iniciativas mostradas são do estado de São Paulo. Como o projeto tem recursos do Programa de Ação Cultural do governo estadual paulista, esse senão pode até ser compreensível. Mas desperta a curiosidade sobre outras iniciativas de diferentes unidades da federação, adaptadas a diferentes realidades, climas e contextos.

Nesta quinta-feira (29), o Curta Essa Dica publica uma entrevista com Paulo Perez, diretor do documentário.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 26/12/2011

Rapper Renan Inquérito não poupa ninguém no livro "#Poucas Palavras"



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

A crítica à desigualdade social e ao consumismo desvairado salta nas páginas da obra de Renan Inquérito(Foto: Mônica Ogaya/Divulgação)

"Poesia é insatisfação, um anseio de autossuperação. Um poeta satisfeito não satisfaz". Já escrevera o poeta gaúcho Mario Quintana e que agora é reproduzido no livro "#PoucasPalavras", do rapper paulista Renan Inquérito, que transforma esses versos em lema de vida. Professor de Geografia, ele já foi sorveteiro, empacotador e mecãnico antes de se tornar um dos artistas de hip hop mais aclamados do país, com a banda Inquérito, que já lançou três álbuns. Ele também criou o jornal "Ideia Quente" e participou do livro coletivo "Suburbano Convicto - Pelas Periferias do Brasil".

Em "#PoucasPalavras", Renan Inquérito reúne pensamentos e brincadeiras com as palavras e o espaço branco da folha, como no ótimo "Poeta Musical", levando adiante a criação dos poetas concretos. Os objetivos ficam claros logo no início: "Escrevo como quem faz artesanato, com frases em retalhos, como montar um quebra-cabeças, cada palavra uma peça, até que as partes façam algum sentido". Sérgio Vaz, da Cooperifa, parece acrescentar: "É poesia que dói como a vida, como as ruas que sangram nossos dias na calçada. O livro passa como um filme que não tem pra alugar, num poema que ele crava na página como se cuspisse na cara do opressor, só que você pode rebobinar para que o coração tenha tempo de captar toda sua essência".

A crítica à forte desigualdade social e ao consumismo desvairado ao qual estamos expostos desde que nascemos salta em cada uma das 156 páginas dessa obra, valendo-se dos slogans e logotipos de diferentes marcas bem populares. O autor também não foge à responsabilidade de assumir a palavra. "Vou ser breve: Se a história é nossa deixa que #nóisescreve". Ele também adota o estilo das hastags, do Twitter, afinando-se com a atualidade, marcada pelas redes sociais e as mensagens instantâneas. Também não teme em chamar os "manos" para a luta: "O futuro é uma bala perdida, meu filho / Mas é você quem aperta o gatilho" E muito menos os mais favorecidos: "Empresário, / Não adianta só assinar campanha do agasalho / Queremos autógrafo na carteira de trabalho!".

Com homenagens a Sabotage e Nelson Triunfo, Renan Inquérito declara em "Destino": "Queria cantar como Tim, tocar como Tom, / Jogar que nem o Pelé, escrever igual Drummond / Mas, eu sem o rap ia ser um Bezerra sem a malandragem / Timão sem Fiel, Zumbi sem coragem / Um crente sem bíblia, o Sabotage sem o Canão / Um bar sem bebida, Brasília sem ladrão".

"#PoucasPalavras", portanto, é uma obra que esbanja urgência e precisa ser lida rapidamente, como um rastro de pólvora que se consome e explode nas ruas, e comprova a força da literatura que é feita nas perferias do país, de maneira quase anônima, mas de modo muito mias organizado e verdadeiro do que muitas das obras que ocupam as vitrines das principais livrarias. Nem a imprensa escapa da "roleta russa": "A impressora da imprensa  é a jato de sangue / Recarrega os cartuchos a cada bang-bang"; Graças a Deus que nem toda imprensa é assim, né, Renan Inquérito? Ainda há muitos repórteres e jornalistas que escapam dessa carnificina e tentam registrar a sociedade em sites, revistas, jornais e emissoras de rádio e televisão. A conclusão parece vir em "Arma Branca": "Só vai ganhar a GUERRA / Quem se armar de PAZ".

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 29/12/2011

Diretor de "Ecohabitat" defende que vida urbana e sustentabilidade caminhem juntas



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Correria e estresse, características da vida urbana, não são empecilhos para viver de forma sustentável, avalia Paulo Perez, diretor do documentário "Ecohabitat". Dividido em dois episódios de 56 minutos, o material mostra iniciativas bem-sucedidas de sustentabilidade.

O próprio Perez viveu nove anos em uma ecovila, onde se especializou em cozinha natural, e três anos em um Laboratório de Permacultura Urbana, a Casa dos Hólons, na capital paulista. “Nosso estilo de vida era de trabalhadores autônomos do meio audiovisual. Ou seja, sempre tivemos uma vida bem urbana e corrida. Mas isso não nos impediu de viver bem. Aliás, muito bem! Você fica com a consciência leve, quando vive dessa forma. A melhor maneira de praticar tudo isso é ter atitude”, pontuou em entrevista à Rede Brasil Atual.

A rica experiência lhe rendeu um senso crítico sobre ações de sustentabilidade. Na visão de Perez, o brasileiro ainda pensa o tema de forma superficial e busca soluções paliativas. “Hoje a grande maioria das escolas só reproduz o que já vemos de paliativo: reciclar, diminuir etc. Mas não ensinam conceitos de planejamento, como os propostos na permacultura. Não ensinam a valorização e respeito à vida”, disse.

Além do trabalho como documentarista, Perez também é cinegrafista. Em 2000, ele começou a chamar a atenção como editor do Programa Jornalístico Caminhos e Parcerias, da TV Cultura, que venceu o VII Prêmio Líbero Badaró de Jornalismo. A partir de janeiro de 2012, o documentário "Ecohabitat" chega a duas mil escolas.

Confira a íntegra da entrevista:

Como surgiu a ideia de realizar o documentário "Ecohabitat" - Sustentabilidade em Ação e por que dividi-lo em dois capítulos para serem exibidos na televisão?

Paulo Perez - Surgiu pela experiência que tive durante nove anos vivendo e produzindo vídeos em ambientes sustentáveis. Juntou-se comigo o roteirista Thiago Tognozzi, também morador de ecovila e a produtora Cynthia Alario, com experiência em distribuição alternativa e naturopatia, na área da saúde e surgiu o "Ecohabitat".  Os episódios são assim divididos por conta do formato televisivo, já que nossa proposta é exibir o filme em diversos veículos, a principio na televisão, mas também foram produzidos 2 mil DVDs que serão distribuídos em escolas pela Rede Brazucah, uma rede composta por escolas e universidades do estado de São Paulo (www.redebrazucah.com.br). Além disto, os dois episódios ficarão disponíveis no site ecohabitat.tv.br. Queremos que as pessoas assistam, principalmente os jovens. Que testem o que mostramos no programa e, através do blog do ECO, criarmos uma comunicação direta com nosso público. Enfim, queremos promover, de fato, os hábitos sustentáveis!

Após tanta pesquisa, de que modo você acredita que o brasileiro em geral se relaciona com as soluções e tecnologias sustentáveis? Por quê?

Os brasileiros ainda se relacionam pouco com as soluções e tecnologias sustentáveis. Muito porque ainda não chegamos ao ponto de escassez real em nosso país. Na Austrália, por exemplo, boa parte da população tem horta em casa e o governo trabalha políticas públicas para que o uso de água seja mais sustentável. Mas também, em nosso país, falta informação. A mídia sempre fala que temos que economizar água, fazer xixi no banho, trocar lâmpadas e separar o lixo. Isso é paliativo. Não basta por si. E os governantes também não facilitam. Ainda não temos incentivo para captação de água de chuva, ou captação doméstica de luz solar, nem projetos de grande escala para o tratamento biológico do esgoto doméstico – biológico porque as plantas reutilizam e neutralizam completamente nosso esgoto. Vamos assumir: também há um certo comodismo por grande parte da população. Alguns dizem que é difícil, ou chato, ser sustentável. Outros reclamam da falta de tempo. É preciso, portanto, rever nossos hábitos, se abrir para o novo. Nossas escolas precisam se preocupar com as crianças! Se começarmos a educá-los com esses conceitos desde cedo, no futuro  veremos uma real mudança no comportamento das pessoas. Hoje a grande maioria das escolas só reproduz o que já vemos de paliativo: reciclar, diminuir etc. Mas não ensinam conceitos de planejamento, como os propostos na permacultura. Não ensinam a valorização e respeito à vida – das outras pessoas, dos outros animais, do planeta.

Das soluções encontradas e mostradas no documentário, qual você considera a mais criativa? Por quê?

O aquecedor solar de baixo custo, porque é possível economizar até 80% de energia elétrica do chuveiro. E o aquecedor só utiliza cano e forro de PVC, cola de PVC e uma caixa d'água. São materiais simples e de custo baixo. E as pessoas vão economizar dinheiro e os recursos naturais. 

É possível para qualquer pessoa adotar soluções práticas e sustentáveis em casa? De que modo isso pode ser feito?

Sim, é possível. Logicamente cada indivíduo tem suas limitações, sejam territoriais, climáticas, ou até mesmo pessoais. Mas cada atitude faz a diferença e rapidamente estas práticas se tornam comuns e prazerosas. Eu e o roteirista, Thiago Tognozzi, moramos e trabalhamos durante 3 anos (2007 a 2011) em um Laboratório de Permacultura Urbana, a Casa dos Hólons, que fica em São Paulo, no bairro de Campo Belo. Eu já tinha experiência de viver dessa forma, mas o Thiago só teve contato com tudo isso lá. Nós praticávamos diariamente a reutilização dos resíduos da cozinha. O esgoto da casa era tratado num sistema de biológico de raízes, chamado Fossa Séptica Círculo de Bananeiras, captação da água da chuva para limpeza e rega das plantas. Havia também um banheiro seco compostável e um teto verde que plantávamos ervas medicinais, legumes e hortaliças. As Eco-cabanas onde morávamos foram construídas 99% com materiais recolhidos na rua. E nosso estilo de vida era de trabalhadores autônomos do meio audiovisual. Ou seja, sempre tivemos uma vida bem urbana e corrida. Mas isso não nos impediu de viver bem. Aliás, muito bem! Você fica com a consciência leve, quando vive dessa forma. A melhor maneira de praticar tudo isso é ter atitude. Buscar conhecimento, informação. Na internet tem muito material sobre todas essas ferramentas. E instituições como a UmaPaz, localizada no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, são verdadeiros pontos de encontro de quem quer saber o que fazer. Não deveremos esperar por iniciativas do governo, ou mesmo das empresas. Faça você mesmo! Aos poucos vá mudando, transformando sua casa. Se estiver construindo, melhor ainda! Procure bioarquitetos e soluções sustentáveis.

Como você avalia a posição do Brasil nesse sentido em termos do cenário mundial?

Infelizmente, o Brasil ainda está muito atrasado. O governo bate em teclas de medidas paliativas. Não incentiva a população com políticas públicas que respeitem o meio ambiente, nossa história e cultura. E somos um dos países mais ricos em biodiversidade. É triste! A hidrelétrica de Belo Monte é um ótimo exemplo de um governo que ainda não sabe aplicar a sustentabilidade de forma integral. Já existem muitas formas de geração de energia limpa, sem desalojar comunidades históricas e destruir florestas. Mas é preciso investimento, estudo e profissionais capacitados para implantar essas tecnologias na geração de energia em larga escala. É preciso também vencer a ganância de alguns grandes empresários e políticos. Vencer as indústrias do petróleo que boicotam e retardam todo tipo de evolução realmente sustentável. Precisamos agir.

Por que é tão importante essa preocupação com a sustentabilidade?

Extinção é para sempre! Sustentabilidade, para nós do "Ecohabitat", é a palavra e ação que garante a sobrevivência de todas as espécies do planeta.  A energia limpa garante nosso convívio harmonioso com o meio ambiente, sem deixar de lado o conforto e a tecnologia que somos totalmente dependentes! O ser humano já foi responsável pela extinção de vários seres e por vários desastres ecológicos. A energia limpa proveniente do sol, do ar, das ondas do mar e de eletroimãs por não ser tóxica e por não desperdiçar os recursos naturais traria uma abundância para todo planeta, disponibilizando mais tecnologia para cada ser humano gerando mais riqueza e felicidade.

Certamente, há material que ficou de fora do documentário. Você pretende dar algum destino para ele?

Nosso material extra estará disponível no site ecohabitat.tv.br. E em 2012 faremos uma nova versão para festivais de cinema ambiental.

 

Publicado em 03/01/2012

Cantora Luzia estreia em CD com aposta na delicadeza e no mar



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Capa do primeiro CD de Luzia Dvorek: delicadeza como marca (©Reprodução)

A estreia da cantora paulista Luzia Dvorek acontece cercada de expectativas, que são correspondidas à altura. O álbum homônimo é marcado principalmente pela delicadeza e pela voz mansa e cristalina da socióloga, filha de artista plástico e diretora teatral, que chamou atenção ao chegar à semifinal de um festival de música realizado pela TV Cultura.

O talento é inquestionável e já foi devidamente reconhecido até pelo inglês Sting, que teve o sucesso "Fields of Gold" transformado na versão "Ouro e Sal", escrita por Zeca Baleiro e Lui Coimbra, que é uma das faixas mais contagiantes do disco.

Produzido por Alê Siqueira, o álbum é bastante diversificado e foi registrado no estúdio Ilha dos Sapos, em Salvador (BA), pertencente a Carlinhos Brown, que participa de "Cantiga de Menina", de Breno Ruiz e Paulo Cesar Pinheiro,e que começa com o ruído das ondas do mar. Considerado espécie de padrinho do trabalho, Brown também é o compositor da faixa seguinte "Pestaneja", que remete ao cantar de artistas como Vanessa da Mata. O universo percussivo nordestino, com referências ao mar e à ciranda, aparece também em "Minha Sorte", de Rafael e Rita Altério. 

Há também uma pegada mais delicada em "Ilusão da Casa", de Vitor Ramil: "As imagens descem como folhas/ No chão da sala/ Folhas que o luar acende/ Folhas que o vento espalha/ ... / Eu sei/ O tempo é o meu lugar/ O tempo é minha casa/ A casa é onde quero estar". É o mesmo que se sente na linda regravação "De Amor Eu Morrerei, de Dominguinhos e Anastácia, transformada quase numa cantiga para ninar, marcada pela sanfona de Marcelo Jeneci, e na romântica "Pássaro Solto", de Vicente Barreto e Paulo César Pinheiro: "O que eu sei de amor não saberia/ Sem um trecho de poesia/ Sem um verso de canção".

Marcelo Jeneci também toca teclados em "Amador", marcada por uma emocionante veia oriental, graças aos gongos melódicos de Sergio Reze (que toca bateria em outras faixas), ao koto e shamisen shen de Tamie Kitahara, e o shakuhachi de Shen Ribeiro. O que comprova a grande preocupação de Luzia com a musicalidade das canções, cercando-se de ótimos instrumentistas, caso do arranjador Lincoln Olivetti, do violonista Paulo Dáflin, do percussionista Boghan Gaboott, do tecladista Bruno Aranha e do flautista Uibitu Smetak, entre outros. 

