Apesar de emprego em alta, rotatividade ainda é desafio para o país

São Paulo – A rotatividade de mão de obra permanece como desafio para o país em um período de queda das taxas de desemprego e ampliação da ocupação. Apesar disso, […]

São Paulo – A rotatividade de mão de obra permanece como desafio para o país em um período de queda das taxas de desemprego e ampliação da ocupação. Apesar disso, a duração de período de crescimento econômico aumenta a troca de empregos por decisão do trabalhador, e não apenas como conduta das empresas, observa o economista Anselmo Santos.

O professor do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit), da Universidade de Campinas (Unicamp), lembra que o fenômeno é antigo no país. A troca de funcionários nos postos é uma prática criticada por sindicatos, que defendem a adoção da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que prevê a extinção da demissão sem justa causa.

O estudo “Movimentação Contratual no Mercado de Trabalho Formal e Rotatividade no Brasil”, realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), confirma a gravidade da situação. Segundo o levantamento divulgado na semana passada, a taxa média de rotatividade da mão de obra brasileira de 2007 a 2009 foi de 36%, considerando-se apenas os desligamentos promovidos por iniciativa das empresas.

Mais de 50% das rescisões são sem justa causa, sendo que a segunda causa de dispensa decorre do fim do contrato de trabalho estipulado no momento da admissão. Ainda segundo o estudo, dois a cada três funcionários contratados, foram desligados antes de se completar um ano de contrato. Chegam a 40% as demissões antes de seis meses.

Santos, porém, lembra que a rotatividade tende a aumentar em períodos de crescimento econômico porque alguns trabalhadores buscam condições mais vantajosas. “Pessoas desempregadas que tinham se recolocado em postos muito ruins em 2004 e 2005 conseguem agora oportunidades melhores”, exemplifica.

“(Nesse contexto de crescimento,) tem a rotatividade das empresas, que demitem muito, mas tem a dos trabalhadores, que conseguem um emprego melhor, com renda melhor”, prossegue. Enquanto as trocas de emprego por motivação dos funcionários tendem à estabilidade em pouco tempo, a parte de responsabilidade das empresas mantém-se.

Demissões concentradas

O estudo do Dieese mostra ainda que as dispensas imotivadas concentram-se em 5,5% das empresas. Apenas 111 mil companhias foram responsáveis pelo desligamento de mais de 12 milhões de trabalhadores em 2009, o que equivale a 63,3% do total. 

Os setores com taxas mais altas de rotatividade, segundo o estudo, são a construção civil e a agropecuária. Eles mantiveram níveis de rotatividade de 87,3% e 77,9%, respectivamente. Os contratos por empreitada e a sazonalidade das safras são as explicações para o fenômeno, segundo os autores do estudo.

No comércio, as trocas de funcionários contratados ficou em 41,4%, enquanto no setor de serviços a parcela foi de 38,3%. Em ambos os casos, o indicador encontra-se acima da média nacional.

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