Planos preparatórios

Com o Brasil na presidência do G20, Lula quer liderar combate à fome e transição energética

O Brasil assume o comando do G20 no próximo dia 1º e ficará 12 meses no posto. No último encontro preparatório, presidente da República anunciou a criação de duas forças-tarefas e um debate sobre governança mundial e instituições financeiras

YouTube/Reprodução
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Esta será a primeira vez do Brasil na presidência do G20 desde que o grupo passou a envolver os chefes de Estado e governo

São Paulo – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (23) que quer usar a presidência do Brasil no G20 para propor uma força-tarefa de combate à fome, à desigualdade e à pobreza. “Não é mais humanamente explicável em um mundo tão rico, com tanto dinheiro atravessando os atlânticos, a gente ter tanta gente ainda passando fome”, lamentou Lula.

A fala foi realizada durante uma reunião do presidente com ministros e representantes de poderes. O encontro marcou a instalação da Comissão Nacional do G20 no país, o último da “fase preparatória” para a presidência brasileira do grupo das 20 maiores economias do mundo. No próximo dia 1º, o Brasil assume o comando do bloco, onde permanecerá por 12 meses no posto. O objetivo da comissão criada, segundo o Palácio do Planalto, é auxiliar na coordenação e na organização do evento.

Transição energética

O presidente também anunciou que a gestão brasileira debaterá com força as questões que envolvem as mudanças climáticas e a transição energética.

“Essa transição energética se apresenta para o Brasil como a oportunidade que nós não tivemos no século 20, de termos no século 21 a possibilidade de mostrarmos ao mundo que, para quem quiser utilizar a energia verde para produzir aquilo que é necessário à humanidade, o Brasil é o porto seguro. Para que as pessoas possam vir aqui fazer os seus investimentos e fazer com que esse país se transforme em um país definitivamente desenvolvido”, acrescentou.

A temática ambiental é um dos grandes desafios do governo que, apesar de vir reduzindo as taxas de desmatamento na Amazônia Legal, por exemplo, ainda está distante a promessa de zerar a devastação até 2030. Um compromisso assumido por Lula.

Governança mundial

No discurso, o presidente também declarou que pretende usar a presidência do Brasil no G20 para discutir a governança mundial e as instituições financeiras internacionais. Lula usou como exemplo o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Instituições que historicamente financiam países endividados e funcionam como “se nada estivesse acontecendo no mundo, como se tivesse tudo resolvido”, contestou o presidente.

De acordo com o chefe do Executivo, é preciso rediscutir a forma de financiar “países pobres”, destacou, citando a Argentina como exemplo. “Muitas vezes instituições emprestam dinheiro não com o objetivo de salvar o país, que está tomando dinheiro emprestado para pagar dívida e não para produzir um ativo produtivo, em uma demonstração de que não há contribuição para salvar a vida dos países. Nós estamos vendo o que aconteceu na Argentina. Nós estamos vendo o continente africano com 800 bilhões de dólares de dívida”, afirmou Lula.

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