André Mehmari é outro convidado como tecladista de "Choro das Águas", que também conta com a participação especial de Ivan Lins, que a compôs com Vitor Martins: "Esse meu choro não cabe no peito/ Arde por dentro e rola na face/ Molha por fora e estraga o disfarce/ Lava esse coração". O álbum termina com o forte coro feminino da graciosa "No Colo da Lua Cheia/ Novo Amor", de Roque Ferreira, Edu Krieger e Paulo Dáfilin, que toca violões: "Com a cara e a coragem/ Meu coração foi embora/ Meu coração coroado/ No colo da lua cheia/ Presa do fogo encantado/ Caiu no canto de uma sereia".

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Publicado em 03/01/2012

'Superpoder' de Patrícia Ahmaral acerta na escolha do repertório



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Novo disco de Patrícia Ahmaral, preciso entre regravações e inéditas, ao lado de músicos de primeira linha (©Reprodução)

A força de um belo álbum pode estar justamente na seleção das canções gravadas, de acordo com a voz da intérprete e com o momento que se vive. Assim é "Superpoder", terceiro trabalho da cantora Patrícia Ahmaral, que retorna às gravações após uma ausência de sete anos. Os trabalhos anteriores haviam sido "AH!", de 1999, e "Vitrola Alquimista", de 2004. "Pra correr um susto basta para a alma o querer", explica a artista, no prólogo do novo CD.

O álbum começa com o pop "Sexto Andar", de Carlos Tê e Hélder Gonçalves: "Uma canção tocou no rádio / E quando o seu sentido / Parecia se apagar / Nos ponteiros do relógio / Encontrou num sexto andar / Alguém que julgou / Que era para ele / Em particular". Em seguida, vem a acachapante faixa-título, composta pelo versátil Lula Queiroga e marcada pela bateria de Arthur Rezende, o baixo de Felipe Fantoni, os teclados de Adriano Magoo, as guitarras de Egler Bruno e o trompete de Juventino Dias. 

O mesmo pode ser afirmado com relação ao acordeonista Tatá Sympa, ao rabequeiro e ao Bruno Santos, que toca alfaia, triângulo, reverbe de mola, bateria e reco-reco, na fortíssima versão de "Espelho Cristalino", de Alceu Valença. Outra versão arrasadora é a do clássico "Mamãe Coragem", de Caetano Veloso e Torquato Neto: "Mamãe, mamãe, não chore / A vida é assim mesmo eu fui embora". Semelhante impacto é provocado pela nova roupagem de "Alucinação", de Belchior, equipada com os fantásticos violinos de Júnior Gaiato e a pandeirola de Bruno Santos. Há também a doce cantiga "O Tempo Vai Apagar", de Paulo César Barros e Getúlio Cortes, e recuperada do repertório do "rei" Roberto Carlos.

A maioria das faixas tem arranjos e programações do craque Fernando Nunes, que se destacou como músico de Cássia Eller e Zeca Baleiro, entre outros, e também é o produtor do álbum. Esse é o caso da doce "Desejo de Flor", de Wander Lee. Outra canção de lírico romantismo é "Eu Mandei Meu Amor Pro Espaço", de Totonho, nascido no sertão paraibano e considerado uma das mentes mais criativas da nova música brasileira.

Lucinha Turnbull, conhecida como parceira de Rita Lee nos tempos da banda Tutti Frutti, é a compositora e vocalista do rock ensolarado "Trilha de Luz", ótimo para aquecer o verão e ser tocada nas serenatas noturnas e no Youtube. Outra participação especial é a de Chico César, no rap repentista com certa pegada árabe "Sorry, Baby", da própria Patrícia Ahmaral, que é a compositora também de outras três faixas – a cantiga sensual "Do Querer", "O Olho Infinito" e "Revoada", parceria com Vander Lee. Para completar, há o pop suingado "De Romance", composto por Zeca Baleiro.

Com voz rara, Patrícia Ahmaral chega com competência ao terceiro álbum, comprovando que a realização de um grande trabalho começa na escolha do repertório. Algo que está muito presente no cotidiano de uma artista que já realizou três óperas como solista, ao lado da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mas ficou conhecida do grande público, em 1997, como intérprete do tema de abertura da telenovela "Xica da Silva", da Rede Manchete.

 

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Publicado em 30/11/2011

Pensão que reuniu contracultura brasileira ganha livro



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Livro de Toninho Vaz, "Solar da Fossa' é um retrato da efervescência cultural e política dos anos 1960 e 1970 (Reprodução)

Quem chega ao bairro de Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, dificilmente imagina que onde hoje fica o imponente shopping Rio Sul existia uma pensão de 85 apartamentos, que serviu de moradia para os até então pouco conhecidos músicos Caetano Veloso, Pauinho da Viola, Gal Costa, Gilberto Gil, Tim Maia, Hyldon, Jards Macalé, Zé Rodrix e Guarabyra; os atores Antonio Pedro, Cláudio Marzo, Betty Faria e Darlene Glória; o diretor de teatro Aderbal Freire Filho, o poeta Paulo Leminski, o futuro político Cristovam Buarque e o futuro escritor Paulo Coelho. Esse é o tema do ótimo livro “Solar da Fossa – Um território de impertinências, ideias e ousadias”, escrito por um dos ex-moradores, Toninho Vaz.

Eficiente retrato de época, com prefácio assinado por outro morador ilustre, o jornalista Ruy Castro, “Solar da Fossa” reúne histórias divertidíssimas, relatadas com muito bom-humor e no ritmo preciso por Toninho Vaz. É impossível abandonar esse livro antes da última página e não se divertir imaginando, por exemplo, as avassaladoras noites de amor do tradicional sambista Zé Kéti. Ou então não se envolver com a história do caso de Darlene Glória com o chefão do Esquadrão da Morte, com quem teve um filho. Também é irresistível imaginar os rapazes sofrendo apaixonados pela belíssima atriz Ítala Nandi, que não dava bola para qualquer um deles.

Porém, nem tudo é tão divertido assim. Muito pelo contrário. O Brasil vivia os terríveis anos de chumbo, a truculência do regime militar e a tortura. Assim, a pensão funcionava como um dos últimos redutos de liberdade, ousadia e irreverência. Não è à toa que foram inúmeras as tentativas de acabar com aquela festa, o que acabou de fato ocorrendo e que foi retratado pelos jornais da época mais pelo folclore que envolvia o local, do que pelo valor histórico e arquitetônico do casarão, o que é muito bem questionado por Toninho Vaz.

Além das histórias e do folclore que cercou o Solar da Fossa, Toninho Vaz retrata os principais acontecimentos do período e como eles refletiam ali. Portanto, há referências desde a morte do romancista Guimarães Rosa até as polêmicas eliminatórias dos festivais da música popular brasileira. Não fica de fora o exílio político, a morte do então deputado Rubens Paiva nos porões da ditadura e a prisão dos integrantes do jornal “O Pasquim”, que era outro foco de resistência da época.

A pensão foi tão marcante que apenas Caetano Veloso a menciona no clássico “Panis et Circensis”: “Mandei plantar / Folhas de sonho no jardim do Solar / As folhas sabem procurar pelo sol / E as raízes procurar, procurar”. E compôs ali “Paisagem Útil” e “Alegria, Alegria”, que se tornou espécie de hino dos estudantes. Já Paulinho da Viola se inspirou naqueles ares para criar “Sinal Fechado”. Paulo Leminski, por sua vez, escreveu ali boa parte do romance “Catatau”, cujo nome, aliás, surgiu naqueles corredores. Hoje é um clássico indispensável da literatura brasileira. Também sofreram influência daquela efervescência sucessos como “Soy Loco Por Ti América”, de Gilberto Gil e Capinam, e “Azul da Cor do Mar”, de Tim Maia.

“Solar da Fossa”, portanto, é um documento indispensável para quem se interessa pelos bastidores da cultura brasileira, mas também para traçar um retrato de um dos períodos mais efervescentes e conturbados da história do país. Talvez justamente por isso seja tão triste ler as últimas páginas, que descrevem a invasão da polícia, e o casarão sendo abandonado e depois demolido. “Quando a demolição estava acontecendo por trás dos tapumes, a gente passava de ônibus e ficava imaginando os operários encontrando as malas enterradas com livros proibidos, verdadeiros catecismos anticapitalistas. Tudo agora sacudido por retroescavadeiras e bate-estacas. Ironia do destino”, tão bem descreveu um dos moradores, Paulo Romeu.

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Publicado em 30/11/2011

Documentário faz retrato sublime de quebradeiras de coco



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Cena de "Quebradeiras", documentário que mostra dignidade e beleza na vida de mulheres endurecidas pelo trabalho (Foto: Divulgação)

Com bastante atraso, chega aos cinemas de São Paulo e Rio de Janeiro, nessa sexta-feira (2), o documentário "Quebradeiras", realizado por Evaldo Morcazel, em 2009. Sem a utilização de diálogos e depoimentos, o que é tão comum nesse gênero de filme, o realizador traça um profundo retrato do cotidiano das quebradeiras de coco de babaçu da região do Bico do Papagaio, que engloba trechos dos estados do Maranhão, Tocantins e Pará.

Esse cotidiano é marcado principalmente por muito trabalho, alguns momentos de diversão e também de religiosidade. As expressões e movimentos dessas mulheres tão fortes dispensam mesmo quaisquer declarações e falas, muitas vezes vazias. Tanto que uma das imagens mais bonitas é a da pequenez delas diante da natureza exuberante.

De forte influência do cineasta russo Serguei Eisenstein, a montagem, assinada por Marcelo Moraes, se vale da livre associação de imagens aparentemente desconexas, mas que, ao serem unidas, criam um terceiro sentido poético. É o caso, por exemplo, da imagem da dança dos cabelos de uma das quebradeiras num rio, unida a dança das folhas do coqueiro provocada pelo vento. A liberdade de um banho nu também é associada ao fruto do sustento e à amamentação. Não há aqui qualquer dose de erotismo e, talvez justamente por isso, aquelas mulheres maltratadas pela vida ganham uma beleza e uma sensualidade inesperadas.

Esse aspecto é bastante reforçado pela edição de som, realizada por Miriam Biderman, Ricardo Reis e Ana Chiarin, que torna aquela realidade ainda mais dura e acentua os ruídos provocados pelo trabalho, associada à trilha sonora de Thiago Cury e Marcus Siqueira. Durante boa parte do tempo, as cantadoras interpretam cantigas populares e regionais, que remetem ao trabalho. Um dos momentos mais sublimes é aquele que associa os passos dos dançarinos de uma ciranda com os movimentos braçais das quebradeiras. Não é à toa que o som foi premiado no 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, assim como a direção e a fotografia. O documentário também venceu o 22º Rencontres de Cinémas d’Amérique Latine de Toulouse, na França.

"Quebradeiras" confirma o talento de Evaldo Morcazel como um dos mais importantes documentaristas do cinema brasileiro. Capaz de encontrar beleza e poesia nas mais diferentes realidades, ele coloca em xeque códigos estabelecidos da linguagem cinematográfica, foge das convenções e obtém resultados singulares. Esse é o caso, por exemplo, dos sem-teto de São Paulo, retratados em "À Margem do Concreto", de 2005; e de "O Cinema dos Meus Olhos", a respeito da relação dos críticos e realizadores com o cinema. É bastante merecido, portanto, o fato de esse nem tão novo documentário ser dedicado ao professor, historiador e apaixonado pelo cinema brasileiro, Jean-Claude Bernardet.

Assista ao trailer do premiado filme de Morcazel:



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Publicado em 30/11/2011

Grupo teatral de sindicalistas de São Paulo convence em peça de Harold Pinter



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

O próximo final de semana (2, 3 e 4) é a última oportunidade para assistir de graça, em São Paulo, a ótima montagem do espetáculo “Esse é o Seu Problema”, uma coletânea de textos do dramaturgo inglês Harold Pinter. A direção é de Celso Frateschi e o elenco é todo formado por funcionários e diretores de sindicatos e da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Durante um ano e dois meses, eles frequentaram aulas de teatro no Sindicato dos Químicos, na Aclimação (zona central da capital), e agora adotam o nome Nóis Não Usa Black Tie para o grupo. O espetáculo conta com sete ótimas esquetes que mostram situações bastante comuns no cotidiano de uma grande cidade.

O início e o final são pautados por espécies de reflexões a respeito das agruras da vida feita por um rapaz. Em seguida, 12 atores aparecem comendo, sentados em banquetas. Duas mulheres conversam a respeito das linhas de ônibus que costumam utilizar. Nesse caso as referências são adaptadas para São Paulo. Em seguida, uma mulher diz ter sido assediada num ponto de ônibus, mas, no final, surpreende a todos ao encontrar um policial.

Também é irresistível a esquete em que o chefe de uma empresa acredita ser inventor de grandes maravilhas, até que resolve questionar dois funcionários a respeito de como é visto pelos demais e descobre justamente o contrário. Com um humor afiadíssimo é que vai se construindo o espetáculo. 

O cenário é bastante simples e todos os atores mostram-se dispostos a ajudar os outros e movimentar e mudar de lugar o que for necessário. Assim, se o texto é de qualidade inquestionável, a maneira como ele é interpretado de modo eficaz e convincente surpreende muito positivamente. Eis, portanto, uma ótima prova de que bom teatro não se faz apenas com grandes pirotecnias, mas com atores esforçados, talentosos e apaixonados pela arte de representar.

Serviço
Esse é o seu Problema – sexta e sábado, 2 e 3, às 21h; domingo, 4, às 20h
Grátis
Teatro Ágora – Rua Rui Barbosa, 672, Bela Vista. São Paulo/SP
T: (11) 2108-9242

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Publicado em 29/11/2011

Stéphane Sanjuan comemora 10 anos de Brasil no Cordão do Bola Preta



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

O músico que está no Brasil há 10 anos, se apresentará nesta quarta-feira (31) no Centro Cultural Cordão do Bola Preta (Foto: Divulgação /©Eduardo Martino)

O músico francês Stéphane Sanjuan é definitivamente um apaixonado pelo Brasil. Veio para cá quando tinha 30 anos e agora comemora uma década em solos brasileiros com um show solo no Centro Cultural Cordão do Bola Preta, um tradicional centro ligado ao carnaval. A apresentação acontecerá nessa quarta-feira (30) e contará com a presença de amigos do artista, como Vanessa da Mata, Tulipa Ruiz e Moreno Veloso. A direção ficará por conta de Bia Lessa.

Nascido em Nancy, na França, em 1971, Stéphane Sanjuan morou em Montpellier, Londres e Mali, onde tocou com a dupla africana Amadou & Mariam. Já devidamente instalado no Rio de Janeiro, ele fez parte da Orquestra Imperial, de Os Ritmistas e do projeto +2, com Kassin e Moreno Veloso. Também viajou em turnê com Adriana Calcanhotto e Vanessa da Mata.

Agora ele prepara o primeiro disco solo, que terá produção de Kasisn & Berna Ceppas, e cujo repertório será apresentado no show. Nele, estão músicas como “Miroir”, parceria com Gustavo Ruiz; “Moments”, dele e de Alberto Continentino; e “Rue de mes souvenirs”, composta com Wilson das Neves.

Serviço
Stéphane Sanjuan & Amigos – quarta-feira, 31/11, às 21h. Ingressos de 20 a 40 reais.
Centro Cultural Cordão do Bola Preta – Rua da Relação, 3. Centro. Rio de Janeiro/RJ.T: (21) 2240-8099


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Publicado em 29/11/2011

Carlinhos Brown lança dois álbuns no Ibirapuera



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

O baiano Carlinhos Brown se apresenta sábado (3) no Auditório Ibirapuera em São Paulo (Foto: ©Divulgação/ Melinda Lerner)

O cantor, compositor e percussionista baiano Carlinhos Brown apresenta seus dois mais recentes CDs, “Adobró” e “Diminuto”, no próximo sábado (3), no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo. No repertório do show, também estarão sucessos acumulados em mais de 30 anos de carreira, como “A Namorada”, “Não é Fácil” e “Argila”.

