Crise política

Impeachment é atentado à democracia e ao Estado de direito, diz Erundina

Deputada reitera críticas ao governo, mas se manifesta contra retirada de governante eleita legitimamente

psol/divulgação/Shlo
erundina-shlo.jpg

Para Erundina, ‘a democracia brasileira ainda não se completou’

São Paulo – A deputada federal Luiza Erundina (Psol-SP) reiterou críticas aos governos da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas reafirmou ser contra o processo de impeachment em curso. “Aprovar o impeachment de alguém eleito democraticamente, em eleições livres, é um atentado à democracia e ao Estado democrático de direito”, afirmou, durante evento hoje (11), em São Paulo, depois de ver confirmada sua pré-candidatura à prefeitura da capital.

Ela lembrou que é esse o posicionamento do partido, que tem Ivan Valente (SP) como representante na comissão especial do impeachment. “A menos que algum relatório, de forma concreta, comprovada, indique que houve crime de responsabilidade.”

Para Erundina, “a democracia brasileira ainda não se completou”. A afirmação era referência, principalmente, à carência de revelações sobre crimes cometidos durante o período da ditadura (1964-1985).

A parlamentar criticou a gestão Dilma pelo ajuste fiscal, “um atentado às conquistas dos trabalhadores”, e pela falta de diálogo. Também fez ressalvas ao governo Lula, por ter, segundo ela, “cooptado” os movimentos sociais, especialmente o sindical, o que teria comprometido “a autonomia e a independência” desse segmento.

Erundina disse ter deixado o PSB, após 19 anos (e depois de 17 anos no PT), por divergências com a orientação partidária. “Eu me encontrava insatisfeita, isolada e sem iniciativa.”