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Curta essa Dica

Publicado em 22/05/2012

Aniversário de 15 anos do Los Hermanos vai passar ao vivo nos cinemas



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Mesmo com 24 shows em 11 capitais, para comemorar os 15 anos de carreira, a turnê nacional do Los Hermanos se tornou a mais badalada do ano, com os ingressos disputados praticamente aos tapas e esgotados em pouco tempo. Só no Rio de Janeiro, 42 mil ingressos foram vendidos em 3 dias.

Datas extras foram agendadas e novamente as entradas esgotaram, deixando muita gente de fora. Para resolver o problema, o grupo Cinelive/Casablanca resolveu transmitir a apresentação de 31 de maio, que vai rolar no Espaço das Américas em São Paulo, ao vivo, em alta definição, em 21 cinemas brasileiros.

Esse modelo adotado por U2 e Red Hot Chili Peppers é inédito no Brasil. Os ingressos serão vendidos a partir de quarta-feira, 23 de maio, através do site www.cinelive.com.br, e os ingressos R$60  (inteira) e R$30,00 (meia entrada). Resta saber se conseguirá captar a vibração do show e as entradas serão tão disputadas.

Confira abaixo os cinemas que transmitirão o show. 
Los Hermanos ao vivo - a partir das 22h
Belo Horizonte - Cinearte do Minas Shopping + Cinemark Savassi
Brasília - Severiano Ribeiro do Kinoplex Park Shop + Cinemark Pier 21
Campinas - Cineflix Galeria Shopping
Caruaru - Center Plex Caruaru
Curitiba – UCI Palladium
Florianópolis - Cinespaço Beira Mar Florianópolis
Fortaleza – UCI do Shopping Iguatemi + Center Plex do Shopping Via Sul
João Pessoa - Cinespaço MAG Shopping
Juiz de Fora - UCI Independência
Maceió - Centerplex do Patio Maceió
Maringá - Cineflix Maringá Park
Niterói - Cinemark Niterói
Porto Alegre - Cineflix do Shopping Total
Recife - UCI do Shopping Center Recife
Ribeirão Preto - UCI Ribeirão Shopping
Rio de Janeiro - Espaço Itaú Praia Botafogo + Serveriano Ribeiro do Kinoplex Tijuca + UCI New York City Center + Severiano Ribeiro do Fashion Mall + Cinemark Botafogo + Cinemark Downtown
Salvador - Cinemark Salvador Shopping
Santos - Roxy Santos
São José dos Campos - Cineflix Shopping Vale Sul
São Paulo - Serveriano Ribeiro Shopping Vila Olímpia + UCI Shopping Jardim Sul + Espaço Itaú Frei Caneca + Cinermark Santa Cruz + Cinemark Eldorado + Cinemark Market Place
Sorocaba - Cinespaço Villagio Sorocaba


guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 22/05/2012

Festival de documentários musicais chega a quarta edição em São Paulo



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Entre 1º e 10 de junho, São Paulo receberá a quarta edição do In-Edit Brasil – Festival Internacional de Documentário Musical, que exibirá mais de 60 documentários a respeito de artistas como Nelson Sargento, Noel Rosa, Marcelo Yuka, David Bowie, Iggy Pop, Queen, Lou Reed, The Libertines, Morphine e Queen, entre outros, em seis salas da cidade. O evento contará também com palestras, debates, workshops e apresentações musicais, e prestará uma homenagem ao diretor britânico Don Letts.

Reconhecido como pioneiro da cena punk britânica, Don Letts é o responsável por documentários como “The Punk Rock Movie” (1978), “Punk Attitude” (2005), “The Clash – Westway to the World” (2003) e “Rock’n’Roll Exposed – The Photography of Bob Gruen”, a repeito do fotógrafo de rock norte-americano. Todos estes serão exibidos no In-Edit. O realizador também teve relações estreitas com bandas emblemáticas como Clash, Ramones, Sex Pistols, MC5 e Black Flag, entre outras.

Como destaques internacionais, estão “Ray Davies – Imaginary Man” e “Kinkdom Come – Dave Davies”, de Julie Temple. Os dois filmes contam a história dos irmãos Rat e Dave Davies, da banda britânica The Kinks. Também merece atenção “No Comment – Je suis venu vous dire – Gainsbourg by Gainsbourg”, de Pierre-Henry Salfati, que reúne entrevistas do músico, cantor e compositor francês Serge Gainsbourg.

A produção nacional será muito bem representada por filmes como “Lira Paulistana”, de Riba Castro, a respeito da casa de shows paulistana, que também virou selo, e foi responsável por lançar artistas como Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé, Premeditando o Breque, Rumo, Titãs, Inocentes e Cólera, entre outros.

Serviço
In-Edit 2012 – De 1º a 10 de junho. Sessões gratuitas ou a preços populares.
MIS-SP – Avenida Europa, 158. Jardim Europa
CineSesc – Rua Augusta, 2075. Cerqueira César
Cine Olido – Avenida São João, 473. República
Cinemateca Brasileira – Largo Senador Raul Cardoso, 207. Vila Clementino
Matilha Cultural – Rua Rêgo Freitas, 542. República
Mais informações em http://in-edit-brasil.com/


guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 19/05/2012

Grupo Galpão comemora 30 anos de teatro



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Jovens se encontram numa oficina realizada no Festival de Inverno da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Diamantina (MG), e, ao voltarem à capital do estado, criam um dos mais importantes grupos de teatro de rua do país, o Grupo Galpão. Lá se vão quase 30 anos que Teuda Bara, Eduardo Moreira, Wanda Fernandes e Antônio Edson estrearam com o espetáculo “E a Noiva Não Quer Casar”, na Praça 7, em novembro de 1982. Para comemorar as três décadas de atividade, eles retornam a um espetáculo montado por eles pela primeira vez em 1992 e apresentam neste sábado (19) e domingo (20), a peça “Romeu e Julieta”, no Globe Theatre, em Londres, na Inglaterra, como parte do evento “Shakespeare’s Globe”.

Em 9 de junho, eles estarão de volta ao Brasil para apresentar a mesma montagem de “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare, na Praça do Papa, em Belo Horizonte, abrindo a décima primeira edição do Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte (FIT-BH). O espetáculo permanecerá em cartaz na cidade até 1º de julho.

Em seguida, o grupo parte para São Paulo, onde fica entre julho e agosto; e para o Rio de Janeiro, nos meses de outubro e novembro. Também serão montados dois espetáculos de rua e mais um de palco – “Till, a saga de um herói torto”, encenado originalmente em 2009; “Tio Vânia (aos que vierem depois de nós)”, de 2011; e o inédito “Eclipse”.

Para 2013, o grupo já planeja a estreia do espetáculo “Gigantes da Montanha”, do dramaturgo italiano Luigi Pirandello, com direção do brasileiro Gabriel Vilela. Prepara ainda um documentário a respeito da viagem do espetáculo “Till”, ao Chile, e seis curtas-metragens baseados nos contos do autor russo Anton Tchékhov. Também serão lançados três DVDs (“Till”, “Pequenos Milagres” e “Um Molière Imaginário”) e uma nova edição de oito volumes de “Projeto Diários de Montagem”, a respeito de como o pessoal do Galpão montou e produziu os espetáculos.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 12/05/2012

Livro sobre Equador e Rafael Correa tem lançamento terça-feira em Brasília



Por Redação da Rede Brasil Atual

O livro O Equador é verde – Rafael Correa e os paradigmas do desenvolvimento, do jornalista Tadeu Breda, será lançado na terça-feira (15) em Brasília. A obra é a soma de reportagem no local dos fatos e de análise acadêmica do Equador contemporâneo.

O autor, repórter da Rede Brasil Atual, acompanha durante o agitado ano de 2009, o processo eleitoral que culminou na reeleição de Rafael Correa, presidente desde 2006. São entrevistados os candidatos de oposição, Álvaro Noboa e Lucio Gutiérrez, e o repórter passa semanas no encalço de Correa, acompanhando embates ideológios à esquerda e à direita do espectro político.  

Ao abordar a questão das eleições, o livro vai além e passa a discutir os limites do processo reformista comandado por Correa e as contradições inerentes a uma presidência de esquerda latino-americana. Assolado por seguidos golpes de Estado, o Equador tenta garantir uma estabilidade inédita e apagar seu passado de “república de bananas”, exposto na entrevista de Noboa, poderoso empresário e conexão com uma história de intervenção direta dos Estados Unidos nas eleições locais. 