O projeto “Romântico Ambiente” foi selecionado no Edital Nacional 2009 do Natural Musical para o patrocínio de gravação e lançamento dos dois CDs e de uma turnê de shows, que termina em 2012. No palco, Carlinhos Brown é acompanhado por Gerson Silva (guitarra e cavaquinho), André Magalhães (teclados e samples), Jelber Oliveira (teclados e baixo), Tito Oliveira (bateria e bateria eletrônica), Dede Reis e Élber Barbosa (percussão).

Serviço
Carlinhos Brown – Romântico Ambiente – Sábado, 3/12, às 21h. Ingressos de 10 a 20 reais.
Auditório Ibirapuera – Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n. Portão 2. Parque Ibirapuera. T: (11) 36291075.

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Publicado em 26/11/2011

Centenário de Mário Lago é lembrado com festas no Rio e em São Paulo



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Se estivesse vivo, Mário Lago completaria neste sábado (26), 100 anos. Porém, faz dez que ele se despediu deste mundo (em 30 de maio de 2002), deixando uma das obras mais completas da cultura brasileira. Em 90 anos, o carioca atuou como ator, advogado, poeta, radialista e letrista. Para comemorar a data, uma série de eventos, lançamentos de CDs e um documentário dirigido por Marco Abujamra estão programados. 

É neste sábado de seu centenário que acontece o Projeto Mário Lago – Homem do Século XX e Cordão do Bola Preta, na sede do cordão, no Rio. Na ocasião haverá um baile de lançamento do CD "Folias do Lago", com o Cordão do Boitatá, João Roberto Kelly e Chamom apresentando sucessos de carnaval compostos pelo artista.

Em São Paulo, a festa está marcada para a próxima sexta-feira, 2 de dezembro, como parte do projeto "O Autor na Praça", na Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima, com exibição de vídeos, música e leituras de textos e poemas, a partir das 19 horas.

Formado em Direito pela Universidade do Brasil, em 1933, Mário Lago era marxista convicto e foi preso sete vezes por razões políticas, em 1932, 1941, 1946, 1949, 1952, 1964 e 1969. Inclusive, em 1964, ele teve os direitos políticos cassados pelo regime militar e perdeu as funções que exercia na Rádio Nacional. Uma das últimas participações políticas foi em 1998, quando foi âncora dos programas eleitorais de Luiz Inácio Lula da Silva, que era candidato do Partido dos Trabalhadores, ao qual sempre manifestava apoio e simpatia desde 1989.

As artes surgiram na vida dele aos 15 anos, quando publicou o primeiro poema. Mas a relação profissional veio logo após se formar, quando se envolveu com o teatro de revista. A primeira composição foi "Menina, eu sei de uma coisa", criada com Custódio Mesquita, gravada por Mário Reis em 1935. A parceria obteve o primeiro sucesso três anos depois, quando Orlando Silva gravou "Nada Além". Depois vieram "Ai que saudades da Amélia" e "Atire a primeira pedra", ambas de Mário Lago e Ataulfo Alves; e a marcha carnavalesca "Aurora", parceria com Roberto Roberti, consagrada na voz de Carmem Miranda.

Grande nome do teatro, do cinema e da televisão, Mário Lago atuou em vários clássicos dos diferentes meios. A estreia no teatro aconteceu em 1942, como ator da peça "O Beijo no Asfalto", de Nelson Rodrigues. Na televisão, atuou em telenovelas e minisséries como "Selva de Pedra" (1972), "Pecado Capital" (1975), "O Casarão" (1976), "Dancin’Days" (1979), "O Tempo e o Vento" (1985), "Grande Sertão: Veredas" (1985), "O Salvador da Pátria" (1989), "Barriga de Aluguel" (1990) e "Hilda Furacão" (1998).

Entre os filmes em que participou, estão marcos do Cinema Novo, como "O Padre e a Moça" (1966), de Joaquim Pedro de Andrade; "Terra e Transe" (1967), de Glauber Rocha; e "São Bernardo" (1971), de Leon Hirszman. Também escreveu quatro livros, além de roteiros e argumentos para o cinema, caso de "Banana da Terra" (1939), em parceria com João de Barro, o Braguinha. Um ano antes de morrer, ele foi enredo da escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz.

Serviço
Projeto Mário Lago – Homem do Século XX
sábado, 26/11, a partir das 22 horas. Ingressos de R$ 10 a R$ 20 reais, e venda do CD.
Sede do Cordão do Bola Preta – Avenida 13 de Maio, 13, Centro. Rio de Janeiro.
T: (21) 2240-8099
O Autor na Praça
sexta-feira, 2/12, a partir das 19 horas. Grátis.
Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima – Avenida Henrique Schaumann, 777, Pinheiros. São Paulo.
T: (11) 3082-5023 / 3063-3064


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Publicado em 26/11/2011

Última chance de ver exposição sobre Chaplin em São Paulo



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

A última oportunidade para ver a mais completa exposição a respeito do cineasta e ator Charles Chaplin apresentada no Brasil é nesse domingo (27), de graça, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. A mostra “Chaplin e sua Imagem” reúne mais de 200 documentos a respeito do artista, entre capas de revistas, desenhos, cartazes de filmes e muitas fotografias e trechos de filmes e de documentários.

A exposição - que já rodou pela Europa, México e Estados Unidos, sempre com curadoria do francês Sam Stourdz, amigo da família do artista - é uma ótima oportunidade de penetrar no universo audiovisual criado por um dos mais importantes nomes da arte cinematográfica, que nasceu em 1889, em Londres, e faleceu em 1977, em Corsier-sur-Vevey, na Suíça.

Por incrível que pareça, ele não tem uma filmografia tão extensa – são cerca de 70 curtas e médias-metragens e apenas nove longas-metragens. Porém, ela foi extremamente marcante ao ponto de ser reverenciada até hoje. Muito em função do carisma desenvolvido pelo personagem Carlitos e pela maneira inovadora como retratou, por exemplo, o resultado da Revolução Industrial, em “Tempos Modernos”, e os regimes totalitários, em “O Grande Ditador”.

Em 15 de agosto de 1919, Charles Chaplin parecia explicar o objetivo do trabalho desenvolvido por ele, em entrevista reproduzida na exposição: “Eu sempre tento criar o inesperado de uma nova maneira: se eu tiver a sensação de que o público está esperando que eu desça a rua a pé, de repente, eu pulo em um carro. Se eu quiser atrair a atenção de alguém, em vez de tocar-lhe o ombro ou chamá-lo, encaixo minha bengala debaixo de seu braço e puxo-o gentilmente em minha direção. Imaginar o que o público está esperando e depois fazer diferente é puro prazer para mim”. 

O resultado sempre foi extremamente eficiente, como é possível conferir nos curtas-metragens e nos trechos dos filmes exibidos na mostra, caso da famosa luta de boxe de Carlitos em “Em Busca do Ouro”, de 1925. A respeito desse filme, é interessante observar as informações referentes ao designer de set David Hall, que reproduziu a Sierra Nevada em estúdio, quando o gelo foi criado por 200 toneladas de gesso, 285 toneladas de sal e 100 barris de farinha.

Na mesma seção, é possível conferir também o raro curta-metragem “Ombros, Armas!”, de 1918, em que Carlitos aparece fantasiado de árvore e provocando os transeuntes. Outro destaque é o curta-metragem “Carlitos O Cubista”, criado pelo artista plástico cubista francês Jules-Fernand-Henri Léger.

Há pelo menos mais dois objetos na mostra que merecem atenção especial – as raras unidades das revistas em quadrinhos francesas estreladas por Carlitos e as imagens de anônimos tentando imitar os passos do personagem diante do próprio Chaplin.

Além do modo particular de andar, Carlitos também ficou marcado por pelo menos dois acessórios – a bengala e o chapéu. “Eu não tinha ideia do personagem. Mas no momento em que me vesti, as roupas e a maquiagem me fizeram sentir a pessoa que ele era. Comecei a conhecê-lo e, no momento em que entrei no palco, ele havia nascido de forma completa”, explicou o próprio artista, em sua autobiografia de 1964.

Porém, se é inquestionável o imenso sucesso obtido por Carlitos, o próprio curador é enfático ao destacar que “Chaplin sabia melhor do que ninguém que Carlitos estava fadado ao cinema mudo. O vagabundo inventara sua própria linguagem, uma que todos compreendiam, e foi essa abolição das fronteiras lingüísticas que o tornaram universal”.

Se Chaplin resistiu ao máximo a utilizar o som em seus filmes – a primeira vez foi com Carlitos cantando num idioma inventado em “Tempos Modernos” –, sua obra será eternamente reverenciada, justamente por ser facilmente compreendida por pessoas de diferentes origens e faixas etárias. 

Desse modo, a exposição é muito mais focada no personagem imortalizado por Charles Chaplin do que na vida desse artista de trajetória difícil e conturbada, como pode ser verificado no ótimo filme estrelado por Robert Downey Jr. e dirigido por Richard Attenborough, em 1992. Mesmo assim, ela precisa ser visitada por todos os adoradores de Carlitos e do cinema e merece ser levada a outros lugares do país.

Serviço
Exposição “Chaplin e sua Imagem” – Último dia – domingo, 27/11, das 11 às 20 horas. Grátis.
Avenida Faria Lima, 201, Pinheiros. São Paulo. T: (11) 2245-1900

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Publicado em 24/11/2011

Clint Eastwood tem filmografia reunida no CCBB de São Paulo



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Cartaz de Gran Torino, filme de Eastwood em cartaz na mostra do CCBB (Reprodução/Divulgação)

Que ele é um dos mais aclamados e premiados atores e diretores do cinema mundial, não há dúvida. Agora será possível relembrar o que o norte-americano Clint Eastwood, de 81 anos, realizou de melhor. O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), exibe, entre 7 e 30 de dezembro, em São Paulo, a mostra “Clint Eastwood – Clássico e Implacável”, que reúne 42 filmes estrelados e/ou dirigidos por ele, e é considerada a maior mostra já dedicada ao astro.

Com carreira ampla e versátil, o ator Clint Eastwood, nascido em São Francisco em 1930, começou a ganhar destaque como o pistoleiro sem nome nos western spaghetti do diretor italiano Sergio Leone. Esse é o caso de “Por Um Punhado de Dólares”, de 1964; “Por Uns Dólares a Mais”, de 1965; e “Três Homens em Conflito”, de 1966.

Já na década de 1970, ele se destacou como o detetive nada convencional Dirty Harry, que estrelou os filmes “Perseguidor Implacável”, dirigido por Don Siegel em 1971; e “Dirty Harry na Lista Negra”, realizado por Buddy Van Horn de 1988.

Confira a galeria de fotos de filmes de Clint Eastwood.

Clint Eastwood tornou-se diretor em 1971, com o policial “Perversa Paixão”. Depois vieram os pouco conhecidos faroestes “Josey Wales, o Fora-da-Lei”, de 1976; e “O Cavaleiro Solitário”, de 1985. Todos poderão ser vistos na mostra.

O primeiro filme de prestígio foi “Bird”, de 1988, cinebiografia do músico Charlie Parker, indicada à Palma de Ouro em Cannes. Mas a consagração veio mesmo com “Os Imperdoáveis”, vencedor do Oscar de melhor filme em 1992. O feito foi repetido em 2004 com “Menina de Ouro”. 

Também merecem ser vistos ou revistos “Um Mundo Perfeito”, de 1993, com Kevin Costner; “As Pontes de Madison”, de 1995, com Meryl Streep; “Sobre Meninos e Lobos”, de 2003, com Sean Penn; “A Conquista da Honra” e “Cartas de Iwo Jima”, ambos a respeito da Segunda Guerra Mundial e lançados em 2006; e “Gran Torino”, de 2008.

Ficou de fora o ainda inédito “J. Edgar”, cinebiografia do diretor do FBI J. Edgar Hoover, estrelada por Leonardo Di Caprio e que estreia esse mês nos Estados Unidos, já sendo apontada como forte candidata ao Oscar 2012. A mostra “Clint Eastwood – Clássico e Implacável” segue para Brasília, onde ficará em cartaz no CCBB, entre 13 de dezembro e 8 de janeiro.

Serviço
Mostra Clint Eastwood – Clássico e Implacável
Entre 7 e 30 de dezembro. Ingressos de R$ 2 a R$ 4.
Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) – Rua Álvares Penteado, 112. Centro, São Paulo.
Tel: (11) 3113-3651 e 3113-3652

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 24/11/2011

Documentário "Leite e Ferro" retrata mães presidiárias



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

O Centro de Atendimento Hospitalar à Mulher Presa (CAHMP), uma instituição em São Paulo para abrigar presidiárias em fase de aleitamento após dar à luz, é o cenário do documentário “Leite e Ferro”, primeiro trabalho da diretora Cláudia Priscila, que estreia nesta sexta-feira (25) nos cinemas. Em 2010, o filme foi premiado como melhor documentário e como melhor direção de documentário no festival de Paulínia. Em 2011, ele ganhou o Grande Prêmio na Mostra Competitiva Internacional e Destaque Feminino na Competitiva Nacional do Festival Internacional de Cinema Feminino (Femina).

O tema do filme bem poderia ser definido como o retrato de um terrível rito de passagem. Afinal, se a Justiça permite a essas mães presidiárias amamentarem seus filhos pouco após o nascimento, é terrível imaginar que pouco tempo depois eles se separarão, com as mulheres retornando para os presídios e os menores sendo enviados para instituições de caridade, até serem adotados. Porém, uma das maiores proezas de Cláudia Priscila é não tomar partido, nem fazer julgamentos ou falsos moralismos, preferindo partir para a realidade nua e crua. É o que torna o tema ainda mais emocionante.

Bastam poucos minutos para que o espectador se veja envolvido com Daluana, apelido da primeira presidiária entrevistada, que namorou Pixote na infância e se envolveu e teve um filho com o traficante Da Lua, que tinha cerca de quarenta anos, enquanto ela tinha pouco mais de dez. É a segunda vez que ela se encontra no CAHMP para amamentação e, de certo modo, conduz a narrativa e apresenta as outras personagens, que relatam e discutem, em muitos momentos com bom humor, temas como fidelidade, maternidade, sexo, amor, violência policial, drogas e religião. 

Vale a pena prestar atenção, por exemplo, no depoimento de uma das presidiárias que teve acesso a uma grande quantidade de cocaína quase totalmente pura, a qual vendeu para duas pessoas que tiveram overdose em seguida. É emocionante o momento em que cada uma das mães explica a escolha do nome dos filhos. Outro aspecto que chama muito a atenção é o apego de cada uma delas a religião, tanto que passam boa parte do filme fazendo orações em conjunto ou individualmente.

Em termos técnicos, não há muitas variações de planos, uma vez que se dá preferência aos planos aproximados nas mães que contam as histórias e a um plano geral quando elas estão todas reunidas. A câmera também passeia pelos corredores e dependências do local, na maioria das vezes iluminadas pela própria luz do dia. Também há muitos closes aproximados nos rostos dos bebês, numa tentativa talvez de aproximar o espectador ainda mais daquela realidade. 

Mesmo sabendo que aquelas mães se envolveram em crimes, é impossível não ir, aos poucos, simpatizando com cada uma delas ou pelo menos tentando compreender o que as levaram até ali. Uma realidade que parecia tão distante torna-se assim muito próxima e compreensível para qualquer espectador. Portanto, se a função primordial de um documentário é iluminar realidades desconhecidas ou emitir para elas novos olhares, “Leite e Ferro” cumpre esse objetivo de modo extremamente eficaz e emocionante.

