Do lado errado

Presidente da Funai é conivente com servidores investigados, diz especialista

“O sr. me protegendo fico mais tranquilo ainda”, afirma servidor investigado a presidente da Funai. Indigenista diz que não é único caso e cobra explicação

Mário Vilela/Funai
Mário Vilela/Funai
Xavier foi flagrado em grampo da PF oferecendo apoio ao servidor da Funai que foi preso

São Paulo – Em conversa telefônica interceptada, a Polícia Federal (PF) flagrou o presidente da Funai, Marcelo Xavier, oferecendo apoio ao servidor Jussielson Silva, preso em maio por arrendamento de terras indígenas em Mato Grosso. De acordo com reportagem do jornal O Globo, Xavier disse que o servidor pode “ficar tranquilo”. Isso porque ele acionaria a corregedoria da PF para barrar a investigação contra o seu comandado. “O senhor me protegendo, fico mais feliz ainda”, agradeceu o investigado.

Ex-fuzileiro naval, Jussielson era coordenador regional da Funai no município de Ribeirão Cascalheira, a 993 quilômetros de Cuiabá. Ele, um policial militar e um ex-PM, estão presos sob suspeita de cobrança de propina para alugar pastos ilegalmente na reserva indígena Marãiwatsédé, do povo Xavante. 

“A gente percebe, no mínimo, uma conivência do presidente da Funai – se não um estímulo, com uma pessoa que estava sendo investigada por fatos graves”, afirmou o presidente da Indigenistas Associados (INA), Fernando Vianna.

Em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, para o Jornal Brasil Atual desta sexta-feira (26), o indigenista destaca a inversão de prioridades do presidente da Funai. Em vez de se preocupar com os direitos dos povos indígenas, estava mais preocupado em livrar a cara do seu aliado. “A preocupação não era com o arrendamento ilegal”, afirmou o indigenista.

Vianna destaca que esse não é o único caso de um “homens de confiança” de Xavier envolvido com práticas criminosas em territórios indígenas. “Tem outro coordenador regional, no Sudeste do Pará, escolhido por ele, que foi pego fazendo um galpão na entrada da terra indígena Kaiaopó. Servidores do Ibama descobriram que esse galpão estava sendo usado para a prática de garimpo ilegal.”

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