Negociação

Sindicatos e movimentos propõem diálogo com governo e prefeito de São Paulo para reduzir impactos da greve

“Se a preocupação do governador com a população é verdadeira mesmo, por que ele não libera as catracas?”, questiona líder dos metroviários. TRT dá liminar limitando a paralisação

Paulo Pinto/Agência Brasil
Paulo Pinto/Agência Brasil

São Paulo – Enquanto o governo paulista vai à Justiça do Trabalho para tentar inviabilizar a greve marcada para amanhã (28), o Sindicato dos Metroviários de São Paulo e várias outras entidades tentam o caminho do diálogo, propondo reuniões com o Executivo estadual e municipal para discutir medidas que visem “reduzir os impactos da greve para a população”. Assim, a entidade encaminhou ofícios ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) propondo abertura de diálogo e negociação.

Os documentos são assinados por dezenas de entidades, entre centrais, sindicatos e movimentos sociais. Os representantes dos trabalhadores propõem “estabelecer um diálogo sobre o funcionamento da cidade de São Paulo e outros grandes centros urbanos nessa data”.

O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) determinou que os trabalhadores da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) m 80% do efetivo em atividade no horário de pico (das 6h às 9h e das 16h às 19h) e 60% nos demais períodos durante a greve anunciada para 28/11. A decisão é do desembargador Marcelo Freire Gonçalves, vice-presidente judicial do Regional, que também determina multa diária de R$ 700 mil em caso de descumprimento.

Já a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) deverá operar com 85% do efetivo nos horários de pico (4h às 10h e 16h às 21h), além de 60% nos demais intervalos, sob pena de multa diária de R$ 600 mil. O relator é o desembargador Fernando Alvaro Pinheiro.

No fim de semana, a desembargadora Ivete Ribeiro prolatou limitar relativa à Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (Sabesp). Os empregados deverão manter disponíveis 70% do contingente ligado à prestação de serviços essenciais de saneamento básico, tratamento e abastecimento de água, bem como esgoto, com multa diária de R$ 30 mil em caso de descumprimento.

A presidenta do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Camila Lisboa, afirma que o movimento não quer causar maiores transtornos a população, que já convive com o “caos” das linhas privatizadas. “Os usuários são nossos aliados na luta contra a privatização, porque também serão prejudicados com a venda da Sabesp, do transporte público e dos cortes na educação. A nossa intenção com a greve, portanto, não é prejudicar a população, mas sim fazer o governador recuar nos seus objetivos de vender serviços essenciais do estado”, afirma.

Audiência de conciliação

Ela reafirmou a proposta de liberação das catracas. Isso permitiria “manter a circulação de pessoas na cidade e, ao mesmo tempo, garantir o direito constitucional de greve da categoria”. O tema será discutido, mais uma vez, durante audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), a partir das 15h45.

“O governador só tem feito discursos de preocupação com a população, mas na prática não tem feito nada. Nós, do movimento, estamos propondo concretamente uma solução. Liberar as catracas é possível. Foi feito no Enem. Se a preocupação do governador com a população é verdadeira mesmo, por que ele não libera as catracas?”, questionou.


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