Caso obscuro

Psol quer explicações sobre morte de miliciano ligado a Flávio Bolsonaro

Adriano da Nóbrega também estava ligado ao escândalo das “rachadinhas” envolvendo o senador e Fabrício Queiroz

Divulgação/Polícia Civil da Bahia
Armas apreendidas com Adrianoda Nóbrega não condizem com perfil do ex-capitão do Bope, segundo presidente do Psol

São Paulo – O presidente do Psol, Juliano Medeiros, vai a Salvador na próxima sexta-feira (14) para se reunir com o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa. Ele quer mais explicações sobre as circunstâncias da morte do miliciano Adriano da Nobrega, acusado de chefiar o Escritório do Crime, a mais antiga e perigosa milícia do Rio de Janeiro. Para Juliano, a captura do miliciano poderia auxiliar na elucidação de uma série de crimes. Adriano, juntamente com outros integrantes do Escritório do Crime, são suspeitos de participar da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

O miliciano, que é ex-capitão do Bope, também está ligado ao escândalo de corrupção ligado ao senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ). Sua mãe e a sua esposa foram nomeadas no gabinete do filho do presidente quando ele ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro. As duas remetiam parte dos salários recebidos ao ex-policial Fabrício Queiroz, suspeito de comandar o esquema de “rachadinha” no gabinete.

Segundo o presidente do Psol, o que mais chama a atenção na ação policial que culminou com a morte de Adriano da Nóbrega no último domingo (9) foi a foto tirada com os armamentos que supostamente estavam em posse do miliciano.

“São duas espingardas e duas garruchas velhas, enferrujadas, que nada lembram o que deveria estar em posse de um miliciano que era um atirador de elite. É pouco crível, pouco factível. Como já disse, o Psol não quer ser leviano e levantar nenhum tipo de suspeita, mas uma série de questionamentos estão pairando sobre as polícias que se envolveram na ação”, afirmou Medeiros aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, para o Jornal Brasil Atual, nesta terça-feira (11).

Por outro lado, Juliano resiste em endossar a tese de que a morte de Adriano teria sido uma queima de arquivo. “Queremos ouvir do próprio secretário sobre em que condições essa operação se deu. Não haveria, do nosso ponto de vista, nenhuma lógica para o governo da Bahia ter qualquer tipo de razão para se envolver numa queima de arquivo obviamente. O estado é governado inclusive por um partido de oposição a Bolsonaro. Teria todo interesse em revelar as circunstâncias nas quais Adriano agia no Rio de Janeiro. Por isso pedimos essa audiência.”

Moro omisso

O presidente do Psol criticou, ainda, a atuação do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, em especial o fato de Adriano da Nóbrega não ter sido incluído na lista de procurados divulgada em 30 de janeiro. “Beira o ridículo. Ele era líder de uma das principais organizações criminosas do Rio de Janeiro. Não incluí-lo na lista de procurados é um escárnio, um absurdo. Não é só. Ao longo do ano, ele foi chamado a se manifestar sobre vários episódios envolvendo a família Bolsonaro”, criticou.

Esse é o caso mais gritantes, mas são diversos os episódios em que Moro tem silenciado ou atuado para blindar a família e o governo Bolsonaro. Ele cita, como exemplos, o escândalo do laranjal do PSL, com a utilização de candidaturas-laranja para desviar dinheiro do fundo eleitoral, que atinge o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. E mais recentemente, as suspeitas de conflito de interesse envolvendo o chefe da Secretaria de Comunicação, Fabio Wejngarten. Ele é sócio de uma empresa que recebe dinheiro de agências e emissoras que mantêm contratos com a própria Secom.

“Ele deveria se manifestar não só sobre o caso do Adriano da Nóbrega, mas sobre todos os demais. E tem se mantido calado como parte desse grande pacto de silêncio que envolve a família Bolsonaro. Moro é, no mínimo, omisso. Mas mais do que isso, ele parece comprometido com essa operação de blindagem, o que é muito grave”, cobrou o presidente do Psol.

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