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‘Faixa de Gaza está sendo destruída em níveis inaceitáveis’, afirma chanceler brasileiro na ONU

Em reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas convocada pela China, Mauro Vieira condenou a “espiral de violência” e a “intolerável” perda de vidas civis

Nações Unidas/Twitter
Nações Unidas/Twitter
“Solução permanente é Estado Palestino lado a lado com Israel, com fronteiras reconhecidas internacionalmente”

São Paulo – O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, pediu nesta quarta-feira (29), em união no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), uma posição responsável de países e organismos internacionais em relação à destruição na Faixa de Gaza e à guerra desigual entre o grupo islâmico Hamas e o Estado de Israel. Ele mencionou a “espiral de violência” e a “intolerável perda de vidas civis”.

“A faixa de Gaza está sendo destruída em níveis inaceitáveis”, afirmou o chanceler brasileiro. “Mais de 5 mil crianças morreram. A Unicef já deixou claro que as crianças estão no lugar mais perigoso do mundo no momento, a Faixa de Gaza. Mais de 1,7 milhão de pessoas foram deslocadas, (o que representa) mais de 80% da população da Faixa de Gaza, e milhares de residência foram destruídas”, continuou Vieira.

A reunião em Nova York foi convocada pela China, que assumiu a presidência temporária do Conselho de Segurança no início do mês. “Continuamos solidários às famílias palestinas e àquelas que tiveram familiares sequestrados”, continuou o chanceler brasileiro. Ele destacou que a ajuda humanitária aos palestinos “é muito menor de que a necessária” e citou “as violações das leis humanitárias internacionais supostamente cometidas na região”.

Chanceler defende solução permanente

O chefe da diplomacia brasileira lamentou também os mais de 100 representantes da ONU mortos no conflito. Vieira disse que a solidariedade se relaciona com “unidade”. “No Conselho de Segurança também temos de permanecer unidos e solidários a todos os que necessitam”, afirmou. “Temos de responsabilizar o Conselho de Segurança pela sua obrigação de defender a paz e a segurança internacionais. O que é pior? Não nos unimos no passado e não parecemos estar prontos para nos unirmos agora”, questionou.

Segundo o ministro brasileiro, todos países com influência precisam mostrar responsabilidade para uma solução permanente do conflito. A solução, defendeu, é “um Estado Palestino lado a lado com Israel, com fronteiras reconhecidas internacionalmente e neutras”. Apesar de tudo, ele saudou a extensão de mais dois dias da trégua entre as partes envolvidas na guerra.

Erdogan mantém o tom contra sionismo

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, manteve o tom elevado contra o massacre em Gaza. Em conversa ontem (28) com o secretário-geral das Nações Unidas, António Gutérres, o líder turco acusou Israel de “atropelar descaradamente o direito internacional” e pediu “julgamento por crimes de guerra” (leia aqui).

Em outro momento ontem, em reunião parlamentar do partido do governo, Erdogan disse que os israelenses “cometeram genocídio contra dois milhões de pessoas, transformaram Gaza em uma prisão a céu aberto, privando-as de comida, eletricidade e água”.

No mês passado, o líder turco já havia dito que o Ocidente é “o principal culpado dos massacres em Gaza” e mencionara Israel por “crimes de guerra”. “Os principais culpados dos massacres em Gaza são os ocidentais. Com exceção de algumas consciências que levantaram a voz, (estes) massacres são totalmente obra do Ocidente”, disse ele em 28 de outubro.


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