Saúde em jogo

Poluição atmosférica, uma epidemia silenciosa

O programa O Planeta Azul desta semana trata da poluição do ar, que mata aproximadamente 51 mil brasileiros todos os anos e contribui para sobrecarregar o SUS

Arquivo ABr
Os impactos da poluição do ar na saúde estão conectados com a incidência de mortes prematuras, doenças pulmonares, cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais, disposição ao câncer e ao diabetes

São Paulo – O programa O Planeta Azul desta semana trata de uma epidemia silenciosa que mata aproximadamente 51 mil brasileiros todos os anos, a poluição atmosférica. Os dados são do segundo o estudo O Estado da Qualidade do Ar no Brasil, elaborado por cientistas e especialistas no tema de diversas áreas, com coordenação do WRI Brasil.

Segundo a pesquisa, o estudo aponta que o país já possui um arcabouço legal que estrutura um sistema de gestão da qualidade do ar. “Ainda assim, também existe a necessidade urgente de que esse arcabouço tenha mais segurança jurídica, preveja recursos, crie um cronograma claro e mandatório para a implementação das próximas fases dos padrões nacionais de qualidade do ar e gere incentivos claros para a implementação das ferramentas previstas nele”, diz o estudo.

Os impactos da poluição do ar na saúde estão conectados com a incidência de mortes prematuras, doenças pulmonares, cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais, disposição ao câncer e ao diabetes, além de prejuízo do desenvolvimento cognitivo em crianças e demência em idosos.

Em apenas seis regiões metropolitanas brasileiras, onde vive 23% da população do país, se os padrões de poluição continuarem os mesmos de 2016 ocorrerão cerca de 128 mil mortes precoces entre 2018 e 2025. Haverá ainda 69 mil internações públicas a um custo de R$ 126,9 milhões para o Sistema Único de Saúde (SUS). A estimativa foi feita antes dos efeitos da pandemia de covid-19, que pode inclusive agravar esse quadro.

Combater a poluição do ar faz sentido também do ponto de vista econômico. Estima-se que os custos associados a mortes prematuras em função do ar poluído equivaleram, em 2015, a 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O impacto negativo na economia brasileira ocorre em função da queda de produtividade de trabalhadores, das mortes prematuras, das limitações para a aquisição de habilidades cognitivas relevantes para educação causada pela exposição aos poluentes e das perdas na produtividade agrícola.

Um grupo de 14 especialistas realizou a sistematização mais abrangente de estudos sobre a qualidade do ar no país e o economista e especialista em qualidade do ar Walter de Simoni, que coordenou este estudo, participou de O Planeta Azul. Confira abaixo.


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