Abandono

Coronavírus: prefeitura de São Paulo está com trabalho de base paralisado

Capital paulista já tem confirmados 14 mil casos de coronavírus. “Cidade precisa agir em sintonia com o estado para promover isolamento e solidariedade”

Governo do Estado de São Paulo
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São Paulo – A prefeitura da capital paulista se mostra incapaz de formular, coordenar e executar ações necessárias para o controle da transmissão do coronavírus. Na avaliação de Ubiratan de Paula, médico pneumologista da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), a cidade não apresenta um trabalho de base, principalmente nas regiões periféricas.

Em entrevista à Rádio Brasil Atual, nesta segunda-feira (27), Ubiratan afirma que a gestão Bruno Covas (PSDB) não orienta a população nem promove solidariedade organizada. A capital teve 14 mil casos e 1.133 óbitos confirmados no domingo (26).

“Pelo que converso com as pessoas, falta ação do poder público. Em cada região, precisamos ter uma integração entre educação, assistencial social e a saúde. Essas três esferas podem orientar o distanciamento social. O trabalho de base está paralisado. A periferia é o novo alvo da pandemia e é preciso de um trabalho solidário da prefeitura e do estado”, criticou o médico.

Apesar do aumento de casos, a prefeitura e o governo de São Paulo cogitam o relaxamento do isolamento social e a abertura de parte do comércio, a partir do dia 11 de maio. O médico critica a decisão. “Estamos numa curva em ascensão, em que o número de casos dobra a cada oito dias. Ainda temos o problema das notificações por conta da falta de testes. Não cabe pensar em medidas de relaxamento, é preciso aperfeiçoar o isolamento e criar novas ações”, alertou.

Participação do Estado

Em um artigo no site Viomundo, Ubiratan defende algumas medidas do executivo para o combate do novo coronavírus, como instituir um comitê em cada uma das 32 subprefeituras da cidade.

Ele também defende que a prefeitura amplie o atendimento da rede básica de saúde para atender as pessoas que necessitam de cuidados médicos durante a pandemia. “Precisamos dar atendimento aos pacientes com doenças crônicas, como pressão alta e diabetes, que foram adiados na pandemia. Essas pessoas não podem ficar um longo período sem atendimento médico”, explica o médico.

O especialista afirma que o governo de São Paulo precisa requisitar os leitos privados para atender toda a população do estado. De acordo com ele, essa necessidade é um reflexo da política de desprestígio do setor público, desde a Emenda Constitucional (EC) 95, que congelou o orçamento por 20 anos e tirou R$ 20 bilhões do SUS.

“Espero que a pandemia sirva de exemplo para retomarmos o fortalecimento permanente da saúde pública. O governo estadual terá que administrar os leitos privados, mas precisa ser rapidamente. A capital de São Paulo concentra 21% dos casos do país e é preciso fazer a requisição, se não as pessoas vão ficar sem atendimento e não vão sobreviver”, acrescentou Ubiratan.

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