Merecem destaque os capítulos que tratam dos erros e acertos dos grupos indígenas no caminho de sua "descolonização" e da discussão sobre o chamado “socialismo do século 21”, ou um socialismo indoamericano, expressões cunhadas na Venezuela de Hugo Chávez e na Bolívia de Evo Morales, mas que, como se vê no livro, guardam diferenças e particularidades que tornam difícil a rotulagem das mudanças em curso na região.

Ao abordar os erros de alguns dos mais fortes grupos políticos dos povos originários, Tadeu Breda oferece uma leitura sobre a nova Constituição, que reconhece a plurinacionalidade equatoriana, mas impõe uma série de dúvidas sobre a real possibilidade de convivência entre um modelo extrativista e o respeito aos direitos ancestrais sobre a Pachamama – a Mãe Terra. 

É a questão ambiental, aliás, que salta aos olhos na discussão sobre o Equador contemporâneo. O presidente Rafael Correa não abre mão da exploração do rico petróleo que abunda em terras equatorianas e que garante um Produto Interno Bruto (PIB) polpudo, mas de consequências sociais duvidosas. O livro levanta a discussão: mantida intacta, a Amazônia não vale mais do que sendo explorada para um proveito limitado no tempo e restrito em número?

Entra em cena o caso de Shushufindi, povoado assolado há décadas pela exploração irresponsável da Chevron – e, depois, da estatal Petroecuador. O caso foi retratado em reportagem publicada na Revista do Brasil e se arrasta até hoje entre inúmeros recursos e desvios protelatórios da empresa norte-americana, responsável também por acidentes recentes na costa brasileira. 

O livro tem tempo, ainda, para um capítulo analisando o que, de fato, ocorreu em setembro de 2010, quando Correa ficou cercado em um hospital de Quito por policiais amotinados. Terá sido um golpe de Estado ou uma revolta por aumento salarial? Questões a serem discutidas por O Equador é verde. Quem não puder ir ao lançamento em Brasília, pode conferir mais sobre o livro – e adquiri-lo – no site.

"O Equador é verde – Rafael Correa e os paradigmas do desenvolvimento"
Quando: 15 de maio, a partir das 19h.
Onde: Livraria Sebinho SCLN 406 - Bloco C - Loja 44. Asa Norte, Brasília-DF
http://www.latitudesul.org/livro/

Publicado em 15/05/2012

Caetano Veloso e David Byrne juntos e ao vivo em CD histórico



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

“Bota essa porra pra funcionar! Toma vergonha na cara e vamos começar do começo”. Quem esteve em 5 de outubro de 2004, no Anhembi, em São Paulo, ou acompanhou pela tevê a edição daquele ano do Video Music Brasil (VMB), a premiação anual da emissora de televisão MTV, dificilmente se esquecerá da raiva de Caetano Veloso, após tentar duas vezes, sem sucesso, cantar “(Nothing But) Flowers”, ao lado do cantor escocês David Byrne, ex-líder dos Talking Heads. Oito anos depois, chega às lojas o excelente CD “Caetano Veloso and David Byrne Live at Carnegie Hall”, que registra o show realizado, obviamente, na famosa casa de espetáculos nova-iorquina, em 17 de abril daquele mesmo ano.

Acompanhado pelo violoncelista Jacques Morelenbaum e pelo percussionista Mauro Refosco, além de David Byrne na guitarra, Caetano Veloso, que também toca violão, abre o show extremamente simpático e esbanjando candura ao interpretar os sucessos “Desde Que o Samba é Samba”, “Você é Linda”, “Sampa”, “O Leãozinho”, “Coração Vagabundo” e “Manhatã”, que foram compostas num período de trinta anos, entre 1967 e 1997. 

Em seguida, ele interpreta uma canção de Byrne, “The Revolution”, que comparece ao palco para um belo e marcante dueto. Em seguida, é a vez do escocês, que interpreta sucessos de sua ex-banda Talking Heads, como “And She Was”, “Life During Wartime” e “Road to Nowhere”, além das canções da carreira solo “Everyone’s in Love with You”, “She Only Sleeps” (temperada por uma interpretação maliciosa de Caetano) e “God’s Child”.

Ocorre, então, outro encontro emocionante de Caetano Veloso e David Byrne na parceria “Dreamworld: Marco de Canaveses”. Em seguida, eles cantam “Um Canto de Afoxé para o Bloco do Ilê”, de Caetano Veloso e do filho dele, Moreno e a famigerada “(Nothing But) Flowers”, do repertório do Talking Heads. O show termina do modo mais apropriado possível, com uma ode ao nosso planeta e ao paraíso – “Terra”, de Caetano Veloso, e “Heaven”, de David Byrne, com cada um interpretando a respectiva canção.

“Caetano Veloso and David Byrne Live at Carnegie Hall” não é apenas o registro da apresentação e do encontro de dois ícones mundiais num dos mais prestigiados palcos sagrados, que dispensam as guitarras elétricas e as baterias eletrônicas, optando pela interpretação acústica. Mais do que isso: é a demonstração da universalidade e do poder da linguagem musical. 

“Não vou tentar descrever o que Caetano faz, porque seu trabalho é extremamente variado e não é fácil comparar com ninguém da América do Norte ou da Europa. Se você não estiver familiarizado com seu trabalho, você pode querer experimentar mais de um registro, como eles podem ser muito diferentes um do outro” (“I won't try and describe what Caetano does because his work is incredibly varied and not easy to compare with anyone in North America or Europe. If you're unfamiliar with his work you might want to try more than one record, as they can be very different from one another”), relata o próprio David Byrne no encarte do CD.

Portanto, realmente a MTV Brasil teria que fazer "a porra do equipamento funcionar", como conseguiu depois da reclamação pública e dos intervalos comerciais antecipados emergencialmente naquela edição do programa. Assim, o público poderá saborear extasiado um momento de riqueza inigualável.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 15/05/2012

Museu da Língua Portuguesa mostra porque Jorge é Amado e Universal



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Jorge Amado, homenageado por centenário de nascimento, com exposição abrangente em SP e Salvador (Foto:FCJA)

Não poderia ser mais apropriado o título da exposição em cartaz no paulistano Museu da Língua Portuguesa, em homenagem ao centenário de nascimento do mais importante e popular escritor baiano – “Jorge, Amado e Universal”. Com farto material trazido da Fundação Casa de Jorge Amado e grande variação entre as salas, a mostra, que pode ser vista até 22 de junho, segue depois para o Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador.

Logo na chegada do andar dedicado à exposição, o que se vê é algumas frases de Jorge Amado escritas num muro em que cada letra ocupa um azulejo. Em seguida, há uma sala com vários monitores de televisão espalhados e exibindo vários trechos dos romances lidos em voz alta, além de alguns depoimentos e documentários. O grande problema é que os sons se sobrepõem uns aos outros, sendo praticamente impossível permanecer por ali tempo suficiente de desfrutar a riqueza do material.

Nessa mesma sala, há datiloscritos com correções feitas à mão por Jorge Amado e ilustrações das obras e fotos relacionadas ao universo dos romances. E chama atenção as centenas de fitas coloridas, semelhantes a do Senhor do Bomfim, com o nome de vários personagens, caso de Calasans Neto, de “Dona Flor e Seus Dois Maridos”; do Boa-Vida, de “Capitães de Areia”; e do Cabo Martim, de “Quincas Berro D’Água” e “Pastores da Noite”, amarradas numa parede.

O módulo seguinte é “Sala Jorge Amado Público”, um dos mais impactantes, graças à presença de textos girando como se estivessem em máquinas de linotipia, artigos de jornal espalhados pelas paredes, junto com fotografias e até a propaganda eleitoral de quando se candidatou a deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Em seguida, é a vez de se manter contato com objetos da cultura baiana, como charutos, e imagens que comprovam o sincretismo religioso, que inclui o catolicismo e o candomblé, em meio a garrafas de areia com frases do escritor.

