Inferno na terra

Novembro é o sexto mês seguido em que a Terra bate recorde histórico de calor

Segundo o Observatório Copernicus, da União Europeia, 2023 deve ser o ano mais quente da história, já que nos últimos seis meses houve um calor em todo o globo como jamais visto antes

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O calorão pode trazer apagão também devido ao aumento da demanda por energia para suprir aprelhos de refrigeração

São Paulo – Cientistas do Serviço Copernicus para as Mudanças Climáticas acreditam que 2023 será o ano mais quente da história. Isso porque a temperatura média dos seis últimos meses em todo o mundo tem atingido níveis jamais vistos. A de novembro ficou em 14,22°C, equivalente a 0,85°C acima da média de novembro de 1991-2020 e 0,32°C acima de novembro de 2020, o mais quente até então.

“As temperaturas extraordinárias de novembro em todo o mundo, incluindo dois dias mais quentes do que 2ºC acima (da média de temperatura) do período pré-industrial, significam que 2023 é o ano mais quente da história”, disse nesta quarta-feira (6) Samantha Burgess, diretora-adjunta do Copernicus.

A temperatura fora do normal de novembro deste ano chama ainda mais atenção quando comparada à temperatura média dos meses de novembro do período pré-industrial (1850-1900): foi cerca de 1,75°C mais quente.

No período de janeiro a novembro, a temperatura média registrada no planeta foi a maior já vista, com 1,46°C acima da temperatura média do período pré-industrial. Essa variação já supera a média dos onze primeiros meses de 2016, até então, o ano mais quente já registrado.

O Acordo de Paris, firmado em 2015, visa manter o aumento da temperatura média global em bem menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais — meta que parece distante.

O Copernicus divulga seus dados em meio às negociações na Conferência da ONU sobre as Mudanças Climáticas (COP28), realizada em Dubai. Na pauta, organizações ambientalistas pedem o fim das emissões produzidas pelos combustíveis fósseis, que neste ano tiveram um recorde. Enquanto isso governos protelam e lobbistas realizam negócios paralelos sem compromissos com o clima.

Falando em COP28, a Organização Meteorológica Mundial, ligada à ONU, chegou à mesma conclusão.

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Com Folha de S.Paulo