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Brasil privatizado

Governo vende raspadinha e programas sociais perderão recursos

Dinheiro arrecadado com loterias era investido em esporte, cultura, segurança, educação, saúde; lucro agora vai para consórcio estrangeiro que pagou preço mínimo pela raspadinha
Publicado por Cláudia Motta, para a RBA
17:51
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Arquivo/Divulgação Loterias da Caixa

Privatização da Lotex, a popular raspadinha, significa ainda menos investimento público em segurança, saúde, educação, esporte, cultura

São Paulo – O governo Bolsonaro levou a cabo hoje (22) a venda das Loterias Instantâneas, a Lotex, atualmente operada pela Caixa Econômica Federal. Popularmente conhecida como raspadinha, a Lotex foi leiloada para o consórcio Estrela Instantânea, formado por grupos da Itália e dos Estados Unidos, único interessado após três tentativas de venda.

A privatização da Lotex terá impacto direto na vida dos cidadãos brasileiros. Atualmente, todo dinheiro arrecadado com loterias é investido pela Caixa nas áreas de seguridade social, esporte, cultura, segurança pública, educação, saúde. Em 2018, por exemplo, foram R$ 6,5 bilhões. Só para a educação foram destinados R$ 730 milhões, já que os prêmios não resgatados depois de 90 dias também vão para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

A conselheira eleita do Conselho de Administração da Caixa Rita Serrano conta que essa arrecadação chegou a R$ 8,1 bilhões no primeiro semestre, sendo R$ 4,8 bilhões apenas no segundo trimestre. O repasse semestral para esses setores foi de 37,3% do total arrecadado.

Para ela, a medida é parte da operação do plano de privatização da Caixa. “O desfecho, com a venda da Lotex, caracteriza o que já denunciamos há tempos: há um fatiamento com vistas à privatização das operações do banco público, diminuindo seu papel, representando uma imensa perda para o desenvolvimento do país”, destaca.

Preço mínimo

Diante do desinteresse pelo leilão, o governo alterou o edital de venda. O número de parcelas da empresa vencedora foi dobrado de quatro para oito. O tamanho mínimo das empresas foi reduzido. Em vez de faturarem pelo menos R$ 1,2 bilhão com loterias semelhantes, os concorrentes deverão faturar R$ 560 milhões. O prazo de concessão será de 15 anos.

A International Game Techology (IGT) e a Scientific Game International (SGI) ofereceram pela Lotex  R$ 96,969 milhões para a parcela inicial – apenas R$ 1 mil acima do mínimo exigido (R$ 96.968.123,51). Juntas, as duas empresas detêm 80% de participação do mercado de loteria instantânea no mundo.

O leilão foi realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES).

* Com informações do Reconta Aí e da Agência Brasil