A quarta sala visa mostrar Jorge Amado como o “escritor de putas e vagabundos”, mas comprova mais uma vez um equívoco. Dessa vez, luminoso. Trata-se de um espaço todo metálico, com uma forte luz vermelha, capaz de provocar certo mal estar, e trechos de livros, como “Tieta do Agreste” e “Gabriela Cravo e Canela”, que tratam da questão da sensualidade e da malandragem que só podem ser espiados quando se olha no interior de rachaduras abertas nas paredes.

Com uma parede toda criada com grãos de cacau – algo extremamente criativo -, o quinto módulo mistura vídeos, em que é possível escutar Caetano Veloso interpretar a música-tema da minissérie “Tenda dos Milagres”. No sexto módulo, também há um monitor de televisão em que é possível ver e ouvir a escritora e esposa de Jorge Amado, Zélia Gattai, relatar como foi conquistada por ele. Há também fotografias retratando a realidade baiana, com direito a muitas referências ao mar.

A sexta sala é ocupada por uma centena de fotografias de Jorge Amado com amigos como Dorival Caymmi, Maria Bethânia, Vinicius de Moraes, Fidel Castro, Tom Jobim, Glauber Rocha, Sonia Braga e Grande Otelo, entre outros. Também estão em destaque as famosas camisas coloridas usadas pelo romancista, assim como seus livros preferidos, como os de Castro Alves, Pablo Neruda, Nicolás Guillén, Sérgio Buarque de Hollanda e Conan Doyle.

Há ainda um espaço para ver várias edições dos mais famosos livros, uma linha do tempo do escritor, em que é possível descobrir curiosidades como o fato dele ter gravado com Dorival Caymmi dois discos ("Canto de amor à Bahia" e "Quatro acalantos de Gabriela Cravo e Canela"), e também para cartas trocadas com, entre outros, Oscar Niemeyer e Mário de Andrade.

“Seus livros da Bahia revelam-me mais que um escritor, que um romancista, que um analista. Revelam-me uma força da natureza, uma espécie de harpa eolea que ressoa a passagem dos ventos dos dramas da miséria”, lhe escreveu, em 23 de agosto de 1936, o escritor Monteiro Lobato.

Portanto, a exposição, que tem direção geral de William Nacker, coordenação de conteúdo de Ana Helena Curti e expografia dos craques Daniela Thomas e Felipe Tassara, merece ser visitada pela riqueza do material exposto de modo bastante organizado e lúdico. Registra-se, porém, que o conjunto da mostra peca ao descuidar da poluição visual e sonora, e aos eventuais problemas de iluminação dos espaços.

Porém, Trata-se de uma bela homenagem ao escritor que espalhou a realidade brasileira ao redor do mundo. Porém, alguns equívocos, facilmente corrigíveis, impedem que ela seja saboreada de modo semelhante à como sempre foram as páginas dos principais romances de Jorge Amado.

Serviço
Exposição Jorge, Amado e Universal.
Até 22 de julho. De terça-feira a domingo, das 10h às 17h
Ingressos a R$6. Grátis aos sábados
Museu da Língua Portuguesa – Praça da Luz, s/n. Centro - São Paulo
T: (11) 3326-0775

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 11/05/2012

'Uma Longa Viagem' retrata anos de chumbo pelo viés particular



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Caio Blat, no documentário que mistura realidade e ficção para narrar a formação de uma visão de mundo (Divulgação)

A cineasta carioca Lúcia Murat foi presa política durante boa parte da década de 1970, quando o Brasil vivia os denominados “anos de chumbo”, em função da ditadura militar e da tortura. Uma maneira de ela enxergar o mundo além das grades era através das cartas e da aventura vivida pelo irmão caçula, Heitor, que vai a Londres em 1969, enviado pela família para não ingressar num grupo de resistência, e de lá ele conhece o mundo e se envolve com as descobertas libertárias da época, proporcionadas também pelas drogas. Ele passa pela Índia, pelos Estados Unidos e até pela longínqua Nova Zelândia. Esse é o tema do ótimo documentário “Uma Longa Viagem”, que chega nessa sexta-feira (11), aos cinemas brasileiros.

Não se trata de um documentário convencional. Muito pelo contrário. Lúcia Murat parte de uma história bastante particular, baseada em cartas e no depoimento do próprio irmão, que é extremamente carismático, para construir um retrato de época riquíssimo e repleto de referências culturais e também religiosas e místicas.

Estão ali desde o romance beatnik “On The Road”, de Jack Kerouac (cuja viagem ao redor dos Estados Unidos Heitor realizou duas vezes) até marcos musicais, como o clássico álbum gravado por Caetano Veloso no exílio londrino e artistas do rock psicodélico, como Janis Joplin, Jefferson Airplane e Jards Macalé, entre outros.  

Sem pudores, a cineasta retrata os contrastes entre sua vida de angústias como presa política e a aparente riqueza da vida errante do irmão. Ou seja, dois mundos que pareciam tão distantes e antagônicos – o hippie e a militante política – se encontram de maneira singular no seio da mesma família, proporcinando uma troca extremamente transformadora. Ao mesmo tempo, há o irmão mais velho, que se torna médico bem-sucedido e constitui família nos moldes tradicionais. É a morte dele, aliás, que dá o impulso necessário para a realização do filme, como é contado no próprio.

Outro aspecto bastante interessante é que Lúcia Murat, além de adotar a posição de narradora, não retorna aos lugares visitados pelo irmão, mas se vale de boa atuação de Caio Blat, que rejuvenesce incrivelmente na tela ao contracenar com imagens projetadas dos lugares na época em que os fatos ocorreram, e também passa a imagem claustrofóbica de quem vive profundamente todas as experiências com sexo, drogas e rock and roll. 

O resultado visual, além de ser incrivelmente plástico, faz com que o espectador consiga se inserir ainda mais na narrativa. Ou seja, prova mais uma vez o poder do audiovisual em, ao se utilizar os recursos certos e de modo criativo, transmitir noções de realidade. Portanto, trata-se muito mais do que um registro de geração, pois trabalha com questões essenciais das relações afetivas e de descobertas do mundo, independente das consequências que elas provocam. “Uma Longa Viagem” foi premiado como melhor documentário pela crítica no Festival de Paulínia e ganhou como melhor filme, ator, direção de arte, júri popular e prêmio estudantil no Festival de Gramado.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 09/05/2012

Zezé Motta é a convidada do cantor Sérgio Dumont no Teatro Rival



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Zezé Motta e Sergio Dumont unem talentos em apresentação única, no Rio (Fotos: ©divulgação)

Nessa quarta-feira (9), a cantora e atriz Zezé Motta é a convidada do também cantor e compositor Sérgio Dumont, na série “Sérgio Dumont e amigos cantam MPB”, no Teatro Rival Petrobrás, no Rio. A apresentação marca o lançamento do CD homônimo e de estreia de Dumont e a direção é do maestro João Castilho.

Zezé Motta apresentará canções de seu álbum mais recente, “Negra Melodia”, de 2011, em que homenageia os cantores e compositores Luiz Melodia e Jards Macalé. No repertório estão sucessos como “O Sangue Não Nega”, “Anjo Exterminador”, “Mal Secreto”, “Vale Quanto Pesa” e “Divina Criatura”.

Já Sérgio Dumont apresentará canções de sua autoria como “Brasileirice”, “Beija-Flor”, “Só Por Amor”, “Praia Seca”, “Tema nº1” “Sonhei Demais”, que no CD conta com a participação de Flávio Venturini, e “Realeza Vulgar”, dueto com Jane Duboc.

Serviço
Circuito Sérgio Dumont e amigos cantam MPB – quarta-feira, 9 de maio, às 19h30
Ingressos: de R$30  (para os 100 primeiros compradores) a R$40 
Teatro Rival Petrobrás
Rua Álvaro Alvim, 33/37 Subsolo. Cinelândia. Rio de Janeiro (RJ)
T: (21) 2240-4469


guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 09/05/2012

Ingmar Bergman ganha maior mostra no Brasil



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Cena de "Morangos Silvestres", destaque da mostra sobre a obra do sueco Ingmar Bergman, do CCBB (Divulgação)

O cineasta sueco Ernst Ingmar Bergman viveu entre 14 de julho de 1918 e 30 de julho de 2007, e foi um dos maiores atistas de seu país. Venceu três vezes o Oscar de melhor filme estrangeiro, e foi indicado outras nove em diferentes categorias. Seis vezes premiado no Festival de Cannes, na França, ele ganhou, em 1997, a “Palma das Palmas”, concedida pelos organizadores do Festival.

