Pesquisa estratégica

USP reúne 38 pesquisadores em instituto criado pelo CNPq para atuar no combate à fome

Trabalho que será coordenado pela Faculdade de Saúde Pública fará investigações sobre insegurança alimentar e terá soluções alinhadas com o desenvolvimento sustentável

Tomaz Silva / ABr
Tomaz Silva / ABr
Fome no Brasil afeta 33,1 milhões de pessoas, em quadro que se agravou durante o governo Bolsonaro e com a pandemia

Jornal da USP – A Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP foi escolhida para coordenar o novo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Combate à Fome. O instituto é um dos 58 INCTs criados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para trabalhar em pesquisas de excelência em áreas estratégicas ou na fronteira do conhecimento, visando a solução dos grandes desafios nacionais. Serão investidos cerca de R$ 324 milhões nos institutos que incluem temas como segurança alimentar, agricultura de baixo carbono, saúde única (one health), desigualdades e violência de gênero, inteligência artificial, nanofármacos, entre outras.

Com a proposta intitulada Combate à Fome: estratégias e políticas públicas para a realização do direito humano à alimentação adequada – Abordagem transdisciplinar de sistemas alimentares com apoio de Inteligência Artificial, a FSP contará com 38 pesquisadores de áreas diversas, além de bolsistas de nível superior, de diversas universidades e instituições: Unicamp, Ufscar, Unifesp, UFSJ, UFRGS, UFF, UFG, UFAC e Facamp UFBA, UFS, e Embrapa.

Pela USP, participam, além da FSP, pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), Faculdade de Medicina (FM), Escola Politécnica (Poli), Instituto de Estudos Avançados (IEA), Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA), Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), Escola de Comunicações e Artes (ECA), Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) e Escola de Engenharia de São Carlos (EESC).

Também participam Universidades estrangeiras, como a University of Saint Joseph (USJ), de Macao na China, a University of Toronto, do Canadá, Newcastle University, da Inglaterra, Universidade de Lisboa e Universidade do Porto, ambas de Portugal.

Segundo a coordenadora Dirce Maria Lobo Marchioni, professora do Departamento de Nutrição da FSP, a fome é um problema complexo que não é natural nem aceitável, com caráter estrutural e multicausal, natureza política e econômica, e impactos sobre a vida social como um todo. “A alimentação adequada é um direito humano, e sua garantia está alinhada aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU. Porém, há um aumento global da fome e desnutrição, agravadas pela situação pandêmica”, destaca.

Eixos interdisciplinares

Na proposta sobre o combate à fome serão desenvolvidos estudos a partir de cinco eixos: Saúde e Nutrição, Políticas Públicas, Cadeia de Valor, Inteligência Artificial e Comunicação. Os objetivos são:

  • conduzir estudos investigando a insegurança alimentar e os desafios e estratégias para atendimento do direito humano à alimentação adequada;
  • identificar os determinantes da produção sustentável de alimentos, a redução dos gargalos ao abastecimento e distribuição de alimentos de qualidade e saudáveis e diminuição das perdas e desperdício de alimentos;
  • investigar os determinantes sociais vinculados aos resultados de políticas públicas de alimentação e nutrição;
  • pesquisar, desenvolver e aplicar ferramentas e técnicas computacionais para coleta, fusão, processamento, armazenamento, análise, extração do conhecimento
  • disseminação de dados e informações sobre fome e insegurança alimentar em ambientes urbanos.

Como inovação, serão construídas ferramentas de análise e visualização modernas, que apoiem o tomador de decisão usando inteligência artificial. Outra inovação é a constituição da Comunicação como um eixo de investigação para a difusão e a divulgação científica, possibilitando a democratização do conhecimento para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e a diminuição das desigualdades.

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Conforme exige o CNPq, um INCT possui como coordenação uma instituição sede com excelência em produção científica ou tecnológica, alta qualificação na formação de recursos humanos e com capacidade de alavancar recursos de outras fontes, e por um conjunto de laboratórios ou grupos associados de outras instituições, articulados na forma de redes científico-tecnológicas, com uma área ou tema de atuação bem definidos, que estejam na fronteira da ciência ou da tecnologia ou em áreas estratégicas do Plano de Ação em Ciência, Tecnologia & Informação.


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