Estagnado

Copom mantém juros em 2%: recuperação é desigual e inflação, acima do esperado

BC aponta cenário de incerteza, ainda mais com a redução do impacto dos auxílios emergenciais

Enildo Amaral/BCB
Depois de um ano de cortes, BC mantém os juros pela segunda reunião seguida

São Paulo – Pela segunda vez seguida, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve em 2% ao ano a taxa básica de juros, a Selic. Uma decisão que já era esperada pelo “mercado” e foi unânime, em reunião encerrada no final da tarde desta quarta-feira (28).

“As últimas leituras de inflação foram acima do esperado, e o Comitê elevou sua projeção para os meses restantes de 2020”, afirmou o Copom em comunicado divulgado logo depois do encerramento. “Contribuem para essa revisão a continuidade da alta nos preços dos alimentos e de bens industriais, consequência da depreciação persistente do Real, da elevação de preço das commodities e dos programas de transferência de renda.” O BC segue afirmando que se trata de um “choque temporário”, mas “mas monitora sua evolução com atenção”.

Durante um ano, até agosto, o Copom fez nove cortes na taxa básica de juros. Nesse período, a Selic foi de 6,50% para 2%. Enquanto isso, a inflação oficial (IPCA) teve em setembro sua maior taxa para o mês desde 2003 (0,64%). Em 12 meses, soma 3,14%.

Desaceleração e incerteza

“No cenário externo, a forte retomada em alguns setores produtivos parece sofrer alguma desaceleração, em parte devida à ressurgência da pandemia em algumas das principais economias”, diz ainda o Copom. “Há bastante incerteza sobre a evolução desse cenário, frente a uma possível redução dos estímulos governamentais e à própria evolução da Covid-19.”

“Em relação à atividade econômica brasileira, indicadores recentes sugerem uma recuperação desigual entre setores, similar à que ocorre em outras economias”, acrescenta o Comitê. “Os setores mais diretamente afetados pelo distanciamento social permanecem deprimidos, apesar da recomposição da renda gerada pelos programas de governo.”

Segundo o BC, a incerteza em relação ao crescimento “permanece acima da usual”. Ainda mais neste final de ano, “concomitantemente ao esperado arrefecimento dos efeitos dos auxílios emergenciais”.


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