7 de setembro

SBPC: Independência do Brasil depende da ciência colocada em primeiro lugar

A soberania do país está atrelada à elevação da ciência ao status de política de estado, com percentuais orçamentários definidos na Constituição, segundo cientistas participantes de debate que marca o bicentenário da Independência. Mas a educação tem de andar lado a lado

Instituto Butantan
Instituto Butantan
Dependência externa: Laboratórios públicos brasileiros participaram da produção de vacina da covid, mas a partir do princípio ativo importado.

São Paulo – A independência do Brasil está atrelada à elevação da ciência ao status de política de estado, com percentuais orçamentários definidos na Constituição, defenderam cientistas participantes de debate da série “Contagem Regressiva para o Bicentenário: Rumos à Independência”, promovido na noite dessa segunda-feira (5) pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

“No Brasil a ciência não chegou ao lugar de política de estado. Por isso, o financiamento tem de ser definido na Constituição, para não ficar dependendo da vontade de cada governo. Os cortes no atual governo, negacionista e obscurantista, na ciência e educação, não estão nos debates eleitorais. Mas pelo menos falar mal da ciência tira votos, o que já é um avanço”, disse o neurocirurgião Paulo Niemeyer Soares Filho, da Academia Nacional de Medicina (ANM).

Ciência e educação para a independência

Para o médico, “só vamos conseguir nossa independência quando a ciência estiver em primeiro lugar”. E a ciência como prioridade, para ele, não pode prescindir de uma educação igualmente valorizada, para andar junto com a ciência. “Não tem como formar cientistas se não tiver educação de qualidade para todos”, disse.

Nessa perspectiva de país soberano e independente, a presidenta da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nisia Trindade, falou sobre a importância da ciência brasileira consolidada pela covid-19. Em uma revisão da história dos institutos públicos de pesquisa, nos quais se destacam o Oswaldo Cruz, que mais tarde se tornaria Fundação, e o Butantan, de São Paulo, ela mostrou que essas entidades foram criadas em resposta a emergências sanitárias, como a peste bubônica. E que recentemente, durante a pandemia do novo coronavírus, tiveram destaque.

“Ambas ficaram expostas a emergências sanitárias e tiveram aprovação da população em tempos de pandemia, que revelou o papel estratégico da ciência para a vida e o desenvolvimento do país,. Foram as duas que nos permitiram estar aqui sem máscaras”, disse, referindo-se ao papel desses institutos no desenvolvimento e na produção de vacinas para prevenir as complicações da covid.

E para que se possa fazer ainda mais, a ciência e a tecnologia que garantem a independência do Brasil necessitam de fortalecimento orçamentário até atingir 2% do PIB em quatro anos, defendem os pesquisadores. Além disso, de novas formas de organização do conhecimento para estreitar o vínculo com as demandas da sociedade, reforçar a informação e comunicação como elementos centrais para o diálogo entre ciência e sociedade.

Por fim, concluem que também é necessário instituir políticas e práticas institucionais que promovam o acesso ao conhecimento científico e a informações confiáveis como direitos de cidadania e elementos fundamentais para a democracia.

Confira a íntegra do debate


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