Agora é homenageado pelo Centro Cultural Banco do Brasil, com a maior mostra dele já realizada no país. Ao todo, serão exibidos mais de 50 filmes nas unidades do Rio de Janeiro, que começou na última terça-feira, 8 de maio, e segue até 10 de junho; de São Paulo, de 13 de junho a 15 de julho; e de Brasília, de 19 de junho a 22 de julho.

Entre os 50 filmes selecionados, estão o primeiro “Crise”, de 1946, e o último, “Saraband”, de 2003, passando pelos clássicos “Monika e o Desejo” (1953), “O Sétimo Selo” (1957), “Morangos Silvestres” (1957), “Persona” (1966), “Gritos e Sussurros” (1972), “O Ovo da Serpente” (1977), “Sonata de Outono” (1978) e “Fanny e Alexander” (1982), entre outros.

Além de indispensáveis na história do cinema, destacadas como profundos dramas existenciais e marcadas por uma fotografia intensa e deslumbrante, essas obras foram responsáveis por lançar astros como Liv Ullmann, Bibi Andersson, Ingrid Thulin, Erland Josephson e Max von Sydow.

Há ainda as obras praticamente inéditas, como “O Olho do Diabo” e “Rumo à Felicidade”. Também serão exibidos quatro documentários retratam a vida e a obra de Ingmar Bergman, caso de “A Ilha de Bergman” (2004), de Marie Nyreröd; “Os Homens e Bergman + As Mulheres e Bergman” (2008), de Eva Beling; “Imagens do Playground” (2009), de Stig Björkman; e “… Mas o Cinema é Minha Amante” (2010), do mesmo realizador.

Os filmes serão exibidos na tela do cinema e em projeção em 35 milímetros. O evento tem o apoio do Swedish Film Institute, da Fundação Ingmar Bergman, do Instituto Sueco e da Embaixada da Suécia no Brasil. E contará também com curso ministrado por Sérgio Rizzo, livro-catálogo e debate com o documentarista Stig Björkman. É, portanto, uma oportunidade rara de descobrir our ever a obra desse que é considerado pelo norte-americano Woody Allen “provavelmente o maior diretor desde a invenção da câmera”.

Serviço
Mostra Ingmar Bergman – Ingresso de R$3,00 a R$6,00
CCBB Rio – de 8 de maio a 10 de junho
Rua Primeiro de Março, 66. Centro. T: (21) 3808-2020

CCBB São Paulo – de 13 de junho a 15 de julho
Rua Álvares Penteado, 112. Centro. T: (11) 3113-3651

CCBB Brasília – de 19 de junho a 22 de julho
SCES – Trecho 02, Lote 22. T: (61) 3108-7600

Mais informações em http://www.bb.com.br/portalbb/home21,128,128,0,1,1,1.bb

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 11/05/2012

Marília Bessy traz brilho e charme ao pop rock nacional



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Marília Bessy e Nei Matogrosso: show no Rio deverá confirmar a cantora como grande expoente do cenário musical do país (Foto: Rival Petrobras/Divulgação)

Um dos shows mais comentados e aguardados de 2012 é o encontro da cantora carioca Marília Bessy com Ney Matogrosso, no Teatro Rival, no Rio de Janeiro (RJ), na quarta-feira (23), às 19h30. Quase com um mês de antecedência, os ingressos já estão esgotados. Não é para menos. Basta escutar o encontro dos primeiros acordes com a voz da garota no segundo álbum dela, “Doce Devassa”, para confirmar porque tem obtido elogios tão rasgados por parte da crítica especializada e do público, e como conseguiu reunir num mesmo trabalho nomes tão importantes do pop rock nacional.

Conhecido como integrante da banda Barão Vermelho, o baixista Rodrigo Santos é o produtor do álbum e também compositor da faixa que abre o álbum, “Tem Dias Que Eu Sou Assim”, um pop rock moderno e potente, criado em parceria com Marília Bessy, que escancara: “Não quero falar com ninguém / Não quero sair para beber e nem para fumar / E se o telefone tocar / Eu não vou atender”. A música conta com guitarra e baixo de Rodrigo, guitarras de Fernando Magalhães (também com passagem pelo Barão Vermelho) e piano, synth e órgão de Humberto Barros (conhecido como líder da banda Picassos Falsos).

O tom raivoso segue na animada regravação do clássico “Não Vou Ficar”, de Tim Maia, que conta com a participação especialíssima de Hyldon: “Por isso resolvi agora / Te deixar de fora de fora do meu coração / Com você não dá mais certo / E ficar sozinho é minha solução / É minha solução sim”.  E nada de ficar cabisbaixo e sofrendo por amor. O lance é sair para dançar e comemorar, com a empolgada “Vela”, que conta com o saxofone do “kid abelha” George Israel: “As variações e as interpretações / Dão rumo ao mundo / Se você quer saber, pergunte sem ofender / Ou tente entender sozinho”.

Numa pegada com a cara do Barão Vermelho, “Eu Não Sei o Seu Enigma” é uma parceria de Marília Bessy com Mauro Sta. Cecília (“Por Você” e “Amor Pra Recomeçar”), Rodrigo Santos e Fernando Magalhães: “Cara você não se toca como eu te quero / Vive no espaço em quanto eu me desespero / Olha nos meus olhos me diz o que tá sentindo / E fala a verdade para eu não ter que decifrar”. É o início de uma tentativa de romance mais moderno e libertário, sem chororôs e lamúrias, que tem continuidade em “Meu Mundo Virou”, com uma pegada bem pop anos 90, de cantoras como Vanessa Rangel e bandas como Ludov.

O romantismo despudorado e notívago aparece na sensual e dançante “O Que Você Quer de Mim”, que conta com a participação de Ney Matogrosso: “Às vezes gosto dos seus olhos / Me secando do início ao fim / Às vezes gosto de ver você de costas / E de quatro por mim!”. Com uma vibe bem a la Ângela Ro Ro, Marília Bessy arrebenta numa versão mais suingada do sucesso “Tão Longe de Tudo”, do Barão Vermelho: “Solidão amiga do peito / Me dê tudo que eu tenho por direito / Me diga, me ensina”.  O mesmo clima aparece em “Tempestade”, parceria de Marília com Patrícia Peixoto, que conta com a flauta transversa de George Israel e os violões de Dadi Carvalho (A Cor do Som e Barão Vermelho): “Será que ficar de bem e de mal / É uma qualidade, se a gente não brigar / Não é verdade / Que o nosso amor resistirá... a tempestade”.

Uma das canções mais bonitas é a balada “Outra Vez”, pronta para tocar no rádio e que retrata o dia seguinte à noitada: “Acordei de madrugada sem saber de nada / Procurei os restos na pia, pistas vazias cheias de água / E o chão gelado, nenhum copo limpo todos usados / Com marcas de batom, marcas de alegria, marcas de euforia e de solidão / ... / Todo mundo tem / Todo mundo tem coração meu bem”. Essa pitada pop saborosa e aconchegante se repete em “Nua”: “Porque o tempo voa / E as notícias ruins também / Eu só quero as pessoas de bem”.

O misto de baião e rock “Saí de Casa” traz uma energia despudorada com ares de Cássia Eller: “Saí de casa com a 1ª roupa que vi / Saí de casa sem pensar em voltar / Saí de casa para poder te ver / E eu só volto com você / ... / Teu beijo é minha cachaça / Só volto com você para casa / Vou me embebedar”. A antítese dessa saída desenfreada está em “Você Não Entende O Que É O Amor”, num dueto com Rodrigo Santos: “Acordei de madrugada e você vem / Dizendo que não quer mais nada / Pra gente agora tanto faz / Escutei e respondi que não havia / Solução aquela hora / Por favor, volte a dormir”.

A acachapante e eletrônica faixa-título também dialoga com “Saí de Casa”: “Poderosa, descontrolada / Doce devassa / ... / Sou pegajosa e amorosa, mas não quero nada com ninguém / Eu faço pose, pego pôster e assim me chama de nem / Sou louca sã de quimono retrô / Com os pés um pouco acima do chão”. No final, uma fantástica versão cool do hit brega “Conga Conga Conga”, de Mr. Sam, gravado por Gretchen.

