Mundo em alerta

Egito convida Brasil para reunião de cúpula sobre a crise humanitária em Gaza

Cúpula no Egito, no sábado, vai reunir lideranças de vários países para discutir a guerra em Gaza, que já matou mais de 4 mil pessoas. Na pauta, a saída de estrangeiros e a criação de corredores humanitários

Agência Wafa
Agência Wafa
"A morte de mais de uma centena de jornalistas na Faixa de Gaza, em função dos bombardeios de Israel, expressa de maneira brutal e perversa as tentativas de calar a cobertura jornalística"

São Paulo – O governo do Egito enviou convite ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para participação do Brasil em reunião de cúpula para tratar da guerra na Faixa de Gaza. A reunião com lideranças de diversos países será no próximo sábado (21), no Cairo. E terá como principal foco a saída de estrangeiros do território palestino e a criação de corredores humanitários para o envio de alimentos e remédios à população civil da Palestina, alvo de ataques sem precedentes.

Há 12 dias, após ataque do grupo armado Hamas, o território está cercado e é alvo de bombardeios contínuos das forças militares de Israel. O número de mortos já passa de 4 mil.

O Palácio do Planalto aceitou o convite do governo egípcio. Ainda não foi definido o nome do representante do presidente Lula, que se recupera de uma cirurgia no quadril e não está autorizado a viajar. Por isso, enviará um representante. Mas é certo que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deverá acompanhar a reunião.

Saída após veto dos EUA

O convite ocorre após a tentativa do Brasil, que preside neste mês o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), de aprovar uma resolução no colegiado para por fim ao conflito. A proposta condenava os atos do Hamas contra Israel em 7 de outubro e apelava pela libertação imediata e incondicional de todos os reféns civis do grupo armado. A resolução também pedia cessar-fogo para a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza.

A diplomacia brasileira obteve amplo apoio em torno de um texto de consenso. Mas a oposição dos Estados Unidos, que é membro permanente do Conselho a tem poder de veto, frustrou a expectativa de ver a resolução aprovada. Além do Egito e Brasil, outros países árabes, como Jordânia, Catar e Turquia devem participar. No entanto, nenhuma lista oficial dos países participantes da cúpula neste sábado foi divulgada até o momento.

No último fim de semana, Lula falou por telefone com o presidente do Egito. Um avião da Presidência da República está no país e aguarda para fazer a repatriação de cerca de 30 brasileiros que estão em Gaza, perto da fronteira com o Egito. A travessia da fronteira ainda não foi autorizada.

Negociações continuam na ONU

Na noite de ontem (18), o ministro brasileiro das Relações Exteriores foi a Nova York para participar de novas rodadas de negociações pelo cessar-fogo. O Brasil ainda tenta costurar uma nova resolução no Conselho de Segurança da ONU. Interlocutores da pasta afirmaram ao portal g1 que a diplomacia brasileira ainda não deu por encerrada a negociação com outros países que integram o colegiado. O veto dos Estados Unidos pegou de surpresa o Brasil e também os demais países do conselho, entre os quais Rússia e China.

“Nós temos que esperar um pouco a evolução dos fatos e ver se há condição de acomodar. Tem que ser uma proposta diferente da atual, porque se repetirmos a mesma proposta, evidentemente que terá o mesmo resultado”, afirmou o chanceler ontem em depoimento à Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Redação: Clara Assunção, com portal g1 e Agência Brasil



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