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Haddad a Tarcísio: ‘Seu plano de governo para São Paulo poderia ser apresentado até no Paraná’

Em conclusão do debate da TV Globo entre candidatos ao governo de São Paulo, Haddad critica inconsistência do plano de governo de Tarcísio e lembra que, antes de atender desejo de Bolsonaro, ele planejava disputar vaga no Senado por Goiás

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"Como ele não conhece o nosso estado, ele vai se apropriando do que dá. E não é assim que se disputa uma eleição", disse Haddad

São Paulo – Na parte final debate entre os candidatos ao governo de São Paulo promovido na noite de ontem (27) pela TV Globo, Fernando Haddad (PT) criticou a inconsistência do programa de governo do adversário, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e sua decisão repentina de disputar o Palácio dos Bandeirantes. “Você não tem plano de governo. Não tem uma meta, um compromisso. Você falou que é a favor do Bilhete Único Metropolitano. Nada consta. Não consta a palavra “fome” no seu programa. Não consta “Etec nem Fatec”. Você leu seu plano? Eu li. O plano poderia ter sido apresentado no Paraná. Não mudaria nada. Não tem nada específico sobre São Paulo, serve a um propósito geral”, disse Haddad.

Em suas considerações finais, o ex-prefeito foi além em seu alerta para a falta de conhecimento do estado pelo ex-ministro de Jair Bolsonaro, principal responsável pela sua candidatura. “Só recentemente decidiu ser governador. Ia ser senador por Goiás. Não é assim que se trata São Paulo.”

Por diversas ocasiões durante o debate, Fernando Haddad reagiu a ataques de Tarcísio, que tentou desqualificar sua gestão na prefeitura de São Paulo. Entre os contra-ataques, desafiou o bolsonarista a apresentar propostas originais para os transportes e a mobilidade das cidades paulistas. E mostrou que Tarcísio cita projetos que não constam no seu programa de governo. Além disso, também lembrou que o adversário, enquanto ministro da Infraestrutura do atual governo, não realizou investimentos federais no estado.

“Você não colocou um centavo no estado de São Paulo. Está falando de um monte de obras que você decorou, mas que você não fez. Você é uma pessoa disciplinada para decorar. Mas acontece que você não conhece das coisas que está falando. Você teve três anos e meio para fazer. Sabe quantos quilômetros de asfalto você fez no sudeste inteiro? 10 metros de asfalto”, disparou Haddad. São dados do TCU (Tribunal de Contas da União). É público, basta verificar.

“Como ele não conhece o nosso estado, ele vai se apropriando do que dá. E não é assim que se disputa uma eleição. Tirando o bilhete único, e os contratos já assinados da CPTM e do Metrô, o que é novo no teu programa na área de transporte?”, questionou Haddad. Tarcísio respondeu listando investimentos no transporte ferroviário. “Você não botou um centavo do BNDES nas obras de ferrovias que você citou. Os trilhos em São Paulo ficaram ao Deus dará”, afirmou Haddad, criticando a gestão do então ministro.

Caso Paraisópolis

O caso de Paraisópolis foi tema do quarto bloco da discussão entre os candidatos. No último dia 17, um tiroteio na comunidade paulistana interrompeu um ato de campanha de Tarcísio. Inicialmente, a campanha bolsonarista alardeou o fato como um atentado, o que foi desmentido. O caso segue cheio de perguntas sem respostas e Tarcísio também não conseguiu dar explicações convincentes. Um membro de sua equipe de campanha ordenou a um cinegrafista que apagasse imagens feitas no local, que poderiam esclarecer as circunstâncias da morte de um rapaz no episódio. Haddad lembrou que o constrangimento para a destruição de evidências de um suposto crime é ilegal.

“Precisamos de uma polícia transparente. Que use câmeras, que preserve a cena do crime, preserve as provas (…) Um amigo teu (…) pediu para um cinegrafista apagar imagens em Paraisópolis onde ocorreu uma morte. Isso vai ser investigado. Você concorda com a atitude dele? Transparência vale para todo mundo, ou não? Para seu amigo não vale?”, questionou o petista.

Tarcísio acusou Haddad e a imprensa de “sensacionalismo” e disse que a ordem foi um “ato de boa fé”. O petista não aceitou. Ressaltou que o assunto é relevante e está na boca da população paulista. Também ressaltou a importância do trabalho da polícia, que fica dificultado com a ação. “A polícia é que decide manter ou não em sigilo a imagem. Esse procedimento é um absurdo. Pergunte para qualquer delegado se uma pessoa pode levar alguém que fez imagens de um crime e determinar que ela seja apagada. Pode comprometer a investigação. Isso gera suspeição. A sociedade está se perguntando o porquê disso”, disse Haddad.

Respeito com o eleitor

Na continuação do debate da Globo, Tarcísio perguntou a Haddad sobre a composição do seu secretariado, caso vença as eleições, numa tentativa de incluir o antipetismo na discussão. “Eu não nomeio secretário antes da eleição, porque é um desrespeito com o eleitor. É ele quem vai dar o seu veredicto final de quem deve governar São Paulo. Você é recém-chegado aqui, e tem ideias abstratas sobre São Paulo. Você quer vender o nosso principal patrimônio (referindo-se à Sabesp), quer tirar a câmera do policial, quer desobrigar a vacinação, não quer controlar a frequência escolar”, ressaltou Haddad. “Fico me perguntando, que tipo de secretário você vai ter. Quem vai compactuar com um agenda dessa?”

Modelo de gestão

Para rebater as críticas de Haddad contra a privatização da Sabesp, Tarcísio alegou que as ideias do PT ficaram “velhas”, “ultrapassadas”. Haddad, por outro lado, apontou que a ideia de privatizar serviços essenciais é que já são ideias rejeitadas em praticamente todo o mundo, lembrando as centenas de cidades que reestatizaram os serviços de abastecimento e saneamento. “Empresário quer é lucro”, completou.

Tarcísio destacou a sua suposta capacidade de gestão, e defendeu um modelo de estado baseado na livre iniciativa e no capital privado. Haddad, por outro lado, destacou ao seu adversário que, quando foi prefeito de São Paulo, a capital paulista recebeu “grau de investimento” de agências de risco internacional, que “representa o ápice” da boa gestão financeira”. Também citou que a sua gestão foi internacionalmente premiada por avanços em mobilidade urbana.

Plano de governo

Em sua consideração final, Haddad defendeu as propostas estruturadas em seu plano, classificando o pleito de domingo de “as eleições das nossas vidas”. “O mundo está olhando para o Brasil e para São Paulo. São Paulo é nosso estado. É onde nasci, me casei, eduquei meus filhos e fiz minha vida como comerciante, construtor, consultor, ministro, prefeito. Compare o que eu fiz e o que meu adversário fez (…) Precisamos voltar a sonhar grande”, concluiu.



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