Assista a seguir o trailler do filme de Cláudia Priscila



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Publicado em 24/11/2011

Banda pernambucana Eddie mistura eletrônica e praia em novo CD



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Os músicos do grupo de Pernambuco, Eddie: downloads gratuitos do novo disco, Veraneio (Reprodução)

“Sentar na areia branca entre os amigos / E falar sobre soluções para / Os problemas universais / Deixar que a tarde passe sossegada / Fazendo parte das evidências tropicais”. Essa é a melhor mensagem para o verão que se aproxima e pertence à música “Veraneio”, que é a faixa-título do quinto álbum da banda pernambucana  Eddie. O primeiro foi lançado em 1998.

Melhor do que ela só a ousadia de apresentar uma quinta faixa chamada “Intervalo”, que é instrumental acompanhada apenas pela voz de um integrante que parece deixar mensagem numa secretária eletrônica avisando estar tomando caipirosca de maracujá e que quer curtir o veraneio.

Ainda não entendeu a proposta da banda formada por Trummer (guitarra, voz e craviola), Rob Meira (baixo), Kiko Meira (bateria), Andret (teclados e trompete) e Alexandre Uréa (percussão e voz)? Pois retorne à primeira música, “Delírios Espaciais”, e sinta a vibração de um sintetizador agudíssimo, seguido por uma batida dançante, que remete ao black rio dos anos 70.

Há de tudo no álbum – frevo, samba, reggae, punk rock, surf music, manguebeat... A pitada setentista segue no reggae malemolente “O Saldo da Glória”, que conta com a participação do também pernambucano Otto e da amiga e cantora Karina Buhr, também presente em “Delírios Espaciais”.

O destaque é mesmo “Tantas Coisas Na Vida”, que vem acompanhada pelo desenho de uma garrafa no encarte. Nada mais apropriado para uma canção que tem um clima bem de boemia, graças aos vocais graves de Trummer: “São tantas coisas na vida / E a vida nos trazendo mais / Detalhes de outras conquistas, / Pessoas queridas ou do gosto do mar / Verdades que não foram ditas, / Ficaram esquecidas no banco de trás”.

A canção conta com a presença do flautista Hugo Hori e do cantor Junio Barreto, que retorna em “Parque de Diversões”, que remete à lambada dos anos 80. Outra participação especial é de Ernesto Vasconcelos, parceiro da canção, e que imita o locutor de um parque bem nordestino, com direito a barraca de maçã do amor e a mulher que imita macaco.

O clima festivo popular marca “Você Quer Frevar?”. A guitarra pesada dá o tom em “Casa de Marimbondo”. E a delicadeza é a força da balada “Ela Vai Dançar”, composta em parceria com outro conterrâneo, Lirinha, ex-Cordel do Fogo Encantado. Para terminar, nada melhor do que duas faixas instrumentais - um dub e um som bem tecno.

A produção é do consagrado Eduardo Bid e o disco pode ser baixado gratuitamente no site oficial da banda –  www.bandaeddie.com.br. O difícil é depois de ouvir tanta gente cantando a respeito do mar é olhar para fora do meu apartamento no centro de São Paulo e só ver um mar de prédios e o céu cinza, ameaçando chover.

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Publicado em 22/11/2011

'Titã' Sérgio Britto toca piano na praça em São Paulo



Por Guilherme Bryan

O músico Sérgio Britto, atração do Piano na Praça, em São Paulo (Foto: ©Marcelo Tinoco/Divulgação)

O cantor e tecladista Sérgio Britto, dos Titãs, será a atração principal do evento Piano na Praça, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo no sábado, 3 de dezembro, a partir das 15h. A abertura ficará por conta do pianista Fernando Zuben, que pretende revisitar clássicos da música brasileira, como “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso; “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira; e também da música pop, como “With Or Without You”, da banda irlandesa U2. O evento, ao ar livre, terá entrada franca.

Como não poderia ser diferente, boa parte do repertório do show de Sérgio Britto será formada por canções dos Titãs, como “Sonífera Ilha”, “Homem Primata”, “Marvin”, “Flores”, “Epitáfio” e “Enquanto Houver Sol”. Também estarão no set list “É Preciso Saber Viver”, de Roberto e Erasmo Carlos, e composições do álbum solo mais recente dele, “SP 55”, como “Pra Te Alcançar”, “Tradição”, “Aqui Neste Lugar”, “Ah, Muleke! (José)” e “Essa Onda Não Me Pega”.

Serviço
Piano na Praça
3 de dezembro (sábado), a partir das 15h. Entrada franca.
Praça Dom José Gaspar, s/n. Centro. Fone: (11) 3397-0160.

 

Publicado em 16/11/2011

Cinema e Curitiba se encontram nas crônicas de Luís Henrique Pellanda



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

O cronista curitibano Luís Henrique Pellanda, de 38 anos, parece ter uma vida bastante intensa. É a sensação que se fica ao ler a coletânea "Nós Passaremos em Branco", publicada pela Arquipélago Editorial. Músico, escritor, jornalista e colunista do jornal "Rascunho", ele entrelaça com maestria cinema e a cidade-natal em cada um dos textos. A presença das ruas do centro de Curitiba é tão forte que se tornou necessário colocar um mapa ao final do livro. Já o cinema aparece diante da amargura e do desespero ao ver as cenas de "Anticristo", de Lars Von Trier, como descreve em "Matar ou não matar"; e em "Conan, o milagreiro", quando relembra uma sessão lotada para ver "The Doors", de Oliver Stone, e traça um interessante paralelo com "Titanic" e a eleição de Arnold Schwarzenneger ao governo da Califórnia.

A maneira fechada do curitibano é abordada com um humor bastante particular em textos como "Inquilino morto não paga", no qual relata experiências com almas do outro mundo; "Pinheirinhos d’alegria", em que relata o convívio com o irritante coro típico da época de Natal; e "A mesa coletiva": "Ao entrar num restaurante como esse (o vegetariano que ele frequenta há quase dez anos), o maior medo de um curitibano é ‘incomodar-se’. Ou seja, sentar-se forçosamente à mesa coletiva e ser abordado por um forasteiro desavisado. Pode acontecer, e aí é adrenalina pura. Se você aparecer por lá num momento de pico, não tem erro: todas as mesas individuais já estarão ocupadas". Mas também não falta poesia, ao relatar, por exemplo, um passeio com a filha a uma praça, em que observa a briga de um casal, em "Palhaça, bandida, gostosa!".

"Viver demanda certa resignação; nesse sentido, morrer é menos chato, pois prescinde de nossa paciência. Até lá, espera-se – e é aí que moram o segredo e a aporrinhação. Na verdade, eu não ligo, sou dos fortes. Sento em frente ao monitor que anuncia as chegadas; as partidas não me interessam, não hoje", observa em "Volare". Mas engana-se quem imagina que paira sobre "Nós Passaremos em Branco" certa melancolia ou pessimismo, pois, mesmo quando as coisas não dão certo, como em "Two Bananas", em que relata uma entrevista que não deu certo com o diretor de cinema Francis Ford Coppola, o resultado é sempre surpreendente.

Fica-se com a ótima sensação de que a crônica, um dos gêneros literários mais fortes na literatura brasileira praticamente desde o final do século 19, continua mais vivo do que nunca e gerando novos nomes, que bebem muito bem na fonte de ícones como Rubem Braga e Fernando Sabino. A prova é Luís Henrique Pellanda, que tratou de reunir em livro os textos publicados originalmente no site Vida Breve, do qual é co-editor. A exceção é "O Diabo da Cruz Machado", crônica lançada na edição de junho de 2009 da revista "Curitiba Deluxe". No final, há uma fantástica e imperdível "Antologia dos Demônios de Curitiba", que dispensa comentários, pois o título já anuncia o que virá e estabelece uma ponte inevitável com o "vampiro de Curitiba", Dalton Trevisan.

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Publicado em 16/11/2011

Zé Renato reúne amigos e retrata natureza no CD 'Breves Minutos'



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Capa do novo disco do músico Zé Renato, o 17º de sua carreira (©Reprodução)

Não é de hoje que o músico, cantor e compositor capixaba Zé Renato mantém fortes ligações com as tradições da música popular brasileira. Ex-integrante do grupo Boca Livre, ele acaba de lançar o 17º álbum  de sua carreira, "Breves Minutos", em que reencontra velhos amigos como Joyce, Pedro Luís e Toninho Horta, e os parceiros de composições Lula Queiroga, Ivan Santos e Juca Filho, um dos autores do clássico "Toada (Na Direção do Dia)". Os músicos que o acompanham também são de primeiríssima linha e há canções produzidas com Ricardo Silveira e Dé Palmeira, ex-Barão Vermelho.

O álbum começa com "Sweet Gil", que retoma a linha dos vocalizes consagrados por conjuntos do início da década de 1980, como o próprio Boca Livre. Na seguinte, "Um Abraço no Japão", parceria com Joyce, estabelece-se uma ligação direta com o álbum anterior, "Papo de Passarim", lançado também neste ano e dividido com Renato Braz: "Ê matita perê / Traz notícias do povo de lá / Que eu quero saber / Chama uirapuru, sabiá / Saíra e tié / Passarinho de todo lugar". O passarinho, no caso quero-quero, aparece também na doce "Na Trilha do Meu Sonho", parceria com Pedro Luís, do grupo carioca Pedro Luís e a Parede. 

Pedro Luis é co-autor de "Imbora", que recupera as influências rurais: "Eta mundo besta sem porteira / Ou solução / Situação não tá pra brincadeira / Tanto nó pra desfazer / Tanto blue no coração / Mas o mundo tem merecimento". A candura segue em "Tá Legal", outra parceria com Joyce, que conta com a participação especial de Toninho Horta. A cantora e Zé Renato também dividem a autoria de "Desarmonia", que parece dialogar com canções de Vinicius de Moraes e o "Samba do Grande Amor", de Chico Buarque.

Uma das melhores canções é "A Cor do Anel de Isabel", composta com Lula Queiroga, que começa enigmática, com teclado e instrumentos de percussão, ganha uma alegria irresistível e é de onde foi retirado o título do álbum: "Isso pra mim era o céu / Diamântico de amor / Hoje eu conto nos dedos / Os breves minutos / Que o nosso romance / Durou". O clima épico também aparece em "Água Pra Quê", de Zé Renato e Ivan Santos, que conta com arranjo e regência de cordas de Jacques Morelenbaum, e começa com as crianças Lina e Benjamin lendo trechos da "Declaração Universal dos Direitos da Água".

Mas a música que melhor parece traduzir o espírito do álbum é "De Onde É Que Vem a Saudade?", outra parceria com Joyce, que mistura certo tom enigmático, pontuado pelo sax de Zé Nogueira, o vibrafone de Arthur Dutra, o órgão de Marcos Nimrichter, com a candura do violão do próprio Zé Renato, da bateria de Tutty Moreno e do baixo de Jorge Helder. "Mas de onde é que vem a saudade/ Nasce de um mistério qualquer / Não me dá tristeza / Por um minuto sequer", entrega a letra.

 guibryan1@redebrasilatual.com.br

 

Publicado em 16/11/2011

Consciência negra é tema de festival multimídia em Brasília



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Até 25 de novembro, Brasília abriga a sétima edição do Festival Cara e Cultura Negra, que conta com shows musicais, exposições, visitas guiadas, oficinas, palestras, teatro, dança e cinema, entre outras atrações. O evento acontece no mês da Consciência Negra e marca o Ano Internacional do Afrodescendente da Unesco. A programação prevê eventos no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, na Câmara Legislativa do Distrito Federal, no Setor de Diversões Sul, nas estações de metrô e na Praça Zumbi dos Palmares.

O objetivo do festival é ampliar os canais de participação da raça negra no desenvolvimento do país e também promover, além de preservar, a identidade cultural, social e econômica desenvolvida pelo povo negro na construção da sociedade brasileira. Nessa edição, o foco principal é a essência da Diáspora Africana. 

Entre as palestras, destacam-se Violência contra a Mulher – sexta (18), entre 15h e 19h, no Auditório da Câmara Legislativa; e Saúde da Mulher – segunda-feira (21), nos mesmos horário e local. Entre as exposições fotográficas destaques para  "As Dilmas" e os painéis "Mulheres Negras", na Câmara Legislativa; e a educacional "Cara e Cultura Negra", que pode ser visitada até sexta-feira (18), nas estações do metrô Central, Galeria, Praça do Relógio (Taguatinga) e 108.

Entre às 19h do sábado (19), e às 2h do domingo (20), a Praça Zumbi dos Palmares (Setor de Diversões Sul) será tomada por shows de bandas e cantores ligados à cultura africana, como Nãnan Matos, Zebulon Fya, Patu Batê, Orquestra Marafreboi, Pegada Black, Dhi Ribeiro, Renata Jambeiro e Rita Ribeiro.

Mais informações podem ser obtidas na Prefeitura do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), pelo telefone (61) 3321-7100.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

 

Publicado em 15/11/2011

Festival reúne cinema fantástico em São Paulo



Por Guilherme Bryan

Cena de "A Vida da Morte", curta de nove minutos (Foto: Dilvugação)

Um dos gêneros mais apreciados do cinema é o fantástico, que engloba ficção científica, horror e fantasia, e voltará a ser o centro das atenções durante a sexta edição do Cinefantasy, evento que será realizada entre 22 de novembro e 4 de dezembro, no Cinesesc, na Cinemateca Brasileira, no Centro Cultural São Paulo e na Biblioteca Viriato Corrêa, todos em São Paulo, com sessões das 16h às 23h59. Ao todo, serão mais de 130 títulos, de países como México, Argentina, Inglaterra, França, Estados Unidos, Portugal, Canadá, Polônia, Espanha, Grécia, Coréia do Sul, Croácia e Singapura. Eles estarão espalhados na mostra competitiva de longas-metragens e curtas-metragens, na Sessão Dark Little Tales e no Desafio Mestre dos Gritos. Também haverá workshops e oficinas práticas.

Os realizadores apontam como destaques dessa edição o documentário mexicano “Alucardos – Retrato de Um Vampiro”, de Ulises Guzmán, o qual estará presente no festival; a ficção de horror argentina “Suor Frio”, de Adrián García Bogliano; e a ficção britânica “Um Dia de Violência”, de Darren Ward. 

Entre as produções brasileiras, chama atenção o independente “Entrei em pânico ao saber o que vocês fizeram na sexta-feira 13 do verão passado Parte 2”, do diretor Felipe Guerra, que gastou apenas R$ 3 mil para realizá-lo. Também chama a atenção “A Noite do Chupa-Cabras”, de Rodrigo Aragão; e “Nevermore – Três Pesadelos e Um Delírio de Edgar Allan Poe, que trata da adaptação de quatro contos do mestre do horror – “Berenice”, “Ligeia”, “Morella” e “O Corvo”, de Paulo Biscaia Filho.

Haverá também homenagens ao diretor italiano Ruggero Deodato, autor do clássico “Canibal Holocausto”, de 1980, que foi filmado na Amazônia e mostra um famoso antropólogo que tenta resgatar quatro documentaristas de tribos que se embrenharam na selva para filmar indígenas e desapareceram. 

Outro homenageado é o mexicano Juan López Monteczuma, famoso por filmes como “La Mansión de la Locura”, de 1971, que foi baseado em história de Edgar Allan Poe; e “Alucarda”, de 1978, que mostra duas garotas órfãs que vivem num convento católico e são possuídas por Satã.

