eleições 2018

Haddad aceita crítica de Mano Brown: ‘Precisamos voltar pra periferia de coração aberto’, diz

'Se somos partido dos trabalhadores, temos que entender o que o povo quer', criticou o rapper em ato no Rio. 'Um governo democrático convive com críticas. Bolsonaro não', afirmou Haddad

ricardo stuckert
mano brown

Ao lado de Caetano Veloso, Haddad e Chico Buarque, Brown discordou do clima de festa do ato

São Paulo – “Mano Brown tem toda a razão. Precisamos voltar pra periferia de coração aberto porque a periferia não votou com a gente no primeiro turno. Vamos voltar para a base pra governar o Brasil com a base, como sempre fizemos”, disse o candidato do PT no segundo turno das eleições 2018, Fernando Haddad, sobre a crítica feita pelo rapper em ato ontem (23), no Rio de Janeiro.

“Bolsonaro acha estranho que eu tenha eleitores críticos como Mano Brown e Cid Gomes. Bolsonaro estranha porque não admite críticas. Eu convivo com críticas e um governo democrático convive com críticas. Bolsonaro não”, disse ainda Haddad em sua conta no Twitter.

Ao lado de artistas como Chico Buarque e Caetano Veloso, Brown discursou aos apoiadores de Haddad em tom crítico. Em suas primeiras palavras, questionou o bom clima dos presentes. “Vim aqui representar a mim mesmo. Eu não gosto do clima de festa (…) Não tem motivo para comemorar. Tem quase 30 milhões de votos para alcançar ai. Não temos nem expectativa nenhuma para alcançar e diminuir essa margem”, disse em tom de lamento.

Ele convidou à reflexão sobre o discurso violento que permeia a política nacional e a importância de estratégias de comunicação. “Não consigo acreditar que pessoas que me tratavam com tanto carinho, que me respeitavam, me amavam, me serviam café, atendiam meu filho no hospital, se transformaram em monstros. Não posso acreditar nisso. Essas pessoas não são tão más assim. Se em algum momento a comunicação do pessoal aqui falhou, vai pagar o preço. Se não conseguir falar a língua do povo vai perder mesmo.”

“Fala bem do PT pra torcida do PT é fácil. Tem uma multidão que não está aqui que precisa ser conquistada ou vamos cair no precipício”, disse temendo a vitória da extrema direita no segundo turno, representada por Jair Bolsonaro (PSL). 

Brown disse que tinha prometido a si mesmo não subir mais em nenhum palanque eleitoral. “Política não rima, não tem swing, não tem balanço, nada que me interessa. Gosto de música. Mas estou vendo casais se separando, amigos de 35 anos deixando de se falar. Tenho amigos que não tenho mais como olhar no rosto por causa de política (…); se falhou vai pagar. Errou, vai ter que pagar mesmo. Não gosto de clima de festa. O que mata a gente é a cegueira. Deixou de entender o povão já era. Se somos partido dos trabalhadores, partido do povo, temos que entender o que o povo quer. Se não sabe, volta pra base e vai procurar saber. Minha ideia é essa”, concluiu.

Nesta quarta-feira, depois da repercussão de sua fala nas redes sociais e depois da aceitação da crítica por Haddad, Mano Brown usou sua conta no Instagram para voltar ao assunto das eleições e reafirmou seu apoio à candidatura de Haddad: “Pelo direito de Divergir e ser respeitado poder escolher seu candidato #Haddad13″.