Portanto, Marília Bessy aproveita esse segundo álbum, “Doce Devassa”, para propor uma espécie de DR (discussão de relação) moderna, com ares de crônica de baladas e o apoio de artistas que fazem a história do pop rock nacional. Ela também caprichou na concepção da capa e na produção de figurino, junto com Patrícia Peixoto, com direito à língua dos Rolling Stones, para o colorido e encantador projeto gráfico de Ronaldo Oest, que transmite a sensação de uma garota descolada e “up to date”.

Ah, esse foi o primeiro trabalho lançado pela parceria da Warner Chappel com a Warner Music distribuição digital, e contou com o apoio do selo Discobertas, do jornalista e produtor Marcelo Froes. Marília Bessy também teve músicas incluídas nas telenovelas “Rebeldes” e “Vidas em Jogo”, da Rede Record, e ganhou o Troféu Revelação Sexo MPB, do jornalista e produtor musical Rodrigo Faour.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 11/05/2012

Cantora Karina Buhr expõe ilustrações em São Paulo



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

A cantora baiana Karina Buhr é frequentemente apontada como uma das melhores revelações da música brasileira dos últimos anos. Compositora, percussionista e atriz, ela já lançou dois álbuns – “Eu Menti pra Você” (2010) e “Longe de Onde” (2011). Neste sábado (12), porém, ela estreia como desenhista, com uma mostra em São Paulo de ilustrações por ela criadas.

A exposição “Vampira del Sol” transformará o espaço criado pela cenógrafa Mônica Rodrigues Fernandes e pelo artista plástico Mozart Fernandes.Todos os trabalhos originais estarão à venda, assim como pôsteres, camisetas, porcelanas e fotografias das ilustrações. Esses trabalhos são conhecidos dos fãs de Karina Buhr, uma vez que ela os publica todos os dias na internet, caso da série “Bandeiras”, com um desenho para cada dia da semana.

Elas também estarão estampadas em camisetas da grife “agua_tonica”, da designer Camila Fudissaku. Para animar a festa, também haverá apresentação dos DJs Bárbara Eugênia e Nana Rizinni.

Serviço
Exposição “Vampira del Sol” – sábado, 12 de maio, das 13h às 19h. Grátis
Espaço Vértices Casa – Rua Fidalga, 66. Vila Madalena
T: (11) 3062-8499

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Publicado em 07/05/2012

Diversidade, morte e confusões marcam Virada Cultural



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Tumulto em show do Suicidal Tendencies. Confusões e violências também marcaram Virada Cultural 2012 (Foto: ©Rodrigo Dionísio/Folhapress)

Uma multidão, estimada em 4 milhões de pessoas, que não costuma frequentar com regularidade o centro de São Paulo compareceu prestigiou a oitava edição da Virada Cultural, realizada entre as 18h do sábado (5) e as 18h do domingo ( 6). Mas se puderam confirmar como a região possui lindos e históricos edifícios e praças, e presenciar espetáculos variados, como malabare, pole dance e shows de astros nacionais e internacionais, também testemunharam aspectos bem menos positivos durante essas vinte e quatro horas, caso da violência e da sujeira.

Durante a apresentação da canção “Brigas Nunca Mais” pelos cantores Luciana Alves e Diogo Poças, às 22h30 de sábado, no Bulevar São João, foi registrada uma grande briga, que necessitou de intervenção policial. O resultado do show da banda norte-americana Suicidal Tendencies, na outra ponta da avenida São João, resultou na invasão da área reservada para convidados e para a imprensa. Várias pessoas ficaram feridas.

Na abertura do evento Chefs da Virada, no Elevado Costa e Silva, o Minhocão, à meia-noite de domingo, o que se viu foi praticamente uma horda de “famintos”, formada por cerca de 5 mil pessoas, que derrubou barras de segurança e armou a maior confusão para tentar apreciar gratuitamente um das 500 galinhadas preparadas pelo renomado chef de cozinha Alex Atala. Para completar, uma adolescente de 17 anos teve uma parada cardíaca e morreu a caminho do hospital. Fontes oficiais declararam que a mais provável causa foi consumo de drogas e álcool, pois foram encontrados 60 gramas de cocaína no bolso dela.

É verdade que shows como o do Titãs estavam bastante lotados, mas, ao mesmo tempo, era só caminhar pelos diversos pontos da Virada Cultural para notar que havia muita apresentação praticamente vazia. Os shows de encerramento, por exemplo, dividiram o público com algumas boas atrações, caso de Gilberto Gil, na Praça Júlio Prestes, e de Jair Rodrigues, no Bulevar São João. Também não houve um show de abertura, como em 2011, quando Rita Lee lotou a mesma Praça Júlio Prestes.

Enquanto Jair Rodrigues até plantou bananeira no palco e levou consigo um vaso de pimenta para homenagear a antiga parceira Elis Regina, morta há 30 anos, Gilberto Gil fez todo mundo dançar com seus maiores sucessos, prestou homenagem a Bob Marley. Ele também fugiu do pedido de parte da plateia para que se posicionasse com relação à decisão da presidente Dilma Rousseff com relação ao novo código florestal, mas exigiu a despoluição do rio Tietê, ao cantar “Punk da Periferia”.

Se Gretchen cometeu o mico de se apresentar com um playback riscado, alguns shows foram bastante elogiados, caso do próprio Titãs, do astro norte-americano Man Or Astro-Man?, Guilherme Arantes e o encontro de Cauby Peixoto & Angela Maria no Teatro Municipal.

Portanto, se faltou organização, a Secretaria Municipal de Cultura confirmou a adoção da política do pão e circo, em que prefere investir pesado em atrações para a Virada Cultural e voltar os olhos para o Centro em apenas dois dias do ano do que apostar numa política séria e permanente de ações culturais públicas, cujos resultados poderiam ser apresentados, inclusive, no próprio evento.

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Publicado em 07/05/2012

Elis Regina foi a grande homenageada da Virada Cultural



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

São Paulo – Se, em 2011, o palco do Bulevar São João, da Virada Cultural, em São Paulo, foi dedicado à maratona de todos os álbuns dos Beatles tocados em sequência, dessa vez a homenageada foi a cantora Elis Regina. Com o título “30 Anos Sem Elis”, 22 artistas se revezaram para interpretar 17 de seus 29 discos lançados. Se o primeiro trabalho, “Viva a Brotolândia”, de 1961, ficou de fora, a festa começou mesmo com “Samba eu Canto Assim”, de 1965, interpretado pelo maestro, pianista, compositor e cantor paulista Adylson Godoy, acompanhado pela filha cantora Adriana Godoy.

Outro momento especial foi quando os cantores paulistas Luciana Alves e Diogo Poças reviveram o memorável encontro de Elis Regina e Tom Jobim, em 1974. No repertório, clássicos como “Águas de Março”, “Só Tinha de Ser Com Você”, “Corcovado”, “Retrato em Branco e Preto”, “Chovendo na Roseira” e “Brigas Nunca Mais”. Por mais metafórico que possa parecer, foi justamente no momento desta última canção que começou uma grande briga e confusão na plateia. Um dos incidentes mais comentados da Virada Cultural.

Já no domingo de manhã, às 10hs, a cantora paulistana Graça Cunha provou seu imenso talento, interpretando para alguns poucos privilegiados clássicos como “Cinema Olympia”, “Aviso aos Navegantes”, “Madalena”, “Estrada do Sol” e “Os Argonautas”. Ela arrepiou e arrancou aplausos entusiasmados quando cantou “Black is Beautiful”, de Marcos e Paulo Sérgio Valle; e uma versão personalíssima de “Golden Slumbers”, de John Lennon e Paul McCartney.

O encerramento ficou por conta de Jair Rodrigues, que, aos 73 anos, cantou, dançou, se jogou para a plateia e até ficou de ponta-cabeça, tendo no palco a companhia de um vaso de pimenta. Ele interpretou o álbum “Dois na Bossa”, de 1965, que inclui “Preciso Aprender a Ser Só”, de Paulo Sérgio e Marcos Valle; “Reza”, de Ruy Guerra e Edu Lobo; “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, e um pot-pourri de sambas clássicos como “O morro não tem vez”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes: “O Sol Nascerá (A sorrir)”, de Cartola e Elton Medeiros; e “Acender as Velas” e “Diz Que Fui Por Aí”, ambos de Zé Kéti.

