Ação contra Renan na véspera da eleição não é política, diz Gurgel

Procurador-geral alega que não teve tempo de analisar o processo, que é de 2007

Brasília – Sob suspeita de ter mais uma vez agido por motivação política, o Procurador-geral da República, Roberto Gurgel, tentou hoje (29) explicar a denúncia feita por ele ao STF contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) – que na próxima sexta-feira (1º) disputa a presidência do Senado como candidato da base aliada do governo Dilma Roussef.

O processo contra Renan é de 2007, quando ele foi acusado de usar notas frias para comprovar o pagamento mensal de R$ 12 mil de pensão alimentícia à filha de uma relação extra-conjugal. Na época Renan presidia o Senado. Sob forte pressão da imprensa, renunciou ao cargo.

A renúncia fez o caso cair no esquecimento. Com a volta de Renan ao centro da disputa pelo mesmo cargo, seis anos depois, Gurgel e a impensa decidiram retomar a história. A denúncia do procurador foi oferecida ao STF no último dia 25, faltando uma semana para eleição no Senado.

Em sua justificativa dada hoje, Gurgel alegou que não tempo de fazer a denúncia porque estava muito ocupado com a ação penal 470, conhecida por processo do mensalão.

“Todos sabem que, no segundo semestre de 2012, o procurador-geral ficou por conta do mensalão. Isso infelizmente retardou a apreciação não apenas deste, mas de uma série de outros feitos. (…) Evidentemente não houve, nem há qualquer intenção que isso tenha sido feito por essa ou aquela motivação, no momento em que se aproxima a eleição para a presidência do Senado”, disse ele, depois de participar da primeira reunião do ano do Conselho Nacional do Ministério Público.

O relator do caso no STF será ministro Ricardo Lewandowski.

No ano passado, além do episódio do mensalão, o procurador-geral foi acusado de ter agido com motivação política para proteger o bicheiro Carlos Cachoeira e o então senador goiano Demóstenes Torres (então no DEM). Gurgel teria trabalhado para retardar e abafar as investigações da Polícia Federal. Ele chegou a ser citado no relatório final da CPI do Cachoeira, com pedido de investigação, mas teve seu nome retirado por pressão do PSDB e de integrantes da própria base aliada.

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