 

Serviço

6º Cinefantasy – De 22/11 a 04/12, das 16h às 23h59. Valor dos ingressos não divulgado.

Centro Cultural São Paulo – Rua Vergueiro, 1.000. Fone: 3397-4002

Cinesesc – Rua Augusta, 2.075. Fone: 3087-0500

Cinemateca Brasileira – Largo Senador Raul Cardoso, 207. Vila Mariana. Fone: 3512-6111

Biblioteca Viriato Corrêa – Rua Sena Madureira, 298. Vila Mariana. Fone: 5573-4017

A programação completa pode ser conferida em www.cinefantasy.com.br

 

guibryan1@redebrasilatual.com.br

 

 

Publicado em 14/11/2011

Oswaldo Montenegro mistura ritmos, romantismo e crônica cotidiana em novo álbum



Por Guilherme Bryan

Com mais de 30 anos de carreira, Oswaldo Montenegro lança mais um álbum (Foto: Divulgação/Andre Sa/Flick)

O novo e quadragésimo primeiro álbum de Oswaldo Montenegro, “De Passagem”, mostra o vigor e a força de um artista que repete o que sempre deu certo, a parceria com o compositor Mongol e com a flautista Madalena Salles, com quem trabalha há mais de 30 anos; mas prova a capacidade de se reinventar. 

 O disco começa com a animada e contagiante canção “Não Importa Por Quê”. Porém, a letra já demonstra o tom que imperará na maioria das outras 11 músicas, ao retratar as mudanças tecnológicas que viveu nas últimas décadas: “A fita K-7 passou / Telefone sem bina também / O sonho do hippie acabou / Dos santos não sobrou ninguém”.

 É tocante o romantismo presente em “A Vida Quis Assim”, composta por Mongol: “Eu tenho tanta vida pela frente / E vou viver da forma mais urgente / Quem sabe um dia eu pare de te amar / E mesmo que isso possa acontecer / Eu vou sentir saudade de você”. A emoção retorna em “Velhos Amigos”: “O mundo é pequeno, o tempo é invenção / Que o amor desfaz na tua mão / Nada passou, nada ficará / Nada se perde, nada vai se achar”. 

 O certo pessimismo, no entanto, se desfaz na canção que encerra o álbum, “Pra Ser Feliz”: “Pra ser feliz / Não dá pra olhar pra trás / Pro que foi, por que quis / Mas não foi possível / Pra ser feliz / Não dá pra consertar / Já quebrou, já partiu / Foi o tempo e o seu véu”. 

Até agora as canções mais comentadas são a faixa-título, marcada por tom rural e composta por Leo Pinheiro, Tião Pinheiro e J. Bulhões; e “Eu Quero Ser Feliz Agora”, que é tema de um concurso em que Oswaldo Montenegro premiará com 30 mil reais os vencedores de um concurso de videoclipes realizado no site oficial www.oswaldomontenegro.com.br/concurso. 

Mas a minha favorita é “Asas”, que tem certo clima floydiano, marcado pelo teclado de Oswaldo Montenegro, as flautas de Madalena Salles, o baixo de Alexandre Meu Rei e a bateria de Sérgio Chiavazzoli: “Asas / Pra roubar o sonho bom do gás / Voar sem a gravidade / Gritar pra mudar o sol de lugar / Pra aquecer a voz / Fazer a voz voar”.

A animação retorna na criativa e divertida cantiga “Palma”, de Ulysses Machado: “É pra cantar batendo palma / De modo que a mão que bate na mão / Provoque essa dor no corpo”. Ele fotografa o momento atual das redes sociais no qual ninguém para de falar, em “Todo Mundo Tá Falando”, uma espécie de repente moderno marcado pela ótima guitarra de Alexandre Meu Rei: “Todo mundo tá falando de fama / Todo mundo tá falando de guerra / Todo mundo tá falando de lama / Todo mundo tá falando de terra”. 

Com grande variedade de estilos, há ainda o rock “Anda” e o dançante misto de hip hop com música nordestina “Quem É Que Sabe?”: “Quem é que sabe, é o que pensa ou o que arrisca? Quem é que sabe, saberia ou saberá? / Quem é sabe o quê que vai durar no tempo? / Quem é que diz o que o futuro abrigará?”. Só o tempo dirá. Tomara que Oswaldo Montenegro continue com os versos afiados, empolgantes e desafiadores como os de “De Passagem”. 

Numa época marcada por álbuns que mais parecem um amontoado de canções aleatórias e desvinculadas umas das outras, nada melhor do que ouvir esse trabalho do início ao fim.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 14/11/2011

Tunde Kelani, principal nome do cinema nigeriano, ganha mostra em São Paulo



Por Guilherme Bryan

Tunde Kelani também estará presente no domingo (20) numa sessão especial do filme “MAAMI”, na Cinemateca Brasileira (Foto: Divulgação)

A Nigéria é um dos maiores produtores cinematográficos do mundo. Por ano, são realizados cerca de 2.500 filmes, que movimentam cerca de 250 milhões de dólares, mesmo com a maioria da população recebendo menos de 1 dólar por dia. Um dos maiores cineastas de lá é Tunde Kelani, que estará em São Paulo, de sexta-feira (18) a 4 de dezembro, para apresentar a mostra “Bem-Vindo a Nollywood: Tunde Kelani”, que contará com sessões no Cine Olido, na Cinemateca Brasileira e no Pólo Educativo e Cultural de Heliópolis, com sessões das 15h às 21h, com ingressos a preços populares. O realizador também participará de um debate no sábado (19), a partir das 19h, em Heliópolis. 
 
Tunde Kelani, que estudou cinema na London Internacional Film School, também estará presente no domingo (20), a partir das 19h, numa sessão especial do filme “MAAMI”, na Cinemateca Brasileira. O filme é uma adaptação do romance homônimo de Femi Osofisan e mostra um jogador de futebol bem-sucedido que, antes da Copa de 2010, lembra a infância difícil em Abeokuta, cidade no sul da Nigéria.

Os outros oito longas-metragens que serão exibidos difundem as tradições da cultura ioruba e demonstram como ela tem sido assimilada na Nigéria nos últimos anos. Entre eles, está “Thunderbolt: Magnum”, de 2001, que mostra uma dama Igboi e um jovem Ioruba que se conhecem e se apaixonam e se casam, mas logo a desconfiança de casos extraconjugais estraga a relação entre eles. 

Outro título é “The Narrow Path”, que mostra uma garota que escolhe entre dois pretendentes, mas as expectativas familiares e as diferenças culturais transformam a noite de núpcias num grande pesadelo. Há ainda “Swaroide”, em que um rei eleito de Jogbo decide se enriquecer ao ascender ao trono e elimina toda a oposição ao enviar matadores de aluguel ou após tentar persuadi-los a se exilarem. Temática mais atual impossível.

Serviço
Mostra Bem-Vindo a Nollywood: Tunde Kelani, de 18/11 a 4/12, das 15h às 21h. Ingressos de R$ 1 a R$ 8.
Cine Olido – Avenida São João, 473. República. Fone: 3331-7703
Cinemateca Brasileira – Largo Senador Raul Cardoso, 207. Vila Clementino. Fone: 3512-6111
Pólo Educativo Cultural de Heliópolis – Estrada das Lágrimas, 2385. São João Clímaco. Fone: 2083-2203.
A programação completa pode ser conferida em www.bemvindoanollywood.com.br

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 11/11/2011

Fabiana Cozza lança CD e encontra Roberto Mendes em São Paulo



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Fabiana Cozza recupera a força de sambistas como a mineira Clara Nunes e canta sambas de Paulo César Pinheiro e outros compositores (Foto: Fernanda Grigolin/Divulgação)

A sambista paulistana Fabiana Cozza está com tudo e dá muita prosa. Ela acaba de lançar o terceiro e homônimo álbum, uma produção independente, e, no sábado (12), se apresentará com o violonista, compositor e intérprete Roberto Mendes, na Galeria Olido, na região central de São Paulo. Com entrada franca, o show começa às 18h. 

Vinicius de Moraes declarou que a capital paulista é o "túmulo do samba" e pode ter se arrependido depois. Mas essa deslumbrante cantora ajuda a provar o contrário.

Numa época em que há cantoras que acreditam que gritar é sinônimo de cantar bem, Fabiana Cozza recupera a força de sambistas como a mineira Clara Nunes. A prova está em "Candeeiro de Deus", de Roque Ferreira, e em "São Jorge", de Kiko Dinucci: "Guerreiro é no lombo do meu cavalo / Bala vem, mas eu não caio / Armadura é proteção / Avanço sob a noite iluminado / Luto sem pestanejar / Recuo sem me esforçar / Na guarnição".

Não é à toa que o compositor de muitos sucessos de Clara Nunes, Paulo César Pinheiro, rasga elogios a paulistana no encarte do CD: "Uma das vozes mais bonitas surgidas nos últimos tempos, de timbre personalíssimo, Fabiana veio pra ficar. Chegou com responsabilidade. Escolhe o repertório que quer. Sabe o que pretende mostrar. Vê-se sua mão guiando o seu trabalho. Tem firmeza. Tem postura. É séria".

Fabiana Cozza é realmente muito séria e um ótimo exemplo de amor à arte. Mesmo com o projeto do álbum aprovado na Lei Rouanet – que oferece incentivos fiscais a empresas dispostas a patrocinar a iniciativa –, ela não conseguiu captar os recursos necessários. Nem por isso desistiu.

Tratou de convocar para se juntar a ela um dos melhores diretores e produtores musicais, o carioca Paulão 7 Cordas, responsável por álbuns das velhas guardas da Portela e da Mangueira. "Conhecer a Fabiana me trouxe de volta uma antiga convicção. A convicção de que a nossa música popular é uma fonte inesgotável de grandes intérpretes", escreveu o produtor no mesmo encarte.

Com potência vocal invejável, a cantora dá brilho a composições de mestres como o próprio Paulo César Pinheiro, com "Serenata de São Lázaro", parceria com Gilson Peranzzetto e de forte letra a respeito da escravidão; Elton Medeiros, com "Lá Fora", parceria com Délcio Carvalho; e Wilson Moreira e Nei Lopes, com "Sandália Amarela" e "Lupiciniana", em homenagem a Lupicínio Rodrigues: "Logo agora / Que a senhora da paz / Virou minha senhora / Uma tal de saudade / Batendo lá fora / Chamou pelo meu nome / Num samba canção".

Se, em "Eternamente Sempre", de Sombrinha e Marquinho PQD, ela remete a Beth Carvalho, em "Sabe Deus", da dupla e de Carlinhos Vergueiro, ela demonstra ter personalidade de sobra.

Como todo álbum de samba que se preze, "Fabiana Cozza" termina com o astral lá em cima, com dois sambões de primeira, "Solo Sagrado", de Julio Marcos e Xuxu, e "Narainã (Alvorada dos Pássaros)", de Ideval Anselmo, Jordão e Zecão, cantados em dueto com Alessandro Cardozo.

Nada mais de acordo com uma artista que declara estar em busca de uma música sensível e digna. Pena que as empresas que investem em cultura não tenham mostrado sensibilidade artística para prestigiar alguém como a sambista paulista.

Serviço

Sábado, 12 de novembro, a partir das 18h. Grátis.
Galeria Olido – Avenida São João. Térreo ao 2º andar.  T: (11) 33318399

guibryan1@redebrasilatual.com.br



Publicado em 10/11/2011

Últimos dias da Feira do Livro de Porto Alegre



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

No ano passado, a Feira do Livro foi reconhecida como patrimônio imaterial de Porto Alegre (Foto: Divulgação)

Um dos eventos culturais mais badalados e de maior prestígio no sul do Brasil é a Feira do Livro de Porto Alegre, que é realizada anualmente e, neste ano, irá até a próxima terça-feira (15). As visitas podem ser feitas das 9h30 às 21h, na área da praça da Alfândega até o Cais do Porto.

Nesta 57ª edição, que tem entrada franca, a expectativa é alcançar 1,7 milhão de visitantes, para acompanhar cerca de 700 sessões de autógrafos, 200 palestras e debates, 400 encontros com autores, além de saraus, contações de histórias, seminários, oficinas, apresentações artísticas, exibições de filmes e a inauguração da biblioteca infantil Moacyr Scliar, o escritor gaúcho que morreu em 2011.

No ano passado, a Feira do Livro foi reconhecida como patrimônio imaterial de Porto Alegre pela Secretaria Municipal da Cultura. Neste ano, ainda haverá tarde de autógrafos com o escritor infanto-juvenil Pedro Bandeira e mesas redondas com temáticas como “a metamorfose da dor”, com a psicóloga social Maria Helena dos Santos; e “da gravidez à amamentação”, com o pediatra Cecim El Achkar, entre outras. Entre as várias oficinas, uma imperdível é a com a escritora gaúcha Cintia Moscovich, que discutirá os “Contos – a literatura e as sensações”.

Todas as informações podem ser conferidas em www.feiradolivro-poa.com.br. A programação está aqui.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 09/11/2011

Financiamento coletivo para Jards Macalé no Oficina



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Espetáculo tem o nome “Sinfonia de Jards” e entrelaça música, performance, cinema e teatro (Foto: Divulgação)

O nome pode não ser muito conhecido – crowdfunding –, mas trata-se de um método de financiamento coletivo, em que pessoas pagam para que um determinado evento cultural seja realizado. O caso é este: dois shows do cantor e compositor Jards Macalé, no Teatro Oficina, em São Paulo, nos próximos dias 26 e 27, sábado e domingo, a partir das 19h30.

O espetáculo tem o nome “Sinfonia de Jards” e entrelaça música, performance, cinema e teatro. Para comprar os ingressos é preciso escrever para ingressosjards@teatrooficina.com.br. Os ingressos custam de R$ 20 a R$ 40 e os shows acontecerão mesmo que o valor total necessário para que sejam realizados da forma ideal não seja atingido.

Além disso, é possível contribuir pelo Catarse.me, um site que organiza doações relativamente pequenas e a participação de apoiadores difusos. A meta é juntar R$ 22 mil.

Macalé é autor de clássicos, como “Vapor Barato”, “Mal Secreto” e “Hotel das estrelas”. Além de ter tido participação em discos importantes de Caetano Velloso e outros ícones do tropicalismo, ao longo de seus 50 anos ele acumulou parcerias com o cineasta Glauber Rocha e o poeta e compositor Wally Salomão, além de Lygia Clark e John Cage.

“Percebendo as novas possibilidades de criação ofertadas pelos novos meios tecnológicos, junto a uma ampla trajetória de pesquisas, um novo conceito de show nasceu para nós", avisaram os organizadores Francisco França e Gregório Gananian, em texto divulgado pela internet. Para eles, o show foge de padrões tradicionais, por ser mais dinâmico e interativo, além de trabalhar com o "imprevisível".

O perfil foi traçado a partir do próprio músico, como explicam os organizadores. "Macalé uma vez disse: ‘minha vida é uma performance’. Queremos criar um show propagador de estímulos, improvisos, montagens sonoras e elementos-surpresa, estabelecendo uma nova relação com público, mais ativa, menos passiva”.

PS: O Teatro Oficina fica na Rua Jaceguai, 520, na Bela Vista. T: (11) 3106-2818

 

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 08/11/2011

Doutor Jupter revigora rock rural em álbum de estreia



Por Guilherme Bryan

A inspiração parece vir da simpática cidade de Mairiporã, que é rodeada pelo pouco que resta de Mata Atlântica (Foto: Divulgação)

Vem de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, uma das mais entusiasmantes novidades do rock brasileiro. Trata-se da banda Doutor Jupter, assim mesmo, sem “i”, que foi criada em 2006, pelos garotos Ricardo Massonetto (voz, violão, banjo e gaita), Dudu Massonetto (baixo e voz), Márcio Gonzales (guitarra, banjo e violão) e Mateus Briccio (bateria).