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Publicado em 06/05/2012

Virada Cultural, em São Paulo, ganha cabaré com pole dance e Gretchen



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Uma das atrações mais aguardadas e comentadas da Virada Cultural foi o cabaré instalado próximo na Rua Araújo e que contou com apresentações de pole dance, dançarinos de striptease e uma apresentação incendiária da “rainha do bumbum” Gretchen, que não foi abalada nem pela rouquidão da voz, nem pelo playback que “engasgou” bem no hit “Freak Le Boom Boom”. “É muito bumbum para um CD só”, tratou de declarar. Prova de que ninguém está ali para ouvi-la cantar, mas, sim, para vê-la rebolar e dar gritinhos.

É verdade que Gretchen, próxima de completar 53 anos, não tem mais a mesma vitalidade de quando se tornou famosa ao se apresentar nos programas de Silvio Santos, durante a década de 1980. Mas ela compensa as possíveis deficiências esbanjando energia, ao dançar no pole dance e rebolar sem parar – sua marca registrada. No repertório, os sucessos “Conga Conga Conga” e “Melô do Piri Piri”; duas versões da nova canção “I’m Cool” e outra em português de “Kuduro”; e uma constrangedora versão eletrônica do clássico samba de Noel Rosa, “Fita Amarela”.

Em seguida, foi a vez de um pole dance masculino e da constrangedora apresentação do trio Frenéticos, Molhados & Croquettes. Se o título é ótimo, ao prestar uma homenagem a Frenéticas, Secos & Molhados e Dzi Croquettes, os garotos desafinam que é uma beleza. Com trajes mínimos e muita ousadia, eles cantaram sucessos de, entre outros, Frenéticas, Sandy & Junior e Amy Winehouse. Valeu pela empolgação e pela diversão.

Para o domingo, estão programados apresentação de performance circense; da “pequena Piaf” (com “Ma Vie En Rose”), e shows da israelense Arisa, de Sweetie Candy e Funny Bunny, e da performática Cida Moreira, com “A Dama Indigna". O encerramento fica por conta de Rita Cadillac.

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Publicado em 06/05/2012

Hits dos Anos 80 e Beatles agitam Largo do Arouche na Virada Cultural



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

O cantor, compositor e pianista paulistano Guilherme Arantes foi o primeiro a subir no palco instalado no Largo do Arouche, durante a Virada Cultural, em São Paulo. Prestando homenagem ao cantor sertanejo Tinoco, que se apresentaria ali nesse domingo, 6 de maio, às 13h, ele relembrou os grandes sucessos de sua carreira, como “Amanhã”, “Êxtase” e “Brincar de Viver”. Durante a canção “Planeta Água”, ele também pediu para que a presidente Dilma Roussef vete o novo código florestal.

Em seguida, o cantor e compositor de Niterói (RJ), Dalto, relembrou grandes sucessos de sua carreira, como “Espelhos D’Água” e “Muito Estranho (Cuida bem de mim)”, e fez um cover de “Stand By Me”, sucesso gravado por John Lennon. Era uma espécie de prelúdio para as homenagens aos garotos de Liverpool, que viriam em seguida, com um pot-pourri preparado pelo Rádio Táxi e pelo Bloco do Sargento Pimenta.

Outra tônica do palco foi artistas relembrando hits dos anos 80 gravados e compostos por outros artistas. Além de abrir e encerrar o show com o considerado “hino brega” “Sonho de Ícaro” (“voar voar, subir subir”), Byafra interpretou “Codinome Beija-Flor”, de Cazuza; “O Último Romântico”, de Lulu Santos, “Cheia de Charme”, do próprio Guilherme Arantes; e “Só Você”, do Vinicius Cantuária.

Mesma tática foi adotada pelo Rádio Táxi, que, além de seus sucessos “Coisas de Casal”, “Eva” e “Sanduíche de Coração”, agitou o público pequeno concentrado no Largo do Arouche com “Primeiros Erros”, do Kiko Zambianchi; “Bete Balanço”, do Barão Vermelho; “Vida Louca Vida”, do Lobão; “Será”, da Legião Urbana; e “Meu Erro”, dos Paralamas do Sucesso.

Também se apresentou na madrugada o cantor e compositor Michael Sullivan, que demonstrou o porquê de ser considerado um dos compositores mais populares da música brasileira. Ele fez um pot-pourri de sucessos infantis gravados por Xuxa e Trem da Alegria, além de interpretar “Whisky a Go-Go”, gravada pelo Roupa Nova; e “Descobridor dos Sete Mares”, revelada por Tim Maia. 

Durante o domingo, se apresentam no Largo do Arouche a cantora Claudette Soares, o desenhista e apresentador de televisão Daniel Azulay, o “rei do carimbo” Pinduca e, para encerrar, o guitarrista Robertinho do Recife, junto com o artista folk norte-americano Jesse Robinson. Ainda não foi anunciado o substituto do cantor Tinoco, que subiria ao palco às 13hs.

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Publicado em 05/05/2012

24 horas de atrações para São Paulo ensolarado



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Depois de uma semana fria na capital paulista, o sol voltou a aparecer em São Paulo e promete aquecer o sábado (5) e o domingo (6) de muitas atrações musicais para todos os gostos. Man Or Astro Man, Gilberto Gil, Titãs, Mutantes, Arnaldo Baptista, Byafra, Cauby Peixoto e Gretchen são algumas das atrações da oitava edição da Virada Cultural, que começa às 18h de sábado e segue até 18h de domingo. A expectativa é de reunir cerca de quatro milhões de pessoas nos 114 pontos espalhados pela cidade.

O luxuoso Teatro Municipal, que já está com quase todos os ingressos esgotados, contará com shows de Arnaldo Baptista, Angela Maria & Cauby Peixoto (recuperando o repertório do álbum ao vivo lançado em 1992), Edy Star (com o disco de 1970, “Sweet Eddy”), Leci Brandão (com “Dignidade”, de 1987) e Zezé Motta (com o álbum homônimo de 1978). Se a ideia é recuperar célebres discos, o palco do Boulevar São João será dedicado a artistas interpretando 17 trabalhos lançados por Elis Regina. Entre eles, Jair Rodrigues (com “Dois na Bossa”), Graça Cunha (com “Ela”), Tati Parra (com “Falso Brilhante”), Luciana Alves e Diogo Poças (com “Elis e Tom”).

Como uma espécie de aquecimento para a Virada Cultural, a filha de Elis Regina, a cantora Maria Rita, se apresentará de graça a partir das 15h, no Parque da Independência, interpretando apenas sucessos imortalizados pela mãe. Esse é o caso de, entre outros, "Como Nossos Pais", "Vida de Bailarina", "Águas de Março", "Saudosa Maloca", "O Bêbado e a Equilibrista", "Me Deixas Louca", "Tatuagem", "Aprendendo a Jogar", "Alô Alô Marciano" e "Me Deixas Louca".

Um dos palcos que sempre tem a expectativa de reunir multidões é o popular do Largo do Arouche, que dessa vez trará astros como Guilherme Arantes, Dalto, Byafra, Michael Sullivan, Rádio Táxi, Bloco do Sargento Pimenta (bloco carnavalesco carioca que toca clássicos dos Beatles em ritmo de marchinha) e Daniel Azulay (o desenhista e cantor que fazia grande sucesso entre as crianças dos anos 80).

Para quem gosta do bom rock and roll, as melhores opções são o palco da Paissandu, com Golpe de Estado, Salário Mínimo, Jordans, Os Skywalkers, As Mercenárias e Paulo Barnabé & Patife Band. Na São João, as estrelas serão Made In Brazil (com o álbum “Jack, O Estripador”, de 1976) e Titãs (com “Cabeça Dinossauro”, de 1986). E na Barão de Limeira, haverá shows de, entre outros, Serguei, A Bolha, Man or Astro-man?, Jupiter Maçã, Pin Ups, Não Religião, De falla, Brothers of Brazil (Supla e João Suplicy) e Popa Chubby.

Para os sambistas, a opção é a Roda de Samba que se instalará no Largo São Francisco, com Berço de Samba de São Mateus, Samba da Vela, Pagode do Cafofo e o Quinteto em Branco e Preto, entre outros. Os alternativos podem curtir Bárbara Rodrix, Pedra Branca, Sweet Flavour, Trupe Chá de Boldo e A Banda Mais Bonita da Cidade na XV de Novembro. Por sua vez, os fãs de música eletrônica em programação exclusiva nas pistas Alfredo Issa, Barão de Piracicaba e Princesa Isabel.

