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Em audiência à PF, Lula diz que não incitou ocupação do tríplex pelo MTST

Segundo advogado de ex-presidente, Lula falou durante 10 minutos à delegada da PF que investiga a ocupação da unidade do Edifício Solaris, no Guarujá, pelo movimento em abril de 2018
Publicado por Redação RBA
14:27
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Caetano: “Força de expressão ao dizer que, se o apartamento fosse dele, Guilherme Boulos e seu pessoal poderiam ocupar”

São Paulo – A delegada Luciana Fuschini, da Polícia Federal (PF), ouviu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na manhã de hoje (26), para que ele prestasse esclarecimentos sobre a ocupação do tríplex do Edifício Solaris, no Guarujá, em abril de 2018, por representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), em ato de protesto contra a prisão de Lula sem provas de que o apartamento fosse sua propriedade. Após o depoimento, o advogado de Lula, Manoel Caetano Ferreira, falou à imprensa em Curitiba, onde Lula está preso desde 7 de abril de 2018.

“A audiência foi rápida e durou cerca de 10 minutos. A delegada queria que ele esclarecesse o que queria dizer no dia do discurso em São Paulo, e ele disse que estava num momento de indignação pela injusta condenação pelo TRF4”, explicou o advogado. “Foi uma força de expressão que utilizou ao dizer que, se o apartamento fosse dele, o Guilherme Boulos e seu pessoal poderiam ocupar.”

Antes da prisão, em um discurso na capital paulista, Lula ironizou sua condenação, dizendo que, “se eles me condenaram, me deem pelo menos o apartamento. Eu até já pedi para o Guilherme Boulos mandar o pessoal dele ocupar aquele apartamento. Já que é meu, ocupem”.

Como Lula não conversou com Boulos após esse discurso, ele não incitou a ocupação. Ele apenas  fez a referência num discurso que durou mais de meia hora e esse trecho tem seis segundos”, afirmou Caetano Ferreira.

Questionado se considera um exagero a delegada querer um depoimento, o advogado respondeu que a contribuição que Lula poderia dar ao inquérito relativo à ocupação do condomínio pelo MTST é “praticamente nenhuma”. “A polícia está fazendo seu papel de investigar uma ocupação que houve, mas o presidente não tinha nada que pudesse ajudar no esclarecimento.” A ocupação do condomínio em 16 de abril ocorreu nove dias depois da prisão de Lula.