A inspiração parece vir da simpática cidade de Mairiporã, que é rodeada pelo pouco que resta de Mata Atlântica. O álbum de estreia, homônimo, acaba de chegar às lojas e será lançado nesta quinta-feira (10), a partir das 20h, com um pocket show na Livraria Cultura, do shopping Bourbon, em São Paulo.

Raridade atualmente, o primeiro álbum do Doutor Jupter não tem “música de trabalho”, ou seja, aquela que se destaca das demais. Todas são petardos irresistíveis para quem gosta de folk rock, rock rural, bluegrass, country, etc. As referências estão todas ali, de Kings of Leon a Los Hermanos, com passagem pelo rock gaúcho e pitadas de bandas como 14 Bis.

“Se é pra mudar / Repensa esse jeito / E para de dar tanta volta / No mesmo lugar / Chuta o dinheiro / Esquece o juízo / E olha pro céu / Que a Lua quer se confessar”, canta Ricardo Massonetto, na cantiga ensolarada “Liquidificador”. A segunda faixa “Me Cuida” parece um misto de Beatles com charleston, com a deliciosa gaita do vocalista e que termina de modo arrasador, com referência às canções do cinema mudo.

Há também um interessante contraste entre os versos mais tristes com a sonoridade entusiasmada, como em “Dois Mundos”, em que o cara perde a namorada, mas, nem por isso, perde o otimismo, notando que toda reta sempre vai e sempre vem: “Difícil é gostar de você / E não ter / O mundo só pra nós dois / Difícil é escolher / O que eu quero perder / Se eu deixo você ir / Eu perco a maior parte de mim”, canta. Afinal, o que impera mesmo é a pegada rural, de quem sabe aproveitar a vida em meio à natureza, sem dar muita bola para os problemas mundanos. Uma sadia volta aos hippies anos 70, que retorna com força total na excelente “É Por Isso”.

O tal contraste entre letra e música também impera em “Irene e as Estrelas”: “Irene passa e devagar / Sem perceber / Vai flutuando / Sem a ajuda de ninguém / Leva no peito um balão / O coração cheio de um amor / Que nunca vem”. A felicidade também impera na dylanesca “Tudo no Lugar”. Mas, nesse caso, a letra também é ensolarada: “Se a vida nunca pode ser problema / A gente pede cada coisa em seu lugar / E a vida nunca vai ser um problema / A gente encaixa cada peça em seu lugar”. Já em “Tão Bem” impera um tom mais raivoso, que remete a Raul Seixas, e abre espaço para o rock eletrizante “Falastrão”, cuja letra parece uma história em quadrinhos. Essa temática retorna na ótima “O Otimista”, que fecha o álbum em grande estilo, com uma espécie de cantiga "dim dim dim / dim dom".

Portanto, divirta-se ao som desse quarteto, e preste atenção nas letras muito bem escritas, que traz as raízes do interior paulista, presente em canções como “Bang Bang”, e as mistura com a linhagem do rock rural brasileiro e com o pop rock internacional. Ah, só um detalhe importante: esse primeiro álbum é fruto do concurso “Vem Pro Novo”, patrocinado pela Caixa e que contou com a participação de mais de 800 bandas. Recentemente, o Doutor Jupter também conquistou o segundo lugar do concurso nacional “Banda Afinada”, do programa “Afinando o Papo”, apresentado pelo titã Tony Bellotto, no Canal Futura.
 
Serviço

Pocket show na Livraria Cultura, do shopping Bourbon – quinta-feira, 10/11, às 20h.
Rua Turiassu, 2100. Água Branca. T: (11) 3868-5100
 

Publicado em 05/11/2011

Mostra em São Paulo apresenta primeiros filmes protagonizados por negros



Por Elaine Patricia Cruz

São Paulo – Produções cinematográficas de baixo orçamento e que colocaram a cultura negra em destaque a partir dos anos 1970 são o tema da mostra Tela Negra: O Cinema do Blaxpoitation, que será exibido em duas salas de cinema de São Paulo até 24 de novembro, como parte das comemorações pelo Mês da Consciência Negra no Brasil. A mostra teve início na última quinta-feira (3), no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde permanece até 13 de novembro, seguindo depois para o Cinesesc.

O blaxpoitation foi um movimento no cinema que possibilitou o surgimento do protagonista negro nas telas. Esse cinema marginal e ligado à música soul refletiu os sentimentos da juventude da época, a efervescência da cultura negra americana, que na década anterior acompanhou a explosão do movimento em defesa dos direitos civis dos negros, liderado por Martin Luther King e Malcolm X.

“É uma retrospectiva dos filmes da blaxpoitation, que surgiram nos anos 1970, nos Estados Unidos, e que foi um momento em que os grandes estúdios estavam em falência. São filmes de baixo orçamento, alguns com diretores negros – todos com elenco negro – e que fizeram grande sucesso”, afirmou Vik Birkbeck, curadora da mostra.

“São filmes multicoloridos, com uma estética meio estourada. O blaxpoitation carrega não só nas cores, como também nos figurinos com os [cabelos] afro imensos e os saltos plataforma usados tanto por mulheres quanto por homens”, destacou Vik.

Mais tarde, o blaxpoitation influenciou a moda, a cultura hip hop e até mesmo o cinema atual, principalmente os filmes assinados por Quentin Tarantino, como Pulp Fiction e Jackie Brown. “Quando ele fez Jackie Brown, em 1997, ele fez uma homenagem ao movimento”, disse.

O primeiro filme que surgiu desse movimento foi Rififi no Harlem, de Ossie Davis, em 1970, que será exibido na mostra. “Foi um filme de baixo orçamento, que fez US$ 15 milhões na bilheteria”, citou a curadora. Outro que teve grande sucesso foi Super Fly, de Gordon Parks Jr., que desbancou O Poderoso Chefão do topo das bilheterias em 1972.

Segundo ela, os filmes desse movimento rompem com a presença do negro no cinema apenas como coadjuvante ou em papel de empregado. O pano de fundo político e as cenas violentas influenciam, até hoje, o gênero policial no cinema. “Os filmes da blaxpoitation mostram rebeldia: tem o cafetão, o traficante, o bandido, um detetive que dá tiros a toda hora. Tem o transgressor, tem muito xingamento. É o primeiro momento em que o negro tem sensualidade [na tela]. Os filmes apresentam uma explosão de sensualidade, de linguagem e de violência”, disse a curadora.

Um dos objetivos da mostra é promover debates sobre a influência do cinema afro-americano dos anos 1970 na construção da imagem negra internacional e no Brasil. Na noite da próxima quinta-feira (10), um debate será realizado no CCBB de São Paulo e, no dia seguinte, no CCBB do Rio de Janeiro. “Acho que no Brasil é fundamental ter essa discussão porque embora o país tenha a segunda maior população negra do mundo, atrás da Nigéria, proporcionalmente vemos poucas imagens negras. Sou inglesa e, na Inglaterra, onde a população negra é claramente minoritária, vemos mais apresentadores negros na televisão do que aqui, o que é um absurdo”, disse Vik.

Quinze filmes serão apresentados na mostra, entre eles Jackie Brown, de Tarantino, e Shaft – O Filme, de Gordon Parks. Outro título que será apresentado é o documentário musical Wattstax, que causou furor entre a juventude black carioca e paulista na década de 70. “Era o momento do movimento soul e muita gente se identificou com isso. No Rio de Janeiro, teve filas que deram a volta no quarteirão porque muita gente queria ver esse filme”, contou.

A mostra estará também, até o dia 13 de novembro, no CCBB do Rio de Janeiro. O preço dos ingressos varia de R$ 2 (meia-entrada cobrada no CCBB de São Paulo) a R$ 12.

Fonte: Agência Brasil

 

Publicado em 04/11/2011

Marco do cinema brasileiro, "Limite" completa 80 anos com exibição e debate em São Paulo


Tags: limite cinema

Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Rodado na Fazenda Santa Justina, em Mangaratiba, no Rio de Janeiro, o filme mostra a dificuldade de comunicação entre três personagens diante da passagem do tempo e da condição humana (Foto: Reprodução)

Em 1931, o cineasta, roteirista e escritor Mário Peixoto, nascido em Bruxelas, na Bélgica, mas radicado no Brasil, realizava o único filme, “Limite”, que se tornou um marco do cinema brasileiro, cultuado até hoje. Exatos 80 anos depois, ele é restaurado, ganha acompanhamento musical inédito no país assinado pelo compositor e pianista norueguês Bugge Wesseltoft e será exibido neste sábado (5), às 21h, e domingo (6), às 19h.

As sessões serão acompanhadas por música ao vivo tocada pelo próprio Bugge Wesseltoft, com a participação dos músicos Naná Vasconcelos, Marlui Miranda, Rodolfo Stroeter e Ola Kvemberg. Antes das exibições, acontece nesta sexta-feira (4), às 20h, no Itaú Cultural, um debate a respeito do filme com o crítico Ismail Xavier, o cineasta e secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil, e a pesquisadora audiovisual Stella Senra.

Rodado na Fazenda Santa Justina, em Mangaratiba, no Rio de Janeiro, o filme mostra a dificuldade de comunicação entre três personagens diante da passagem do tempo e da condição humana. Como apontado no release do evento, para Ismail Xavier, em “Limite”, a natureza se torna um personagem tão fundamental para o enredo quanto o homem e as duas mulheres que enfrentam o mar e a morte naquele pequeno barco à deriva. Em uma mistura entre fascínio e medo de ser tão pequeno diante da grandeza da natureza que cerca os personagens, o filme dialogava com as vanguardas europeias da época em que foi lançado, sem revelar necessariamente um olhar nacional.

Assista ao trecho inicial da obra

Serviço

Debate: Itaú Cultural – 4/11, às 20h. Grátis – Avenida Paulista, 149, fone 2168-1700.
Filme
: Auditório Ibirapuera – 5/11, às 21h, e 6/11, às 19h. Ingressos de R$ 10 a R$ 20. Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n. Portão 2 do Parque do Ibirapuera. Fone: 3629-1014

Publicado em 03/11/2011

Injustiçado, teatro besteirol ganha peça e exposição em São Paulo



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

(Foto: Divulgação)

“Não é que eu só admita a comédia, mas juntar muitas pessoas num teatro e não ouvir um único riso? Isso me parece um desperdício de vida”, declarou certa vez o dramaturgo mineiro Vicente Pereira à atriz Maria Padilha. E essa parece ter sido mesmo a filosofia profissional desse que foi um dos principais representantes do que ficou conhecido como teatro besteirol, o qual tomou de assalto os palcos brasileiros no início dos anos 80, revelando nomes como Mauro Rasi, Miguel Falabella, Guilherme Karan, Diogo Vilela, Jacqueline Lawrence e Duse Nacaratti, entre tantos outros.

Um dos espetáculos mais aclamados de Vicente Pereira foi “Solidão, a Comédia”, um solo de cinco histórias que ganhou a primeira montagem em 1990, estrelada pelo próprio dramaturgo, com direção de Jorge Fernando; e a segunda, no ano seguinte, com atuação de Diogo Vilela, dirigido por Marcus Alvisi. Agora ele retorna aos palcos, no caso do Teatro NeXT, em São Paulo, com interpretação de Mauricio Machado, direção de Claudio Tovar e com sessões às sextas e sábados, às 21h, e aos domingos, às 20h, até o próximo dia 27.

Serviço

Solidão, a Comédia.
Sessões às sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 20h. Até 27 de novembro. Ingressos de R$ 40 a R$ 50.
Teatro NeXT – Rua Rego Freitas, 454. República. T: 3237-1845.

Mauricio Machado prova ser um ator bastante versátil e conquista os espectadores ao dar vida a cinco personagens marcados pela solidão. O primeiro deles é um homem, para lá de antiquado, que aguarda a chegada da amada a uma sala de cinema, enquanto tenta identificar o filme que passa na tela. O segundo, e talvez o melhor deles, é uma antiga prostituta, que tenta encontrar pelo telefone algum de seus ex-clientes. Há ainda um metrossexual, que não deixa a esposa trancada no banheiro falar; a garota que é alcoólatra, mas tenta não dar bandeira para uma nova conquista; e uma senhora que serve como acompanhante de uma doente em estado terminal e parece não aceitar o estado atual da mesma.

O mais incrível é que damos risadas de todos esses tipos, para, logo em seguida, nos identificarmos e sofrermos com eles, algo que só as melhores comédias são capazes de proporcionar. Basta lembrar o caso de Charlie Chaplin, Buster Keaton, Os Três Patetas e O Gordo e o Magro, entre outros. Portanto, se a crítica especializada dos anos 80, foi incapaz de compreender a força dramática e humorística desses espetáculos, taxados, com boa dose de preconceito, de besteirol, hoje eles começam a ser revistos e finalmente valorizados pelo que possuem de melhor.

Acompanhando o espetáculo, é possível conferir a exposição “Assim Era o Besteirol”, organizada pelo pesquisador Luís Francisco Wasilewski, a respeito do teatro besteirol, com pastas de fotos, artigos de jornais, algumas peças na íntegra e depoimentos de vários artistas envolvidos com esse movimento vistos por um televisor, além de cenas dos espetáculos “Pedra, a Tragédia” e “Quem tem medo de Itália Fausta?”. Há também frases de Miguel Falabella espalhadas pelas paredes.

"Acho que a alegria é sempre discriminada e, principalmente, no momento em que vivemos. Nós vivemos em um momento de transição de um mundo violento. Eu me lembro que nos meus primeiros anos de grupo eu era um alienígena. Eu era uma pessoa olhada como um débil mental, porque eu gostava de rir, gostava de comédia", disse Falabella para a dissertação de mestrado de Wasilewski, na Universidade de São Paulo. O próprio Falabella, aliás, reconhece que para compreender esse tipo de espetáculo era preciso ter boa bagagem cultural. Também era preciso estar aberto para ótimas tiradas como “agenda de puta é fatalidade”, presente em “Solidão, a Comédia”.

Leia a seguir uma entrevista com o curador da exposição e pesquisador do besteirol Luís Francisco Wasilewski.

Como surgiu a ideia de organizar essa exposição com a nova montagem de “Solidão, a Comédia”?
Tudo começa no dia 13 de setembro de 2010. Após uma leitura de "Tietê, Tietê", peça escrita pelo meu amigo Alcides Nogueira, fomos jantar em um grande grupo no restaurante Paris 6. Tide (é como os amigos chamam Alcides) me apresentou a Mauricio Machado, que havia participado da leitura. Mauricio ficou sabendo que eu estava prestes a lançar um livro sobre Vicente pela Coleção Aplauso e viu que eu conhecia a história do teatro besteirol e teve a ideia da exposição. Fui eu que a batizei de "Assim Era o Besteirol", uma homenagem clara aos filmes "Assim Era a Atlândida" e "Assim Era Hollywood". Afinal, se há algo que o besteirol reverenciava era o humor e o cinema.

Você acredita que finalmente o teatro besteirol passa a ter sua importância para o teatro brasileiro finalmente reconhecida?
Não. Sua importância não foi até hoje reconhecida. Uma grande culpa está nas faculdades de Teatro que ensinam História do Teatro Brasileiro e passam pela década de 1980 sem mostrar para os seus alunos a importância do movimento. Hoje, você encontra várias teses e dissertações na área de teatro sobre vários grupos e autores da década de 1980 e 1990. Sobre o besteirol são poucos e seus autores sempre foram muito discriminados por boa parte do meio universitário. Esse descaso aconteceu também com os Dzi Croquettes, cuja importância histórica só foi descoberta após o excelente documentário de Tatiana Issa e Raphael Alvarez sobre o grupo.