Na época de multiculturalismo, estrelas africanas, como Ray Lema, Ebo Taylor, Seun Kuti & Egypt 80, dividirão o palco da Praça Julio Prestes com o brasileiro Gilberto Gil e os jamaicanos Toots and the Maytals e The Abyssinians.

Há também opções cinematográficas, teatrais (no Pátio do Colégio), de stand up comedy (na Praça da Sé) e até de luta livre (na mesma Praça da Sé). Na hora que bater uma fome, a melhor opção é ir até o Minhocão, onde diversos chefs de cozinha renomados estarão preparando pratos especiais. O mais badalado certamente será Alex Atala, que da meia-noite às duas da manhã preparará uma galinhada. Mas haverá também diversos sanduíches, espetinhos, sushis, bolinhos e arroz de carreteiro.

Confira a programação completa

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Publicado em 04/05/2012

Pitty e Martin fazem show intimista e multimídia do projeto Agridoce



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

A cantora Pitty e o instrumentista Martin, depois de gravar "Agridoce", mostram repertório em show paulistano (Foto: ©Caroline Bittencourt/Divulgação)

Esqueça a imagem de roqueira da cantora Pitty. Em 2011, ela aproveitou as folgas da carreira solo para se dedicar a um projeto paralelo junto com o guitarrista Martin, ao qual deram o nome de Agridoce, e que rendeu um dos melhores discos de música brasileira do ano, gravado de modo praticamente artesanal num estúdio montado numa casa na Serra da Cantareira, em São Paulo.

É justamente esse o clima intimista e descontraído, mas com boa dose de elegância, que se percebe no show que realizaram na noite de quinta-feira (3),  na casa noturna paulistana Tom Jazz e que se repete no fim de semana.

No palco, Pitty, discretamente vestida de preto, cede a posição frontal do palco para o companheiro e só é vista de perfil, tocando piano. Martin assume a guitarra e divide com a cantora boa parte dos vocais. Eles contam com o reforço do programador Loco Sosa e o excelente e irreverente percussionista Luciano Malásia. Vale a pena prestar atenção na empolgação contagiante dele. Entre os instrumentos tradicionais, eles também tocam apitos e cantam através de um megafone. 

No fundo do palco, são projetados vários vídeos bastante interessantes e que dialogam intensamente com as canções. Bem de acordo com o clima do Tom Jazz, a iluminação é quase toda em meio tom, combinando com os figurinos elegantes e discretos dos quatro músicos. Na apresentação de quinta, Pitty e Martin conversaram bastante com a plateia, comentando o trabalho, anunciado por Pitty como tendo esse primeiro e único registro.

Ela disse que foi uma surpresa conseguir fazer shows a partir de um material que a dupla considerava despretensioso. Eles também não têm vergonha de brincar, por exemplo, com o fato de cantarem “francês de boteco” em “Ne Parle Pas”. E ainda fazem uma releitura de canção de Serge Gainsbourg. Outra versão é de “Please, Please, Please, Let Me Get What I Want”, dos Smiths.

Mas o show é formado mesmo pelas canções do CD homônimo, que reúne o sucesso “Dançando” e ótimas canções, como “Epílogos”, “O Porto”, “Romeu”, “20 Passos” e “130 Anos”, que conta com a participação do vocalista da banda baiana Vivendo do Ócio, Jajá Cardoso.

Há também muitas músicas com letra em inglês, caso de “Embrace The Devil”, “Say”, “Upside Down” e “Rainy”. É mais do que o suficiente para contagiar a plateia.

Há apenas que se lamentar o fato de que a casa noturna paulistana tomou a triste decisão de restringir e dificultar a cobertura da imprensa dos shows realizados ali.

Serviço
Show Agridoce – sexta e sábado, 3 e 4, às 22hs; e domingo, 5, às 21hs
Ingressos a R$70
Tom Jazz – Avenida Angélica, 2331. Higienópolis. T: (11) 3255-0084 / 3255-3635


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Publicado em 03/05/2012

Duran Duran recebe Fernanda Takai em show de clássicos



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Apresentação da banda foi um espetáculo audiovisual marcado pelos principais sucessos da carreira (Foto: © Néstor J. Beremblum/Flickr)

Em 2011, a banda britânica Duran Duran comemorou 30 anos do lançamento do primeiro álbum lançando mais um, “All You Need Is Now”, demonstrando que permanecia na ativa e com qualidade. Foi justamente a turnê dele que passou nesta semana pelo Brasil, incluindo shows no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde a banda se apresentou no Credicard Hall, na noite de quarta-feira (2), durante cerca de duas horas.

O show começou com “Before the Rain”, uma canção do novo álbum. Dele também foram incluídas a faixa-título, “All You Need Is Now”, “Safe (In The Hit Of TheMoment)” e o sucesso “Girls Panic!”. Esse foi tocado com direito a projeção notelão no fundo do palco de imagens do videoclipe, que foi proibido poremissoras como MTV e VH-1, e reuniu importantes top models como Naomi Campbell, Eva Herzigova e Helena Christensen, entre outras.

O show foi um verdadeiro espetáculo audiovisual em que a banda contracenou o tempo inteiro com vídeos extremamente atraentes, incluindo desde animações até imagens do expressionismo alemão. A música “Is There Something I Should Know?”, por exemplo, foi acompanhada por diversas imagens de relógios. Não é à toa que o Duran Duran é associado a uma das bandas que soube mais se valer do potencial dos videoclipes na década de 1980. A iluminação também chamou a atenção.

Repetindo o mesmo repertório apresentado no show do Rio de Janeiro, o Duran Duran desfilou hits como “Planet Earth”, “A View to a Kill”, “Save a Prayer”, “Notorious”,“Come Undone”, “The Reflex” (com introdução cantada pelo garoto Lucas, escolhido da plateia), “Hungry Like The Wolf” e “Wild Boys”, com direito a citação de “Relax”, da banda Frankie Goes To Hollywood. Também houve um momento de solo de saxofone (mais anos 80 impossível!) e um cover de “White Lines”, de Grandmaster Flash & Melle Mel.

Um dos momentos mais aguardados foi a participação da vocalista do Pato Fu, Fernanda Takai, na canção “Ordinary World”. Visivelmente nervosa, a cantora mandou um “Esse é um sonho nosso”. O bis contou com “Girls On Film” e “Rio”, com o vocalista Simon Le Bon abraçado à bandeira brasileira, encerrando duas horas de um potente espetáculo audiovisual que levou ao delírio uma plateia formada principalmente por mulheres e pessoas com mais de 30 anos, que sabiam boa parte das músicas de cor e dançaram sem parar. 

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Publicado em 03/05/2012

Clássico indispensável dos anos 80, 'Você não soube me amar' ganha documentário



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Filme de 15 minutos mostra desde a composição da música até seu sucesso estrondoso (Foto: Dilvulgação)

No verão de 1982, uma canção era escutada em praticamente todos os cantos do país – “Você Não Soube Me Amar”, composta por Evandro Mesquita, Ricardo Barreto, Guto Barros e Zeca Mendigo. A história de um romance juvenil, com ares de história em quadrinhos, com mistura de pop rock com samba de breque foi incluída no primeiro LP da banda carioca Blitz, e o resultado foi a venda de milhares de cópias. Afinal, envolvendo muito chope, batata frita e um bate-papo do vocalista, Evandro, com as backing vocals, Fernanda Abreu e Márcia Bulcão, ela fazia sucesso tanto na recém-criada rádio roqueira de Niterói (RJ), Fluminense FM, e na lona mais animada do Rio de Janeiro, Circo Voador, como no programa de auditório comandado por Chacrinha nas tardes de sábado da TV Globo.

Trinta anos depois, Leonardo Souza dirige e Daniel Accioly produz o ótimo documentário em curta-metragem “Mais de três foi o diabo que fez”, que, em 15 minutos, mostra desde a composição da música até o sucesso estrondoso que obteve, abrindo as portas da indústria fonográfica para dezenas de outras jovens bandas roqueiras, como Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Titãs, Ultraje a Rigor, Legião Urbana e Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, entre outras.

