Difícil

Obama aplaude acordo fazendo novas ameaças à Síria

Presidente diz que EUA 'estão preparados para atuar' caso al Assad não cumpra termos fechados com a Rússia. ONU espera que se caminhe para solução política, sem violência

Michael Reynolds/EFE

Obama repete argumentos de Bush ao afirmar que seu país é intolerante com armas químicas

São Paulo – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, celebrou o acordo fechado entre seu país e a Rússia com novas ameaças à Síria. Com uma disposição bélica de fazer inveja ao antecessor, George W. Bush, o chefe da Casa Branca afirmou que está pronto para o ataque, mesmo com o governo de Bashar al Assad aceitando todos os termos firmados hoje (14) em Genebra.

“Os Estados Unidos seguirão trabalhando com a Rússia, Reino Unido, França e as Nações Unidas, entre outros, para assegurar que este processo seja verificável e que exista consequências se o regime de Assad  não completar o acordo estipulado hoje. E, se a diplomacia falhar, os EUA seguem dispostos a atuar”, afirmou.

Após três dias de negociação na Suíça, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e pelo ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, firmaram um acordo que exige que a Síria apresente em uma semana um relatório completo sobre todas suas armas. Além disso, caso tenha armas químicas, o país deve se desfazer delas até a primeira metade de 2014, dando ritmo mais rápido que o comum à aplicação da convenção das Nações Unidas sobre o tema. Além disso, a inspeção dos lugares de armazenamento e produção listados deverá ser completada em novembro. A destruição dos equipamentos de produção e mistura de substâncias tóxicas deverá ser concluída no mesmo mês.

Obama afirmou em comunicado que o acordo proporciona uma “oportunidade para a eliminação das armas químicas da Síria de um modo transparente, rápido e verificável, o que poderia pôr fim à ameaça que estas armas representam não só para o povo sírio, mas para a região e o resto do mundo”.

O presidente disse que os Estados Unidos têm uma política de não tolerância diante do uso deste tipo de armas químicas – em 2003, o país invadiu o Iraque, e até hoje o domínio de armas químicas pelo regime de Saddam Hussein não foi comprovado. “Decidi que os Estados Unidos devem tomar medidas para impedir que o regime sírio utilize armas químicas, destruir sua capacidade para usá-las, e deixar claro ao mundo que não vamos tolerar seu uso”, acrescentou.

O ministro de Reconciliação da Síria, Ali Haidar, afirmou que o governo não apresentará oposição à atuação dos inspetores internacionais que supervisionarão o desmantelamento do arsenal químico de Damasco. “Acho que os inspetores internacionais poderão fazer seu trabalho, porque todas as instalações do governo não são apenas seguras, mas também acessíveis”, disse Haidar à Agência Efe. “A Síria necessitava de um alívio da pressão internacional. Queremos proteger nosso povo e não ser arrastados em direção a um conflito imprevisível com os Estados Unidos.”

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, expressou grande “esperança” de que o acordo alcançado entre Estados Unidos e Rússia sírias pavimente o “caminho para uma solução política” no país árabe. Em comunicado, o ele disse também que o organismo internacional se compromete a apoiar a aplicação do acordo e espera que o pacto impeça definitivamente o uso de armas químicas na Síria.

Ontem, Ban Ki-moon confirmou que a inspeção realizada recentemente no país comprovou a aplicação destes instrumentos, mas adiantou que o relatório a ser divulgado na próxima semana não é conclusivo quanto à autoria dos ataques, que podem ter sido feitos pela oposição.

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Catherine Ashton, declarou que os termos firmados entre Estados Unidos e Rússia devem facilitar o caminho em direção a uma solução política ao conflito. “Celebro o acordo conseguido hoje entre EUA e Rússia por garantir uma rápida e segura destruição das armas e do programa químico da Síria”, indicou a alta representante europeia em comunicado. “Espero que o acordo de hoje estreite o caminho para o reatamento dos esforços em favor de uma solução política ao conflito sírio.”

Com informações da Agência EFE.

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