Troca de acusações

Israel acusa Hamas de violar trégua e retoma ataques na Faixa de Gaza; ONU ‘lamenta profundamente’

Hamas afirma que as negociações para prolongar a pausa foram “frustradas pelos israelenses” que “recusaram” sua oferta

UNOCHA/Samar Elouf
UNOCHA/Samar Elouf
Desde o anúncio do fim da trégua nesta manhã, 54 pessoas foram mortas na Faixa de Gaza de acordo com as autoridades palestinas

São Paulo – A trégua entre Israel e o movimento palestino Hamas terminou na manhã desta sexta-feira (21). O Exército israelense acusou o Hamas de ter violado o cessar-fogo e anunciou a retomada dos ataques na Faixa de Gaza, minutos após o fim da trégua temporária iniciada no dia 24 de novembro, às 7h (horário local).

“O Hamas violou a pausa operacional e, além disso, disparou contra território israelense. As Forças de Defesa de Israel retomaram os combates contra a organização terrorista Hamas na Faixa de Gaza”, declarou o exército de Israel em comunicado. Desde o anúncio do fim da trégua nesta manhã, 54 pessoas foram mortas na Faixa de Gaza de acordo com as autoridades palestinas.

Segundo o jornal The Washington Post, uma autoridade do Hamas afirmou que as conversações para prolongar a pausa foram “frustradas pelos israelenses” que “recusaram” a sua oferta de libertar reféns idosos do sexo masculino e os corpos de três reféns israelenses.

ONU lamenta

O secretário-geral da ONU, António Guterres, “lamenta profundamente” o recomeço das operações militares em Gaza após sete dias de trégua, em mensagem publicada nesta sexta (1º) em seu perfil na rede social X (antigo Twitter).

“Ainda tenho esperança de que seja possível renovar a pausa que tinha sido estabelecida. O recomeço das hostilidades só vem demonstrar a importância de um verdadeiro cessar-fogo humanitário”, afirmou Guterres, algumas horas depois de o exército israelense ter retomado os bombardeios na Faixa de Gaza.

Ataque em Jerusalém

Na manhã desta quinta (30), após o anúncio da prorrogação por 24h do acordo de trégua entre Israel e o Hamas,  um ataque a tiros na entrada de Jerusalém deixou três pessoas mortas e seis feridas, duas delas gravemente.  

Segundo a polícia israelense, dois atiradores armados com uma pistola e rifles M16 abriram fogo contra pessoas em um ponto de ônibus — o mesmo onde havia ocorrido um ataque a bomba fatal cerca de um ano atrás — num cruzamento por volta das 7h40 (horário local), após chegarem ao local num veículo. Mais tarde, o Hamas reivindicou a autoria do ataque, chamando os responsáveis (dois irmãos de 30 e 38 anos) de “mártires da Jihad”.

Segundo a agência de segurança Shin Bet, eles eram membros do Hamas e já haviam sido presos por atividades consideradas terroristas. Após o atentado, eles foram mortos por dois soldados das Forças de Defesa de Israel e um civil, que atiraram neles. Segundo a polícia, os policiais invadiram a casa dos dois e prenderam seis membros de suas famílias, incluindo seus pais, para interrogatório.

Hezbollah fala em interferência dos EUA

Em um comunicado divulgado no aplicativo de mensagens Telegram, Ali Damush, vice-presidente do conselho executivo do Hezbollah, afirmou que Israel retomou os ataques a Gaza por decisão dos Estados Unidos.

“Esta guerra desde o início tem sido a guerra da América contra o povo palestino, e todas as posições estadunidenses e o curso dos acontecimentos foram indicativos de que a América não é apenas um parceiro, mas é o tomador de decisões sobre o assunto”, diz o texto. “A resistência em Gaza e em toda a região não permitirá que os israelenses alcancem os seus objetivos nesta guerra e não permitirá que os americanos e os israelenses tenham a vantagem na região”.

Redação Brasil de Fato


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