Escandalo das joias

Wassef diz que Wajngarten, advogado de Bolsonaro no caso das joias, pediu recompra de Rolex

O ex-ajudante de ordens Mauro Cid foi o principal negociador do relógio de ouro branco com loja norte-americana Precision Watches

Pedro França/Agência Senado
Pedro França/Agência Senado
Frederick Wassef é uma das pessoas mais próximas do clã de Jair Bolsonaro. Na foto, com Flávio, o Zero 1

São Paulo – Em depoimento à Polícia Federal (PF), o advogado Frederick Wassef – uma das pessoas mais próximas do clã de Jair Bolsonaro – afirmou que o ex-secretário de Comunicação Fábio Wajngarten, hoje um dos advogados do ex-presidente, foi quem lhe pediu para recomprar o relógio Rolex, ganho pelo ex-mandatário do governo da Arábia Saudita. Anteriormente, a joia tinha sido vendida a uma loja na Pensilvânia (EUA), pelo tenente-coronel Mauro Cid, na época ajudante de ordens da Presidência.

O ex-ajudante de ordens Mauro Cid foi o principal negociador do Rolex, segundo a PF. Informações enviadas pelo FBI à PF revelaram e-mails de Cid com a loja Precision Watches. Nas mensagens, Wassef aparece como a pessoa que recomprou o relógio, que havia sido incorporado ilegalmente ao acervo de Bolsonaro.

Segundo os e-mails em poder da PF, Cid teria dito ao estabelecimento comercial americano que pagaria o relógio em dinheiro vivo e que Wassef faria o negócio. Em troca, Cid ouviu da loja que era preciso assinar um documento, já que o valor da transação superava US$ 10 mil (hoje cerca de R$ 50 mil). As informações foram divulgadas primeiramente pela jornalista Bela Megale, de O Globo.

Os documentos desmentem a versão apresentada por Wassef. Em agosto, ele disse que viajou à Pensilvania para recuperar o relógio, mas negou que fora a mando de alguém. No mesmo mês, a PF apreendeu quatro celulares do advogado quando ele estava em um restaurante em São Paulo.

No entanto, diante de novas informações, foi obrigado a admitir que foi enviado para fechar o negócio. Wajngarten teria participado do planejamento e teria sido o mandante direto da recompra, operacionalizada por Cid.

Bate-boca de ex-aliados

Segundo Wassef, em nota, “Fabio Wajngarten passou a ser um investigado criminal e foi intimado a depor na Polícia Federal em 31 de agosto, exatamente após a apreensão de meus celulares pela Polícia Federal, em 17 de agosto. Ele se manteve em silêncio na polícia”.

No Twitter, Wajngarten agradeceu “a competente apuração da Polícia Federal que por razões mais do que óbvias já constata quando uma mentira tem perna curta”. Segundo ele, “a PF está de posse dos ZAPs de todos os envolvidos e sabe exatamente quem fez o que e principalmente quem não fez o que” (sic).

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O relógio foi vendido por Mauro Cesar Lorena Cid, pai de Mauro Cid, em junho de 2022 para a Precision Watches. Wassef viajou para os Estados Unidos em 11 de março. Depois de ele ser bem-sucedido na operação de recompra, Mauro Cid foi então para os EUA e recebeu o relógio de Wassef, retornando em seguida ao Brasil.


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