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Ouro negro

Refinarias da Petrobras funcionam com 68% da capacidade

Apesar de ter condições de suprir a demanda interna, política da estatal na gestão Temer importa 600 mil barris/dia
por Redação RBA publicado 28/05/2018 17h52, última modificação 28/05/2018 18h01
Apesar de ter condições de suprir a demanda interna, política da estatal na gestão Temer importa 600 mil barris/dia
Arquivo EBC
Refinarias Petrobras

Petrobras tem aumentado a exportação de petróleo cru, enquanto diminui a utilização de suas próprias refinarias

São Paulo – Mesmo tendo produzido, em abril deste ano, 2,6 milhões de barris/dia (sem considerar 673 mil barris de gás natural) para um consumo interno de 2,2 milhões de barris/dia, ou seja, 400 mil barris de petróleo a mais do que o necessário para atender ao consumo nacional, o Brasil importou em abril cerca de 600 mil barris de derivados/dia. Isto porque neste período a Petrobras refinou 1,6 milhão de barris/dia, apesar das refinarias da empresa terem capacidade de refinar 2,4 milhões – o que seria suficiente para atender toda a demanda interna se as refinarias não estivessem funcionando com apenas 68% da capacidade.

Na prática, a Petrobras tem aumentado a exportação de petróleo cru, ao mesmo tempo em que diminui a utilização de suas próprias refinarias. A análise do cenário da crise dos combustíveis deflagrada pela greve dos caminhoneiros é o objeto da nota técnica divulgada pelo Dieese no último sábado (26), explicando as razões pelas quais o Brasil tem comprado no mercado internacional um produto que poderia produzir internamente.

Segundo o Dieese, ao decidir praticar no mercado interno a paridade internacional do preço do barril de petróleo – isto significa praticar nas refinarias os mesmos preços dos derivados no mercado internacional  a Petrobras tornou o Brasil “mais vulnerável aos efeitos externos, reduzindo a capacidade de intervenção sobre os preços”. Esta vulnerabilidade pode acontecer tanto quando o preço do barril aumenta muito (como é o caso atualmente) ou quando há qualquer tipo de problema nos países fornecedores de petróleo, muitos deles localizados na sempre instável região do Oriente Médio.

Desde que o governo de Michel Temer instaurou a atual política de preços da Petrobras, em junho de 2016, a empresa já reajustou 216 vezes os preços da gasolina e do diesel. No primeiro momento, a partir de outubro de 2016, os preços variavam apenas com mais frequência, mas desde julho de 2017 as correções passaram a ser diárias.

Como comparação, entre maio de 2017 e abril de 2018, a inflação acumulada pelo Índice de Custo de Vida (ICV, apurado pelo Dieese no município de São Paulo) ficou em 2,79%, mas o aumento nos preços médios da gasolina foi de 19,75%, do álcool 15,05% e do diesel 10,99%.

Somente nos últimos 30 dias, a Petrobras aumentou 16 vezes o valor da gasolina e do diesel. “O preço da gasolina saiu de R$ 1,74 e chegou a R$ 2,09, alta de 20%. Já o do diesel foi de R$ 2,00 a R$ 2,37, aumento de 18%. Para o consumidor final, os preços médios nas bombas de combustíveis subiram de R$ 3,40 para R$ 5,00, no caso do litro de gasolina (crescimento de 47%), e de R$ 2,89 para R$ 4,00, para o litro do óleo diesel (alta de 38,4%)”, afirma a nota técnica do Dieese.

Cenário internacional

De acordo com o instituto, somado à atual política de preços adotada pela Petrobras, o aumento nos preços dos derivados de petróleo é influenciado por fatores geopolíticos do produto e pela valorização do dólar diante do real.

“Nos últimos três meses, houve crescimento expressivo (cerca de 23%) da cotação do barril de petróleo no mercado internacional, principalmente em razão do retorno das sanções dos Estados Unidos (EUA) sobre o Irã, do aumento geral da tensão no Oriente Médio, envolvendo Israel, Palestina e Síria, e da queda na produção de petróleo da Venezuela. Irã e Venezuela são dois grandes países exportadores de petróleo que, ao reduzirem as exportações, provocam aumento nos preços do barril, influenciando também o dos derivados. Além disso, desde o segundo semestre do ano passado, um acordo na Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), entre Arábia Saudita e Rússia, dois importantes produtores e representantes de polos politicamente opostos dentro da Organização, apontou para a necessidade de recomposição dos preços (leia-se, aumento da cotação internacional)”, explica o Dieese.