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estado de exceção

Movimento social denuncia perseguição a Guilherme Boulos por ato no tríplex

Boulos foi chamado pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos sobre ocupação do MTST. Para lideranças do Psol e apoiadores, é tentativa de intimidação
por Redação RBA publicado 07/06/2018 17h47
Boulos foi chamado pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos sobre ocupação do MTST. Para lideranças do Psol e apoiadores, é tentativa de intimidação
facebook/guilherme boulos
povo sem medo

Manifestantes denunciaram criminalização dos movimentos sociais e perseguição

São Paulo – O líder do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) e pré-candidato à presidência pelo Psol, Guilherme Boulos, foi intimado pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos sobre ação do movimento social que ocupou por duas horas, em abril, o tríplex atribuído ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Guarujá, litoral de São Paulo. Ele, então, compareceu no início da tarde de hoje (7) na sede da PF, na capital paulista, ao lado de lideranças de seu partido e de apoiadores.

Boulos classificou sua convocação como parte de um regime autoritário vigente no país. “Lamentavelmente, temos vivido um processo de criminalização dos movimentos sociais. Isso nos preocupa muito, consideramos uma ameaça à democracia. É legítimo que movimentos sociais se organizem e lutem, se expressem em seu legítimo direito de manifestação e luta por justiça. Isso deveria ser considerado normal em qualquer democracia. Por isso, nos preocupa esse episódio”, avaliou.

O pré-candidato disse que respondeu a todas as perguntas que lhe foram feitas neste processo, que corre em segredo de Justiça. Boulos afirmou que não estava presente no dia, pois participava no momento de compromisso de campanha, mas que apoia a ação. “Deixei claro que não estava lá mas considero uma ação legítima e me orgulho dela. Ela ajudou a denunciar uma farsa judicial que levou o ex-presidente Lula injustamente para a cadeia como um preso político. Essa é nossa posição, do Psol e do conjunto dos movimentos sociais.”

Para Boulos, a ocupação simbólica deveria ser encarada como um ato político e não policial. “Isso não deveria ser tratado nesse âmbito, mas sim como discussão política. Foi uma ação para denunciar um acontecimento que a sociedade discute e que colocou um ex-presidente da República na cadeia. Reafirmamos com contundência a legitimidade da ação, nossa contrariedade frente a tentativas de criminalizar o movimento social e nossa curiosidade em saber quem é o real proprietário daquele imóvel”, completou, ao ironizar o fato de que nenhum proprietário reclamou o imóvel contra a ocupação.

Ao lado de Boulos estavam os deputados federais Luiza Erundina e Ivan Valente, o vereador de São Paulo Toninho Vespoli, o deputado estadual Carlos Giannazzi, todos do Psol, além do presidente da legenda, Juliano Medeiros.

“Houve tempos de mais democracia quando movimentos eram respeitados. O poder popular tem que ser exercido de forma autônoma e independente. Imaginar que Boulos determina tudo que o movimento faça é não entender a pedagogia, como se trabalha essas questões e não entender a soberania do povo. É mais um sinal do que acontece no país de exceção no tratamento das liberdades de organização”, afirmou Erundina.

Vespoli também criticou o que os presentes classificaram como tentativa de intimidação. “O que aconteceu hoje foi muito importante. Vemos o que significam nossas instituições. Elas estão ai para fazer o que os ricos e a burguesia querem. Um assessor do prefeito Bruno Covas (PSDB) foi pego com 100 mil reais e vários talões de cheques e até hoje não tem investigação nenhuma. O Guilherme significa um projeto que luta contra essa desigualdade. Se ele não lutasse, ele não estaria aqui hoje. Tem uma perseguição política e temos que deixar claro.”

Ivan Valente reiterou o caráter de intimidação ao movimento social. "Boulos não esteve presente (à ocupação do tríplex), não a organizou e tem o direito de se solidarizar. Nós do Psol estamos aqui para nos solidarizar com nosso pré-candidato. Esse tipo de chamado é uma intimidação inaceitável. Não tem sentido. Se é uma lógica de teoria do domínio do fato, repudiamos esse tipo de concepção jurídica policial e política. Rejeitamos essa convocação e estamos aqui para nos solidarizar”.