Violência

Presidenta do Sindicato dos Metroviários de São Paulo é ameaçada, e centrais se solidarizam

Segundo a entidade, imagens e perfis de dirigentes foram expostos em redes bolsonaristas

Sind. Metroviários SP
Sind. Metroviários SP
Paralisação dos metroviários durou um dia e meio, na semana passada: governo paulista disse aceitar, mas não liberou catracas

São Paulo – A presidenta do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Camila Lisboa, recebeu ameaças de morte após a realização da greve da categoria, na semana passada. De acordo com a entidade, desde a última sexta-feira (24) foram três ameaças, em mensagens particulares via Instagram. Além disso, imagens de dirigentes sindicais e seus perfis em redes sociais “foram veiculados em grupos bolsonaristas, com xingamentos e mensagens de ódio”.

“As ameaças de morte que recebi revelam grave conteúdo misógino e racista, característico da extrema direita”, reagiu Camila em sua conta no Twitter. “Desde já reafirmamos que essas ameaças não irão nos calar. A categoria metroviária, seguirá sua luta por direitos, por transporte público de qualidade e pela catraca livre”, acrescentou.

Liberação de catracas

Na paralisação, os metroviários propuseram ao governo estadual que adotasse a liberação de catracas, para não prejudicar a população durante a greve. A proposta a princípio foi aceita, mas a Companhia do Metropolitano acabou recorrendo à Justiça contra a paralisação.

Sobre as ameaças, o sindicato disse ter tomado providências, mas cobrou investigação das autoridades. Esse é também o teor de nota divulgada pelas centrais sindicais (leia abaixo), que se solidarizam com a dirigente. Segundo as entidades, “este é um ataque e uma ameaça a todo o movimento sindical, e que vai ser denunciado em todos os locais, inclusive na OIT” (Organização Internacional do Trabalho).

Solidariedade à presidenta do Sindicato dos Metroviários de São Paulo

Após a poderosa greve dos metroviários (as), que encurralou o governador Tarcísio e mostrou o descaso do governo de SP com o transporte público, a presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Camila Lisboa vem recebendo, ofensas, xingamentos e ameaça de morte, nas redes sociais, por parte de indivíduos de extrema direita que não toleram as lutas dos trabalhadores.

As centrais sindicais brasileiras vem repudiar tais atos, prestar solidariedade a companheira e afirmar que este é um ataque e uma ameaça à todo o movimento sindical, e que vai ser denunciado em todos os locais, inclusive na OIT.

Exigimos também das autoridades a apuração das ameaças e a punição dos culpados.

São Paulo, 28 de março de 2023

Sérgio Nobre, Presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores)
Miguel Torres, Presidente da Força Sindical
Ricardo Patah, Presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores)
Adilson Araújo, Presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)
Moacyr Roberto Tesch, Presidente da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores)
Antonio Neto, Presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros)
Atnágoras Lopes, Secretário executivo nacional da Central Sindical CSP-Conlutas
Nilsa Pereira, Secretária-geral da Intersindical Central da Classe Trabalhadora
Emanuel Melato, Coordenador da Intersindical – Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora
José Gozze, Presidente da Pública Central do Servidor