Quais são os principais elementos que caracterizam o teatro besteirol e por que ele foi tão mal compreendido por parte da crítica no início dos anos 80?
Ele se caracterizava, grosso modo, por um gênero teatral onde duplas de atores encenavam esquetes que satirizavam a sociedade da época ou parodiavam livros, filmes e peças teatrais. Eram peças dotadas de um humor ferino. Miguel Falabella, quando concedeu a entrevista para a minha dissertação de mestrado sobre o teatro besteirol, disse-me que enxergava um componente "gay" nos espetáculos. Ele fez em seu depoimento uma aproximação do besteirol com movimentos como a La Movida Madrileña, do Pedro Almodóvar, e a Ridiculous Theatrical Company, do Charles Ludlam. Ludlam foi o autor de "O Mistério de Irma Vap", um dos maiores sucessos da história do teatro brasileiro, representado aqui por Marco Nanini e Ney Latorraca. Com relação aos problemas com a crítica, já faz parte da história do teatro ocidental o desprezo pelo gênero cômico. Você vai encontrá-lo em Aristóteles, Machado de Assis e muitos outros críticos. Até bem pouco tempo atrás, até a Neyde Veneziano fazer o seu mestrado sobre o assunto, o teatro de revista também era um gênero ignorado. Hoje, é "cult" estudar teatro de revista. Provavelmente, daqui a 40 anos será "cult" estudar o besteirol. Mas devemos também fazer uma justiça. Barbara Heliodora foi sempre uma grande defensora do gênero.

Quais você considera os maiores destaques da exposição?
Gosto das fotos, especialmente, Falabella e Karam em "Sereias da Zona Sul". Mas Maíra Knox (a diretora de arte) e eu tivemos uma ideia que no Rio fez muito sucesso, que foi a árvore genealógica do teatro besteirol. Através das ramificações, vamos vendo como o movimento se relaciona com artistas que não atuavam ou escreviam as peças do gênero caso, por exemplo, de Ney Matogrosso e Caio Fernando Abreu. O que referenda ainda mais a importância de se contar esta história.

Como você avalia essa nova montagem de “Solidão, a Comédia”, em relação às duas anteriores?
Eu não vi a montagem em que Vicente fazia as cinco personagens. Vi a de Diogo. A montagem atual optou pelo minimalismo cênico com cenários menores. Ela também está sendo encenada em um espaço bem intimista que é o NeXT.

No que o teatro de Vicente Pereira se difere do de outros companheiros de besteirol, como Miguel Magno, Pedro Cardoso, Mauro Rasi e Miguel Falabella?
De todos os citados, Vicente era sempre o mais melancólico. Acho que por isso resolvi estudá-lo mais a fundo. Suas peças tem humor, mas, ao mesmo tempo, são muito tristes. Eduardo Dussek, na entrevista que me concedeu para o Mestrado, decifrou o teatro de Vicente. Ele citava, especialmente, "Solidão, A Comédia", dizendo que o "O Besteirol ria da própria desgraça". Como desde criança aprendi a rir da minha desgraça, vi este elo de identificação meu com o teatro e a pessoa de Vicente. Miguel Magno, por exemplo, com quem tive o privilégio de conviver durante três lindos anos, era um comediante espetacular que, na intimidade, também ria de sua desgraça. Mauro era um escritor mais mordaz. Falabella e Pedro Cardoso aparecem depois como escritores. Pedro, que fazia dupla com Felipe Pinheiro, gostava especialmente de satirizar o cotidiano. As peças da dupla eram crônicas sobre os costumes cariocas. Miguel Magno e Ricardo sempre voltaram a sua escrita para o deboche do próprio teatro, gostavam de parodiar as grandes atrizes do teatro brasileiro.

O que você diria para quem nunca ouviu falar em besteirol a fim de convencer a ver esse espetáculo e a exposição?
Penso que o besteirol é um movimento teatral injustiçado historicamente e a exposição tem o propósito, justamente, de oferecer ao público um pouco da história dele. Programas como “TV Pirata”, que era escrito e interpretado por artistas do gênero, fazem sucesso até hoje, seja nas reprises do Canal Viva, seja através do Youtube.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 02/11/2011

O popular e o erudito da música brasileira em show e livro



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

São Paulo - Nesta sexta-feira (4), a partir das 22h, a Orquestra Philarmônica São Paulo (OPSP), com direção artística e regência do maestro Solielson Goethe, encontrará o cantor sertanejo e romântico Daniel no palco da Via Funchal, um dos mais nobres de São Paulo. No repertório, os maiores sucessos do artista, como “Desejo de Amar”, “Estou Apaixonado”, “Pra Falar a Verdade”, “Adoro Amar Você”, “Me Guardo Pra Você”, “Tenho Que Sonhar” e “Tá no Coração”, entre outras.

Esse show traz à tona uma relação de aproximação e afastamento entre a dita música erudita e/ou mais culta e a mais popular, que é muito bem retratada no recém-lançado livro “Histórias Paralelas 50 Anos de Música Brasileira”, do jornalista Hugo Sukman, publicado pela Casa da Palavra. Em edição bilíngüe e de luxo, com capa dura e papel especial, e acompanhada por um CD, a obra começa retratando três marcos da dita música popular brasileira – o primeiro LP da cantora Elis Regina, de 1966; o show de integrantes da Bossa Nova no nova-iorquino Carnegie Hall, em 1962; e a montagem do espetáculo “Orfeu da Conceição”, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1956.

A partir daí, Hugo Sukman traça, com a maestria de quem conhece profundamente a música popular brasileira, as várias linhas mestras que correm paralelas nessa história e se encontram e se afastam em muitos momentos. Não é à toa que o primeiro capítulo é destinado ao samba, destacando, por exemplo, a importância do Zicartola, restaurante aberto por Cartola e Dona Zica, e que se tornou um foco importante de produção cultural, reunindo nomes como Nelson Cavaquinho, Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Paulo César Pinheiro e Paulinho da Viola; e do Cacique Ramos, de onde surgiram nomes como Jovelina Pérola Negra, Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz e Sombrinha, entre outros.

Correndo por fora das linhas dominantes e dissonantes da música popular brasileira dos anos 60, por exemplo, o samba foi o ritmo que melhor soube dialogar com as duas. De um lado, a denominada Música Popular Brasileira reunia nomes como Chico Buarque, Edu Lobo e Elis Regina, entre outros, que procuravam resgatar a tradição da música realizada no país e dar com ela um passo adiante, esbanjando canções com forte preocupação política e social, num período marcado pelo início da ditadura militar. De outro lado, bebendo da mesma influência da Bossa Nova, havia os tropicalistas, liderados por Gilberto Gil e Caetano Veloso, que queriam misturar a música brasileira com a cultura pop internacional e com o que era denominado cafona pela intelligentsia brasileira, caso da Jovem Guarda. Alguns artistas circulavam tranquilamente pelas duas vertentes, caso de Nara Leão e Maria Bethânia, entre outros.

O terceiro capítulo do livro e talvez o que mais nos interesse aqui tem o título “Na Boca do Povo – Jovem Guarda, Novelas e o Brega” e demonstra como os formadores de opinião e as classes mais altas da sociedade brasileira provocaram uma cisão na música brasileira, definindo o que era de bom ou mau gosto, torcendo o nariz para o que era adorado pelo povo, caso da Jovem Guarda, de Roberto e Erasmo Carlos, nos anos 60 e que Suckman considera a maior influência para a atual música sertaneja, da qual Daniel faz parte; de artistas como Waldick Soriano e Odair José, nos anos 70, mas isso também já ocorrera com Luiz Gonzaga, responsável por outra revolução no interior da música brasileira.

Luiz Gonzaga é uma referência importante para os tropicalistas, mas principalmente para os artistas que surgem influenciados por eles e/ou vindos do Nordeste nos anos 70, caso dos Novos Baianos, do alagoano Djavan, dos pernambucanos Geraldo Azevedo e Alceu Valença, dos paraibanos Elba Ramalho e Zé Ramalho, e dos cearenses Fagner, Belchior e Ednardo. O trabalho deles desembocaria na lambada e no axé das últimas décadas, revelando nomes como Daniela Mercury, Olodum, Carlinhos Brown, Timbalada, entre outros, que se expressão principalmente através do Carnaval, mas também no manguebeat, de Chico Science & Nação Zumbi, e Mundo Livre S/A.

Ao mesmo tempo, o Brasil realiza uma música instrumental de primeiríssimo time, que passa praticamente despercebida do grande público, mas é reverenciada mundialmente, com nomes como Hermeto Paschoal (saído do Quarteto Novo), Dori Caymmi, Moacir Santos, João Donato e Tamba Trio, entre outros, que também vão se manifestar nos festivais de música popular da televisão, no mesmo momento em que há uma forte cisão entre os tropicalistas e os emepebistas. Esse conflito tão intenso que quase levará o jovem Paulo César Pinheiro a desistir da música para sempre, como conta, ao ver Gilberto Gil chamar Chico Buarque de ultrapassado. Curiosamente, Chico e Gil comporiam várias canções juntos, caso da marcante “Cálice”, uma das mais ácidas e fortes críticas ao regime militar.

Os festivais também serão ocupados por dois artistas que apontarão novas tendências importantes na música brasileira. O primeiro é Milton Nascimento e o seu Clube da Esquina mineiro, que dará origem ao pop rock dos anos 90, com bandas como Skank, mas também influenciará a música mais erudita brasileira. E o segundo é Jorge Benjor, com seu sambalanço, que terá continuidade com o trabalho de artistas dos anos 70, como Tim Maia, e influenciará novos compositores e grupos, desde a cantora Marisa Monte até o grupo de hip hop Racionais MCs, passando pelo rock dos anos 80. Porém, justamente aí encontra-se a única grave lacuna de Seickman – não enxergar a importância do pop rock dos anos 80 e 90 para o desenvolvimento da música brasileira, com nomes como Titãs, Barão Vermelho, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Cássia Eller, sequer citados na obra.

Serviço
Sexta-feira, 4 de novembro, a partir das 22h. Ingressos de 80 a 250 reais.
Via Funchal – Rua Funchal, 65. Vila Olímpia. T: (11) 3846-2300      

Publicado em 03/11/2011

Sambistas homenageiam Nelson Cavaquinho em São Paulo


Tags: música samba

Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Zezé Motta e Felipe Catto participam das homenagens no centenário do sambista em São Paulo (Fotos: Divulgação)

Se estivesse vivo, o cantor, compositor e violonista carioca Nelson Cavaquinho teria completado 100 anos na última sexta-feira, 28 de outubro. Para marcar o centenário dele, que morreu em 18 de fevereiro de 1986, os cantores Benito di Paula, Marcio Sacramento, Zezé Motta, Felipe Catto, Ângela Rô Rô, Cida Moreira, Teresa Cristina, Verônica Ferriani, Felipe Catto e Graça Braga interpretam os maiores sucessos dele, de graça, no Centro Cultural São Paulo, desta quinta (3) até domingo (6).

Frequentador da Mangueira, Nelson Cavaquinho compôs seus clássicos mais conhecidos, “A Flor e o Espinho” e “Folhas Secas”, com Guilherme de Brito. Tendo começado a se apresentar ao público apenas na década de 1960, no bar e restaurante Zicartola, criado por Cartola e Dona Zica, no centro do Rio, ele também é o autor de “Rugas”, “Quando Eu Me Chamar Saudade”, “Luto”, “Eu e as Flores” e “Juízo Final”.

Com o título “Uma Flor para Nelson Cavaquinho”, as homenagens começam nesta quinta, a partir das 19h, com os músicos cariocas Benito di Paula, autor de sucessos como “Charlie Brown”, e Marcos Sacramento. No dia seguinte, no mesmo horário, será a vez do encontro de duas cantoras e pianistas marcadas pela força interpretativa, Ângela Rô Rô e Cida Moreira. No sábado, 5, será a vez dos cantores e atores Felipe Catto e Zezé Motta prestarem a homenagem. A festa termina no domingo, com três das mais importantes representantes da nova geração do samba, Teresa Cristina, Verônica Ferriani e Graça Braga.

Serviço

De 3 a 6 de novembro, a partir das 19h. Grátis.
Sala Adoniran Barbosa – Centro Cultural São Paulo – Rua Vergueiro, 1.000. Paraíso. T: 3397-4002
Os ingressos podem ser retirados na bilheteria, de terça a domingo, das 10h às 22h, somente na semana do espetáculo.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 31/10/2011

Karina Buhr brinca com as palavras e as melodias no CD "Longe de Onde"


Tags: música mpb

Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Uma das grandes músicas do CD "Longe de Onde" é a ótima "Cara Palavra" (Foto: Daryan Dornelles)

“Não me ame tanto / Eu tenho algum problema com amor demais / Eu jogo tudo no lixo sempre / Não me ame tanto / Não posso suportar um amor que é mais do que / O que eu sinto por dentro / Penso”, garante a cantora e compositora baiana Karina Buhr, na contagiante “Não me ame tanto”. Mas como não se apaixonar por essa artista que passou boa parte da vida em Pernambuco, convivendo com as pastoras, o cavalo marinho e o maracatu? Afinal, ela possui a ousadia de quem aposta nos próprios versos, dialoga com o que há de melhor na música brasileira e aposta no experimentalismo.
Ex-integrante do grupo Comadre Fulozinha, Karina Buhr já havia deixado parte da crítica especializada de queixo caído ao estrear com “Eu Menti Pra Você”. Porém, ela chega ainda mais forte e amadurecida ao segundo álbum, “Longe de Onde”, onde é autora de todas as faixas e se faz acompanhar por ótimos músicos como o baterista Bruno Buarque e o baixista Mau, que produziram o álbum com ela; o tecladista André Lima, o trompetista Guizado e os guitarristas Edgard Scandurra e Fernando Catatau. Ela segue à risca o que o compositor Itamar Assumpção lhe disse um dia: “A música brasileira tem muitos melodistas populares. Luiz Gonzaga, Monsueto, Cartola, Lupicínio, Adoniran, as melodias são eternas, então se você diz que está na tal MPB tem que prestar atenção nisso, ser diferente é o mínimo!”.

Realmente, Karina Buhr é diferente, o que fica mais do que comprovado em “Sem Fazer Ideia”, onde recita os versos da canção, sendo acompanhada por uma sonoridade que remete às antigas fanfarras nordestinas. Em seguida, ela emenda com a doce “Pra Ser Romântica”, que possui certo toque do início do rock brasileiro, da época da Jovem Guarda: “Nem ia imaginar / O sol, como você está / Nesse dia, esse viaduto lindo / Como calendário de verão / Do mês que a gente está / Na cidade que continua linda”. Para completar com uma canção ensolarada, que remete de certo modo à Gal Costa e possui o título “Cadáver” – maior contraste impossível: “Sua dúvida é produto da sua escravidão / Mantenha então / Sua sanidade em defesa do seu estômago”.

