Em homenagem a vítimas do massacre em escola do Rio, ativista pede controle sobre venda de armas

As vítimas serão sepultadas ainda nesta sexta-feira; investigação sobre o atirador deverá ser intensificada

Velório de vítimas do massacre de estudantes no Realengo, Rio de Janeiro (Foto: ©Jadson Marques/Folhapress)

São Paulo – Amigos, vizinhos e parentes das vítimas da tragédia na Escola  Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, prestaram homenagens na noite de quinta-feira (7) e na madrugada desta sexta-feira (8).

Vasos com flores vermelhas e brancas e cruzes foram colocados no muro do colégio e sobre cada um deles expostos os nomes dos 12 adolescentes e crianças mortos pelo atirador Wellington Menezes de Oliveira, que atacou os estudantes na manhã dessa quinta-feira (7). Os corpos das crianças vítimas do massacre começarão a ser sepultados na manhã desta sexta, em cemitérios da região. Pelo menos quatro crianças serão enterradas no Cemitério Murundu, em Realengo.

A ONG Rio de Paz posicionou vasos com flores vermelhas e brancas e cruzes nos muros da Escola Tasso da Silveira e, sobre cada um deles, foi exposto o nome dos 12 adolescentes e crianças mortos. Wellington invadiu a escola e atacou os estudantes na manhã de quinta. A ação foi interrompida por um policial militar que atirou na perna de Wellington, imobilizando-o. Segundo a polícia, o atirador se matou diante do policial.

O presidente da ONG, Antônio Carlos Costa, pediu maior controle sobre as armas no país. Amigos e vizinhos também colocaram, na porta da escola, flores, velas e cartazes feitos por crianças lembrando os colegas mortos e feridos. 

De acordo com a ONG Rio de Paz, nos últimos dez anos 500 mil brasileiros foram vítimas de homicídio no país. Segundo a organização, que atua no combate à violência há quase quatro anos, a preocupação está localizada na questão da segurança pública.

Enterro das vítimas

Até o momento, apenas o corpo de Bianca Rocha Tavares tem horário de sepultamento confirmado, para as 14h. Mariana Rocha de Souza, Milena dos Santos Nascimento e Laryssa Silva Martins também serão sepultadas no Murundu. O corpo da menina Géssica Guedes Pereira está sendo velado em Realengo, mas será enterrado no Cemitério de Ricardo de Albuquerque.

Mais quatro vítimas estão com sepultamento marcado para o Cemitério Jardim da Saudade, em Jardim Sulacap, entre as 11h e as 12h30. Serão sepultados no local os corpos de Karine Chagas de Oliveira, Rafael Pereira da Silva, Larissa dos Santos Atanázio e Luiza Paula da Silveira.

Por determinação da presidenta Dilma Rousseff, os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Educação, Fernando Haddad, além da ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, devem comparecer às cerimônias.

Vítimas da tragédia

Os mortos, cujos nomes foram divulgados após identificação pelos peritos, são: Karine Chagas de Oliveira, 14 anos; Rafael Pereira da Silva, 14 anos; Milena dos Santos Nascimento, 14 anos; Mariana Rocha de Souza, 12 anos: Larissa dos Santos Atanázio, 13 anos; Bianca Rocha Tavares, 13 anos; Luiza Paula da Silveira, 14 anos; Laryssa Silva Martins, 13 anos; e Géssica Guedes Pereira, 15 anos.

Na noite de quinta, a Polícia Civil do Rio divulgou lista parcial com os nomes de nove das 12 crianças e adolescentes mortos, com idades entre 12 e 15 anos. São dez meninas e dois meninos, de acordo com os dados oficiais. Relatos de sobreviventes da tragédia afirmam que o atirador Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, mirava na direção das meninas.

Uma das alunas da escola municipal contou aos policiais que ao ouvir apelos das crianças para não atirar, Oliveira mirava na direção delas, tendo como alvo a cabeça. Os policiais informaram ainda que pelas análises preliminares há indicações de que Oliveira treinou para executar o crime.

Ainda hoje deve ser concluída a identificação das demais vítimas do massacre ocorrido ontem. A tragédia ocorreu por volta das 8h30, quando Oliveira entrou na escola municipal, onde cursou o ensino fundamental, apresentando-se como palestrante. Depois, ele seguiu em direção às salas de aula e em uma delas, no segundo andar do colégio, atirou na direção das crianças e adolescentes.

Investigação

O perfil do atirador ainda é desconhecido para as autoridades do Rio de Janeiro. As investigações sobre o jovem, que provocou uma das piores tragédias ocorridas no país, serão intensificadas nesta sexta-feira. Parentes, amigos e vizinhos de Oliveira prestarão depoimentos, além de funcionários e estudantes da escola.

Investigações preliminares indicam que Oliveira apresentava um comportamento estranho nos últimos meses, desde que a mãe adotiva morreu, no ano passado. De acordo com os relatos, o atirador era introvertido e gostava de passar longas horas em frente ao computador navegando na internet.

Filho de mãe com histórico de tentativas de suicídio, Oliveira era o caçula de cinco filhos e foi adotado ainda criança. Tímido e retraído, segundo vizinhos, o atirador fazia poucas referências sobre a vida pessoal. Um dos relatos de conhecidos informa que Oliveira mudou a aparência nos últimos meses, passando a usar basicamente roupas pretas.

Na carta deixada por Oliveira, o atirador demonstrava ter premeditado o crime, pois faz recomendações sobre como quer ser enterrado e o que deve ser feito com uma casa que deixou em Sepetiba, na zona oeste do Rio. Também pedia perdão a Deus pelo ato que cometeria dando a entender que havia planejado detalhes da ação.

Ainda na quinta, policiais encontraram a casa de Oliveira, em Sepetiba, revirada com o computador e eletrodomésticos queimados. Para alguns policiais, o próprio atirador destruiu possíveis provas ou indícios que pudessem colaborar nas investigações. O último emprego de Oliveira foi como funcionário de uma fábrica de salsichas e ele pediu demissão no ano passado.

Com informações da Agência Brasil

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