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Seleções de 'ics', 'son' e 'ovs': significados de alguns sobrenomes de jogadores

Nomes islandeses, russos ou até sérvios viram motivos de memes na internet, mas poucos sabem o significado
por Felipe Mascari, da RBA publicado 18/06/2018 16h50, última modificação 19/06/2018 08h47
Nomes islandeses, russos ou até sérvios viram motivos de memes na internet, mas poucos sabem o significado
KSI.IS
Seleção Islândia

Na Islândia, as pessoas não possuem sobrenome. O segundo nome é formado pelo primeiro nome do pai ou da mãe com a inclusão de 'son'

São Paulo – Quando é divulgada a escalação de alguns países, como Rússia ou Croácia para os jogos da Copa do Mundo, parte da reação dos brasileiros é de risos, brincadeiras, memes nas redes sociais ou até de curiosidade. O motivo é a repetição de sufixos nos sobrenomes dos atletas, como son na Islândia, ic na Croácia, e ovs na Rússia.

Os sufixos são elementos acrescentados ao final de cada palavra. Em países escandinavos, eslavos e nórdicos, o patronímico, nome que possui origem no nome do pai, é utilizado para a criação de sobrenomes ou até nomes.

A Rússia é um dos exemplos de países eslavos em que se vê esse essa aplicação. A seleção anfitriã fez sua estreia, na última quinta (14), contra a Arábia Saudita, com a presença dos seguintes jogadores: Zirkhov, Kutepov, Samedov e Smolov. O final 'ov' em cada nome indica a qual família cada um pertence, ou seja, Zirkhov faz parte da família Zirkh. Essa regra também se aplica para nomes terminados em ov, ev, öv, in, ih, yh, para o masculino, ou ova, eva, öva, ina, ih, yh, para o feminino.

Outro atleta russo, o zagueiro Sergey Ignashevich, também é um exemplo de  patronímico. O sufixo de evich, 'ich', 'vich' sucede o nome do pai, ou seja, Sergey é filho de Ignash. Para as filhas, a regra acrescenta 'ovna', 'evna' ou 'ichna'.

Uma das estreantes no Mundial, a Islândia, é um dos países que preserva esse costume. Lá, as pessoas não possuem sobrenome e, para distingui-las, perguntam: "De quem você é filho?". O sobrenome no país é formado pelo primeiro nome do pai ou da mãe com a inclusão de "son", que significa filho, para os homens, ou “dottir”, que significa filha, no caso das mulheres.

Por exemplo, Gylfi Sigurdsson, o principal jogador islandês, e Ragnar Sigurdsson são dois destaques da seleção islandesa. Pelas camisas, é possível saber que ambos têm um pai chamado Sigurd, mesmo não sendo irmãos.

Outros países que utilizam o mesmo sufixo são Croácia e Sérvia, com o "ić", que também é um patronímico, mas funciona como diminutivo. Dessa forma, o craque croata Luka Modrić significa "pequeno Modar". 

Os sobrenomes de poloneses também são reconhecidos facilmente. Um dos prefixos mais comum é 'owski', 'ewski' e 'ński', como possui o atacante Robert Lewandowski. Seu significado é possessivo que pode ser traduzido em "do" ou "dos". Essas terminações são ligadas a substantivos, por vezes, simplesmente para indicar uma ligação a um lugar.

Outros exemplos

Na Coreia do Sul, o costume é formar um nome com o patronímico no começo, seguido por um nome pessoal. Em alguns casos, o nome da família consiste em apenas uma sílaba e o nome, em duas. Os sobrenomes mais comuns são Kim, Lee, e Park. Só na seleção são cinco "Kim" e três "Lee". 

Outro nome comum nesta Copa está nos países árabes, como a Arábia Saudita: MohammadDe origem hebraica, o nome significa "o louvado", e é uma transliteração arábica para Maomé, principal líder religioso do Islamismo para os muçulmanos.

O patronímico também é visto em culturas ibéricas, como Portugal e Espanha. O "ez", em espanhol, pode dizer que Fernández é filho de Fernando. No território português também é incluído o "es" para denominar o parentesco: "Simões" é filho de Simão, ou "Nunes" como filho de Nuno, por exemplo.