“Longe de Onde” começou a ser divulgado com o videoclipe da ótima “Cara Palavra”, em que Karina Buhr brinca com as palavras, remetendo aos poetas concretos: “Cada fala / Cada palavra cala / E ganha um signovosignificado para mim / Desperta dor / Apaga dor / Vai embora / Fica / Meu amor”. Essa é a canção que abre o álbum e tem continuidade com “A Pessoa Morre”, no caso, de “tanto verbo”. A temática da morte retorna em “Copo de Veneno”, cujos versos ganham certa candura na voz da artista: “Não tenho medo de morrer / Pelos mesmos venenos / Por favor me dê um copo de veneno / Pelo menos / Com duas pedrinhas de gelo, / Pelo meio”. No final, com boa pegada psicodélica, Karina desabafa: “A cada pedaço meu que se vai / Um pouco do medo sai / E o que fica às vezes me atrai suficientemente / Pra acordar e depois dormir / Às vezes não / Não precisa me procurar mais não”.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 28/10/2011

Ruy Castro e Heloisa Seixas relatam viagens culturais pelos cantos do mundo



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Todo fã dos Beatles que se preze sonha em conhecer os lugares freqüentados pelos integrantes da banda na cidade industrial Liverpool, na Inglaterra. Os adoradores de Elvis Presley não dispensam uma visitinha a Memphis, nos Estados Unidos. E confesso que nem eu mesmo resisti a visitar o túmulo de Oscar Wilde no cemitério Père-Lachaise, em Paris, na França, e a visitar a casa onde o meu escritor favorito nasceu em Dublin, na Irlanda. São esses roteiros, que misturam turismo e cultura, que o casal de escritores Ruy Castro e Heloísa Seixas relata no livro "Terramarear – Peripécias de dois turistas culturais".

"Fazer expedições literárias ou cinematográficas pode ser a melhor maneira de explorar uma cidade sem ter de disputar espaço a cotoveladas com 515 turistas por metro quadrado. Por algum motivo, eles não se interessam por esses lugares que no passado remoto ou recente, atraíram tanta gente criativa e/ou louca. É verdade que, por não querer se misturar a eles, você correrá o risco de ser chamado de esnobe e de metido a sebo", avalia Ruy Castro, num texto a respeito de Veneza, escrito em 2000.

"Terramarear" é uma coletânea de textos publicados originalmente por revistas hoje extintas e jornais de grande circulação, como "Folha de S. Paulo" e "O Estado de S. Paulo". Há também vários outros inéditos e/ou escritos especialmente para essa obra. O fato é que, de Moscou a Fernando de Noronha, passando por Berlim, Madri, Porto, Roma e Nova York, Ruy Castro e Heloísa Seixas parecem aproveitar cada viagem ao máximo e também as incursões históricas e culturais que realizam na própria cidade onde vivem, o Rio de Janeiro.

Pelo menos dois textos merecem destaque. No inédito "Por que a verdadeira Via Veneto não é a de Fellini?", Ruy Castro conta a pitoresca maneira com que o cineasta Roberto Rosselini contou aos jornalistas o encontro com a atriz Ingrid Bergman no Hotel Excelsior, e depois menciona os cenários daquela região de Roma presentes nos filmes "A Doce Vida", de Federico Fellini, e "A Princesa e o Plebeu", estrelado por Audrey Hepburn.

Em "Quarenta anos depois, alguém perguntou por ele no hotel", Heloísa Seixas relembra a ida dela e do marido a um hotel em Portofino, na Riviera Italiana, onde vivera o poeta e crítico literário norte-americano Ezra Pound, e que, ao questionar a proprietária a respeito desse fato, emocionaram-na. Afinal, há mais de quarenta anos que alguém a questionava a respeito do escritor. Prova de que é preciso muita vontade e faro de pesquisador apaixonado para aproveitar ao máximo as viagens. Ah, essas andanças renderam até mesmo um cartão postal enviado pelo cantor e pianista norte-americano Bobby Short, fato relatado em outro texto imperdível.

 guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 28/10/2011

Filme filipino 'Ways of the Sea' retrata migração ilegal na Ásia



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Para quem aproveita a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo com o objetivo de conhecer a cinematografia de países distantes e que dificilmente chegará aos cinemas convencionais, o filme filipino, falado em Tagalog Sama-Tausug e Bisava, “Ways of the Sea”, com legendas em inglês e português, é imperdível. Afinal, ele trata de um tema bastante caro e próximos a nós, ocidentais, que é a migração ilegal de pessoas de um país a outro, no caso de Mindanao, um conjunto de ilhas ao sol das Filipinas, para a Malásia, em busca de uma vida melhor em Sabah.

Com belas paisagens, misturadas a outras marcadas pela pobreza, e um final surpreendente, “Ways of the Sea” apresenta vários personagens que tentam realizar a travessia a bordo do mesmo barco. Entre eles, está um irmão mais velho e a irmã caçula, uma garotinha bem esperta e encantadora; uma prostituta que já tentou várias vezes essa viagem, mas sem sucesso; duas irmãs que procuram a mãe desaparecida; e um homem, que logo no início tenta aliciar duas garotas menores de idade para trabalharem para ele no “novo mundo”.

Em 78 minutos, o filme dirigido por Sheron R. Dayoc conquista pela simplicidade, marcada por muitas imagens de câmera na mão, muitas vezes treminadas; e ângulos insólitos. E revela que, apesar de sermos muito distantes geograficamente e diferentes cultural, sociológica e historicamente, temos muito pontos em comum e tocamos nossas vidas em busca de um mundo melhor, que, infelizmente, nem sempre chega para todos. 

Serviço
Domingo, 30/10, e segunda, 31/10, ambos às 18h20, no Espaço Unibanco Pompéia Bourbon Shopping – Rua Turiassu, 2100. 3º andar. Perdizes. T: 36733949.
Quarta, 02/11, às 19h – Cine Tam – Morumbi Shopping – Avenida Roque Petroni Jr, 1089. Morumbi. T: 5189-4656.

 guibryan1@redebrasilatual.com.br

 

Publicado em 27/10/2011

Paralamas do Sucesso relembram histórico 'Selvagem?' no Circo Voador



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

(reprodução)

Há 25 anos era lançado um dos mais importantes álbuns do rock brasileiro – "Selvagem?", dos Paralamas do Sucesso. Para comemorar a data e relembrar os sucessos e as canções menos conhecidas daquele disco, o trio Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone se apresenta no sábado (29), no Circo Voador, no Rio de Janeiro. O show é resultado de uma ação dos fãs em redes sociais, com o coletivo "Queremos" e já foi apresentado no Sesc Belenzinho, em São Paulo.

Em seu lançamento, "Selvagem?" se destacou por misturar rock com ritmos caribenhos e brasileiros, e trazer sucessos como "Melô do Marinheiro", composta apenas por Bi Ribeiro e João Barone; "Alagados"; "Você", regravação de clássico do Tim Maia; e "A Novidade", composta pelo trio em parceria com Gilberto Gil.

Mas o álbum trazia também a politizada "Teerã", a experimental faixa-título, a instrumental "Marujo Dub" e a romântica e linda "A dama e o vagabundo", que, injustamente, passou o tempo praticamente esquecida.

Serviço
Paralamas do Sucesso toca Selvagem? – 29 de outubro, às 22h, no Circo Voador.
Ingressos de 50 a 100 reais.
Rua dos Arcos, s/n. Lapa. Rio de Janeiro/RJ. T: (21) 2533-0354

 guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 27/10/2011

'Amarcord', clássico de Fellini, é atração ao ar livre da Mostra de São Paulo



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Cena do clássico Amarcord, de Federico Fellini, destaque da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Divulgação)

Um dos eventos mais marcantes da 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo promete ser a exibição ao ar livre, na área externa do Auditório do Ibirapuera, da cópia restaurada do clássico "Amarcord", dirigido em 1973 pelo cultuado cineasta italiano Federico Fellini. A sessão faz parte da homenagem ao centenário do compositor também italiano Nino Rota (1911-1979), um dos maiores mestres de trilhas musicais de filmes e um dos parceiros mais fiéis de Fellini.

Com duas horas e sete minutos de duração e ambientado nos anos 1930, numa pequena cidade da costa italiana, 'Amarcord' se tornou um dos grandes clássicos da história do cinema. Ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro, ele retrata uma família local, que acompanha vários eventos durante o regime fascista na Itália. Entre diversos personagens curiosos e que retratam bem a realidade da época, estão um tocador de acordeão cego, uma ninfomaníaca, a mulher de seios grandes da tabacaria e um padre que escuta confissões para poder sonhar com elas.

Serviço
Área externa do auditório do Ibirapuera – domingo, 30 de outubro, às 20h. Grátis.
Auditório Ibirapuera – Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n. Parque do Ibirapuera. Portão 2. T: 3629-1075.
 

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 26/10/2011

Paulo Miklos, a alma roqueira de Noel Rosa



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Uma das atrações da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo é o documentário “A Alma Roqueira de Noel Rosa”, dirigido por Alex Miranda, e que retrata o show realizado por Paulo Miklos, integrante dos Titãs, com o Quinteto em Branco e Preto, com canções do compositor carioca Noel Rosa. 

O maior mérito desse documentário é conseguir interligar o sambista carioca dos anos 1920, Noel Rosa, a Paulo Miklos, integrante de uma das mais importantes bandas de rock do Brasil. Um casamento que poderia parecer muito inusitado provoca um efeito inesperado e agrada em cheio o espectador. Sempre simpático, o titã aparece fazendo a barba diante de um espelho, enquanto se prepara para um dos shows, contando como entrou em contato com os sambistas paulistas do quinteto e qual foi a sensação de frequentar rodas de samba em São Paulo e no Rio.

A partir daí, vão sendo intercaladas imagens de Paulo Miklos se apresentando no Centro Cultural Banco do Brasil, na Virada Cultural e no Auditório Ibirapuera e recebendo as convidadas Mallu Magalhães e Carol Bezerra; com outras de ensaios, onde de modo muito descontraído comenta o que lhe atrai e como interpreta as canções compostas por Noel Rosa. Também é possível vê-lo assistindo as próprias imagens do documentário e analisando-as numa mesa de bar. Há ainda depoimentos de feras do samba, como Oswaldinho da Cuíca e Fabiana Cozza, e do rapper Rappin Hood.

O resultado é que percebe-se que Noel era muito mais roqueiro do que se poderia imaginar e Miklos possui uma encantadora e surpreendente faceta de sambista. Como diretor geral dos shows, o cantor também se mostra simpático e generoso, ao aceitar quando os integrantes do Quinteto escolhem as melhores roupas oferecidas pelo figurinista, quando imaginava algo mais “depressão”, como denomina algo mais simples. Afinal, para ir ao samba sempre se escolhem as melhores roupas.

Clique aqui para assistir a cenas do documentário adiantam a boa dica:

Serviço

Ingressos de 14 a 18 reais (individual)
Domingo, 30/10, às 16h – Frei Caneca Unibanco Arteplex – Shopping Frei Caneca. Rua Frei Caneca, 569. 3º piso. T: 3472-2365.
Segunda-feira, 31/10, às 19h10. Sala Cinemateca – Largo Senador Vergueiro, 207. Vila Clementino. T: 3512-6111
Terça-feira, 1/11, às 19h – Cine Sabesp – Rua Fradique Coutinho, 361. Pinheiros. T: 5096-0585.

 guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 24/10/2011

Documentário sobre "Laranja Mecânica" é atração da Mostra



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Em 1971, estreava um dos filmes mais aclamados de todos os tempos, “Laranja Mecânica”, cujo título original é “A Clockwork Orange”, dirigido pelo britânico Stanley Kubrick e adaptado do romance homônimo escrito em 1962 pelo também inglês Anthony Burgess. Quarenta anos depois, estreia o documentário “Era Uma Vez... Laranja Mecânica”, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que tem a última sessão nesta terça-feira (25), com entrada franca.

Com orçamento de US$ 2,2 milhões, o filme se passa numa Inglaterra do futuro, onde o garoto Alexander DeLarge (Malcolm McDowell), que adora Beethoven, é líder de uma gangue que pratica estupro e violência em alta escala. Após vários crimes, ele é preso e libertado dois anos depois, mas obrigado a se submeter a uma terapia experimental, desenvolvida pelo governo, para deter o crime na sociedade e batizada Ludovico, nome de um dos filhos de Carlo Magno, rei dos francos, e também de um pintor italiano. O filme, aliás, é cheio de referências à contracultura dos anos 1960.

Essa é uma das descobertas do ótimo documentário, dirigido pelo francês Antoine de Gaudemar, que conta com depoimentos de sociólogos, psicólogos e historiadores, que tentam contextualizar o filme e revelar a importância histórica da obra.

Há também depoimentos da viúva do cineasta, Christiane Kubrick, mas quem rouba a cena é mesmo o protagonista Malcolm McDowell, que revela os vários choques que teve durante as filmagens, ao ir descobrindo as cenas, principalmente aquela em que, enquanto agride um homem e antes de estuprar a esposa dele, canta e dança “Singing in the Rain” (Gene Kelly). Aparecem ainda imagens de arquivo do próprio Stanley Kubrick e de Anthony Burgess.

 

Serviço
Terça-feira, 25 de outubro, às 19h. Entrada franca.
Faap – Fundação Armando Álvares Penteado. Rua Alagoas, 903. Higienópolis.
T: (11) 3662-7321.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 24/10/2011

Lêda Dias revigora clássicos da música brasileira em CD



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Um imenso e irrestrito amor à música brasileira é o que transborda em cada uma das 15 faixas do álbum em CD e vinil "Canções Brasileiras", de Lêda Dias, uma artista e historiadora que transformou tal paixão em lema de vida. Tanto que é gerente do Memorial Luiz Gonzaga, em Recife (PE), autora de livros como a biografia da compositora Anastácia. "Não sei onde aprendi a cantar / Só sei que não consigo esquecer / Cantiga vem do céu / Vem do mato e vem do mar / Faz o meu coraçãozinho doer", cita Caetano Veloso, no encarte, parecendo definir a si própria.

Boa parte dos grandes mestres da nossa história musical está muito bem representada em "Canções Brasileiras". Começa em grande estilo com "Olha Pro Céu", de Luiz Gonzaga e José Fernandes; segue com a linda homenagem a Jovelina Pérola Negra, em "Beijo da Jovelina", em Sebastião Marques. Outro clássico da música nordestino é o irresistível "Saudade Imprudente", de Zé Marcolino.

"Esse rio / Que passa no meu coração / Navega na minha vontade / Uma viola junto da mão / Silêncio acorda na cidade", canta lindamente Lêa Dias, a partir da poesia de Zeto. Em seguida, mais um clássico – "Tropeiros da Borborema", do pernambucano Rosil Cavalcanti, em parceria com Raimundo Asfora. Há uma das mais belas interpretações já feitas do clássico "Serra da Boa Esperança", de Lamartine Babo, marcada pelos arranjos de Kiko Chagas Nobre, também responsável pelo cavaquinho e pelos violões. E abre espaço para outra aconchegante versão de "Noite Cheia de Estrelas", de Cândido das Neves, e a doce "Sertaneja", de René Bittencourt.

Entre os compositores mais recentes, mas não menos importantes, aparecem o carioca Hermínio Bello de Carvalho, com "Toada", parceria com Teca Calazans; o cearense Xico Bizerra, com a gostosa "Tecelã", dele e Maria Dapaz; e o também pernambucano Dominguinhos, na parceria com Climério, "Oito Baixos", em que homenageia grandes artistas do passado: "Deus salve o santo ofício / desse tocar jamais visto / E viva Manoel Maurício / que Deus guarde Zé Calixto / Debaixo da lua cheia / ouvir Geraldo Correia / ou Pedro Sertanejo". O álbum termina com a sertaneja "Triste Berrante", de Adauto Santos, que já havia ganhado versões saborosas de, entre outros, Pena Branca & Xavantinho.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

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