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Movimento dos Atingidos por Barragem diz que Brumadinho é ‘tragédia anunciada’

Em nota de solidariedade às vítimas, movimento alerta para a responsabilidade das empresas e a busca de lucro a qualquer custo. Bombeiros calculam ao menos 200 desaparecidos

Bombeiros/MG – Google
Brumadinho Vale

Foto aérea de parte da região atingida pelo rompimento de mais uma barragem da Vale, em Brumadinho, comparada a antes do impacto da avalancha de lama

Brasília – O Movimento dos Atingidos por Barragens prestou solidariedade hoje (25) aos atingidos pelo rompimento da Barragem da Mina Córrego do Feijão, que pertence à mineradora Vale, no início da tarde. O acidente liberou no meio ambiente um volume ainda desconhecido de rejeitos de mineração. No fim da tarde, o Corpo de Bombeiros informou que aproximadamente 200 pessoas estavam desaparecidas após o acidente.

O Hospital João XXIII, instituição pública vinculada ao governo do estado e sediada em Belo Horizonte, acionou um plano de atendimento para múltiplas vítimas de catástrofes.

O município de Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, foi o mais atingido e a situação é considerada grave. “Há apenas três anos do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, mais um crime contra a vida é fruto desse modelo que apenas provoca tragédias anunciadas”.

Por meio de comunicado, o movimento diz ter denunciado o atual modelo de mineração utilizado no país, citando “empresas privatizadas e multinacionais que visam ao lucro a qualquer custo”. “Mais uma vez, o lucro está acima de vidas humanas e do meio ambiente”, destacou a nota.

De acordo com o movimento, a barragem tem capacidade de 1 milhão de metros cúbicos de rejeitos que, caso cheguem até o Rio Paraopeba, devem deixar um rastro de destruição, colocando em risco o abastecimento de milhares de famílias em mais de 48 municípios da Bacia do Paraopeba.

“Desde o ano de 2015, inúmeras denúncias vêm sendo feitas pelo risco de rompimento de barragens do complexo e, ainda assim, a Mina Córrego do Feijão teve sua ampliação aprovada pelo Conselho Estadual de Política Ambiental em dezembro do ano passado, 2018”, ressaltou o movimento.