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Número 16, Setembro 2007

viagem

Bah, que cidade!

A capital gaúcha oferece cultura, lazer, muito verde e, quem ainda não é de lá, fica com uma vontade imensa de não voltar para casa
por Mirian Sanger publicado , última modificação 12/09/2017 14h32
A capital gaúcha oferece cultura, lazer, muito verde e, quem ainda não é de lá, fica com uma vontade imensa de não voltar para casa
Leonid streliaev/nextfoto
Guaíba

Vista de Porto Alegre pelo Guaíba

A qualidade de vida de Porto Alegre está em todos os aspectos da cidade: nos ônibus com assentos confortáveis, na elegância e no sorriso constantes da população, no verde por todos os lados, na comida excepcional. Não é à toa que a capital gaúcha coleciona reconhecimentos. Da Organização das Nações Unidas recebeu três vezes o título de metrópole brasileira com melhor qualidade de vida. Tem o melhor Índice de Desenvolvimento Humano entre as cidades do Brasil com mais de 1 milhão de pessoas. Nove em cada dez moradores são alfabetizados; o abastecimento de água atende 99% dos lares e o de energia elétrica, 98%. Há uma árvore, ou 17 metros quadrados de área verde, por habitante. É a capital pioneira, desde 1990, na prática do orçamento participativo.

O clima subtropical úmido, com chuvas de assustar paulista, proporciona temperaturas extremas, de perto de zero grau no inverno a quase 40 graus no verão. Aos domingos, uma multidão saída de todos os lados da cidade visita o Brique da Redenção, feira a céu aberto com centenas de barracas de antiquários, artesanato e comidinhas na mais conhecida área verde da cidade, o Parque Farroupilha. Este, aliás, fica no bairro do Bonfim, reduto de imigrantes judeus vizinho à Cidade Baixa, uma das áreas boêmias da capital.

Porto Alegre tem estatura de cidade grande, ar provinciano, hábitos profundamente arraigados e linguajar muito peculiar. De vez em quando, alguns locais enfrentam “trânsito trancado”, mas com motoristas educados. Todas as manhãs, pais e mães vão ao mercado comprar “cacetinhos”, ou pães franceses, para a prole. Na hora de usar a “patente”, não se esquecem de fechar a tampa − porto-alegrense gosta de banheiro arrumado. Em caso de emergência, chamam a “brigada militar”.

Para conhecer melhor a cidade, que se espalha a partir dos 72 quilômetros de orla do Lago Guaíba, ali chamado de rio, uma boa saída é tomar a Linha Turismo, ônibus da prefeitura que percorre em 28 quilômetros vários pontos de interesse. É barato, pontual e ajuda a entender que o Centro não fica no centro, mas num canto ao sul da cidade, perto da imensa bacia que vai desembocar na Lagoa dos Patos.

Quem tomar ônibus das linhas convencionais verá em seus vidros grandes adesivos com os textos escolhidos no concurso anual Poemas nos Ônibus. Trinta poemas selecionados são expostos o ano todo nos ônibus e publicados num livro editado pela Secretaria de Cultura, com noite de autógrafos e tudo. O projeto já está em sua 16ª edição.

A capital é a metrópole onde mais se vendem livros no Brasil e realiza anualmente a maior feira literária a céu aberto da América Latina. A 53ª edição vai de 26 de outubro a 11 de novembro. O Hotel Majestic, uma soberba construção com influência arquitetônica alemã, abriga um centro que leva o nome do poeta Mario Quintana e expõe objetos ligados a sua memória. O Centro Cultural Usina do Gasômetro é um dos mais conhecidos e freqüentados. Gigantesco, oferece cafeterias, salas de cinema, teatro, shows − e a mais bela vista da cidade.

Famosa pelos churrascos, oportunidade de famílias e amigos passarem horas em torno do fogo conversando e petiscando – sem fatiar nem montar sanduíches, por favor –, a gastronomia de Porto Alegre comporta todo tipo de cozinha, da tailandesa à mexicana, da francesa à alemã. Da imigração alemã restou uma forte herança na culinária, hoje consumida até nos supermercados, na forma de pães fantásticos e marcas de macarrão impronunciáveis. O que não pega bem por lá é rede de fast-food. Diga o nome de uma delas a um porto-alegrense e verá uma careta. O local perfeito para sentir o cheiro – e o sabor – das gostosuras locais é o Mercado Público, com 117 bancas, bares e restaurantes. A construção, do século 19, é preservada e a vida corre pacificamente por lá os sete dias da semana. Todos com clima e cara de fim de semana.

Saiba mais: www.portoalegre.rs.gov.br

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