Política externa

Candidatos buscam resgatar protagonismo do Brasil abalado por Bolsonaro

Desgastadas por Bolsonaro, relações internacionais com foco em integração e soberania nacional serão pauta dos debates eleitorais

Arquivo/EBC
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As relações internacionais do Brasil no período Bolsonaro entram no rol de temas em que o país mais enfraqueceu. De potência global a párea

São Paulo – O Brasil decide, nas eleições de outubro, o reposicionamento – ou não – do país como promissora potência mundial. Sob o governo de Jair Bolsonaro, a imagem brasileira enfraqueceu diante da comunidade internacional. Nesse sentido, os programas dos demais candidatos à Presidência da República propõem resgatar a boa imagem do país. Lula (PT) enfatiza a defesa da soberania nacional, do diálogo de igual para igual com potências globais ou com países pobres nas relações internacionais. E também de uma integração maior com pares da América Latina e Caribe e da África. Simone Tebet (MDB) ressalta a importância de resgatar o protagonismo brasileiro no cenário internacional. O programa de Ciro registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pouco fala sobre o tema, e concentra-se na questão energética e na Petrobras.

Esperança

As propostas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão estruturadas no “Programa de Reconstrução e Transformação do Brasil”. O documento é assinado pela coligação Brasil da Esperança, formada, além do PT, pelo PSB, PCdoB, PV, Psol, Rede, Solidariedade, Avante e Agir.

O plano de governo do ex-presidente Lula está estruturado em torno de compromissos e propostas para a reconstrução de um país abalado. “Mais do que nunca, o Brasil precisa resgatar a esperança na reconstrução e na transformação de um país devastado por um processo de destruição que nos trouxe de volta a fome, o desemprego, a inflação, o endividamento e o desalento das famílias; que coloca em xeque a democracia e a soberania nacional, que destrói o investimento público e das empresas, e que dilapida o patrimônio natural, aprofundando as desigualdades e condenando o país ao atraso e ao isolamento internacional”, afirma o documento registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Nesta semana, o Instituo Lula lançou o livro digital O Brasil no Mundo, com imagens de Ricardo Stuckert de viagens internacionais do ex-presidente.

Soberania

As questões das relações internacionais e da soberania nacional são pontos centrais do programa petista. O documento traz um capítulo chamado “Defesa da Democracia e Reconstrução do Estado e da Soberania”. Além da recuperação da imagem e de uma política internacional altiva, o projeto atende cita compromisso com a Constituição em seu artigo 4º, parágrafo único: “A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações”, afirma a Carta de 1988.

Desse modo, o projeto defende como fator de segurança regional a um modelo de desenvolvimento que respeite as dinâmicas e o potencial econômico e produtivas de cada país. E que, por outro, estimular o fortalecimento em bloco da região através de um esforço de complementariedade. Ou, como costuma dizer Lula, integrar economias e culturas em busca de “um ganha-ganha” entre os países. Isso significa voltar a fortalecer fóruns criados com esse fim, como Mercosul, a Unasul, a Celac e os Brics.

Pária

As relações internacionais do Brasil no período Bolsonaro entram no rol de temas em que o país mais enfraqueceu. A nação respeita respeitada no G8 e no G20 virou pária internacional. O derretimento da imagem do país passa pela tragédia ambiental, pela afinidade de Bolsonaro com a extrema direita mundial e a conduta do atual presidente no enfrentamento da covid-19.

O programa de Bolsonaro tem um capítulo intitulado “Política Externa e Defesa”. No texto não estão presentes pontos de como o presidente atuou durante seu mandato, mas sim considerações genéricas sobre o papel histórico do Brasil na comunidade internacional.

“O Brasil constitui parte incontornável da solução dos principais desafios do planeta, tais como a segurança alimentar, a mudança do clima, a saúde global, a segurança energética, o desenvolvimento sustentável, o crescimento econômico robusto e duradouro e a geração de bem-estar (…) O Brasil continuará buscando, ao mesmo tempo, dentro do conceito universalista de nossa política externa, mercados, fontes de investimento e parcerias de cooperação com países de todo o mundo, sobretudo com os que tenham maior capacidade de contribuir para o desenvolvimento.”

Questão energética

O primeiro ponto relacionado a soberania presente no projeto apresentando por Ciro Gomes envolve a Petrobras. Diferentemente do de Lula, o do pedetista não se opõe categoricamente às privatizações. Ao citar participação do setor privado, Ciro Gomes tem foco nas novas formas de energia, como eólica e solar. O projeto prevê que “o setor privado deverá atuar intensamente nestes mercados de geração e comercialização das diversas novas fontes de energia, a partir do planejamento das necessidades e da oferta no Brasil”.

As citações diretas sobre relações internacionais são escassas no documento entregue ao TSE. Logo no início, o projeto aponta que o objetivo do governo seria capacitar o Brasil a alcançar indicadores de desenvolvimento semelhantes aos de Portugal. Já fatores como integração na comunidade internacional inexistem na carta oficial de campanha.

Prestígio perdido

Já o programa da senadora Simone Tebet (MDB) tem diretrizes claras sobre relações internacionais. Assim como o projeto de Lula, a emedebista afirma que buscará a integração entre as nações e a recuperação do prestígio nacional, perdido durante os anos de Bolsonaro. “Recuperar o prestígio da diplomacia brasileira nos diversos foros internacionais, intensificando a participação do país nos trabalhos das Nações Unidas, particularmente nos que se destinam a: mitigar as mudanças climáticas; promover o desenvolvimento sustentável; garantir a paz e a segurança internacionais; combater o tráfico de armas e de drogas, a corrupção, o terrorismo e a guerra cibernética, entre outras questões globais; e reformar a Carta da ONU e ampliar seu Conselho de Segurança”, aponta.

Simone Tebet ainda prevê “utilizar nossa extensa rede de representações diplomáticas no exterior para facilitar os fluxos bilaterais de pessoas, bens, serviços, investimentos e tecnologia; Engajar-se nas discussões de grupos plurilaterais dos quais o Brasil participa, tais como G-20 e Brics, com vistas ao fortalecimento do multilateralismo; e aAvançar no processo de acesso à OCDE, concebido como oportunidade para revisão geral das políticas públicas nacionais, visando seu aperfeiçoamento à luz das melhores experiências e práticas”.


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