O curta tem o depoimento de todos os compositores (sendo que dois deles não se conhecem pessoalmente até hoje), que também relembram o contexto musical e político do início dos anos 1980, quando o Brasil, ainda sob o regime militar, vivia um processo cada vez mais intenso de abertura política. Mesmo com a censura ainda em ação, havia o espaço necessário para que uma nova geração de jovens compositores pudesse passar a se expressar aberta e livremente.

O objetivo é que o filme seja lançado ainda em 2012 e, para isso, Souza e Accioly resolveram aderir a um mecanismo de arrecadação de fundos online, em que os internautas ganham vários brindes relacionados à produção.

Leia entrevista exclusiva com o produtor Daniel Accioly.

Como surgiu a ideia de realizar o documentário “Mais de três foi o diabo que fez”?

A ideia surgiu ainda nos tempos de faculdade. Existia uma vontade muito grande de produzir algo que, de alguma forma, representasse um pouco do que foram os anos 80 para o Brasil. Um período tão representativo para a nossa cultura, política e sociedade merece ser lembrado sempre. E o país foi brindado com uma geração de ouro, com um encontro de poetas e músicos extraordinários. É fácil constatar isso quando presenciamos as grandes bandas daquela época em evidência até hoje, tocando em grandes festivais e sempre com shows lotados. Como fazer um trabalho sobre a década de 1980 ou mesmo sobre o rock desse período seria como reprisar trabalhos já consolidados no mercado, resolvemos procurar algo que representasse o início dessa febre. Achamos em “Você não soube me amar” o verdadeiro start para o movimento. O filme descreve como foi feita a música, mas vai além, passando por questões políticas, culturais e, acima de tudo, explica qual era a linha de pensamento daqueles jovens que não tinham espaço na mídia, mas tinham muita coisa para falar. Para fugir do estereótipo explorado exaustivamente pela mídia, optamos por uma atmosfera mais sóbria, menos colorida, tendo como foco principal a história. O resultado nos surpreendeu bastante.

Depois de realizá-lo, como você avalia a importância da canção “Você Não Soube Me Amar” para o rock brasileiro dos anos 80 e para a música brasileira como um todo?

Antes das gravações, estudamos o período e a história da Blitz. Na teoria, sabíamos que a música tinha sido um estrondo e o efeito que ela tinha causado. Mas foi durante os depoimentos que eu percebi a grandiosidade da obra e os motivos que fizeram dela esse estrondo. Trata-se da melhor obra de cada um dos quatro autores e a forma como a junção das ideias ocorreu foi determinante. Hoje, não tenho dúvidas de que o surgimento dessa canção foi o ingrediente mais relevante dentre todos que possibilitaram que o rock saísse das garagens e ganhasse as rádios, saísse dos grandes centros e pegasse a estrada rumo aos quatro cantos do país. Para a música em geral, a maior contribuição da canção foi revitalizar o cenário musical, ainda muito tenso e temeroso em função do período militar. A ascensão do rock ampliou os horizontes da MPB, e a Blitz com essa música fez com que isso fosse possível.

Quais elementos você acredita que transformaram a canção num sucesso tão grande?

Eu acredito que o elemento primordial para que essa canção tenha se tornado um marco foi a forma despretensiosa com a qual ela foi feita. A música deu certo pelo fato de os autores e da banda quererem se divertir com aquilo, acima de tudo. É claro que é preciso mencionar que a música chegou na hora certa e no lugar certo. Mas acho que o mais fascinante é que ela é uma grande música de rock. Ela tem uma letra cabeça, tem um riff certeiro, uma batida contagiante e um refrão arrebatador. Em virtude do trabalho, eu acabo ouvindo a música pelo menos uma vez por dia. É inevitável sentir um frio na barriga sempre. E muita gente nos relata que sente o mesmo. É uma montanha-russa em forma de música.

Por que vocês resolveram pedir para os próprios internautas que invistam no documentário para que ele seja lançado ainda este ano? A ideia é lançá-lo nas salas de cinema comerciais?

O documentário despertou grande interesse da mídia e do público, mas em função de algumas exigências contratuais, não poderíamos recorrer a editais. Conversamos desde o início com potenciais investidores, mas não chegamos a fechar com nenhum naquele momento. Recorremos ao financiamento coletivo em função da necessidade de colocarmos o filme no mercado. Apesar de muita mobilização e do compartilhamento espontâneo de centenas de pessoas, não obtivemos o sucesso esperado na empreitada.

Porém, nesse meio tempo, fomos procurados por potenciais parceiros, o que acabou gerando uma perspectiva animadora e a certeza do lançamento. O documentário sai ainda nesse primeiro semestre. Ele já está montado e agora é questão de detalhes. O projeto não foi concebido para o circuito comercial, mas sim para o circuito de festivais. Além disso, estamos trabalhando para ele ser veiculado em outras mídias e, assim, chegar ao conhecimento do grande público.

Optamos pelo formato de curta metragem, com 15 minutos de duração, que é um formato que nos permite participar da maior parte dos festivais, além de possibilitar a sua eventual adaptação para a televisão. Ainda não disponibilizamos o trabalho para nenhuma mídia, mas é uma das nossas prioridades colocá-lo na internet, mesmo que seja apenas no final do projeto. Devemos todo o retorno do trabalho à internet, e acreditamos nela como a mídia mais eficaz para o trabalho ser conhecido e reconhecido.

Por que ele deve ser lançado em 2012 e até agora quanto vocês já arrecadaram e como quem tiver interesse pode contribuir? O contribuinte se transforma numa espécie de sócio do filme ou ganha alguns brindes? 

O ano de 2012 é especial em função do aniversário de 30 anos do lançamento do primeiro disco da Blitz. A data foi planejada pela equipe em função de uma conversa com a Marcia Bulcão, componente da formação considerada clássica da banda e que colaborou muito com o projeto. Sabemos que durante o ano, outras produções aparecerão no mercado, com porte maior, mas dificilmente com um foco tão original quanto o nosso.

Sobre o crowdfunding, elaboramos uma lista de recompensas de acordo com o valor doado por cada pessoa. Mas a iniciativa foi um tiro no escuro. Arriscamos em função do feedback positivo gerado pelo trabalho, mas mesmo não tendo o retorno financeiro direto, enxergamos que a exposição gerada pela tentativa foi positiva. Como o nosso projeto no site de financiamento coletivo encerrou, não estamos mais abertos a contribuições de pessoas físicas, mas estamos à disposição de empresas que desejarem conversar sobre participação.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

 

Publicado em 03/05/2012

Titãs relembram 'Cabeça Dinossauro' no Circo Voador no Rio



Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Paulo Miklos, Branco Mello e Toni Belotto, três dos atuais Titãs fazem show no Rio para comemorar trajetória de três décadas (©Eryck Machado/Divulgação)

Comemorando 30 anos de carreira, os Titãs apresentam hoje (4) o repertório completo de um de seus mais cultuados álbuns, “Cabeça Dinossauro”, no Circo Voador, no Rio de Janeiro. O show está marcado para 23h30 e contará também com outros sucessos da banda, formada por Branco Mello (voz e baixo), Paulo Miklos (voz e guitarra), Sérgio Britto (voz, teclado e baixo) e Tony Bellotto (guitarra), com Mario Fabre (bateria) como músico convidado.

Lançado em 1986, “Cabeça Dinossauro” foi considerado pela banda paulistana como sendo o primeiro em que ela encontrou em estúdio a sonoridade que costumava atingir nos palcos. Também ficou famoso por refletir a prisão de dois integrantes – Arnaldo Antunes e Tony Bellotto.

O terceiro disco dos Titãs era um verdadeiro tratado a respeito das instituições e chamou atenção em função de uma pegada mais pesada e por uma mistura de ritmos, indo do punk rock ao reggae e funk, passando até por uma poesia concretista (“O Quê”).

Entre as canções mais conhecidas, estão “AAUU”, “Igreja”, “Polícia”, “Bichos Escrotos”, “Família” e “Homem Primata”.

Serviço
Show “Cabeça Dinossauro” – Titãs
Sexta-feira (4/5), às 23h30
Ingressos de R$ 50 a R$ 100
Circo Voador – rua dos Arcos, s/n. Lapa - Rio de Janeiro - RJ
Fone: (21) 2533-0354


guibryan1@redebrasilatual.com.br

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