Diário do Bolso

Sei que se não usar a máscara vai morrer mais gente. E daí? Morto não vota

Diário, mandei o Queiroga, ministro da Saúde, publicar um parecer que desobriga o uso de máscara pra quem já foi vacinado ou teve covid. Por que que eu quero isso? […]

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Diário, mandei o Queiroga, ministro da Saúde, publicar um parecer que desobriga o uso de máscara pra quem já foi vacinado ou teve covid. Por que que eu quero isso? Pra eu não ter que usar máscara, pô! Assim eu posso ir para São Paulo sem tomar multa do Calça Apertada (aliás, no tocante à minha campanha de reeleição, é muito bom ir nos estados governados por inimigos e fazer passeata, carreata e motocicletata, tudo pago com dinheiro público).

Eu sei que, se acabar com a máscara, vai morrer gente por causa da tal da de reinfecção. Esses dias aí até li a história de uma enfermeira que já pegou covid três vezes num ano. Mas, não sendo eu, sem problema. Todo mundo ficar sem máscara também vai ajudar a dar a ideia de que a pandemia já acabou. E se a gente fizer de conta que está tudo normal, está tudo normal. A única diferença é que morrem duas mil pessoas por dia. Mas morto não vota, talkei?

Aquela doutora, a tal de Margareth Glaucoma, da Fiocruz, já disse que as pessoas devem continuar usando máscara, ainda mais em ambientes fechados. Preciso despedir essa mulher. Em Israel não precisa mais usar máscara. Eu sei que lá já vacinaram mais de 50% da população com a segunda dose e aqui estamos só em 11%. Mas é como eu sempre digo: e daí?


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Quem me deu a ideia de acabar com a máscara foi a música daquele meu fã, o Edaílson. Ele é filho de militar, brinca com arma desde pequeno e diz que bota duas pílulas de cloroquina no uísque dele todo dia às seis da tarde. On the rocks! Nesse fim de semana vai andar de motocicleta comigo lá em São Paulo. O próprio cara pintou o capacete dele: é metade verde, metade amarelo e no meio tem uma cruz feita com dois rifles. Um artista!

No tocante à letra da música dele, o refrão é assim: “Máscara pra quê? Todo mundo vai morrer. Mostra o teu riso, irmão, mesm o que seja num caixão”. É poesia pura, Diário! Acho que até rolou uma lágrima aqui do meu olho direito. Ah, não era, não. Passei o dedo e lambi. Era o meu nariz é que tava escorrendo.

Torero

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