Pane no sistema

Metrô paulista sofre sete incêndios em cinco meses. Trabalhadores cobram transparência

Sindicato dos Metroviários evitou especulações sobre as razões dos incidentes na rede elétrica, sendo o mais recente no último domingo (24). Entidade cobra, no entanto, que o governo Doria seja transparente sobre as investigações

Diário dos Trilhos/Reprodução
Diário dos Trilhos/Reprodução
As estações Palmeiras-Barra Funda e Marechal Deodoro tiveram de ser fechadas neste domingo (24) após incêndio na rede elétrica

São Paulo – Na tarde do ´último domingo (24), um incêndio na rede elétrica próxima aos trilhos da estação Palmeiras-Barra Funda da Linha 3-Vermelha do Metrô de São Paulo, na zona oeste, levou ao fechamento de duas estações e acendeu um alerta entre os metroviários. O fogo teve início por volta das 17h30, e nas imagens feitas pelos trabalhadores é possível notar um curto-circuito no local, chamas e muita fumaça.

As estações Palmeiras-Barra Funda e Marechal Deodoro tiveram de ser fechadas. O sistema emergencial de ônibus (Paese) foi acionado para fazer o transporte dos passageiros.

Embora pareça ser um evento isolado, os incêndios na rede elétrica têm sido recorrentes nas estações do Metrô paulista nos últimos cinco meses. Levantamento dos metroviários revela que, em apenas uma semana, quatro incêndios atingiram três estações da Linha 1-Azul e uma estação da Linha 2-Verde. O primeiro caso de incêndio na rede elétrica ocorreu em 23 de junho, na estação Tucuruvi, mas sem consequências no funcionamento do sistema.

Outros incidentes

Apenas quatro dias depois, em 27 de junho, o mesmo aconteceu na estação Sé. O fogo consumiu a caixa de energia e deixou o local às escuras. No dia 30 houve novo incêndio, desta vez na estação Tiradentes, o que levou à evacuação e ao fechamento do ponto de parada. No dia seguinte, 1º de julho, foi a vez da estação Clínicas, na Linha 2-Verde, sem grandes consequências.

Em 9 de julho, na mesma linha, um incêndio foi registrado em uma das saídas de ventilação da estação Brigadeiro, na Avenida Paulista, durante a madrugada. Em 2 de agosto, outro incêndio atingiu a rede elétrica da estação Luz. O incidente provocou a parada da circulação dos trens. As estações São Bento, Luz, Tiradentes, Armênia e Carandiru também tiveram que ser fechadas no meio da tarde. Os trens ainda passaram a circular por via única devido ao estrago causado pelo incêndio. A situação só foi normalizada cinco horas depois. 

A semelhança entre os casos preocupa os metroviários que se reuniram na tarde desta segunda (25) para discutir as ocorrências. O coordenador do sindicato Wagner Fajardo evita fazer especulações sobre as causas dos incêndios. Mas ressalta que o governo João Doria (PSDB) precisa ser transparente ao explicar o que está havendo. 

Falta de transparência

“O que estamos fazendo agora é apurando e verificando o que aconteceu de fato para saber se esse é um problema recorrente, já que nestes últimos meses tivemos episódios parecidos que ocorreram no sistema, mas a gente ainda não conseguiu identificar se eles têm relação um com o outro. A princípio, nós defendemos que mais investimentos sejam feitos na manutenção, até porque existe um processo crescente de terceirização dos sistemas do Metrô e nós não sabemos ainda se esses incidentes têm relação com isso”, aponta Fajardo. 

Questionado, o governo Doria, no entanto, não ofereceu qualquer explicação à Rádio Brasil Atual sobre os incêndios ocorridos nos últimos meses. Em nota, a gestão tucana se limitou a relatar a ação no domingo e dizer que o incêndio foi controlado. Para Fajardo, a postura “mostra como o governo trata os problemas ocorridos no metrô”, como quando houve estouro de pneu do monotrilho da Linha 15-Prata, no ano passado, que deixou a rede fechada por três meses. Até hoje, os trabalhadores não sabem o que ocorreu.

“Essas coisas são feitas de forma sigilosa e nós achamos que, quanto mais democrática a informação, maior é a possiblidade de a gente ajudar inclusive a sanar o problema. Mas a gerência de manutenção não compartilha dessas informações nem com o sindicato e nem com os trabalhadores”, contesta.

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